A Justiça determinou que o GDF pague R$ 90 mil de cachê a uma dupla sertaneja, que alega ter levado um calote do governo. A dupla goiana Israel e Rodolfo foi uma das atrações da festa de aniversário do Gama, realizada entre 12 e 15 de outubro de 2016. O show dos artistas reuniu mais de 20 mil pessoas, teve divulgação nos canais oficiais do GDF e contou com a presença da administradora regional da cidade, Maria Antônia Magalhães. Mas os sertanejos reclamam de um calote e foram à Justiça contra o GDF. O pagamento do cachê de R$ 90 mil chegou a ser empenhado pela administração, mas foi cancelado poucas horas antes da apresentação. O governo alega que, como não houve assinatura de contrato, não se pode falar em dívida com os artistas.

O argumento é refutado pelo juiz Jansen Fialho, da 3ª Vara de Fazenda Pública, que condenou o governo a pagar o valor devido aos músicos. “As imagens retiradas das redes sociais e juntadas aos autos confirmam que o show aconteceu em comemoração ao aniversário da cidade do Gama. Outrossim, não merecem prosperar as alegações formuladas pelo Distrito Federal de que a contratação foi celebrada por terceiro, uma vez que é destituída de qualquer prova”, explicou o magistrado.

Jansen Fialho lembrou que o cancelamento da nota de empenho ocorreu a poucas horas do show. “Deveria o réu informar com antecedência aos artistas o motivo do inadimplemento do pagamento, a fim de que os mesmos não efetivassem a prestação de serviço, razão porque restou cristalino nos autos a responsabilidade do réu em pagar ao autor os valores monetários contratados. Pensar de forma diferente, é oportunizar o enriquecimento sem causa ou ilícito do réu, com clara violação ao direito constitucional de propriedade da autora”, acrescentou o juiz.


A dupla goiana Israel e Rodolfo com administradora regional Maria Antônia. Foto: Internet 

CB. PODER - Blog do Correio Braziliense - 


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Sertanejos vão à Justiça contra o GDF para cobrar cachê de R$ 90 mil por show no Gama

Zé Felipe: GDF paga cachê alto para o “Bieber do Sertanejo”

De 23 a 28 de maio, 26 autores do DF participarão do evento. Encontros são realizados em cafés e bares da cidade para resgatar boemia da capital
Por Graziele Frederico, G1 DF Foto: Reprodução/Divulgação - 22/05/2017 - 22:30:00

Brasília recebe um evento literário de 23 a 28 de maio que busca reunir 26 escritores da cidade em bares e cafés para discutir e fortalecer a produção da literatura no Distrito Federal. “Ler, beber e conversar” é o tema do encontro que busca reunir escritores, livros e resgatar a boemia da capital.


“Queríamos fazer alguma coisa que partisse dos escritores, que pudéssemos nos reunir e conversar sobre como movimentar e fortalecer o sistema literário local”, contou um dos organizadores, o escritor Jéferson Assumção.


Assumção nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e para ele, um dos pontos que faltam em Brasília são as livrarias de rua, os pequenos espaços para reunir e divulgar a cultura que é feita na capital.


“Já que Brasília não tem livrarias de rua, vamos fazer nosso evento nos bares, porque são lugares de encontro, de troca."


Segundo o escritor, a ideia do Movida Literária veio também com a intenção de resgatar um espírito boêmio na cidade. “Queremos buscar um espírito crítico da cidade e tirar a literatura desse lugar como se estivesse acima da vida das pessoas.”

O escritor relembra que na Europa, durante a Idade Média, as universidades eram lugares habitados por clérigos e os que não conseguiam se enquadrar no sistema de regras da Igreja iam para as tabernas discutir o conhecimento e o que estavam produzindo. Eles ficaram conhecidos como boêmios e é esse sentido histórico de boemia que os organizadores querem trazer para Brasília durante uma semana.


“Queremos fazer um movimento para descolar Brasília da ideia de poder, de burocracia, de corrupção ”, diz o poeta Nicolas Behr.


Para Behr, a cidade é muito estigmatizada e são os movimentos informais e espontâneos que podem desfazer o rótulo de centro administrativo e político. “Acho que esse rótulo incomoda muito e talvez o começo de uma identidade brasiliense seja a negação da autoridade, do poder, do reto, do racional”.


O poeta considera que o grande movimento da capital que já tentou desligar Brasília dessa imagem foi o rock produzido aqui na década de 1980. Para a jornalista e escritora Paulliny Tort, a cidade está ganhando uma autoestima e isso começa a aparecer nas obras produzidas pelos escritores brasilienses.


“A cidade está amadurecendo e começa a ter uma identidade mais marcada, porque embora tenha gente de tantas regiões aqui, Brasília começa a ter uma identidade brasiliense. Vejo como a autoestima da cidade cresceu nos últimos anos e como a cidade começa a se reconhecer, ser dona de uma identidade que aparece também na literatura. ”


Jéferson Assumção conta que vê Brasília em três planos: o local, ligado a questões do Distrito Federal, as dificuldades e particularidades locais; o nacional, sendo Brasília a capital do país e, por fim, um plano internacional, devido a comunidade de embaixadas e organizações internacionais que fazem parte do cotidiano da cidade.


“Os escritores que estão aqui tem a possibilidade de contribuir e absorver essas três camadas e propor um protagonismo. ”


O antropólogo e escritor Maurício de Almeida argumenta que outro ponto favorável para Brasília é a questão geográfica. “A cidade está no centro do país. Tem muita coisa acontecendo no norte, nordeste e Brasília faz essa mediação com o eixo Rio-São Paulo e o Sul. ”


Sobre a distância entre autores do Plano Piloto e as outras regiões administrativas do Distrito Federal, os organizadores afirmaram que houve uma tentativa de aproximação. “Nesta edição temos alguns autores como a Marina Mara e o Jorge Amâncio que já fazem essa ponte, mas para os próximos eventos nossa ideia é levar o Movida para Taguatinga, São Sebastião, Recanto das Emas, Ceilândia e outras”, contou Paulliny.


Segundo Nicolas Behr, há uma “efervescência” cultural fora do Plano e também um desejo de afirmação. “Uma vez estava dando palestra em uma escola de Taguatinga e os alunos começaram a me dizer que só falo de entrequadras e superquadras. Eu contei que falava sobre as superquadras do mundo, mas eles querem falar sobre a cidade deles também.”


Maurício de Almeida diz que vê nos autores periféricos uma autoafirmação maior do que uma reivindicação de inclusão. “Eles estão escrevendo sobre a cidade, não tem uma reclamação sobre a aceitação. Tenho a impressão de que há uma distância, mas esses autores não estão escrevendo sobre o problema de “não nos aceitam na capital” e sim contando sobre o lugar onde estão. ”


Formação de leitores
Jéferson Assumção comenta que para ele, Brasília tem público leitor em potencial, porque a cidade tem nível de renda alto, mas isso não significa que há uma formação de leitores maior na capital.


“Acho que Brasília tem autor e tem público que pode consumir, mas as editoras, livrarias, distribuidoras e toda economia do livro na cidade ainda é incipiente. ”


Segundo Maurício de Almeida, um dos pontos a serem discutidos no evento é como fortalecer e melhorar essa rede de distribuição. “Eu acho que a Movida é um começo porque une as pessoas. Em Brasília tudo é um pouco diluído. Tem muito escritor, mas é difícil de achar. Acho que a primeira coisa interessante é essa soma. Porque esses autores circulam, os livros circulam e as pessoas se interessam. ”


Sobre o papel das escolas na formação de público leitor, os autores não acreditam que a instituição tem conseguido atingir esse objetivo. “Acho que existe uma crença de que a leitura é edificante, que a leitura tem o papel de formar o caráter das pessoas e isso acaba com toda a vontade de ler”, conta Paulliny.


“A literatura é desestabilizadora e o objetivo de que a leitura seja moralizante impede que grandes obras entrem nos currículos escolares. ”


Para Jéferson Assumção, há cinco elementos em uma sociedade leitora que precisam ser trabalhados. O primeiro, segundo ele, é a importância do livro enquanto objeto de destaque no imaginário coletivo. Em segundo lugar, as escolas precisam implantar a cultura da leitura não como obrigação, mas como um hábito. As famílias também têm influência, porque a formação de famílias leitoras, traz a atividade da leitura para a rotina das casas.


Por fim, o escritor explica que o acesso ao livro com livrarias e bibliotecas é fundamental e o preço do livro compatível com a renda da população, o que no Brasil ainda não acontece. “O livro aqui ainda custa mais do que a média de renda das famílias. ”


Serviço:


23 de maio


Sebinho – CLN 406, bloco C, loja 44, Asa Norte
Primeira rodada - 19h
Autores: Tino Freitas e Luda Lima
Mediadora: Alessandra Roscoe
Segunda rodada – 20h30
Autores: Raphael Rocha e Wélcio de Toledo
Mediador: Geraldo Lima


24 de maio


Bar 400 – CLN 410, Asa Norte
Primeira rodada – 19h
Autores: Marcos Fabrício e João Bosco Bezerra Bonfim
Mediadora: Isabella de Andrade
Segunda rodada – 20h30
Autores: André Giusti e Lourenço Cazarré
Mediador: Roberto Medina


25 de maio


Ernesto café – CLS 115, Asa Sul
Primeira rodada – 19h
Autores: Marina Mara e Jorge Amâncio
Mediador: Paulo Paniago
Segunda rodada – 20h30
Autores: Sheyla Smanioto e Paulliny Tort
Mediadora: Nahima Maciel


26 de maio


Martinica – CLN 303, bloco A, loja 4, Asa Norte
Primeira rodada – 19h
Autores: Lisa Alves e Carla Andrade
Mediador: Alexandre de Paula
Segunda rodada – 20h30
Autores: José Rezende Jr. e Maurício de Almeida
Mediador: Maurício Melo


27 de maio


Objeto Encontrado – CLN 102, bloco B, loja 56, Asa Norte
Primeira rodada – 19h
Autoras: Beatriz Leal e Cristiane Sobral
Mediadora: Conceição Freitas
Segunda rodada – 20h30
Autores: Nicolas Behr e Alexandre Pilati
Mediadora: Maxçuny Alves


28 de maio


Bar Raízes, CLN 408, Asa Norte
Primeira rodada – 19h
Autores: Mariana Carpanezzi e Tiago Velasco
Mediadora: Juliany Mucury
Segunda rodada – 20h30
Alexandre Vidal Porto e Marcelino Freire (autor “Boêmio da Vez)

Usuários podem contribuir com a localização de novos pontos no mapa. Aplicativo já está disponível para download, sem custo ou assinatura

Por G1 Foto: Reprodução/Divulgação - 21/05/2017 - 15:01:44


A poeta brasiliense Marina Mara lançou, neste mês, um aplicativo para celulares que reúne bibliotecas, pontos de intervenção urbana e pontos de poesia em todo o Brasil. As informações são dispostas em um "mapa colaborativo", dentro do PoemApp. No lançamento, mais de 10 mil pontos já estavam cadastrados – incluindo todas as bibliotecas do país.

A ideia, segundo ela, é que as pessoas possam adicionar locais de forma automática, ajudando a localizar novos pontos e a divulgar eventos e locais do mundo literário. O app já está disponível para download, e é gratuito. Para usar, é preciso criar um cadastro com login e senha.

“É como se fosse um ‘Waze’ da poesia. É colaborativo, e as pessoas vão colocando ali seus pontos de poesia. Pode ser um evento, um sarau ou um local” , diz.

Marina afirma que o projeto era um sonho antigo, surgido há dez anos. Ao G1, ela contou que sempre sentiu falta de um local que reunisse produções de poetas de todo o país. Marina viaja há mais de 15 anos pelo Brasil com projetos de poesia, “com foco na difusão da cena literária e no empoderamento de escritores e poetas”. Boa parte dos locais foram catalogados pela própria escritora durante esses anos.

“O PoemApp tem todos os escritores imortais cadastrados, e tem os poetas que estão vivos fazendo sarau.”

Para o sonho sair do papel, o aplicativo contou com a equipe Media-Lab, da Universidade de Brasília (UnB), e a colaboração de outros artistas da cidade. “A equipe entrou ajudando com parte técnica. Parte de derivação e da arquitetura veio do design gráfico. A identidade visual é de um artista plástico de Brasília, Pedro Sangeon, que faz o personagem Gurulino”, disse Marina.

“Poesia de rua também vale. Quem manda é o público. Vale marcar um cartaz de coletivos, e outras formas de produção e expressão poética, grafite também é um deles.”

O mapa e todo o conteúdo do aplicativo também estao disponíveis no site. A poeta diz que se surpreendeu com a repercussão do aplicativo.

“Nas primeiras 3 horas, ‘bugou’ o sistema e precisei colocar uma hospedagem três vezes melhor do que a que eu tinha pensado. O número de downloads foi três vezes maior do que a gente esperava. Foi um sucesso. Deu um susto, mas um susto bom”, brinca.

O app também inlcui um blog com dicas literárias e espaço para trocas de ideias poéticas, chamado “E agora, Cora?”. O nome Cora batiza carinhosamente a gatinha, marca do aplicativo, e é inspirado na escritora consagrada Cora Coralina.

Junto ao aplicativo, a escritora também lançou o e-book “Profissão Poeta”, que ela define como um guia prático que dá dicas, técnicas e percepções de quem trilhou o caminho. O guia é uma compilação das palestras, cursos e workshops que a poeta ministrou pelo Brasil.

É um sonho antigo: uma nova ferrovia, chamada de “Transpequi” (ou Expresso Pequi), ligando Brasília e Goiânia. No dia 2 de junho de 2016 a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres divulgou os estudos de viabilidade do projeto. O documento previa mais de 40 milhões de passageiros transportados no primeiro ano de operação, hipótese considerada otimista. O custo total do projeto, segundo os estudos, deveria atingir R$ 7 bilhões. A conclusão total do projeto seria até o fim de 2020.

Pois agora o sonho caminha para se tornar realidade, caso se concretize o interesse do grupo coreano A’REX, braço operador de um consórcio de empresas coreanas que exploram uma linha de média velocidade entre Seul e os aeroportos internacionais.

O percurso terá um total de 207 quilômetros e será percorrido a uma velocidade média de 160 km/h, ao custo médio de R$ 60. O preço é similar ao praticado pelas empresas de ônibus em viagens expressas, e cerca de 50% mais alto que a passagem de viagens paradoras.

A viagem entre Brasília e Goiânia, hoje, é feita entorno de 45 minutos em vôo direto, descontado o tempo no aeroporto. E 4 horas de ônibus, com paradas, sem trânsito.

O estudo da ANTT custou R$ 5,5 milhões, parcialmente custeados por um contrato com o Banco Mundial, e aponta viabilidade técnica, econômica, socioambiental a jurídico-legal para o projeto. Os R$ 7 bilhões serão repartidos entre os governos, federal, do Distrito Federal, de Goiás e parceiros privados.

O Trajeto

O projeto em análise pela ANTT e pelos governos locais prevê estações em Goiânia, Anápolis, Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas e Brasília. A idéia é reformar e revitalizar a Rodo ferroviária, que deixou de receber transporte de passageiros e, hoje, abriga apenas órgãos administrativos do governo.

Os técnicos estudam a possibilidade de uma sexta estação em Ceilândia, mas o local exato ainda não foi definido. A ferrovia será construída "do zero", sem aproveitar nenhum trecho de linha férrea que já exista na região.

O projeto inicial previa o compartilhamento dos trilhos entre vagões de passageiros e composições de carga, como forma de ajudar a escoar a produção agrícola da área, mas a idéia foi abandonada "por enquanto".

Detalhes técnicos dos trens serão definidos mais claramente na licitação, mas a ANTT diz que o conforto proporcionado aos passageiros e a desempenho das máquinas será similar aos dos trens europeus. Veja abaixo o mapa do trajeto disponibilizado pela ANTT.

Os Coreanos podem assumir o projeto

O interesse do grupo coreano A’REX foi feito formalmente ao governo brasileiro. Mas para levar a conversa adiante, o grupo pede adaptações na modelagem do empreendimento.

A mais significativa refere-se a um aporte total de cerca de R$ 3 bilhões do setor público. Este valor seria dividido ao longo dos 30 anos de concessão, para garantir a viabilidade econômica à ligação ferroviária para o transporte de passageiros. O investimento total no trem, o que inclui obras civis, material rodante e sistemas de comunicação, estaria pela casa dos R$ 8 bilhões, segundo os coreanos.

Os coreanos apostam na parceria público-privada (PPP), única maneira do projeto se efetivar. O diagnóstico foi apresentado à ANTT, que após ter feito os estudos básicos, abriu agora tomada de subsídios para receber contribuições.

O economista Bernardo Figueiredo, que presidiu a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), atua como consultor dos coreanos no projeto do Transpequi.

Bernardo Figueiredo esteve com o secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos, para falar sobre as sugestões de alterações no projeto.

A primeira delas: o projeto proposto pelo grupo coreano descarta o transporte de cargas. Além disso, prevê duas paradas intermediárias: Anápolis (GO) e Samambaia (DF).

O valor final do bilhete, antes estimado em R$ 60 pela ANTT, na previsão do grupo A’REX gira em torno de R$ 100, na viagem expressa de ponta a ponta.

O trem teria velocidade de 250 km/h (ao invés de 160 km/h). E os coreanos ainda miram em receitas adicionais, como explorar as áreas das estações com atividades comerciais e imobiliárias, de acordo com o que a legislação já permite.

Importante frisar que o governo fracassou em todas as tentativas anteriores de leiloar ferrovias, quando sofreu severas críticas do mercado, o que justificou a falta de interessados nos projetos lançados. Vários modelos foram testados desde o governo Lula, passando por Dilma e agora chegando a Temer, mas nenhum avançou. A malha brasileira continua estagnada em pouco menos de 28 mil quilômetros.

O Expresso Pequi, ou Transpequi

A história envolvendo a ferrovia na região não é tão recente e sua discussão vem da época dos governos do Sr. Joaquim Domingos Roriz. Aliás o nome Expresso Pequi surgiu quando esse assunto ganhou uma dimensão maior na candidatura do mesmo em 2004. Roriz chegou a fazer uma viagem a Europa afim de conhecer melhor como funcionam os trens de passageiros de médio e longo percursos naquele continente.

 Após 14 anos de discussões em torno do transporte, conhecido como Expresso Pequi ou Transpequi, a expectativa é que o leilão saia em breve. Empresas interessadas não faltam.

Além do Transpequi um trem caminha pra sair do papel

Há muito se fala em dois ramais de trem saindo de Brasília. Um é o Expresso Pequi, o outro será um trem inter-municipal. Este segundo trem está tendo seu projeto desenvolvido mediante o aproveitamento da linha já existente do extinto Trem Bandeirantes da RFFSA. Serão 70 quilômetros ligando a Rodo-ferroviária de Brasília à cidade de Luziânia. Os custos da obras de adaptação estão estimados em 70 milhões de reais e a linha deverá atender uma população estimada entre 800 mil e um milhão de pessoas que moram no Entorno Sul do DF, Gama e Santa Maria, além do Park Way, Núcleo Bandeirantes, Guará e Setor de Indústrias e Abastecimento.

Este projeto já encontra-se com seus estudos de viabilidade e está para entrar em processo licitatório. A previsão é que este ramal entre em completa operação três anos depois do inicio das obras. Por se tratar de um projeto que reutilizará uma infra-estrutura já existente as demandas de construção serão menores pois basicamente deverá ser feita a readequação da malha ferroviária para que atenda ao serviço. A reforma de estações já existentes, como Bernardo Sayão e a construção de novos pontos de embarque e desembarque de passageiros.

Hoje a linha férrea por onde circulou o extinto Expresso Bandeirantes, ligando Brasília ao sudeste, está sub-utilizada e concedida a FCA/VL!, uma empresa pertencente ao grupo Vale Logística.

A ferrovia como parte da história do DF

O dia 21 de abril de 1968 foi um dia de festa na capital do País. Dentre outros acontecimentos e festejos comemorativos de mais um aniversário da capital federal, a chegada do primeiro trem constituiu uma verdadeira celebração para a data.

É verdade que havia um ano que uma locomotivazinha a vapor havia chegado a Brasília e que se havia anunciado que a cidade do século XXI construída no século XX estava ligada à rede nacional de estradas de ferro. Mas esse comboio pioneiro não chegara por estrada de ferro: fora transportado por rodovia. Como que para justificar a comemoração estrondosa da chegada da maria-fumaça, anunciou-se neste ano que a mesma havia sido programada por causa da chegada da ponta dos trilhos a Brasília. Mas apenas a hegada da ponta dos trilhos, pois os trens só passaram a circularem oficialmente em 1968.

Os 230 quilômetros que medeiam desde o posto telegráfico que ficava em Roncador Novo, situado entre a estação de Roncador e a cidade de Pires do Rio donde partem os trilhos que chegaram a Capital. O trajeto inicial ia até a estação Bernardo Sayão, localizada no Núcleo Bandeirante e término provisório do trecho recém-inaugurado, que depois foi totalmente concluído chegando até a ponta atual onde se encontra instalada a Rodo-ferroviária. A linha em boa pare do seu trajeto corta a imensidão do Planalto Central. Inicialmente, os trens trafegavam diretamente de Pires do Rio a Brasília, sem paradas intermediárias, a não ser para cruzamento com alguma eventual outra composição. Depois foram construídas mais duas estações, sendo uma na região do município goiano de Cristalina, denominada de estação Calambau e que hoje encontra-se em completo abandono. Inclusive nessa estação foi construída uma vila de ferroviários e um pátio de manobras. A outra estação foi construída na região da, hoje, Cidade Ocidental, juntamente com um pátio ferroviário para atender onde hoje é a atual BUNGE Alimentos. Hoje, esta segunda estação encontra-se em uma área densamente povoada, mas segue abandonada.

O projeto final da estação de passageiros ficou a cargo do arquiteto criador de Brasília, Oscar Niemeyer. O edifício, de linhas magníficas e grandiosas, foi erguido no final do Eixo Monumental. O outrora afastado terminal agora está em uma área densamente populosa e depois de sua completa desativação vem servindo apenas a alguns órgãos do governo. Enquanto que poderia estar atendendo a toda uma região que demanda por um modal de transporte mais eficiente rápido e seguro.  O estilo arquitetônico do prédio lembra um carro de passageiros.

O Expresso Bandeirante


Empurrado pelo segundo choque do petróleo, decorrente da guerra Irã-Iraque, o governo (1979-1984) do presidente Figueiredo retomou algumas iniciativas do governo (1974-1979) Geisel, que já vinham perdendo força: Proálcool (Programa Nacional do Álcool), fiscalização nas estradas (velocidade, regulagem dos motores diesel) e a readequação de alguns trens de passageiros.

O Trem Bandeirante fazia o trajeto Brasília - Campinas e inicialmente tinha uma freqüência semanal de partidas. O trem saia de Brasília às sextas-feiras às 20h50, com chegada em Campinas às 17h50 de sábado. Ele partia de Campinas às 12h de domingo, chegando a Brasília nas segundas-feiras às 8h30. A primeira viagem foi numa sexta-feira, e partindo de Brasília.

Visando proporcionar aos passageiros uma viagem agradável, o Bandeirante, formado por carros de aço carbono, que foram totalmente reparados e modernizados, contava com a seguinte composição:

  • 1 BC - Correio e Bagagem
  • 2 P – Poltrona
  • 1 R – Restaurante
  • 1 DP - Poltrona-leito
  • 2 DC - Dormitório

Lotação do trem:

  • 112 poltronas
  • 24 poltronas-leito
  • 32 leitos

A poltrona comum (inteira e meia-passagem) seria cobrada conforme os trechos, variando de Cr$ 110,00 / 60,00 (Uberlândia-Araguari) até Cr$ 1.070,00 / 540,00 (Campinas-Brasília). A cabine completa (Cr$ 5.040,00), leito inferior (Cr$ 2.620,00), leito superior (Cr$ 2.420,00) e a poltrona-leito (Cr$ 2.020,00) seriam cobrados pela viagem completa.

Na prática, a teoria foi outra

O comprador de um dos leitos podia, na verdade, vetar a venda do outro leito a um desconhecido. Na prática, portanto, podia exigir a cabine. Não havia integração com agências de viagens. As passagens só podiam ser adquiridas no guiche da estação, distante de tudo — a partir das 8h de cada segunda-feira (hora de estar chegando ao trabalho), e apenas para a sexta-feira da mesma semana. Nenhum sistema de reserva — apenas venda, no ato. Cheque ou cartão de crédito, fora de cogitação.

A fila formava-se logo cedo, na segunda-feira, diante do guichê de Brasília — e quando este abria, era comum a lotação já estar esgotada. Mais de uma vez, quando a revolta pelo absurdo chegava à imprensa, a presidência da RFFSA determinou a inclusão de carros adicionais à composição, ou a disponibilização de um segundo trem semanal, contra-noticiando em seguida o atendimento à demanda crescente.

Pessoas embarcadas em Brasília, porém, comentavam na volta que o trem havia seguido quase vazio, ou com meia lotação, se tanto — já agora, sem escândalo ou notícia.

A explicação mais comum — e nunca oficial — indicava a ocorrência de reservas (proibidas), por telefone, da parte de funcionários acima de determinado escalão, dos ministérios dos Transportes, Fazenda, Planejamento etc. — que não convinha contrariar — e que, em geral, acabavam não resultando em venda ou embarque efetivos.

A lotação chegou ao seu ponto mais baixo nas semanas seguintes ao Plano Collor I — o confisco que esvaziou trens, cinemas etc. em todo o Brasil, em 1990, por absoluta inexistência de dinheiro vivo nas mãos da população — mas o Bandeirante ainda sobreviveu por mais dois anos.

Eis que, em 1992, numa noite de céu claro lua minguante e bastante estrelado parte o último Bandeirante para São Paulo. E na segunda-feira eis que chega o último Bandeirante a Brasília. Assim encerrou-se a história do trem que ligava a capital do Brasil a principal região econômica do País, o Estado de São Paulo. E assim como o Bandeirante todo o modal ferroviário brasileiro entrou em uma profunda decadência, sendo totalmente dilacerado com o tempo até sua total privatização no meio da década de 90, com o que sobrou ainda em funcionamento e o que já não tinha mais serventia.

A estação Rodo-Ferroviária de Brasília só não entrou em total abandono porque a parte do terminal passou a servir aos ônibus interestaduais e o pátio ferroviário continuou servindo aos trens de carga. Já a estação de Bernardo Sayão, apesar de contar com tráfego de trens de carga, está em completo estado de abandono desde 1992.

Com os novos trens que estão sendo esperados para a região novos horizontes começam a surgirem para o modal ferroviário no DF e Goiás. Mas como tudo nesse País caminha a passos largos vem-se batalhando a muito para que não só o Transpequi (ou Expresso Pequi) saia do papel, como também o trem inter-municipal ligando Brasília a Luziânia em Goiás.

Por: Lucas Lieggio

Da Redação do Gama Cidadão - 22/05/2017

Educadora propõe a moradores de residencial – metade com Alzheimer

Por Edison Veiga, O Estado de S.Paulo - 17/05/2017 - 15:31:13

“Eu pude escrever, eu pude contar uma história que eu sempre queria contar.” A frase, de Therezinha Carelli dos Santos, de 88 anos, mãe de três filhos e avó de quatro netos, resume bem a importância e a simplicidade do projeto que culminou com o livro Histórias Que Se Encontram, recém-lançado pelo GerosCenter, espaço de lazer e de manutenção de saúde física e mental do Lar Sant’Ana, residencial de idosos mantido pela Liga Solidária no Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

No fim do ano passado, ao longo de quatro encontros de 1h30 cada, 18 vovós e vovôs tiveram a ajuda da educadora social e especialista em políticas públicas Cida Lemos para traduzir em palavras e ilustrações quatro contos, quatro histórias que eles gostariam de contar. 

Voluntária, foi a primeira vez que Cida trabalhou com esse tipo de público. E com um desafio: metade dos participantes tem doença de Alzheimer. “O livro é a síntese de nossas atividades. Trabalhamos a memória do aqui e do agora”, diz a educadora. “Com técnicas de teatro e ilustração, conseguimos extrair as histórias que gostariam de escrever.”

A Família Feliz, A Renovação, Tico e Fada e Dois Amigos são obras coletivas. As histórias foram assinadas por todos os participantes: Anna Miguel Attie, Aylsa Ludovice Peake, Carmen Costa Verlangieri, Dagmar Barretto Araújo, Eloah Galvão Rodrigues, Francisco Sera Rocasalbas, Isolina Guimarães Salles, Maçae Inada, Maria Alice Carvalho de Resende, Maria Aparecida Salgado Orsi, Maria Isabel Vasquez Gonzalez, Maria José Sawaia, Maria Perpétua da Cunha Mendes, Rosaly Muniz Ribeiro Herling, Taka Hattori, Therezinha Carelli dos Santos, Therezinha de Souza Granziera e Therezinha Prada Estrela.

“Para mim, o principal resultado do projeto foi a união que se formou entre nós. Nos encontros, cada uma queria projetar a história da amiga”, diz Maria Alice de Resende, de 90 anos, mãe de quatro filhos, avó de quatro netos e bisavó de dois. “O que mais vale é a amizade.”

Autógrafo. No fim de abril, o livro foi lançado para familiares no próprio Lar Sant’Ana. “Foi a nossa manhã de autógrafos”, orgulha-se Anna Miguel Attie, de 84 anos, três filhos, seis netos, uma bisneta. De acordo com Cristiane Felipe, gestora do GerosCenter, a ideia é promover uma nova leva em breve. “Se tudo der certo, faremos um por ano”, adianta.

Projeto contra a cultura é do governo Rollemberg

Foto: Rinaldo Morelli/CLDF - 16/05/2017 - 21:21:06

Tema será discutido em audiência pública na próxima semana

Uma comissão formada por artistas e produtores culturais do Distrito Federal se reuniu com deputados distritais nesta segunda-feira (15), na sala de reuniões da CLDF, para apoiar a emenda de autoria dos deputados Cláudio Abrantes (Rede) e Prof. Reginaldo Veras (PDT), que exclui o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do projeto de flexibilização dos fundos especiais do Tesouro.

De acordo com o maestro e produtor musical Rênio Quintas, a possibilidade de o projeto de lei complementar n° 95/2016 ser aprovado é uma "afronta à cultura", pois permitiria a realocação de recursos previstos para o FAC. A proposta, de autoria do Poder Executivo, possibilita a reversão ao Tesouro do Distrito Federal do superávit financeiro de órgão e entidades da administração direta e indireta integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social do DF. "Contamos com a sensatez dos distritais para não aprovarem o projeto enviado pelo GDF, pois, esse PLC é uma agressão", comentou o produtor.

Rênio Quintas ainda afirmou que é muito importante que os recursos do FAC continuem a ser utilizados apenas para o fomento de atividades de produtores culturais do DF. "Essa reunião com os parlamentares foi produtiva e fortaleceu o nosso movimento cultural contra esse PLC de autoria do governo", relatou Quintas.

O deputado Claudio Abrantes confirmou que ficou decido que o colégio de líderes fará uma audiência pública na próxima semana para discutir o projeto em questão. "O FAC é hoje praticamente o único recurso que o movimento cultural tem para girar a economia da Cultura. Tirar recurso do FAC é diminuir o número de empregos e de renda gerada, e não podemos admitir que isso ocorra", comentou o parlamentar.

F. Montoro (estagiário) - Coordenadoria de Comunicação Social

Foto: Rinaldo Morelli/CLDF - 16/05/2017 - 21:21:06