Oi gente,


O meu nome é Luciana, moro em Brasília e sou servidora pública da justiça do trabalho, aposentada pela hanseníase. Acompanho essa iniciativa da DAHW Brasil há um tempo e com alegria agora venho fazer parte desse trabalho bacana de divulgação de conhecimentos sobre hanseníase para a sociedade.

Quando me diagnosticaram como portadora da hanseníase, me encaminharam para receber a primeira dose assistida da poliquimioterapia (PQT) e pegar as cartelas para o primeiro mês de tratamento. Eu estava pulando de médico em médico há aproximadamente 4 meses. Sentia muita dor, especialmente no trajeto do nervo ulnar, associada à perda de sensibilidade e alguns outros sintomas. Já tinha sido analisada por alguns neurologistas, dermatologistas, reumatologista, geneticista, fisiatra e fisioterapeutas. E confesso que senti um certo alívio quando “fecharam” um diagnóstico. Ainda que esse diagnóstico fosse hanseníase (e isso rende outra longa história).

A ideia ainda era meio confusa na minha cabeça. Hanseníase, Eu? Não imaginava que a doença ainda existia. Aliás, até imaginava. Mas no Brasil? Em Brasília? EU como paciente? Na minha ignorância, quando pensava em doenças como hanseníase, dentre outras doenças estigmatizadas, meu pensamento me remetia sempre à países como a Índia ou qualquer outro bem distante. No Brasil, talvez atingisse a população rural, ribeirinha, sem saneamento básico, ou qualquer possível paciente bem longe de mim.

Confesso que me sinto até envergonhada ao escrever sobre esse pensamento hoje, porque ele pode soar arrogante, e não era. Mas mesmo correndo o risco de ser mal interpretada, eu o faço, justamente porque percebi que essa é a ideia que a maior parte das pessoas tem acerca da doença:

Que ela existe sim, mas láaaaa bem longe. Existe sim, mas não é problema meu. É problema do governo, alguma ONG, ou instituição religiosa.

Esse pensamento, na verdade, revela a desinformação das pessoas (e minha) acerca da doença, das suas formas de manifestação, transmissão, diagnóstico e tratamento. Revela a completa ignorância da população e de profissionais da saúde também. E digo ignorância, aqui, não no sentido popular da palavra, mas no seu conceito próprio, que é “o estado de quem não tem conhecimento”, de quem ignora o conhecimento.

Quando, em dezembro de 2014, enfim, cheguei ao posto de saúde para fazer o comunicado ao Ministério da Saúde, e receber a medicação, eu comecei a entender o porquê dessa ideia continuar sendo disseminada. Junto da PQT, veio a primeira orientação: “NÃO FALE COM NINGUÉM QUE VOCÊ TEM HANSENÍASE”.

Fiquei calada, recebi a medicação, ouvi outras orientações, e fui embora para casa sem digerir essa frase.

Como eu deveria não falar com ninguém que eu tinha hanseníase? Se eu tenho, peguei de alguém. Se eu tenho, quem está perto de mim pode ter também. Se eu peguei de alguém, é uma pessoa que não está em tratamento, e pode continuar transmitindo sem nem saber disso. Como ficar calada sobre isso, se a neurite e a dor que eu sentia não me deixavam esquecer nada disso nem por um minuto, e não podia imaginar outra pessoa perto de mim sentindo o mesmo.

Ignorei a sugestão e falei com todo mundo. No meu trabalho, família, amigos, igreja, na fisioterapia, no mercadinho da esquina, na fila do banco. Eu precisava compartilhar o pouco da informação que eu tinha. Boa parte das pessoas ouviam “hanseníase”, pensavam por alguns segundos e me perguntavam… “mas hanseníase não é lepra?” E eu respondia, “sim, eu tenho lepra”. E logo em seguida eu vinha com um longo discurso sobre tudo o que eu sabia acerca da doença. Meio que uma explicação sobre “pode ficar tranquilo, eu não vou te passar lepra”.

Sim, vi alguns narizes se torcerem, e alguns discreto passos para trás. Mas a grande maioria das pessoas reagia com um carinhoso “sinto muito” ou um “estou torcendo por você”.

A minha maior surpresa, no entanto, é que em todos os lugares onde falei sobre hanseníase, sempre ouvi alguém respondendo: “meu pai também teve”. Ou minha mãe, meu irmão, marido, cunhado, amiga. Conheci alguns pacientes e ex-pacientes no caminho, por acaso. E a troca de informação e de experiências trouxe uma paz e esperança tão importantes para mim naquele momento.

Em 2015, aproximadamente 30.000 novas pessoas foram diagnosticadas com hanseníase, e, pela primeira vez, eu pude ver onde estavam esses pacientes. Estávamos em todos os lugares. Mas a maioria escondidinho. E por um motivo óbvio: medo da discriminação. E esse medo é legítimo. O estigma que a doença carrega é muito grande. E a desinformação das pessoas reforça o estigma, e acaba por esconder a doença e isolar o paciente.

Da mesma forma, também é legitimo o medo das pessoas de serem contaminadas. A maioria delas conhece a hanseníase pela imagem bíblica de milênios atrás, ou por encartes do Ministério da Saúde com imagens de pessoas bastante acometidas pela doença. É por isso que realmente acredito que a informação é a maior arma no combate à hanseníase. Uma vez que a população conhece sobre a doença, esse “pré-conceito” diminui, porque a informação afasta o medo de conviver e ser contaminado por um paciente em tratamento. E, em consequência, o paciente também diminui o seu receio de ser discriminado, e passa a falar do assunto.

Disseminando a informação, novos diagnósticos podem ser feitos precocemente, e a hanseníase começa a perder espaço.

Além disso, quando nós, pacientes, deixamos de nos esconder, encontramos muitos outros pacientes escondidos. E traz um conforto enorme conversar com quem já passou, ou está passando pelo mesmo que você. Nos enche de esperança, em momentos críticos do tratamento, quando nem médicos, nem remédios, nem familiares, ou amigos ajudam muito, apesar de todo o esforço.

No meu caso, tomei a PQT por um ano. De dezembro de 2014 a novembro de 2015. Tive alta, e seis meses depois voltei a apresentar sintomas, e os médicos resolveram retratar a hanseníase, com um esquema alternativo de drogas. Terminei de tomar o novo esquema em junho de 2017. Durante todo esse período, me lembrava daquela frase que ouvi no primeiro dia de tratamento. Até que não me aguentei mais. Só em 2017 toquei no assunto com a pessoa que havia me dado aquela orientação.

Ela, e todos do posto, sempre foram muito doces e cuidadosos comigo. Eu sabia que ela não estava mal-intencionada quando me orientou a não falar sobre a hanseníase. Mas eu queria muito fazê-la enxergar outro ponto de vista. O quanto isso impedia as pessoas de conhecerem a doença, e, por consequência, aumentava o estigma e preconceito. Foi uma ótima conversa, porque ela pôde expor também o porquê ela dava essa orientação.

Como ela disse, e eu tive que concordar, eu nunca havia passado por nenhuma situação de discriminação que houvesse realmente me incomodado. Mas essa não era a regra. Muitas vezes a discriminação vinha de dentro da própria casa, ou trazia problemas no trabalho.

Concordamos em dois pontos:

1 – Para o paciente, falar ou não da hanseníase é uma decisão muito individual. Cada um tem que analisar a sua própria situação antes decidir se vai se expor. Até porque as questões emocionais que envolvem o paciente são, na maior parte das vezes, mais difíceis do que o próprio tratamento em si.

2 – Para os profissionais de saúde e agentes sociais, falar sobre a hanseníase não é só uma opção. É obrigação estudar sobre a doença, as diversas formas de manifestação, esclarecer pacientes e familiares, fazer campanhas de conscientização, etc.

De qualquer forma, todos somos responsáveis na luta contra a hanseníase. Todos somos responsáveis por espalhar informações corretas sobre a doença. Se você é profissional de saúde, saiba que você é uma das peças mais importante em todo esse trabalho. Cuidado com as orientações que passa para os pacientes. Não os oriente a se esconderem. Não seja responsável por varrer a hanseníase para debaixo do tapete. Ela não se esconde. Ela continua lá. Ela continua aqui.

Um abraço pra todo mundo! Nos vemos por aqui de novo, em breve!

 

Por Luciana Marra - FudHans - 25/07/2017 - 19:27:18

Pessoa acometida por hanseníase

A máxima prevista para as horas mais quentes do dia é de 25º C. Umidade relativa do ar deve variar entre 75% e 25%

Continua frio no Distrito Federal. O menor registro na madrugada desta terça-feira (25/7) ocorreu na estação meteorológica da Ponte Alta, no Gama, com 9,3° C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A previsão para a semana é que os termômetros variem de 12° C a 24° C. “A tendência é que o tempo permaneça frio, mas com ventos moderados. O céu deve ficar claro, com poucas nuvens e sem previsão de chuva”, explicou o meteorologista Hamilton Carvalho.

Para esta terça, a previsão é que a temperatura máxima chegue a 25° C. A umidade relativa do ar vai variar de 75% a 25%.


FOTO: MICHAEL MELO


Crédito: Reprodução

O programa governamental “Um milhão de Cisterna”, criado em 2003 pelo governo Lula e premiado pela ONU, que garante o acesso da população rural do Semiárido à água é um dos seis projetos que concorrem este ano ao Prêmio Internacional de Política para o Futuro (Future Policy Award, em nome original). A World Future Council, em parceria com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD), deu destaque a 27 iniciativas oriundas de 18 países.

Apesar de estar na 10ª edição, é a primeira vez que a organização alemã aborda as políticas de subsistência em áreas de condições severas ocasionadas pela seca ou por inundações. O anúncio da classificação dos três primeiros lugares ocorrerá em 22 de agosto e será seguido pela solenidade de entrega dos prêmios, marcada para setembro, em Ordos, na China. A cerimônia integra a 13ª sessão da Conferência das Partes da UNCCD.

Morador da Agrovila Nova Esperança, em Ouricuri (PE), Adão Jesus de Oliveira está rodeado, há quase uma década, pelos feitos alcançados com a instalação das estruturas de captação e armazenamento de água. Com os equipamentos, Oliveira diz que é capaz de enfrentar o baixo volume pluviométrico até o fim do ano. “Temos as tecnologias de água de beber desde quando eu cheguei à comunidade. Antes, era muito difícil, para nós, conseguir água para consumo. Tínhamos que andar 6 quilômetros. Pegava fila de madrugada. Não dava para todo mundo”, lembra Oliveira.

Tudo começou em 2008, quando os moradores da região aderiram ao projeto piloto. Atualmente, eles dispõem de sete reservatórios grandes, cada um com capacidade para 52 mil litros.

A melhora na qualidade da água é claramente perceptível, diz Oliveira. Hoje, ele produz hortaliças e cria animais. “Foi muito importante, porque, desde lá, enfrentamos essa grande estiagem, mas nunca mais é água desconhecida. Sabemos a procedência. Não é todo ano que vem enchendo, mas é mais por causa da estiagem. Graças a Deus, estamos usando água da cisterna, beneficiando a comunidade.”

Segundo a Articulação Semiárido Brasileiro, a região semiárida ocupa 18,2% do território brasileiro, abrangendo um quinto dos municípios e 11,84% da população do país. Com o projeto Cisternas, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome promove a democratização do acesso à água a partir de duas linhas: a de consumo básico, para suprir as necessidades rotineiras, e a de produção, que permite o desenvolvimento da agricultura familiar.

Coexistem nos dois contextos os programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas. Em seu âmbito, foram distribuídas cerca de 604 mil cisternas e 95 mil tecnologias, entre as de uso familiar e as de uso coletivo. Além disso, 4.726 cisternas foram erguidas em escolas.

Capacitação

O programa Uma Terra e Duas Águas inclui cursos que disseminam ensinamentos sobre manejo de animais, cuidados com a horta e uso de inseticidas naturais. As famílias recebem orientações, ainda, sobre a edificação dos diferentes modelos de reservatórios, que se dividem, conforme o diâmetro e dimensões, em barraginha, cisterna-enxurrada, bomba d’água popular, barragem subterrânea, cisterna-calçadão e tanque de pedra ou caldeirão.

A Asa ressalta que outras estratégias para a autonomia e a segurança alimentar e nutricional na região são os bancos de sementes, a estocagem de alimentos para os animais e a agrofloresta, aliada para a sustentabilidade ambiental. De acordo com a rede, é a partir do espírito de emancipação que agricultores-experimentadores se tornam agricultores-promotores.

Com informações da Agência Brasil

Estudo mostra que 3 em cada 5 gestações não planejadas acontecem porque o casal não se preveniu

Muitas pessoas podem considerar o termo ‘gravidez indesejada’ inadequado no século XXI devido a tantas informações e métodos contraceptivos, mas pode acontecer e estudo brasileiro mostra que para muitos casais a gravidez não foi evento planejado.

Na Austrália, em artigo publicado pela Children By Choice (Crianças por Escolha) é enfatizado que métodos contraceptivos, ainda que seguidos com disciplina, não apresentam 100% de eficácia e os métodos da pílula anticoncepcional e preservativos podem apresentar maior probabilidade de gestação porque permitem o ‘erro humano’.

O mesmo artigo esclarece que nem todas as gestações não planejadas são necessariamente indesejadas, mas dependerá do contexto que as rodeia e do apoio que receberão. A maioria das mulheres australianas costuma contar ao parceiro ou a um amigo e familiar e três quartos das mulheres no país declararam não sentir a necessidade de recorrer a um aconselhamento para tomarem a decisão de ter a criança.

Estudo Nacional Sobre Gravidez Indesejada

Conduzida pelo portal especialista em saúde feminina Trocando Fraldas, pesquisa revela que de 12.000 mulheres entrevistadas de todo o Brasil, 56% engravidou pelo menos uma vez sem planejamento.

Mulheres da região Norte, liderada pelo Amazonas foram as que mais engravidaram sem planejamento, representando a estimativa de 60%, apenas o Pará fica abaixo deste número com 51%.

As regiões Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais são as únicas em que menos da metade das mulheres engravidou de maneira inesperada. Dentre as capitais, Macapá lidera com 77%, seguida por Manaus e Teresina.

Nas regiões Fortaleza, Florianópolis e Belo Horizonte vivem mais mulheres com gestação planejada.

Nascimento de Bebês Indesejados no Brasil

O estudo mostra que 76% dos bebês que não foram planejados chegam a nascer enquanto o restante das gestações não é concluído seja por abortos espontâneos, não espontâneos ou outras complicações.

No Acre, Distrito Federal, Piauí, Pará, Maranhão e Amazonas, menos de 70% das gestações são levadas até o final. Rondônia e Goiás, respectivamente 87% e 84%, apresentam o menor índice de gravidezes não concluídas.

Na capital São Paulo, 3 em cada 7 bebês que não foram desejados nascem. A falta de prudência no momento da prevenção e a falta de conhecimento do motivo são maiores na região Nordeste com 64% e 14% respectivamente.

Razões da Gravidez Não Planejada

Foi revelado que 3 em cada 5 gestações não planejadas acontecem porque o casal não se preveniu, 19% das gravidezes é atribuída à falha do método anticoncepcional.  Na região Centro-Oeste, a maioria das mulheres afirma que a gravidez não planejada é resultado da falha do método da pílula de contracepção, com 24%, enquanto 5% não sabe identificar com certeza a razão da gestação.

Em Minas Gerais e a maioria das mulheres das regiões Sul e Sudeste engravidou menos por falha do método contraceptivo do que no resto do Brasil.

E onde fica a paternidade neste contexto?

Na Constituição Federal, promulgada em 1988, no artigo 226 § 7º é garantido o direito à paternidade responsável, mas ainda é uma realidade os inúmeros casos em que o registro da criança é realizado apenas no nome da mãe. Estes filhos não assumidos carregarão por toda a vida a marca de apresentar na certidão de nascimento o termo ‘pai não declarado’.

De acordo com o Trocando Fraldas, 11% de pais de filhos indesejados não assumiram a criança e 35% dentre aqueles que não mantinham relacionamento fixo com a mãe.

No Sul, a taxa de rejeição é menor. Na região Norte o índice é maior com 16% e próximo da média nas demais regiões brasileiras.

Em Maranhão e Rondônia, respectivamente com 20% e 19%, ocorre maior fuga dos responsáveis. Em São Paulo e Rio de Janeiro (90% e 91%) assumem a paternidade.

Daiana Barasa
Portal Trocando Fraldas - 24/07/2017

A Secretaria de Saúde ressalta, por fim, que as benfeitorias a serem realizadas no setor são necessárias e não haverá desassistência à população da Região de Saúde Sul.

Secretaria de Saúde - 19/07/2017 - 09:02:58

Diante da veiculação de informações que apontam o fechamento do Centro Obstétrico (CO) do Hospital Regional do Gama, a direção da unidade esclarece que a notícia não é verídica. Ocorrerá, em data a ser definida, uma manutenção no local, que possibilitará melhores condições de atendimento à população, e de trabalho, aos servidores.

O hospital, juntamente com outros setores da pasta, trabalha em um projeto de melhorias para o CO. Quando ele for finalizado, será traçado um novo fluxo para atender às pacientes que buscam assistência no HRG, uma vez que, para que ocorram as intervenções na estrutura, haverá restrições no atendimento. Somente após estas etapas as obras serão iniciadas.

A Secretaria de Saúde ressalta, por fim, que as benfeitorias a serem realizadas no setor são necessárias e não haverá desassistência à população da Região de Saúde Sul. 

Com a reforma do Centro Obstétrico, partos devem ser suspensos na unidade

Maternidade- Gama Foto:Kléber Lima

Antes mesmo de ser colocado em prática, o fechamento do Centro Obstétrico do Hospital Regional do Gama (HRG) preocupa as gestantes e suas famílias. Até porque o local não conta mais com o atendimento infantil, como ocorria antes. De acordo com a Secretaria de Saúde, existe um projeto de reforma do espaço, sem data para início, que deve interromper as atividades.

A operadora de telemarketing Gabriella Moura, 31 anos, está grávida de 41 semanas de Rafael e comemora a proximidade do nascimento do filho. Na semana passada, ela soube da previsão fechamento e se preocupa com as mulheres que entrarão em trabalho de parto nos próximos meses, pois não terão esse apoio no Gama.

A mulher mora na cidade vizinha, Santa Maria, e reclama que não conseguiu atendimento no hospital de lá, porque só gestantes de alto risco recebem atenção médica. “Eu não tenho plano de saúde. Quem tem não se preocupa. Mas quem não tem faz o quê? É um absurdo”, relata Gabriella, no aguardo do segundo filho.

A modificação no HRG foi discutida em uma reunião na quarta-feira passada entre a direção do hospital e a Superintendência da Região de Saúde Sul. O diretor do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde-DF), Marcos Rogério, relata que os servidores não estão satisfeitos com a situação e procuraram a entidade para uma intermediação junto ao GDF.

Rogério explica que a demanda é muito grande para a região sul do DF, devido à presença dos moradores de cidades de Região Metropolitana, como Valparaíso (GO) e Cidade Ocidental (GO). Desse modo, o fechamento tornará o atendimento ainda mais deficiente. Ele ainda aponta a quantidade de partos no HRG: cerca de 700 por mês.

O Sindsaúde avalia que essa nova ação vai trazer ainda mais problemas para o serviço público, que já apresenta diversas complicações. Está marcada uma reunião da Superintendência da Região Sul amanhã para discutir esse assunto, com a possibilidade de transferência provisória do Centro Obstétrico do HRG para o Hospital de Santa Maria.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Saúde informa que existe um projeto para reforma do Centro Obstétrico do HRG “de modo a oferecer melhor assistência”. No entanto, ainda não há definição de quando as obras terão início. A pasta esclarece que, quando o projeto for finalizado, trabalhará num fluxo para atendimento da demanda do HRG, para somente então iniciar as obras. Até o presente momento, o CO segue aberto e funcionando dentro da normalidade.

Em relação ao atendimento às gestantes, o HRG é a unidade da região sul responsável pelo atendimento de partos de riscos eventuais, e o HRSM pelos partos de alto risco – além de atender as pessoas das cidades da Região Metropolitana vizinhas.

Maternidade- Gama
Gabriela Moura

Foto: Kléber Lima

Pediatria comprometida

Luziânia (GO) é uma das cidades da Região Metropolitana que direcionam muitos pacientes para o Gama. Mauro Rubens, 30, e sua família são alguns deles. Segundo o mecânico, no município goiano não há como procurar atendimento para a esposa, grávida de 39 semanas. O jeito é vir para o DF.

Ele lembra que o atendimento no HRG nem sempre foi assim. Antigamente, para o mecânico, o atendimento infantil tinha muita qualidade. Neste ano, a pediatria do Gama foi fechada, pela segunda vez, depois de pouco mais de um mês de funcionamento. Antes disso, o espaço ficou seis meses sem nenhum atendimento ao público. À época do fechamento, a Secretaria de Saúde explicou que, apesar de mais de 20 médicos terem sido contratados, a maior parte pediu exoneração do hospital.

João Paulo Mariano
Da Redação do Jornal de Brasília - 18/07/2017