Parcerias tem o objetivo de orientar o manejo sustentável nas comunidades extrativistas e permitir a difusão em importantes mercados dos produtos extraídos

O trabalho de extração de baunilha do Cerrado desenvolvido pelas comunidades quilombolas em Cavalcante, na região Norte de Goiás, chamou a atenção de um dos maiores chefs da atualidade, Alex Atala. À frente do Instituto Atá, o chef e demais pesquisadores da biodiversidade brasileira, principalmente no que se refere a ingredientes e especiarias utilizadas na gastronomia, buscam junto a comunidades extrativistas desenvolver parceria para orientar o manejo sustentável e permitir a difusão em importantes mercados dos produtos extraídos.

No início de fevereiro, Alex Atala e parte da sua equipe estiveram nas comunidades kalunga Vão de Almas e Engenho 2, acompanhados por integrantes da Superintendência da Igualdade Racial, da Secretaria Cidadã, para ver de perto a produção agroflorestal de baunilha. “Só há três sabores reconhecidos e apreciados em qualquer parte do mundo: morango, chocolate e baunilha. Isso mostra a importância desse produto para vocês. A baunilha tem que existir para reforçar a cultura de vocês”, disse Atala em reunião com os kalunga em Cavalcante.

O projeto a ser desenvolvido em parceria entre o Instituo Atá e as comunidades quilombola kalunga visa a implantação de viveiros para produção sustentável de mudas de baunilha do Cerrado, diretamente na comunidade Vão das Almas. As famílias participantes vão receber cursos sobre o manejo e o beneficiamento da iguaria. Para isso, a Fundação Banco do Brasil vai liberar financiamento no valor de R$ 382 mil. Outro parceiro do projeto é a Central do Cerrado, uma organização que auxilia cooperativas no desenvolvimento comercial de seus produtos.

“Esse projeto ganha uma importância especial para nós à medida em que, além de representar desenvolvimento econômico e social para as nossas comunidades, pode ser também uma perspectiva de futuro para nossos jovens, que normalmente buscam estudo e trabalho fora daqui, na capital ou em outras regiões”, comentou Vilmar Souza Costa, presidente da Associação Quilombo Kalunga.

A pesquisa sobre a viabilidade do manejo sustentável da baunilha foi iniciada pelo instituto em 2014, época em que Alex Atala elencou os ingredientes especiais autênticos da culinária brasileira. Junto à baunilha, o chef despertou interesse também pela pimenta Baniwa e pelo cogumelo Yanomami, ambos nativos da região da Floresta Amazônica.

No Norte goiano, o projeto visa desenvolver a cultura da baunilha típica do Cerrado, presente na Chapada dos Veadeiros. O objetivo principal é transformar a realidade socioeconômica da comunidade extrativista, bem como conservar a biodiversidade e a cultura dos quilombolas.

Para desenvolver o projeto, o Instituto Atá conta com diferentes profissionais, entre pesquisadores e técnicos no cultivo da planta, beneficiamento e gestão comercial de produtos agro sustentáveis. A equipe de coordenação do projeto também possui representantes da própria comunidade kalunga, incluindo o presidente da Associação Quilombo Kalunga e outros moradores da comunidade. Outras visitas do grupo a Cavalcante para detalhar o planejamento do projeto devem ser confirmadas para março.

Baunilha

Aromatizante natural de alto valor, a baunilha é um tipo de orquídea do gênero vanilla originária da América Central. No Brasil, espalha-se pelos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Seu poder de dar sabor aos alimentos vem dos grãos da vagem da planta. Ainda verde, essa vagem não tem gosto nem cheiro, sendo preciso deixá-la secar ao sol ou em estufa para o seu preparo inicial, que conta com fermentação natural.

O extrato é obtido da vagem seca, que posteriormente é submetida a soluções alcoólicas. Na cultura kalunga em Goiás, a baunilha costuma aromatizar também a cachaça. Na visita ao Empório Kalunga em Cavalcante, o chef Alex Atala foi apresentado a uma dessas aguardentes.

Desenvolvimento da comunidade

A Secretaria Cidadã, por meio da Superintendência da Igualdade Racial, está diretamente ligada ao desenvolvimento do projeto, contribuindo no estreitamento de relações entre o Instituto Atá e os membros da comunidade kalunga. A primeira visita de reconhecimento promovida por Alex Atala e sua equipe foi acompanhada pela gerente de projetos intersetoriais e comunidades tradicionais, Lucilene dos Santos Rosa. Ela explica que, até os dias de hoje, a extração da baunilha do Cerrado é feita de forma muito artesanal e sem o cunho comercial. “Hoje, a baunilha é utilizada na comunidade para consumo próprio na forma de licores e da sua essência. Sua comercialização na loja de produtos kalunga é feita de forma muito inexpressiva. Com a capacitação promovida pelo Instituto Atá em parceria com a ONG Central do Cerrado, a comunidade vai potencializar seu cultivo e seu correto beneficiamento para que a especiaria ganhe o mercado nacional e até internacional”, relata a gerente.

Na próxima visita dos técnicos do Instituto serão eleitas as famílias que vão receber a capacitação para atuar nos viveiros e no beneficiamento das favas. A intenção é que a baunilha gere subprodutos beneficiados atendendo aos requisitos necessários para sua exportação. A Central do Cerrado será a responsável por abrir mercado para o produto, que também poderá ser comercializado direto pela comunidade. Conforme relata Lucilene, será trabalhada uma identidade visual para os produtos derivados da baunilha do Cerrado, alçando a iguaria a patamares de comercialização internacional.

Do Mais Goiás Foto: Divulgação - 02/03/2017 - 09:43:47

(Biocomunidade do Sítio das Neves. Árvores e água, eis o segredo. Foto: Eugênio Giovenardi)

Eugênio Giovenardi, escritor, ecossociólogo, acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico do DF e membro do ICOMOS/UNESCO.


O dom da palavra escrita e falada, até hoje exclusivo da espécie humana, transmite conceitos, elabora mitos, cria ficções, espalha mentiras, camufla a realidade, divide e une as pessoas.

Nos últimos tempos, os cidadãos ouviram expressões como contabilidade criativa, recursos não contabilizados, fuga de capitais. Em relação à surpreendente escassez de água nos reservatórios e irregularidades das chuvas, autoridades administrativas diagnosticam stress hídrico. Nesses dias de racionamento no Distrito Federal, fala-se em crise hídrica. Na verdade, o que há é uma crise histórica de gestão da abundância de água. Parece que não sabemos o que fazer com tanta água. As inundações pelo país que o digam.

O fato de termos 12% da água doce do planeta e rios que atravessam o país, a gestão do fornecimento de água à população não se tornou motivo de planejamento nem prioridade para os governos.

Talvez nunca se tenha feito com seriedade a relação entre crescimento da população, aumento do consumo de água e a inelasticidade da oferta. O consumo aumenta sem aumentar a oferta. Oferta não significa apenas construir aquedutos para retirar água de reservatórios e levá-la às torneiras. Como se noticiou amplamente, nenhum reservatório está com sua capacidade plena.

Gestão da água é também estar preparado para enfrentar imprevistos ou irregularidades climáticas. Mas as medidas tomadas durante a escassez de água têm efeitos de curto prazo e serão esquecidas ao se normalizar a situação de emergência. A gestão do fornecimento de água à população do DF, já na casa dos três milhões e com crescimento desordenado, deve obedecer a um plano consistente para os próximos 40 anos.

Estima-se que, em dois anos, o DF terá mais 140 mil novos habitantes.  A água do planeta é a mesma de milhões de anos. As chuvas é que podem ser irregulares e é difícil fazer previsões. O certo é que a população consumidora cresce onde há e onde não há água. Se não se pode prever com segurança o volume de chuva de cada ano, é possível calcular o aumento da população e suas necessidades de água. É urgente e imprescindível preparar a população para captar a maior quantidade de água no período chuvoso. São tímidos ainda os projetos de adaptação dos edifícios da cidade para coletar a água gratuita da chuva. Na contramão da oferta de água, os desmatamentos e ocupações irregulares de áreas de proteção ambiental continuam sem uma constante ação preventiva e corretiva da administração pública.

Ações emergenciais não criam novos comportamentos, apenas acomodam temporariamente a forma de usar a água. A participação de outros órgãos como a Secretaria de Agricultura, numa situação de emergência, no sentido de orientar os agricultores na melhoria da eficiência do uso da água nas atividades agrícolas em curso, é de efeito temporário. São medidas intempestivas, desconectadas do processo produtivo já em curso.  Solicitar crédito para otimização do uso da irrigação ou canalização de cursos de água diante da escassez é um contrassenso. Nem os bancos, nem os produtores estão preparados para isso.

A preocupação dos gestores está centrada no fornecimento de água dos reservatórios à população residente na cidade. Este é apenas um item da gestão. O consumo de água relacionado com a energia hidrelétrica é ocultado pelos gestores e ignorado pela população. O consumo de água da indústria, do comércio e da agricultura é uma caixa preta. O consumo de energia dos prédios públicos é uma incógnita. A Esplanada dos Ministérios, à noite, é uma apoteose de luzes iluminando a burocracia adormecida.

O planejamento da gestão da água deve relacionar a produção industrial e a de alimentos com a capacidade da região de fornecer o volume de água necessário. A vocação territorial da produção de alimentos deve ser compatibilizada com a oferta de água para que se obtenha o equilíbrio entre oferta e demanda. Este equilíbrio é o conceito básico da produção econômica ecológica.

A criação de gado no DF só poderia ser permitida com técnicas de manejo ecológico que garantam pelo menos a reposição da água consumida pelo rebanho num ciclo produtivo. A alta produtividade da soja no DF não é argumento inatacável se os aquíferos se esgotam e a recarga não acontece.

Um núcleo central de planejamento da gestão da água deve estabelecer para diferentes setores produtivos, cujas características diferem uns dos outros, quais são adequados diante da escassez de água.

Reuso, captação de águas pluviais e reflorestamento são elementos fundamentais na gestão do fornecimento de água à população. Onde produzir, quanto produzir, com quanta água, a que custo e para quantos, são questões fundamentais de planejamento que os gestores da água têm que responder.

O Observador - 21/02/2017

A preocupação com a situação dos aterros sanitários e com o destino correto de resíduos sólidos chegou com força em São Paulo. Foi inaugurada neste ano a maior termelétrica movida a biogás do Brasil, a Termoverde Caieiras.
Todos os dias, a Central de Tratamento e Valorização Ambiental recebe cerca de oito mil toneladas de lixo urbano e industrial. A partir dessa enorme quantidade de resíduos, a Termoverde é a responsável por produzir a energia de maneira sustentável.
A construção do empreendimento começou em 2014 e teve um investimento de mais de R$ 100 milhões do Grupo Solví. No segundo semestre de 2016 recebeu a autorização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para iniciar as operações.

São exatamente 15 mil metros quadrados de instalação, onde a usina oferece nada menos que uma potência de 29,5 megawatts. Para se ter uma ideia, esse número é suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes.
De acordo com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), com o novo negócio o Brasil tem potencial de gerar 1,3 GW de eletricidade a partir dos resíduos sólidos urbanos. É o necessário para o fornecimento adicional de 932 mil MWh/mês, com capacidade de abastecer 6 milhões de casas.

“Mesmo em tempos de crise econômica, o conselho deliberativo teve a coragem de aprovar um investimento desse valor gerando emprego e apoiando o meio ambiente. Estamos deixando um legado”, destacou o diretor técnico do grupo Solví, Eleusis Creddo.
Bom, o melhor do legado da termelétrica de Caieiras já começou, e é o fato de evitar a emissão de gás metano, um dos principais gases causadores do efeito estufa na atmosfera. Além disso, claro, a capacidade de gerar energia a partir de lixo dispensa comentários, não é mesmo?

Fonte: Blog da Engenharia / The Greenest Post e Secretaria de Energia e Mineração | Fotos: Divulgação 

 

As nascentes, os rios, os lagos, o lençol freático e o nosso cerrado estão sendo cotidianamente comprometidos

Há mais de 30 anos, ambientalistas paulistas falavam da importância de proteger o território e a Mata Atlântica nos seus principais mananciais (Cantareira, Guarapiranga e Billings) em face da expansão da cidade. Inúmeras iniciativas sociais e políticas se sucederam. Campanhas Pró-Tietê, Cantareira, Guarapiranga, Billings, Ribeira do Iguape, Paraíba do Sul mobilizadas pela sociedade civil, governos e pela grande mídia. Ainda assim essas áreas foram perdendo significativamente sua vegetação original. Nessas décadas, bilhões de reais foram investidos em grandes obras de tratamento de água e esgoto e na captação e transposição de águas. Mas a crise veio e se instalou por lá. É preciso aprender com o que aconteceu em São Paulo. Em Brasília, infelizmente, já vivemos o racionamento. Algo inesperado há três ou quatro anos.

Além do deficit histórico de investimento em infraestrutura de captação de água, que este governo vem buscando reverter, há os efeitos das mudanças climáticas, que nossa região vem sofrendo. É preciso reconhecer o ritmo desenfreado da expansão urbana (movido pela grilagem de terras públicas e construções irregulares) e estribado em índices muito altos de crescimento populacional, superiores a 2% ao ano, que acelerou o processo crítico de deficit hídrico. As nascentes, os rios, os lagos, o lençol freático e o nosso cerrado estão sendo cotidianamente comprometidos. Perdemos quase 60% da nossa vegetação no Distrito Federal, principalmente nas áreas periurbanas de Brasília.

Urge enfrentarmos — os três Poderes e a população — a grilagem de terras e a ocupação ilegal do solo, sobretudo nas áreas de interesse ambiental. O apoio político e social às ações públicas de enfrentamento da grilagem de terras e de ocupações irregulares do solo, como a ação que vem ocorrendo no Parque do Guará e na Orla, é fundamental.

O DF é relativamente bem servido de infraestrutura ambiental. Conta com inúmeros parques, estações ecológicas (a exemplo de Águas Emendadas), reservas biológicas, áreas de preservação permanente de matas ciliares e nascentes, áreas de relevante interesse ecológico e a proteção dos mananciais, relevantes para a filtragem e o retorno de água de chuva para o solo.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR-DF) já atingiu 8 mil propriedades rurais e 60% do território rural, para mapear a proteção e recuperação de matas ciliares e nascentes e manejo adequado do solo. Estamos concluindo o edital do Programa Recupera Cerrado, que deve viabilizar investimento próximo de R$10 milhões em restauro florestal em áreas críticas e sensíveis, como a região do Descoberto, nos próximos dois anos.

Finalizamos, em novembro passado, o novo Mapa Hidrográfico oficial do Distrito Federal, indicando que Brasília possui uma malha hídrica rica, porém muito sensível e vulnerável. Todo esse equipamento ecológico, que a natureza nos oferece a custo zero, viabiliza a infiltração da água no solo, a conservação e a captação de toda água (superficial e subterrânea) oferecida ao povo do DF e atenua os efeitos das mudanças do clima. A gestão das águas não prescinde da boa gestão climática e do território.

Lançamos também o inventário de emissões de gases de efeito estufa e um relatório para subsidiar a produção de um plano de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Estamos agora conclamando a sociedade brasiliense a se unir a nós no Fórum Distrital de Clima.

O Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), instrumento de gestão do território, sob a nossa coordenação e o envolvimento de mais de 20 órgãos do governo distrital e federal, está em fase final de conclusão e será encaminhado à Câmara Legislativa até abril. Com ele, teremos a indicação e a definição de diretrizes para proteção e recuperação das áreas de recarga de aquífero (responsáveis pela infiltração da água para o lençol subterrâneo) e das áreas de proteção de mananciais, fundamentais para manter e aumentar a produção hídrica de qualidade a custos mais baixos.

Precisaremos do apoio da sociedade e da Câmara Legislativa, que a representa, para que esse importante instrumento de gestão ambiental entre em vigor. Carecemos de novo pacto político e social pela água, pelo clima e pelo cerrado no DF. As crises da água e do clima que vêm se apresentando não nos dão outra opção.

Por André Lima/Correio Braziliense Foto: Andre Borges/Agência Brasília - 21/02/2017 - 17:23:54

Mudanças no recolhimento dos dejetos não recicláveis começam a valer em agosto. Empresários afirmam que repassarão despesa para consumidores

As empresas do DF terão que colocar a mão no bolso para bancar mais uma despesa no Distrito Federal. Os grandes geradores de resíduos sólidos serão responsáveis pela coleta e armazenamento dos seus dejetos ou vão ter que pagar uma taxa para o SLU fazer o serviço. A mudança, prevista na Lei 5.610/2016, começa a valer a partir de agosto. Empresários afirmam que a despesa extra será repassada aos consumidores.

As alterações deveriam entrar em vigor nesta quarta-feira (22/2). Mas um novo cronograma foi anunciado pelo GDF para dar fôlego às empresas e pessoas físicas atingidas pela lei. Os geradores de mais de 2.000 litros/dia de resíduos terão até 1º de setembro para fazer as adequações. Quem produz entre 1.000 e 2.000 litros/dia deve estar preparado até 1º de novembro. Os demais, que produzem mais de 120 litros/dia, passarão a cumprir as normas a partir de 1º de janeiro de 2018.

Alguns estabelecimentos, como o shopping Conjunto Nacional, já gastaram mais de R$ 500 mil para se adequar à legislação. Quem quiser manter o serviço pelo SLU, terá que pagar R$ 196 (coleta e aterramento) por cada tonelada de lixo recolhido.

A norma abrange pessoas físicas ou jurídicas que produzem lixo em estabelecimentos de uso não residencial, incluídos os comerciais, órgãos públicos, de prestação de serviço, hotéis, restaurantes, terminais rodoviários e aeroportuários, até lojas. A lei vale para um volume diário de resíduos sólidos indiferenciados (que não são passíveis de reciclagem), por unidade autônoma, superior a 120 litros.

A norma também afeta a realização de eventos, ao alterar artigos do Decreto 35.816, de 16 de setembro de 2014, e cobrar, por exemplo, para o licenciamento de eventos, informações sobre o gerenciamento dos resíduos a serem produzidos na atividade pretendida.

A prestação dos serviços de coleta e transporte de resíduos deve ser feita pelos grandes geradores por meio de serviço próprio ou contratação de empresa cadastrada no SLU. Quanto aos materiais recicláveis secos, o SLU vai continuar fazendo a coleta, o transporte e a destinação final, sendo dispensada a cobrança de preço público. Os produtores de lixo também ficam responsáveis pela separação dos recicláveis (papel, papelão, alumínio e plástico).

"Como caberá aos empresários adequarem esses custos ao orçamento, existe sim a possibilidade de repasse de parte dos gastos aos consumidores". Adelmir Santana, presidente da Fecomércio-DF

As regras valem para estabelecimentos como shoppings, empresas de construção, mercados, entre outros. Condomínios residenciais e hospitais não entram. A intenção, segundo o GDF, é dividir a responsabilidade e os gastos com a população pelo tratamento do lixo e incentivar iniciativas de coleta seletiva dos resíduos sólidos.

A diretora do SLU, Heliana Kátia Campos, afirmou que até agora as empresas do DF eram beneficiadas com a coleta gratuita de todos os resíduos: “Antes da regulamentação, elas contavam com um serviço gratuito, pago pela população, sendo que, por lei, o SLU deve apenas recolher lixo residencial”.

Ela dá uma dica para reduzir eventuais despesas: “No caso de restaurantes, por exemplo, boa parte deles pode separar os alimentos para a compostagem. Se separados, podem ser coletados por cooperativas ou pelo próprio SLU. Assim, apenas um pequeno volume de resíduos sólidos serão rejeitados e levados para os aterros”.

Gastos e obstáculos
Para se adequar, o shopping Conjunto Nacional teve de mudar políticas internas, criar um plano de gerenciamento de resíduos, empregar profissionais para fazer a separação de recicláveis, contratar uma empresa fazer o transporte para um aterro particular em Padre Bernardo (GO) e também pagar uma taxa para o próprio aterro.

Segundo o gestor de conservação, Nadson Melo, o custo com as mudanças é de aproximadamente R$ 500 mil por ano. “Tivemos que repensar nossa gestão e remanejar o orçamento para que o impacto econômico nos condôminos fosse o menor possível. Mesmo assim, os recursos saíram do condomínio pago pelos lojistas”, explica o profissional.

Assessor financeiro da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), José Eustáquio Moreira de Carvalho aponta outros fatores que ainda não foram esclarecidos. “Uma das maiores dúvidas é a destinação de materiais específicos. Um bom exemplo é o vidro. No DF, não há usinas para reaproveitamento de garrafas desse tipo e o frete para transportá-las para outra unidade é mais caro que o preço da venda. Muitas empresas nos procuraram sem saber para onde levarão esses resíduos”, afirma.

O descarte de vidro também foi uma das dificuldades enfrentadas pelo Conjunto Nacional. “Infelizmente, no DF, o vidro é considerado não reaproveitável por não haver empresas locais que tratem esse material. As garrafas dispensadas acabam junto do lixo levado para o aterro”, reclama Melo.

Construção civil
Outro setor bastante impactado pelas mudanças é o da construção civil, que costuma produzir boa parte do lixo chamado indiferenciado. O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Marcontoni Montezuma, enumera alguns entraves para a aplicação da nova lei.

“Até o momento, apenas 12 transportadoras se cadastraram no SLU. Tememos a falta de transportadores, ausência de sacos nas padronagens indicadas na legislação, e, em alguns casos, percebemos dificuldade de se manter, dentro do estabelecimento, os resíduos gerados, até que sejam recolhidos”, explicou.

Por João Gabriel Amador, Metrópoles Foto: Reprodução/Divulgação/Michael Melo/Metrópoles - 22/02/2017 - 18:14:55

 

A bolsa do órgão busca incentivar o aumento da produção científica, tecnológica e de inovação de qualidade

Mais dois pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) entram para o seleto rol de cientistas brasileiros com produção de alta qualidade. A doutora em Ecologia Maria Teresa Fernandez Piedade e o doutor em Entomologia José Albertino Rafael agora são cientistas com bolsa de produtividade em pesquisa 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nível mais alto do órgão governamental. Com as duas novas bolsas 1A concedidas, no Amazonas há agora um total de nove pesquisadores nesse patamar, todos do Inpa.

Além deles, integram a categoria 1A as pesquisadoras Albertina Lima (Dra. em Ecologia) e Neusa Hamada (Dra. em Entomologia), as duas primeiras mulheres do Inpa a receberam bolsa nessa categoria. Também estão nessa lista os pesquisadores da instituição Adalberto Val (Dr. Biologia de Água Doce e Pesca Interior), Philip Fearnside (Dr. em Ciências Biológicas), William Magnusson (Dr. Ciências Biológicas), Niro Higuchi (Dr. em Engenharia Florestal) e Jansen Zuanon (Dr. em Ecologia).

O diretor do Inpa, que é professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Renato de França (Dr. em Biologia Celular), também é pesquisador 1A de bolsa de produtividade do CNPq, órgão que fomenta a pesquisa científica, tecnológica e incentiva a formação de pesquisadores brasileiros.

Na chamada 12/2016 foram contemplados 3.401 pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento, com bolsas de produtividade em pesquisa divididas nas categorias 1A , 1B, 1C, 1D e 2. Conforme o CNPq estão em vigor 14,5 mil bolsas, em todas as categorias. Veja aqui o resultado.

Para o entomologista José Albertino Rafael, que mudou da categoria 1D para 1A, a conquista não se deu por méritos exclusivamente seus. Pesquisador há 38 anos no Inpa, Rafael dedica-se à taxonomia de Diptera e Zoraptera e à entomologia forense e urbana. “Eu tenho trabalhado com uma equipe de pesquisadores e de alunos que tem produzido bastante nos últimos anos. Essa conquista não teria se dado se eu estivesse trabalhando sozinho. Por isso, atribuo o mérito ao meu grupo de pesquisa”, destaca.

Segundo o pesquisador, a atual política do governo para os editais favorece aqueles que têm bolsa de produtividade para que possam submeter projetos de pesquisa. “Por conta dessa classificação, acredito que o nível atual possa me favorecer nas futuras concorrências de editais para obtenção de recursos financeiros, o que, ultimamente, tem sido raro nas pesquisas”, diz.

Albertino vem trabalhando para aumentar o nível de conhecimento das faunas amazônica e brasileira, ao estudar alguns grupos taxonômicos. O pesquisador é responsável pelo grupo dos invertebrados Hexapoda no Catálogo Taxonômico da Fauna Brasileira (CTFB), que disponibiliza uma lista de mais de 80 mil espécies encontradas no Brasil e que tem atualização on-line contínua.

“Também incentivamos e apoiamos alunos para que trabalhem com outros grupos taxonômicos, de tal forma, que, num futuro não muito longínquo, possamos ter especialistas capazes de identificar a nossa fauna em todos os grupos de insetos, hoje, infelizmente, não temos esta capacidade”, diz Albertino.

Na opinião de Maria Teresa Fernandez Piedade, que também galgou mudança do nível 1D para 1A, a conquista é resultado de um trabalho de anos de dedicação em conjunto com o Grupo Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua). Há quase 40 anos dedicando-se ao ensino superior e à pesquisa, Piedade busca entender em seus estudos a influência dos ciclos de inundação sobre as vegetações de áreas alagáveis e a adaptação das plantas e esses complexos ambientes.

“O Grupo Maua que eu lidero é grandemente responsável por essa conquista. Sem o trabalho coletivo eu jamais teria chegado a esse ponto. “Estou muito satisfeita e não posso deixar de dividir com eles esse grande feito, que é atingir um patamar mais elevado de reconhecimento da comunidade científica”, agradece Piedade.

A pesquisadora concorda com José Albertino e destaca a possibilidade da bolsa ajudar na aprovação em editais. Segundo ela, alguns editais e chamadas têm filtros que implicam na concessão de benefícios apenas para alguns níveis de bolsa de produtividade. “É claro que se pleitearmos esses tipos de editais, o fato de ser 1A já facilita o pleito de alguns projetos com nível de excelência maior e isso é muito bom”, ressalta.

Por Assessoria de Comunicação Foto: Reprodução/Divulgação - 16/02/2017 - 17:14:44