Cidadãos de 20 regiões administrativas estiveram presentes. Foto: Toninho Leite/Codeplan.

Defesa das áreas rurais e demarcação das áreas de preservação, manutenção de conjuntos exclusivamente residenciais foram os temas mais abordados

A audiência pública do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) realizada no sábado (11) contou com a participação de cidadãos de 20 regiões do Distrito Federal. Entre os temas explorados está a preservação das áreas rurais e conjuntos exclusivamente residenciais, além da demarcação das unidades de conservação do Distrito Federal. O combate à grilagem também foi discutido.

A audiência realizada no auditório do CREA, na quadra 901 sul, contou com 326 pessoas. Foram protocoladas 47 contribuições por escrito. Um documento com 58 assinaturas reivindica a realização de uma nova audiência pública para a continuação dos debates.

A Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF) inovou na organização da audiência obrigatória para anteprojetos de lei do Governo de Brasília. Incluiu um plantão de atendimento para esclarecimento de dúvidas pontuais acerca do texto oferecido ao exame da sociedade civil. A triagem dos temas serviu também para que fossem oferecidas colaborações por escrito, sem manifestação específica junto à mesa diretora do evento.

“Todas as colaborações serão sistematizadas, avaliadas e acolhidas de acordo com o objetivo da lei e a reivindicação da sociedade”, assegurou o secretário de Meio Ambiente, André Lima. Ele não quis antecipar a possibilidade de realização de uma audiência pública formal, para avaliar se será possível cumprir as exigências legais.

As perguntas, sugestões, recomendações ou questionamentos para o anteprojeto de lei ordinária do ZEE terão as suas respostas publicadas no site do zoneamento e no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) em até 30 dias, conforme artigo 20 do regimento interno da audiência pública do ZEE.  A intenção do governo é viabilizar o encaminhamento do texto final do projeto de lei até junho deste ano.

Participaram da reunião representantes de Águas Claras, Brazlândia, Ceilândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Jardim Botânico, Lago Norte, Lago Sul, Park Way, Planaltina, Plano Piloto, Riacho Fundo II, Santa Maria, São Sebastião, Sobradinho, Sol Nascente (na Ceilândia), Taguatinga, Taquari (Lago Norte) e Varjão. 

SEMA DF - 14/3/2017

Um problema comum por todo o Brasil que também afeta o Gama no DF. Na cidade há muitos animais nas ruas. Principalmente no centro e próximo ao Hospital Regional do Gama (HRG).

O assunto está relacionado com a questão ambiental, mas ninguém associa.

Os animais que deveriam ser cuidados e tratados com carinho se tornam um perigo à saúde pública e um transtorno aos transeuntes que andam pelas ruas da cidade. São cães e gatos, geralmente bem desnutridos e muitas vezes com feridas e machucados. Isso quando não estão doentes. E na maioria das vezes eles são tocados, escorraçados, isso quando não são sofrem maus tratos, porque ninguém quer aquele ''inconveniente'' por perto.

O Distrito Federal  tem 30 regiões administrativas e apenas um centro de controle de zoonoses. O Centro de Controle de Zoonoses do DF fica na estrada do Contorno do Bosque, Setor de Áreas Isoladas Norte, Área Especial, Lote 4 (entre o Setor Militar Urbano e o Hospital de Apoio de Brasília). O local recebe cães e gatos diariamente. O veículo chamado de carrocinha não tem sido eficaz na recolha dos animais de rua espalhados pelo DF. No local é feito a análise da saúde do animal, a guarda e a castração deles e em alguns casos a eutanásia.

A situação dos animais de rua é pior do se imagina. Eles são transmissores de doenças, como Leptospirose e Raiva. Hospedeiros de parasitas como pulgas e carrapatos. Sujam a cidade, espalhando lixo e restos de alimentos, além das próprias fezes. Muitos destes animais se tornam agressivos aos seres humanos e até a outros animais. Atacam qualquer um que transitem pelo seu “território”. Ou seja, um grave problema de saúde pública. E pelo fato das regiões administrativas não terem canis nem unidade do Centro de Controle de Zoonoses, acaba ficando tudo concentrado na única unidade existente no Distrito Federal. E eles não têm dado conta da alta demanda.

A reportagem do Gama Cidadão constatou que na porta do Hospital Regional do Gama há um grande número de animais nas ruas que ficam por ali. Além da sujeira e do risco de doenças, estes animais ficam atormentando a vida dos que passam pela área. Alguns chegam a serem bastante agressivos e atacam pessoas, principalmente idosos e crianças. Uma senhora de 70 entrou em contato com nossa equipe dizendo que quase foi mordida por um cachorro de rua que estava na porta do Hospital intimidando as pessoas. Um perigo imenso, pois além do susto os danos causados pela mordida podem ser grandes. Como esses animais não são tratados podem carregar consigo diversas doenças como a Raiva e a Leptospirose, que podem levar a óbito. Um problema grave precisa de atenção, cujas soluções podem ser simples, mas que ninguém, nem mesmo as autoridades, tem dado importância. A quantidade de cães na porta do HRG é considerável e se tornou um problema que ninguém dá a devida importância. Nem as autoridades parecem se importar com isso. A nossa equipe fez um pequeno registro da quantidade de bichos que ficam ao redor do HRG no Gama.

Para resolver o problema não é nada tão complexo, mas depende mais da sociedade do que das autoridades. Isso mesmo, pois o principal causador desse problema é a própria sociedade, quando abandona animais na rua. Na maioria dos casos a própria população é quem coloca bicho na rua. Em outro caso o bicho nasceu na rua. Isso se deve por diversos fatores, mas que resultam em uma só problemática que é a questão dos bichos de rua.

Em muitos dos casos de abandono pelos seus donos este processo se dá por conta de que o animal passa a não mais se enquadrar ao meio onde os tais humanos vivem. Um exemplo muito comum encontrado nesses casos é que enquanto pequenos os animais são o xodó da casa. Acontece que depois crescem e muitas das vezes se tratam de animais de grande porte, o que acaba se tornando um transtorno para os seus donos. Dai eles os colocam na rua com o pensamento de que estão se livrando do problema. O que na verdade é ledo engano, pois estas pessoas estão transferindo o problema para uma região inteira que não tem nada a ver isso.

Não podemos deixar de mencionar também, que existem aqueles casos que se tratam de animais que fogem de suas casas. Seja porque esqueceram um portão aberto ou porque alguém saiu e não viu que o animal foi junto. Ai esses animais se perdem nas ruas e não conseguem encontrar o caminho de casa novamente. Com isso a rua acaba se tornando seu novo lar. Em alguns casos de perda tratam-se de animais muito querido pelos seus donos, então eles fazem uma campanha para encontra-los. Em outros casos vizinhos, amigos, familiares ou conhecidos encontram esses bichos na rua e o devolvem aos seus respectivos donos. Mas nem sempre eles voltam para suas casas e acabam fazendo parte do problema.

Agora há outro tipo de bicho de rua que são os que nasceram na rua e ali sempre viveram. Geralmente esses animais se tornam muito agressivos e, por não serem socializados, não aceitam nada nem ninguém que passe pelo seu “território”.  Atacam pessoas e animais sem nenhum motivo aparente, simplesmente porque estão cruzando o caminho deles. Assim os mais vulneráveis acabam sendo os idosos, as crianças e os deficientes.

Soluções simples podem ajudar na diminuição do problema

Uma das soluções que podem amenizar o problema de animais de rua é a sua adoção. Isso mesmo, adotar um animal de rua pode ajudar muito no controle do aumento dos animais de rua. Outra ação bastante eficaz é a castração, que tem por objetivo inibir a procriação desses animais. A castração, apesar de ser algo mais complexo que envolve a medicina veterinária e tem um custo, traz grandes benefícios a médio e longo prazo. Agora o mais importante e eficaz mesmo é não colocar bicho na rua. Estas ações podem ajudar bastante na questão dos animais de rua.

Exemplos que deram certo

Não é só o Gama que tem problemas com cães de rua, a maioria das cidades no Brasil de hoje enfrentam esse problema. Algumas pessoas e entidades tem dado mais atenção para essa questão e alguns animais já podem respirar novos ares longe das ruas e livre de doenças.

No município de Valparaíso de Goiás (GO) a poucos quilômetros da cidade do Gama, na divisa de Goiás com o Distrito Federal, a situação não é diferente, mas algumas pessoas tem feito algo para mudar essa realidade. No bairro Chácaras Anhanguera um casal de moradores adotou da sua porta um gato e dois cachorros de pequeno porte. Próximo a eles, a senhora Patrícia e o seu esposo adotaram uma cachorra de porte médio. Estes animais viviam na sua rua, incomodavam os transeuntes, rasgavam lixo, faziam suas necessidades na calçada e dormiam embaixo de marquises ou da parada de ônibus existente no local.

A cachorra, que ganhou o nome de Sofia, foi encontrada muito magra, mas com boa saúde. O casal se identificou com o animal que se mostrou muito dócil e amigável, fazendo com que eles se apagassem ao bichinho. Após a preparação do local que se tornou seu novo lar, ela foi adotada e retirada da rua pelo casal. Sofia foi levada ao veterinário, vacinada, vermifugada, tomou um bom banho e teve seu pelo tratado. Diferente do que acontece com muitos animais de rua, essa cachorra tinha poucos problemas no geral e sua recuperação foi muito rápida. Hoje bem tratada e cuidada, recebendo muito amor, carinho e dedicação dos seus donos, Sofia é outra cachorra. Já ganhou peso, é alegre, brincalhona, muito inteligente e obediente.


A cachorra Sofia e sua dona Patricia em seu novo lar.

No outro caso de adoção um dos cachorrinhos adotados tem uma história comovente. Ele vivia na rua desde pequenino, nasceu e cresceu na rua. Não era socializado, não gostava de ninguém, não deixava que nenhuma pessoa se aproximasse dele e colocava outros cães para correr. Com fome ele passou a ver o churrasquinho dos seus atuais donos como um local onde tinha certa facilidade em se alimentar. Sempre muito arredio e antissocial ele se mantinha por perto, mas evitava ao máximo a aproximação de humanos. Mesmo que fossem lhe dar comida ele não aceitava a aproximação. Era preciso que se jogasse a comida a ele ou fosse colocada numa vasilha bem distante das pessoas para que ele se sentisse seguro para comer. Um cão pequenino, mas muito arredio e valente, que foi atropelado por duas vezes e resistiu bem. Scooby, como é chamado, encantou os corações dos atuais donos. Já tem mais de um ano que vive com eles e aprendeu que o humano nem sempre é um perigo. Ao invés disso pode se tornar seu porto seguro.

Scooby o cãozinho adotado que não gostava de humanos

São exemplos como estes que fazem a diferença. O que antes era um estorvo, um problema de saúde pública, hoje é o melhor amigo daqueles que nãos os ignoraram e tiveram a compaixão de dar uma vida melhor a estes pobres animais que um dia foram abandonados.

Organizações não governamentais

Já que há uma grande deficiência do poder público para com essa questão, que tem aumentado nas últimas décadas, entidades sem fins lucrativos (ONGs) começaram a surgir para atuarem diretamente nessa causa. Estas entidades têm como missão retirar e cuidar dos animais de ruas. Dar-lhes os devidos tratamentos, fazer a castração, retirá-los das ruas e procurar lares responsáveis para adoção.

Doenças transmitidas

O animal saudável não transmite nenhuma doença ao ser humano, mas do contrário pode causar muitos transtornos, principalmente pela sujeira que faz nas ruas e pela agressividade de alguns que atacam pessoas. Outro problema são as fezes dos animais que além do mal cheiro atraem moscas e parasitas.

Animais saudáveis não transmitem doenças. Existem pessoas que acham que os animais domésticos são um perigo a saúde pública, mas uma vez que animais tratados, vermifugados e vacinados, e que vivem em boas condições de higiene dificilmente transmitem alguma doença. No entanto os animais abandonados e que vivem em condições de pouca higiene e na rua podem sim, transmitir doenças e isso deve ser considerado, pois trata-se de um problema de saúde pública.

Veja as doenças mais comuns que podem ser transmitidas por animais de rua:

- Raiva (Cão, gato, primatas e cavalo): A transmissão ocorre pela mordida do animal doente. O vírus encontra-se presente na saliva.

 - Larva Migrans cutânea ou Bicho Feográfico (Cão): A transmissão é pelo contato com ambientes que estejam contaminados com fezes de cães.

- Lepstospirose (Cão): causada por bactéria presente na urina dos ratos que contamina a água de enchente, lama etc. O cão que tiver contato com a urina de ratos se contamina e pode transmitir ao homem.

- Criptococose (Doença do Pompo): A criptococose, chamada também de Blastomicose Européia, Doença de Busse-Buschke ou Torulose, é uma das doenças que os pombos podem transmitir aos humanos. Causada por um fungo chamado Cryptococcus neofarmans, esta doença infecciosa está presente nas fezes do pombo. Sua transmissão aos humanos é feita através da inalação destas fezes ou de poeira que contenha fezes de pombo contaminadas. Esta doença pode atingir qualquer pessoa, no entanto pacientes que contem com um sistema imunológico fraco, como aqueles que sofrem de câncer e HIV, são mais propensos à doença.

Ajudando a ter uma cidade mais limpa e livre desses problemas:

Além das autoridades, Governo e Administração regional, cada cidadão é responsável pelo meio onde vive. E cabe a todos zelar por estes espaços. Abaixo seguem soluções simples que podem ajudar em muito na questão de animais de rua:

Não coloque animais na rua. Procure por entidades que tratem desses animais ou até mesmo o Centro de Controle de Zoonoses de do Distrito Federal e faça a destinação correta desses animais.

Adote um cachorro ou um gato, faça os devidos cuidados veterinários, como vacinas e vermífugos. Cuide dele e os benefícios obtidos se estende a toda sua comunidade.

Não jogue lixo em terrenos baldios pois isso atrai ratos, pombos e demais animais de rua. Não coloque lixo de qualquer jeito na porta de suas casas ou comércios.

Não alimentem os pombos urbanos pois eles são fortes transmissores de doenças.

Denuncie quem maltrata animal. Leve ao conhecimento da Zoonoses a existência de bichos de rua e cobre da Administração Regional que tome providências quanto a isso.

Da redação do Gama Cidadão.

 

 

A crise hídrica no DF se tornou a maior da história nesses mais de 55 anos de existência da região. Com ela veio o racionamento de água e trouxe a tona a questão de como os órgãos competentes tem lidado com a questão hídrica em toda a região do DF e Entorno. Para se terem uma ideia do tamanho do problema o principal reservatório de Brasília está com 24% da capacidade.

As chuvas deste verão não estão ajudando e na região do Distrito Federal a situação do abastecimento é crítica. Até algumas nascentes estão secando. Algo jamais visto pelos moradores próximos a estas áreas. A crise está tão séria que a CAESB teve que implantar o racionamento no abastecimento de água em todo o DF. Acontece que quem vive nas zonas rurais a questão tem sido outra, a seca de nascentes e diminuição do fluxo de água nos córregos.

A situação crítica vivenciada por quem mora na zona rural se deve pelo fato de, além do baixo índice de chuvas, existirem algumas pessoas que estão fazendo capitação irregular de água de córregos e ribeirões.

Na região da Ponte Alta no Gama, no Núcleo Rural Casa Grande, vários córregos e nascentes atrás da igreja de São Francisco de Assis estão sofrendo com a capitação de água irregular, segundo um morador do local que não quis se identificar, falta fiscalização da Administração Regional do Gama e da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), que até o momento não estiveram no local para constatar o fato. 

A moradora do Alagados de Suzana, Dona Flávia, a mais de 33 anos na Vila, reclama que nunca viu a nascente próxima a sua casa tão seca como se encontra atualmente. E denuncia que esses acontecimentos se devem a capitação irregular de água desses ribeirões e nascentes por alguns moradores da região ou pela Caesb. Dona Flávia alega que está havendo um desvio dos ribeirões que passam na Vila e região.

Veja o seu depoimento para nossa equipe:

E toda essa seca hídrica está acontecendo bem no meio da estação úmida, que deveria trazer algum alento para a seca na região. Tudo indica que esse ano no DF ocorra o pior período de seca da história. Onde a chuva veio e melhorou a situação dos reservatórios foi no Sul e no Sudeste. O DF sofre com a escassez de chuvas no período mais chuvosos pra a região e deve piorar ainda mais no período de seca.

O Governo do Distrito Federal suspendeu a emissão de novas autorizações para captar água em regiões críticas, como por exemplo na bacia do Descoberto. E isso é por conta do desabastecimento que levou à crise hídrica. Não há previsão de quando os processos de outorgas voltarão a ser analisados.

Os agricultores que já aplicaram a documentação na tentativa de regularizar uma captação irregular ou começar a captar água não terão a permissão do governo neste momento. Em caso de desrespeito, ficam sujeitos a advertência, multa e obstrução dos poços. A Adasa não informou a quantidade de pedidos em aberto. Por conta disso alguns moradores dessas regiões têm recorrido aos córregos e ribeirões que abastecem essas bacias para fazerem a capitação de água. No caso de forma irregular.

Os córregos e ribeirões que cortam a região do Gama se conectam a bacia de Corumbá IV, que está localizada entre os municípios de Luziânia (GO), Novo Gama (GO) e Alexânia (GO). Essa bacia é um importante ponto hídrico localizado região sul do Entorno do DF. A anos está sendo feito uma imensa obra pela CAESB e SANEAGO, mas que vem se arrastando sem um prazo para conclusão. A obra visa atender o abastecimento de água das cidades que estão na região sul do DF e Entorno. Isso irá ajudar bastante na melhora da situação hídrica do DF.

Enquanto essa importante obra não é concluída e entra em funcionamento a população do DF se vê a mercê da situação em que se encontra o atual sistema hídrico do DF.

Com relação a questão da capitação de água irregular, a ADASA firmou um convênio com as polícias Militar e Ambiental do DF para intensificar a fiscalização das captações irregulares. Porém referente a região da Ponte Alta no Gama ainda não se pronunciam.

Galeria de fotos. Clique aqui!

Da redação do Gama Cidadão.

Cerca de 80 pessoas participaram do encontro promovido pela Adasa. Muitas criticaram a cobrança feita pela Caesb desde dezembro do ano passado

Muitas críticas e algumas propostas foram feitas na audiência pública promovida pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Público do Distrito Federal (Adasa) nesta terça-feira (7/3). O objetivo da reunião foi colher contribuições para a resolução que definirá o uso dos recursos arrecadados com a tarifa de contingência que vem sendo cobrada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) devido à crise hídrica.

Mais de 80 pessoas participaram da reunião promovida pela agência. Entre os presentes estavam estudantes e professores do ensino médio da rede pública do Distrito Federal, representantes da sociedade civil, assessores parlamentares e o corpo de técnicos e diretores do órgão.

Uma das propostas lançadas pelo assessor parlamentar do gabinete do deputado Joe Valle (PDT), Diogo da Matta Garcia, é a garantia de que 10% do total de recursos arrecadados serão destinados à educação ambiental. "Também consideramos primordial a implantação de estruturas de sinalização e interpretação ambiental em áreas protegidas, unidades de conservação, nascentes, matas ciliares e demais áreas necessárias à preservação de recursos hídricos", acrescentou.

A professora de língua portuguesa Mayssara Reany de Jesus propôs que parte da verba da tarifa de contingência seja destinada ao consumo consciente de água para o setor de agronegócio, como também que sejam feitos investimentos para a preservação de nascentes. "Há mais de 15 anos, brota água de uma nascente em frente ao CEF 01, em Brazlândia. A Adasa, o Ibram e a Caesb nunca tomaram providência alguma e a população faz uso dela para a lavagem de carros", advertiu.

A vice-presidente da Associação de Profissionais de Engenharia Ambiental do Distrito Federal, Bruna Sousa, interrompeu a reunião e bradou. "É a terceira vez que a Adasa faz uma audiência pública e não temos o retorno imediato da agência", protestou.

Segundo o superintendente de Estudos Econômicos e Fiscalização Financeira da Adasa, Cássio Cossenzo, todas as contribuições serão levadas em consideração. Cossenzo disse que até 25 de março a agência dará uma definição sobre a destinação da verba da tarifa de contingência. "Uma equipe técnica e a direção do colegiado se reunirão para bater o martelo. Entre as propostas já analisadas, estão: campanha de conscientização para o uso d’água, investimentos e custos em novos projetos e para a redução de perdas."

Entretanto, ele também considerou que "a própria concessionária tem o conhecimento técnico melhor sobre o que deve ser aplicado".

Para o representante do Fórum Permanente em Defesa do Parque Ezequias Heringer, José Gurgel, o povo continua pagando pela falta de planejamento do governo. "Em dois anos e meio, a Caesb não fez sequer um projeto para evitar a falta de água. Caminhão pipa? Vamos voltar à idade da pedra?", questionou.

No meio do seu discurso, ele ironizou a atuação conjunta da Adasa e da Caesb. "Com este dinheiro da tarifa de contingência, daria para comprar água mineral para toda a população do Distrito Federal", ironizou. Gurgel não considera que essa audiência pública vá resolver de maneira transparente como gastar o dinheiro da tarifa de contingência. "Isso não adianta nada. Teria de ser realizada uma audiência deliberativa", comentou.

Para o professor aposentado Klecius Oliveira, o governo quer que o consumidor pague, mas não leve a água. "A população está sendo duplamente punida: tanto pela falta d'água como pelo pagamento da taxa", analisou. Klecius questionou a ingerência do governo sobre a questão da crise hídrica. "Ou é incompetência ou é má fé. A população uma hora vai se revoltar com tudo isso", afirmou.

Até as 17h de 13 de março de 2017, os cidadãos poderão enviar contribuições para a redação da resolução. Isso pode ser feito pelo endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou ser remetido por correspondência endereçada ao Protocolo Geral da Adasa.

Por Correio Braziliense Foto: Reprodução / Divulgação - 07/03/2017 - 19:13:24

Parcerias tem o objetivo de orientar o manejo sustentável nas comunidades extrativistas e permitir a difusão em importantes mercados dos produtos extraídos

O trabalho de extração de baunilha do Cerrado desenvolvido pelas comunidades quilombolas em Cavalcante, na região Norte de Goiás, chamou a atenção de um dos maiores chefs da atualidade, Alex Atala. À frente do Instituto Atá, o chef e demais pesquisadores da biodiversidade brasileira, principalmente no que se refere a ingredientes e especiarias utilizadas na gastronomia, buscam junto a comunidades extrativistas desenvolver parceria para orientar o manejo sustentável e permitir a difusão em importantes mercados dos produtos extraídos.

No início de fevereiro, Alex Atala e parte da sua equipe estiveram nas comunidades kalunga Vão de Almas e Engenho 2, acompanhados por integrantes da Superintendência da Igualdade Racial, da Secretaria Cidadã, para ver de perto a produção agroflorestal de baunilha. “Só há três sabores reconhecidos e apreciados em qualquer parte do mundo: morango, chocolate e baunilha. Isso mostra a importância desse produto para vocês. A baunilha tem que existir para reforçar a cultura de vocês”, disse Atala em reunião com os kalunga em Cavalcante.

O projeto a ser desenvolvido em parceria entre o Instituo Atá e as comunidades quilombola kalunga visa a implantação de viveiros para produção sustentável de mudas de baunilha do Cerrado, diretamente na comunidade Vão das Almas. As famílias participantes vão receber cursos sobre o manejo e o beneficiamento da iguaria. Para isso, a Fundação Banco do Brasil vai liberar financiamento no valor de R$ 382 mil. Outro parceiro do projeto é a Central do Cerrado, uma organização que auxilia cooperativas no desenvolvimento comercial de seus produtos.

“Esse projeto ganha uma importância especial para nós à medida em que, além de representar desenvolvimento econômico e social para as nossas comunidades, pode ser também uma perspectiva de futuro para nossos jovens, que normalmente buscam estudo e trabalho fora daqui, na capital ou em outras regiões”, comentou Vilmar Souza Costa, presidente da Associação Quilombo Kalunga.

A pesquisa sobre a viabilidade do manejo sustentável da baunilha foi iniciada pelo instituto em 2014, época em que Alex Atala elencou os ingredientes especiais autênticos da culinária brasileira. Junto à baunilha, o chef despertou interesse também pela pimenta Baniwa e pelo cogumelo Yanomami, ambos nativos da região da Floresta Amazônica.

No Norte goiano, o projeto visa desenvolver a cultura da baunilha típica do Cerrado, presente na Chapada dos Veadeiros. O objetivo principal é transformar a realidade socioeconômica da comunidade extrativista, bem como conservar a biodiversidade e a cultura dos quilombolas.

Para desenvolver o projeto, o Instituto Atá conta com diferentes profissionais, entre pesquisadores e técnicos no cultivo da planta, beneficiamento e gestão comercial de produtos agro sustentáveis. A equipe de coordenação do projeto também possui representantes da própria comunidade kalunga, incluindo o presidente da Associação Quilombo Kalunga e outros moradores da comunidade. Outras visitas do grupo a Cavalcante para detalhar o planejamento do projeto devem ser confirmadas para março.

Baunilha

Aromatizante natural de alto valor, a baunilha é um tipo de orquídea do gênero vanilla originária da América Central. No Brasil, espalha-se pelos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Seu poder de dar sabor aos alimentos vem dos grãos da vagem da planta. Ainda verde, essa vagem não tem gosto nem cheiro, sendo preciso deixá-la secar ao sol ou em estufa para o seu preparo inicial, que conta com fermentação natural.

O extrato é obtido da vagem seca, que posteriormente é submetida a soluções alcoólicas. Na cultura kalunga em Goiás, a baunilha costuma aromatizar também a cachaça. Na visita ao Empório Kalunga em Cavalcante, o chef Alex Atala foi apresentado a uma dessas aguardentes.

Desenvolvimento da comunidade

A Secretaria Cidadã, por meio da Superintendência da Igualdade Racial, está diretamente ligada ao desenvolvimento do projeto, contribuindo no estreitamento de relações entre o Instituto Atá e os membros da comunidade kalunga. A primeira visita de reconhecimento promovida por Alex Atala e sua equipe foi acompanhada pela gerente de projetos intersetoriais e comunidades tradicionais, Lucilene dos Santos Rosa. Ela explica que, até os dias de hoje, a extração da baunilha do Cerrado é feita de forma muito artesanal e sem o cunho comercial. “Hoje, a baunilha é utilizada na comunidade para consumo próprio na forma de licores e da sua essência. Sua comercialização na loja de produtos kalunga é feita de forma muito inexpressiva. Com a capacitação promovida pelo Instituto Atá em parceria com a ONG Central do Cerrado, a comunidade vai potencializar seu cultivo e seu correto beneficiamento para que a especiaria ganhe o mercado nacional e até internacional”, relata a gerente.

Na próxima visita dos técnicos do Instituto serão eleitas as famílias que vão receber a capacitação para atuar nos viveiros e no beneficiamento das favas. A intenção é que a baunilha gere subprodutos beneficiados atendendo aos requisitos necessários para sua exportação. A Central do Cerrado será a responsável por abrir mercado para o produto, que também poderá ser comercializado direto pela comunidade. Conforme relata Lucilene, será trabalhada uma identidade visual para os produtos derivados da baunilha do Cerrado, alçando a iguaria a patamares de comercialização internacional.

Do Mais Goiás Foto: Divulgação - 02/03/2017 - 09:43:47

(Biocomunidade do Sítio das Neves. Árvores e água, eis o segredo. Foto: Eugênio Giovenardi)

Eugênio Giovenardi, escritor, ecossociólogo, acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico do DF e membro do ICOMOS/UNESCO.


O dom da palavra escrita e falada, até hoje exclusivo da espécie humana, transmite conceitos, elabora mitos, cria ficções, espalha mentiras, camufla a realidade, divide e une as pessoas.

Nos últimos tempos, os cidadãos ouviram expressões como contabilidade criativa, recursos não contabilizados, fuga de capitais. Em relação à surpreendente escassez de água nos reservatórios e irregularidades das chuvas, autoridades administrativas diagnosticam stress hídrico. Nesses dias de racionamento no Distrito Federal, fala-se em crise hídrica. Na verdade, o que há é uma crise histórica de gestão da abundância de água. Parece que não sabemos o que fazer com tanta água. As inundações pelo país que o digam.

O fato de termos 12% da água doce do planeta e rios que atravessam o país, a gestão do fornecimento de água à população não se tornou motivo de planejamento nem prioridade para os governos.

Talvez nunca se tenha feito com seriedade a relação entre crescimento da população, aumento do consumo de água e a inelasticidade da oferta. O consumo aumenta sem aumentar a oferta. Oferta não significa apenas construir aquedutos para retirar água de reservatórios e levá-la às torneiras. Como se noticiou amplamente, nenhum reservatório está com sua capacidade plena.

Gestão da água é também estar preparado para enfrentar imprevistos ou irregularidades climáticas. Mas as medidas tomadas durante a escassez de água têm efeitos de curto prazo e serão esquecidas ao se normalizar a situação de emergência. A gestão do fornecimento de água à população do DF, já na casa dos três milhões e com crescimento desordenado, deve obedecer a um plano consistente para os próximos 40 anos.

Estima-se que, em dois anos, o DF terá mais 140 mil novos habitantes.  A água do planeta é a mesma de milhões de anos. As chuvas é que podem ser irregulares e é difícil fazer previsões. O certo é que a população consumidora cresce onde há e onde não há água. Se não se pode prever com segurança o volume de chuva de cada ano, é possível calcular o aumento da população e suas necessidades de água. É urgente e imprescindível preparar a população para captar a maior quantidade de água no período chuvoso. São tímidos ainda os projetos de adaptação dos edifícios da cidade para coletar a água gratuita da chuva. Na contramão da oferta de água, os desmatamentos e ocupações irregulares de áreas de proteção ambiental continuam sem uma constante ação preventiva e corretiva da administração pública.

Ações emergenciais não criam novos comportamentos, apenas acomodam temporariamente a forma de usar a água. A participação de outros órgãos como a Secretaria de Agricultura, numa situação de emergência, no sentido de orientar os agricultores na melhoria da eficiência do uso da água nas atividades agrícolas em curso, é de efeito temporário. São medidas intempestivas, desconectadas do processo produtivo já em curso.  Solicitar crédito para otimização do uso da irrigação ou canalização de cursos de água diante da escassez é um contrassenso. Nem os bancos, nem os produtores estão preparados para isso.

A preocupação dos gestores está centrada no fornecimento de água dos reservatórios à população residente na cidade. Este é apenas um item da gestão. O consumo de água relacionado com a energia hidrelétrica é ocultado pelos gestores e ignorado pela população. O consumo de água da indústria, do comércio e da agricultura é uma caixa preta. O consumo de energia dos prédios públicos é uma incógnita. A Esplanada dos Ministérios, à noite, é uma apoteose de luzes iluminando a burocracia adormecida.

O planejamento da gestão da água deve relacionar a produção industrial e a de alimentos com a capacidade da região de fornecer o volume de água necessário. A vocação territorial da produção de alimentos deve ser compatibilizada com a oferta de água para que se obtenha o equilíbrio entre oferta e demanda. Este equilíbrio é o conceito básico da produção econômica ecológica.

A criação de gado no DF só poderia ser permitida com técnicas de manejo ecológico que garantam pelo menos a reposição da água consumida pelo rebanho num ciclo produtivo. A alta produtividade da soja no DF não é argumento inatacável se os aquíferos se esgotam e a recarga não acontece.

Um núcleo central de planejamento da gestão da água deve estabelecer para diferentes setores produtivos, cujas características diferem uns dos outros, quais são adequados diante da escassez de água.

Reuso, captação de águas pluviais e reflorestamento são elementos fundamentais na gestão do fornecimento de água à população. Onde produzir, quanto produzir, com quanta água, a que custo e para quantos, são questões fundamentais de planejamento que os gestores da água têm que responder.

O Observador - 21/02/2017