Um problema comum por todo o Brasil que também afeta o Gama no DF. Na cidade há muitos animais nas ruas. Principalmente no centro e próximo ao Hospital Regional do Gama (HRG).

O assunto está relacionado com a questão ambiental, mas ninguém associa.

Os animais que deveriam ser cuidados e tratados com carinho se tornam um perigo à saúde pública e um transtorno aos transeuntes que andam pelas ruas da cidade. São cães e gatos, geralmente bem desnutridos e muitas vezes com feridas e machucados. Isso quando não estão doentes. E na maioria das vezes eles são tocados, escorraçados, isso quando não são sofrem maus tratos, porque ninguém quer aquele ''inconveniente'' por perto.

O Distrito Federal  tem 30 regiões administrativas e apenas um centro de controle de zoonoses. O Centro de Controle de Zoonoses do DF fica na estrada do Contorno do Bosque, Setor de Áreas Isoladas Norte, Área Especial, Lote 4 (entre o Setor Militar Urbano e o Hospital de Apoio de Brasília). O local recebe cães e gatos diariamente. O veículo chamado de carrocinha não tem sido eficaz na recolha dos animais de rua espalhados pelo DF. No local é feito a análise da saúde do animal, a guarda e a castração deles e em alguns casos a eutanásia.

A situação dos animais de rua é pior do se imagina. Eles são transmissores de doenças, como Leptospirose e Raiva. Hospedeiros de parasitas como pulgas e carrapatos. Sujam a cidade, espalhando lixo e restos de alimentos, além das próprias fezes. Muitos destes animais se tornam agressivos aos seres humanos e até a outros animais. Atacam qualquer um que transitem pelo seu “território”. Ou seja, um grave problema de saúde pública. E pelo fato das regiões administrativas não terem canis nem unidade do Centro de Controle de Zoonoses, acaba ficando tudo concentrado na única unidade existente no Distrito Federal. E eles não têm dado conta da alta demanda.

A reportagem do Gama Cidadão constatou que na porta do Hospital Regional do Gama há um grande número de animais nas ruas que ficam por ali. Além da sujeira e do risco de doenças, estes animais ficam atormentando a vida dos que passam pela área. Alguns chegam a serem bastante agressivos e atacam pessoas, principalmente idosos e crianças. Uma senhora de 70 entrou em contato com nossa equipe dizendo que quase foi mordida por um cachorro de rua que estava na porta do Hospital intimidando as pessoas. Um perigo imenso, pois além do susto os danos causados pela mordida podem ser grandes. Como esses animais não são tratados podem carregar consigo diversas doenças como a Raiva e a Leptospirose, que podem levar a óbito. Um problema grave precisa de atenção, cujas soluções podem ser simples, mas que ninguém, nem mesmo as autoridades, tem dado importância. A quantidade de cães na porta do HRG é considerável e se tornou um problema que ninguém dá a devida importância. Nem as autoridades parecem se importar com isso. A nossa equipe fez um pequeno registro da quantidade de bichos que ficam ao redor do HRG no Gama.

Para resolver o problema não é nada tão complexo, mas depende mais da sociedade do que das autoridades. Isso mesmo, pois o principal causador desse problema é a própria sociedade, quando abandona animais na rua. Na maioria dos casos a própria população é quem coloca bicho na rua. Em outro caso o bicho nasceu na rua. Isso se deve por diversos fatores, mas que resultam em uma só problemática que é a questão dos bichos de rua.

Em muitos dos casos de abandono pelos seus donos este processo se dá por conta de que o animal passa a não mais se enquadrar ao meio onde os tais humanos vivem. Um exemplo muito comum encontrado nesses casos é que enquanto pequenos os animais são o xodó da casa. Acontece que depois crescem e muitas das vezes se tratam de animais de grande porte, o que acaba se tornando um transtorno para os seus donos. Dai eles os colocam na rua com o pensamento de que estão se livrando do problema. O que na verdade é ledo engano, pois estas pessoas estão transferindo o problema para uma região inteira que não tem nada a ver isso.

Não podemos deixar de mencionar também, que existem aqueles casos que se tratam de animais que fogem de suas casas. Seja porque esqueceram um portão aberto ou porque alguém saiu e não viu que o animal foi junto. Ai esses animais se perdem nas ruas e não conseguem encontrar o caminho de casa novamente. Com isso a rua acaba se tornando seu novo lar. Em alguns casos de perda tratam-se de animais muito querido pelos seus donos, então eles fazem uma campanha para encontra-los. Em outros casos vizinhos, amigos, familiares ou conhecidos encontram esses bichos na rua e o devolvem aos seus respectivos donos. Mas nem sempre eles voltam para suas casas e acabam fazendo parte do problema.

Agora há outro tipo de bicho de rua que são os que nasceram na rua e ali sempre viveram. Geralmente esses animais se tornam muito agressivos e, por não serem socializados, não aceitam nada nem ninguém que passe pelo seu “território”.  Atacam pessoas e animais sem nenhum motivo aparente, simplesmente porque estão cruzando o caminho deles. Assim os mais vulneráveis acabam sendo os idosos, as crianças e os deficientes.

Soluções simples podem ajudar na diminuição do problema

Uma das soluções que podem amenizar o problema de animais de rua é a sua adoção. Isso mesmo, adotar um animal de rua pode ajudar muito no controle do aumento dos animais de rua. Outra ação bastante eficaz é a castração, que tem por objetivo inibir a procriação desses animais. A castração, apesar de ser algo mais complexo que envolve a medicina veterinária e tem um custo, traz grandes benefícios a médio e longo prazo. Agora o mais importante e eficaz mesmo é não colocar bicho na rua. Estas ações podem ajudar bastante na questão dos animais de rua.

Exemplos que deram certo

Não é só o Gama que tem problemas com cães de rua, a maioria das cidades no Brasil de hoje enfrentam esse problema. Algumas pessoas e entidades tem dado mais atenção para essa questão e alguns animais já podem respirar novos ares longe das ruas e livre de doenças.

No município de Valparaíso de Goiás (GO) a poucos quilômetros da cidade do Gama, na divisa de Goiás com o Distrito Federal, a situação não é diferente, mas algumas pessoas tem feito algo para mudar essa realidade. No bairro Chácaras Anhanguera um casal de moradores adotou da sua porta um gato e dois cachorros de pequeno porte. Próximo a eles, a senhora Patrícia e o seu esposo adotaram uma cachorra de porte médio. Estes animais viviam na sua rua, incomodavam os transeuntes, rasgavam lixo, faziam suas necessidades na calçada e dormiam embaixo de marquises ou da parada de ônibus existente no local.

A cachorra, que ganhou o nome de Sofia, foi encontrada muito magra, mas com boa saúde. O casal se identificou com o animal que se mostrou muito dócil e amigável, fazendo com que eles se apagassem ao bichinho. Após a preparação do local que se tornou seu novo lar, ela foi adotada e retirada da rua pelo casal. Sofia foi levada ao veterinário, vacinada, vermifugada, tomou um bom banho e teve seu pelo tratado. Diferente do que acontece com muitos animais de rua, essa cachorra tinha poucos problemas no geral e sua recuperação foi muito rápida. Hoje bem tratada e cuidada, recebendo muito amor, carinho e dedicação dos seus donos, Sofia é outra cachorra. Já ganhou peso, é alegre, brincalhona, muito inteligente e obediente.


A cachorra Sofia e sua dona Patricia em seu novo lar.

No outro caso de adoção um dos cachorrinhos adotados tem uma história comovente. Ele vivia na rua desde pequenino, nasceu e cresceu na rua. Não era socializado, não gostava de ninguém, não deixava que nenhuma pessoa se aproximasse dele e colocava outros cães para correr. Com fome ele passou a ver o churrasquinho dos seus atuais donos como um local onde tinha certa facilidade em se alimentar. Sempre muito arredio e antissocial ele se mantinha por perto, mas evitava ao máximo a aproximação de humanos. Mesmo que fossem lhe dar comida ele não aceitava a aproximação. Era preciso que se jogasse a comida a ele ou fosse colocada numa vasilha bem distante das pessoas para que ele se sentisse seguro para comer. Um cão pequenino, mas muito arredio e valente, que foi atropelado por duas vezes e resistiu bem. Scooby, como é chamado, encantou os corações dos atuais donos. Já tem mais de um ano que vive com eles e aprendeu que o humano nem sempre é um perigo. Ao invés disso pode se tornar seu porto seguro.

Scooby o cãozinho adotado que não gostava de humanos

São exemplos como estes que fazem a diferença. O que antes era um estorvo, um problema de saúde pública, hoje é o melhor amigo daqueles que nãos os ignoraram e tiveram a compaixão de dar uma vida melhor a estes pobres animais que um dia foram abandonados.

Organizações não governamentais

Já que há uma grande deficiência do poder público para com essa questão, que tem aumentado nas últimas décadas, entidades sem fins lucrativos (ONGs) começaram a surgir para atuarem diretamente nessa causa. Estas entidades têm como missão retirar e cuidar dos animais de ruas. Dar-lhes os devidos tratamentos, fazer a castração, retirá-los das ruas e procurar lares responsáveis para adoção.

Doenças transmitidas

O animal saudável não transmite nenhuma doença ao ser humano, mas do contrário pode causar muitos transtornos, principalmente pela sujeira que faz nas ruas e pela agressividade de alguns que atacam pessoas. Outro problema são as fezes dos animais que além do mal cheiro atraem moscas e parasitas.

Animais saudáveis não transmitem doenças. Existem pessoas que acham que os animais domésticos são um perigo a saúde pública, mas uma vez que animais tratados, vermifugados e vacinados, e que vivem em boas condições de higiene dificilmente transmitem alguma doença. No entanto os animais abandonados e que vivem em condições de pouca higiene e na rua podem sim, transmitir doenças e isso deve ser considerado, pois trata-se de um problema de saúde pública.

Veja as doenças mais comuns que podem ser transmitidas por animais de rua:

- Raiva (Cão, gato, primatas e cavalo): A transmissão ocorre pela mordida do animal doente. O vírus encontra-se presente na saliva.

 - Larva Migrans cutânea ou Bicho Feográfico (Cão): A transmissão é pelo contato com ambientes que estejam contaminados com fezes de cães.

- Lepstospirose (Cão): causada por bactéria presente na urina dos ratos que contamina a água de enchente, lama etc. O cão que tiver contato com a urina de ratos se contamina e pode transmitir ao homem.

- Criptococose (Doença do Pompo): A criptococose, chamada também de Blastomicose Européia, Doença de Busse-Buschke ou Torulose, é uma das doenças que os pombos podem transmitir aos humanos. Causada por um fungo chamado Cryptococcus neofarmans, esta doença infecciosa está presente nas fezes do pombo. Sua transmissão aos humanos é feita através da inalação destas fezes ou de poeira que contenha fezes de pombo contaminadas. Esta doença pode atingir qualquer pessoa, no entanto pacientes que contem com um sistema imunológico fraco, como aqueles que sofrem de câncer e HIV, são mais propensos à doença.

Ajudando a ter uma cidade mais limpa e livre desses problemas:

Além das autoridades, Governo e Administração regional, cada cidadão é responsável pelo meio onde vive. E cabe a todos zelar por estes espaços. Abaixo seguem soluções simples que podem ajudar em muito na questão de animais de rua:

Não coloque animais na rua. Procure por entidades que tratem desses animais ou até mesmo o Centro de Controle de Zoonoses de do Distrito Federal e faça a destinação correta desses animais.

Adote um cachorro ou um gato, faça os devidos cuidados veterinários, como vacinas e vermífugos. Cuide dele e os benefícios obtidos se estende a toda sua comunidade.

Não jogue lixo em terrenos baldios pois isso atrai ratos, pombos e demais animais de rua. Não coloque lixo de qualquer jeito na porta de suas casas ou comércios.

Não alimentem os pombos urbanos pois eles são fortes transmissores de doenças.

Denuncie quem maltrata animal. Leve ao conhecimento da Zoonoses a existência de bichos de rua e cobre da Administração Regional que tome providências quanto a isso.

Da redação do Gama Cidadão.