Matança na Praça do Cine Itapuã

Sites e blogs das redes sociais baseados no Gama tem noticiado com fotos, diversos crimes ambientais que tem acontecido ultimamente nos logradouros públicos dessa cidade satélite do DF, atingindo áreas da Quadra 46 do Setor Central, Espaço em frente à Quadra 2 do Setor Sul e praça do Cine Itapoã (foto). Nesses locais foram desmatadas árvores  antigas como a espécie  Guapuruvú, árvore símbolo do estado de Santa Catarina, ipês que simbolizam  as árvores brasileiras, pau-ferro (conhecido como jucá), Jamelão, angico, pata de vaca,  entre outras.

Essas derrubadas vem tipificar crime ambiental contra a nossa flora, conforme reza a Lei Federal 9.605/98 artigo 49, regulamentada pelo decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que é bem claro: É crime  destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou  em propriedade privada alheia.

Já o artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil, dá respaldo de proteção ao meio ambiente, incluindo essas áreas, e diz: 

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Daí então é público e notório que a matança dessas árvores sob pretexto de benfeitorias públicas não essenciais, implementadas pelo GDF, agride  nossa comunidade e o meio ambiente.

Matança na área verde da Quadra 46 do Setor Central do Gama

O Gama foi projetado pelo renomado arquiteto Paulo Hungria e sua arquitetura tem forma de um alvéolo de colmeia. Tem distâncias encurtadas e suas quadras residenciais e comerciais são harmonizadas com áreas verdes e espaço de circulação.

Agora, quando se elimina árvores, elimina-se também à geração de oxigênio.

Quando  retira-se vegetação e impõe concreto, impermeabiliza-se o solo, vedando à infiltração das águas pluviais provenientes da chuvas que deixam de suprir o lençol freático, prejudicando nascentes.

Com a palavra o MPDFT através da PRODEMA - Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, ou teremos que abraçar essas árvores para não serem mortas.

Vicente Vecci edita em Brasília-DF há 33 anos o Jornal do Síndico-www.jornaldosindicobsb.com.br e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

É  titular da unidade da Geoambiente para o DF e Região Metropolitana e da ONG Defesa Ambiental.

Leia mais: Retirada de árvores da praça do Cine Itapuã preocupa moradores e pode estar acarretando em crime ambiental.

Carvalho canadense plantado na sede do Ibama é fruto de um experimento da Nasa, agência espacial americana, com sementes de cinco espécies, nos anos 1970. No Brasil, com a mesma origem dele, só há outro exemplar, no interior gaúcho

Uma árvore com pouco mais de 6 metros de altura destoa no Bosque da sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à margem da L4 Norte. Além de ser a única cercada, ela é estranha à flora nacional e tem uma história singular, com ingredientes de ficção científica. Nativa da América do Norte, a Liquidambar styraciflua, conhecida popularmente como liquidâmbar, árvore do âmbar ou carvalho canadense, nasceu de uma semente enviada à Lua há pouco mais de 45 anos. Mas a origem dela e de suas irmãs é desconhecida por muita gente na capital, no país e no restante do mundo.

No fim da tarde de 31 de janeiro de 1971, a Apollo 14 decolou com os astronautas Alan Shepard, Edgar Mitchell e Stuart Roosa. Era a terceira missão lunar da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Cinco dias depois, enquanto os dois primeiros caminhavam no satélite da Terra, o terceiro fazia testes com uma carga peculiar. Funcionário do Serviço Florestal dos EUA, ele carregava cerca de 500 sementes de espécies de flora para um projeto chamado The Moon Trees (As árvores da Lua). Ele avaliaria o efeito da gravidade zero e da alta radiação no processo de germinação e de crescimento das plântulas.

O Serviço Florestal dos EUA indicou Stuart Roosa para comandar o projeto e selecionou as sementes de cinco espécies para o experimento. O astronauta partiu na Apollo 14 com as sementes em seu kit pessoal, que ficou com ele quando orbitou a Lua no módulo de comando Kitty Hawk, em fevereiro de 1971. Roosa e as sementes deram 14 voltas na Lua. Todos voltaram à Terra em segurança.

As sementes germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Renderam 450 mudas, distribuídas, em 1975 e 1976, como parte das comemorações do bicentenário do país. Uma delas cresceu no jardim da Casa Branca. A maioria seguiu para capitais estaduais e instituições de pesquisas espaciais, por todo os Estados Unidos. Fora dele, até onde se sabe, só o Brasil, a Suíça e o Japão receberam uma muda. Além da liquidâmbar do Ibama, há uma sequoia no município de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.

Imune a corte

A liquidâmbar chegou a Brasília em janeiro de 1980. No dia 14, em uma cerimônia oficial, representantes dos governos do Brasil e dos EUA plantaram a muda na sede do então Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF). O exemplar cresceu no bosque do órgão que viria a ser rebatizado de Ibama. Mas, apesar do enredo fascinante, caiu no esquecimento até que, em 2011, para comemorar o Dia da Árvore, o Ibama decidiu reforçar a proteção à árvore da Lua. O instituto declarou-a imune ao corte, conforme prevê o Artigo 7° do Código Florestal Brasileiro, que garante a proteção incondicional a uma árvore reconhecida por ato do Poder Público, “por motivo de sua localização, raridade, beleza ou condição de porta-sementes”.

A pesquisa com as árvores da Lua teve fim com a germinação das sementes, ainda em solo norte-americano.

Cientistas da Nasa consideram o resultado da experiência positivo, pois elas não diferem das árvores comuns. Dessa forma, as plantas lunares são, para a agência espacial, monumentos vivos em homenagem à missão Apollo. O então presidente Gerald Ford classificou-as como “símbolos vivos de nossas espetaculares realizações humanas e científicas”.

Doutora em engenharia florestal e professora de fisiologia no Paraná, Leila Maranho conhece o projeto The Moon Trees. “Quando estive no Kennedy Space Center (na Flórida), comprei um livro sobre os experimentos plantas. Eles chamam esse tipo de ciência de biologia espacial”, conta. A pesquisadora diz que as árvores da Lua deram grande contribuição para o estudo da botânica. “Os experimentos mostram que a gravidade não tem efeito sobre a semente, o que é controverso em nosso meio. Isso ainda não é uma verdade absoluta. São necessários mais experimentos.”
 
Na sede do Ibama, nenhum servidor sabe dar mais informações além daquelas contidas em duas placas colocada em lados opostos, ao pé da liquidâmbar. Aqueles que poderiam dar mais detalhes da doação e do tratamento dispensado à planta nos últimos 37 anos estão mortos ou aposentados, diz a assessoria do órgão. Ao menos, ela tem sido bem tratada pelos jardineiros terceirizados responsáveis pelo bosque e outras áreas verdes do imenso terreno da sede do Ibama.
 
Personagem da notícia
 
Do Serviço Florestal para o espaço
 
O norte-americano Stuart Roosa nasceu em 16 de agosto de 1933, em Durango, no estado do Colorado. Ele trabalhou para o Serviço Florestal dos EUA no início dos anos 1950, combatendo incêndios e, mais tarde, juntou-se à Força Aérea do país e se tornou um piloto de teste. A Nasa selecionou Roosa e outras 18 pessoas para o curso de formação de astronauta de 1966. Ele começou a carreira na Nasa como integrante da equipe de apoio da Apollo 9. Após a missão em que ele levou as sementes à órbita da Lua, Roosa foi piloto reserva de comando das Apollos 16 e 17. Ele ainda trabalhou no programa dos ônibus espaciais, até a aposentadoria como coronel da Força Aérea dos EUA, em 1976, época em que muitas de suas árvores estavam sendo plantadas mundo afora. O astronauta morreu em dezembro de 1994. 

Renato Alves - Correio Braziliense - 23/04/2017 - 23:24:02

Nos últimos dias tem ocorrido uma acirrada discussão em meio aos moradores da cidade. E utilizando-se até do Whatsapp estão denunciando que a Administração regional do Gama está arrancando árvores da Praça do Cine Itapuã sem necessidade. Plantas estas que não poderiam ser retiradas, pois o local é uma área tombada na cidade. Ou seja, alegam que a Administração Regional do Gama possa estar cometendo crimes, ambiental e contra um patrimônio tombado da cidade.

Crime é uma violação ao direito. Assim, será um crime ambiental todo e qualquer dano ou prejuízo causado aos elementos que compõem o ambiente: flora, fauna, recursos naturais e o patrimônio cultural. Por violar direito protegido, todo crime é passível de sanção (penalização), que é regulado por lei. O ambiente é protegido pela Lei n.º 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), que determina as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

Moradores fizeram registros da poda das árvores e denunciam a sua ilegalidade. Ao que tudo indica são árvores sadias e que não aparentavam terem problemas técnicos que justificariam sua retirada. Vejam fotos que estão circulando pelo Whatsapp:

A Administração do Gama alega que estão cortando árvores ruins, que estão podres e doentes. Acontece que na verdade não é bem isso que parece estar acontecendo, pois árvores ruins na praça são muito poucas. Então há indícios de que estejam cortando árvores sadias também. Isso pode ser considerado crime contra bem tombado e ambiental.

A sala de projeção do Cinema Itapuã sempre foi a segunda maior sala do Distrito Federal, e tinha 804 lugares. Ficava atrás só do Cine Atlândida, no Conic, no Setor de Diversões Sul. E não há sala de projeção de filmes do Distrito Federal que possua na sua porta uma praça tão arborizada e agradável quanto existe no Centro Cultural Itapuã. Árvores nativas e plantas de diversas espécies embelezam toda a praça.
O cinema e praça vêm a anos aguardando sua salvação, porém nada de positivo e concreto saiu do papel. Não bastasse o descaso com todo o patrimônio da cidade por conta da demora em sua revitalização, agora parece que a Administração Regional resolveu mexer no local. Acontece que ao invés de preservar a ADM resolveu estragar.

Os gamenses, a anos, vem se manifestando e deixando claro a importância da revitalização do Centro Cultural Itapuã e a praça em frente para a comunidade da cidade e do DF. Essa vitória começou a ser conquistada com a sanção, pelo governador, da Lei 5.616, de 26 de fevereiro de 2016, que declara o Centro Cultural do Itapuã, como Patrimônio Cultural e Material do DF. A iniciativa foi do deputado Wasny, que em outubro do ano passado, realizou uma audiência pública para pedir que toda aquela área fosse tombada como patrimônio do DF. Mas essa não tem sido uma caminhada fácil.

Apesar do compromisso dos distritais e da fala de representantes do Executivo, inclusive da administradora do Gama, professora Maria Antônia, no sentido de se esforçarem para recuperar aquele espaço de cultura e convivência social. A maioria dos moradores tem muita preocupação de que nada de concreto aconteça.
Pra piorar ainda mais essa questão agora surge essa denúncia da retirada de árvores da praça. A população do Gama precisa continuar unida e firme na luta pela preservação do Cine Itapuã e da Praça Lourival Bandeira à sua frente, bem como toda sua flora.
A Administração diz se tratarem de árvores ruins, porém o que se nota é que são poucas as árvores com problemas. A maioria delas estão sadias e algumas até bem verdes. A administração chegou a faze rum vídeo onde a Profa. Maria Antônia tenta explicar o porquê da derrubada das árvores na praça. O vídeo pode ser visto abaixo: Clique aqui!

Casos de degradação de bens que contam a história da cidade não são novidade. A de se ver o estado em que se encontra a Prainha do Gama, que está em repleto estado de abandono a mais de uma década. O Parque Vivencial Urbano que nunca saiu do papel. E a destruição de uns caminhõezinhos de concreto em uma praça da cidade, que teve a ordem dada pelo então assessor, na época, Robison Crusoé. No caso desses caminhõezinhos a administradora chegou a fazer um vídeo no local justificando a demolição dos mesmos.

Até quando os moradores do Gama vão ter que conviver com todo esse descaso com a história e memória da cidade? Será que o Cine Itapuã e sua bela praça serão finalmente preservados, ou a Administração tem plano de acabar com tudo? Lembre-se que um povo unido jamais será vencido. O Cine Itaupã, sua praça e outros pontos importantes da cidade devem ser protegidos e entregues de volta para a população. As árvores da praça do Cine Itapuã não podem ser arrancadas sem que realmente estejam ruins e na eminência de causar danos.

Torçamos para que tudo isso tome rumos sérios.

Da redação do Gama Cidadão.


Fotos Gama Livre: Árvores da Praça Lourival Bandeira, em frente ao Cine Itapuã


 

 

O especialista em Hidrologia, coordenador e professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, da Universidade Católica de Brasília (UCB), Marcelo Resende, fala sobre as medidas do governo para amenizar o racionamento de água e otimizar o abastecimento do Distrito Federal.

A ampliação dos reservatórios garante uma tranquilidade no racionamento de água?
Isso já havia sido decidido há muitos anos, mas agora está sendo colocado em prática por conta da crise. Está sendo necessária a retirada da água do Lago Paranoá, o que, inclusive, está sendo feito de forma muito apressada. Eu acho que se deveria, talvez, preservar o projeto anterior, que previa muito mais um processo de tratamento da água, melhor do que será feito agora. Está prevista a criação de uma estação de tratamento de água do Lago Paranoá, bem maior e com maior capacidade de purificação. Então, essa é uma medida realmente de urgência, para que possamos chegar até a estação chuvosa do final do ano sem muitos problemas.

E a outra ideia é trazer a água do Lago Corumbá IV, em Luziânia. A princípio essa medida abasteceria a região sul do DF, que corresponde às cidades de Santa Maria, Gama e Recanto das Emas. Essa é uma medida interessante, pois a água é de boa qualidade. Porém, o problema de se trazer a água do Lago Corumbá IV é que deverão ser criados sistemas de bombeamento elevatórios, pois a água de lá encontra-se em uma região mais baixa do que o Distrito Federal e isso gera um custo, o que tornaria a água bem mais cara. Mas, são as únicas saídas que temos, pois já estamos com o Sistema Descoberto e Santa Maria em colapso e a população do DF crescendo, o que resulta numa maior demanda de água. Se nós pudéssemos evitar a questão de fluxo migratório e outras ações para que nossa população não aumentasse, nós talvez não estivéssemos nessa dificuldade.

Professor, nós podemos colocar a culpa desse racionamento no governo?
É culpa dos governos, não somente do atual. Primeiramente pela falta de planejamento. Parte da culpa é climática sem dúvidas, nós tivemos estações, principalmente essa última, com pouca chuva. A falta de educação da própria população no uso da água também contribui, pois há um grande desperdício da água. Veja bem, será necessário criar multa para que o cidadão aprenda a usar a água de maneira racional, o que é um absurdo, pois nós já deveríamos ter essa conscientização! Outro fator preocupante é o uso e a ocupação desordenada da Bacia do Descoberto, onde encontram-se aterros de nascentes, o que reduz a vazão da água dos rios, levando a uma redução da taxa de água que chega até o lago e aumentando a taxa de sedimentos que chega à bacia. Então, há uma série de coisas negativas para o lago.

Professor nós corremos o risco de ficar sem água?
O risco agora está um pouco mais baixo com a medida de retirada da água do Lago Paranoá, pois teremos um sistema de transbordo da água do Sistema Santa Maria para o Descoberto. Dessa forma, o Santa Maria será menos demandado, porque toda a área ao redor do Lago Paranoá dependerá somente dele. Essa medida irá amenizar um pouco a situação, então, vejo que ainda temos uma chance de passarmos sem o risco de ficar sem água. Mas, se piorar, iremos passar por um racionamento mais sério, a Caesb já considera aumentar para dois dias o corte de água.

As obras para otimizar o abastecimento no DF ficarão prontas ainda este ano?
A de retirada de água do Lago Corumbá IV não, mas a do Lago Paranoá sim. A previsão é de que fique pronta até maio, pois na realidade é uma obra bem mais simples. Já a outra, que é a construção de uma estação de tratamento, por mais que esteja em processo acelerado, não será para este ano.


Foto: Faiara Assis

Da Redação do Gazeta de Taguatinga - 22/03/2017

Giovana Girardi

Se o ritmo atual de desmatamento do Cerrado continuar, o bioma poderá ver até 2050 a maior extinção de plantas no mundo desde 1500. Cerca de 480 espécies endêmicas – que só ocorrem lá – devem desaparecer, se a vegetação continuar sendo derrubada para a expansão agropecuária.

O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores brasileiros na edição deste mês da revista Nature Ecology and Evolution, publicada ontem, que traz também sugestões de políticas públicas para evitar a tragédia. Os autores lembram que a redução de 70% do desmatamento na Amazônia entre 2005 e 2013 foi acompanhada de uma mudança de foco do agronegócio.

Se na Amazônia políticas como a moratória da soja – que vetou o comércio do grão plantado em área desmatada ilegalmente – foram capazes de conter a perda da floresta para esse fim, foi para o Cerrado que o setor se virou. Entre 2002 e 2011, a taxa de perda do Cerrado foi 2,5 vezes mais alta que a da Amazônia. Só o Cerrado da Bahia, entre 2008 e 2013, perdeu 60% da área, dentro da expansão agrícola do chamado Matopiba (fronteira de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). No total, 46% do bioma sumiu e só 19,8% se mantém intocável.

A região é um hotspot de biodiversidade – ou seja, um local de rara riqueza e alta ameaça. Ali vivem 4,8 mil espécies de plantas e vertebrados endêmicas e estão três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, gerando 43% das águas superficiais fora da Amazônia.

Os pesquisadores projetaram o que pode acontecer com essa riqueza se a taxa de desmatamento se mantiver, no que foi classificado como um cenário “sombrio”. Pelas projeções, de 31% a 34% do que ainda existe do Cerrado pode desaparecer até 2050, levando ao desaparecimento de cerca de 480 espécies de plantas, como o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) e o babaçu (Attalea brasiliensis). “Isso é mais de três vezes todas as extinções de plantas documentadas desde 1500”, escrevem.

Sumindo as plantas, também podem desaparecer animais já ameaçados de extinção, como lobo-guará, onça parda, tatu-canastra, ariranha, tamanduá-bandeira, arara-azul e anta.

O efeito disso, explicam os autores, pode ser maléfico até mesmo para o agronegócio. Sem a vegetação, a produção das bacias hidrográficas pode ser comprometida. “A situação é realmente crítica”, disse ao Estado o biólogo Rafael Loyola, do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás. “É muito mais que só perder planta, é perder água, agravar crises hídricas como a que hoje atinge o Distrito Federal”, alerta.

Saídas – Os autores propõem que é possível evitar esse cenário e ainda permitir que o agronegócio continue se expandindo, se o uso dessas áreas for mais inteligente. De acordo com o trabalho, a pecuária utiliza, em média, apenas 35% da capacidade das pastagens que existem no bioma. Em um cenário de Cerrado Mais Verde, como eles apelidaram, seria possível crescer isso para 61%, o que liberaria a terra restante para a agricultura e ainda para fazer restauração de vegetação.

“Não estamos falando em nenhum momento para não expandir. Mas em vez de fazer isso em cima do Cerrado, piorando a crise hídrica e emitindo 8,5 milhões de toneladas de gás carbônico, dá para fazer com um uso de terra mais eficiente, que alie produção, conservação e restauração”, afirma Bernardo Strassburg, do Centro de Ciências da Conservação e Sustentabilidade, da PUC-Rio, que liderou o estudo. “E se isso vier com uma restauração focada em áreas prioritárias será possível evitar 83% do quadro de extinção que se projeta.”

Da Redação do Notibras - 24/03/2017 - 12:04