Senador do Amapá afirma: O ex-presidente do Supremo pode ocupar o papel que ele quiser no quadro político do país.
 
 
Por PAULO DE TARSO LYRA-Correio Braziliense/Ed Alves/CB/D.A Press - 19/06/2017 - 10:55:09

Joaquim Barbosa é um quadro que a política brasileira precisa muito. Eu defendo que o candidato da Rede à Presidência é a Marina Silva. Mas a vinda do Joaquim é para ocupar o papel que ele quiser no quadro político brasileiro.

Líder de si mesmo no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), uma das vozes mais marcantes do partido de Marina Silva no Congresso, escancara as portas da legenda para o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. O jurista, que esteve ao lado de dirigentes partidários acompanhando o julgamento do pedido de cassação da chapa Dilma-Temer, é enaltecido pelo senador do Amapá como uma “pessoa progressista, arrojada, com um radical compromisso com a ética e com a Justiça”.

Se, por um lado, Barbosa faz charme, admitindo convites de filiação — também tem mantido diálogo com o PSB — por outro, a Rede garante que não vai pressionar o relator do processo do mensalão no Supremo. Randolfe disse que, mais do que uma filiação, é fundamental a participação do ex-ministro no jogo político do ano que vem, especialmente em um cenário “em que não temos alternativas, ou as que surgem são populistas e extremistas”, explicou o senador. Embora defenda o nome de Marina Silva como a candidata do partido ao Planalto, Randolfe afirma que isso pode ser conversado, uma vez que a ex-senadora também quer contribuir com o debate político, sem apego a cargos.

O senador do Amapá é enfático na defesa do “Fora Temer” e acredita que não há como haver crescimento sustentável com a manutenção do peemedebista no cargo. “Não passa segurança para os investidores”, afirma. Confira os principais trechos da entrevista ao Correio:

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi ao TSE na semana passada, acompanhado de políticos da Rede. Está surgindo um namoro mais firme entre vocês?

Nós namoramos o ministro Joaquim há muito tempo. Ele tem o perfil que nós defendemos e chamamos de nova política. É uma pessoa progressista, arrojada, com um radical compromisso com a ética e com a justiça. Teve uma atuação no STF irrepreensível e uma demonstração de desapego ao poder. Renunciou ao mandato do STF antes do limite de idade. É um perfil que nos inspira. Tudo faremos para tê-lo entre nossos filiados.

Para ser candidato a presidente ou a outro cargo?

Joaquim Barbosa é um quadro de que a política brasileira precisa muito. Eu defendo que a candidata da Rede à Presidência é a Marina Silva. Mas a vinda do Joaquim é para ocupar o papel que ele quiser no quadro político brasileiro.

E tem prazo para essa decisão?

Ninguém estabeleceu prazo. Queremos deixar o ministro Joaquim sem pressão, para que, no prazo dele, ele defina o que achar melhor. Mas adianto que estamos fazendo tudo, não só para o ministro Joaquim se filiar à Rede, mas para participar da política. Em um cenário para 2018, em que não temos alternativas, ou as que surgem são populistas e extremistas, ter o ministro Joaquim como alternativa é uma contribuição para o Brasil.

Barbosa era famoso na época do mensalão. Hoje esse espaço está tomado pelo juiz Sérgio Moro, 

que não será candidato. Acha que Barbosa terá a mesma força que tinha há três anos?

Pessoas honestas, especialmente na política brasileira, tomada pela corrupção, sempre vão ter destaque. O impacto de nomes como Deltan (Dallagnol), Moro é o mesmo impacto de Barbosa. Levando-se em conta que os outros dois não serão candidatos, não tenho dúvida de que esse espaço será galvanizado por ele.

Marina poderia repetir o gesto de desprendimento de 2014 e candidatar-se a vice?

A Marina é uma das pessoas mais desprendidas que eu conheci na minha vida. Ela é candidata a contribuir, da melhor forma, com o país. Ela não tem vaidade, não tem pretensão de lugar ocupado. Eu vejo a Marina muito disposta a contribuir com o país na próxima conjuntura. Esse é um debate que vamos fazer.

A Rede recorreu ao Supremo contra a decisão do TSE de absolver a chapa Dilma-Temer. Acredita que há margem de reversão ou é apenas para marcar posição política?

A Rede nasceu não para marcar posição. O que fazemos é por convicção do que é possível ser feito. A nossa reclamação é porque não concordamos com o resultado do julgamento. E consideramos um absurdo não considerar provas que haviam sido pedidas pelo próprio tribunal.

O governo se segura em alguns sinais tímidos de melhora na economia. A queda de Temer não impactaria nesses resultados?

Só haverá crescimento sustentável da economia brasileira sem a presença de Michel Temer na presidência da República. Imagine um cenário para os investidores, os agentes econômicos, de ver um país cujo presidente da República está denunciado como chefe de uma organização criminosa. Isso não traz credibilidade para a economia. E, para se manter, ele flexibiliza tudo que fez para chegar até aqui. Ele renegociou dívidas de estados, liberou emendas parlamentares fisiologicamente e joga por terra qualquer política de estabilidade para se manter no governo.

Diante da quase impossibilidade de eleições diretas, pela dificuldade de se aprovar uma emenda constitucional, caberia ao Congresso eleger um sucessor de Temer...

Eu prefiro eleições diretas. Mas esse cenário seria mais provável com a cassação da chapa no TSE. Como não foi, vejo com enormes dificuldades de aprovar a mudança no Congresso. Em um Congresso no qual 1/3 está envolvido em irregularidades, não serão eleitos nomes que imponham algum grau de credibilidade. Só que, a esta altura, nunca o “primeiramente Fora Temer” foi tão atual. O capítulo do nome que virá na eleição é posterior. O momento é de tirar este governo por tudo que ele representa.

O governo garante que tem os votos necessários para barrar a denúncia de Rodrigo Janot. O Congresso vai comprar essa briga a um ano das eleições?

O governo tem base, recursos de emendas. Mas os parlamentares, daqui a pouco, vão ser chamados a responder se concordam em manter um chefe de uma organização criminosa à frente do principal cargo político do país. Quanto mais próximo da eleição, mais difícil será para aprovar.

O resultado do TSE também absolveu a ex-presidente Dilma, que manteve os direitos políticos. Tanto que o PT disse que o TSE reforçou o discurso do golpe. Vocês foram contrários ao impeachment. Mas recorreram da decisão do TSE. Não é uma contradição?

A Rede não sustenta a ideia de que houve golpe. Tivemos posições favoráveis e contrárias ao impeachment de Dilma. Eu fui contra por achar que não havia crime de responsabilidade. Mas o procedimento, por injusto que possa ser, foi dentro do previsto no texto constitucional. Não vejo como ter golpe cumprindo o que está na Constituição, apesar do discurso do PT. Passei a defender a cassação da chapa após os depoimentos da Odebrecht que foram incluídos pelo ministro Hermann Benjamin. Mostrou a abuso de poder econômico e a captação ilícita de sufrágio. A Rede tem mantido a coerência, os incoerentes são PT e PSDB.

Por quê?

O PT diz que foi golpe, defende o “Fora Temer”, mas não sustentou a cassação da chapa, que era a hipótese concreta e imediata de fim do governo Temer. E o PSDB entrou com ação e fez corpo mole, por ser o principal partido de sustentação do governo.

E a sinuca de bico do PSDB?

Espero que eles tenham o senso de responsabilidade com o país. Não pode ser cooptado por interesses imediatistas de preservação de quem quer que seja para sustentar um governo moribundo. Apoiar as reformas não significa diretamente apoiar o governo. Esse governo só não caiu ainda porque o PSDB o mantém. E a imagem ética do partido está torrando com isso.

A primeira turma vai decidir sobre os dois recursos de Aécio Neves contra o pedido de prisão e o afastamento. Qual a expectativa de vocês para esse julgamento?

Falo isso com incômodo porque, no Senado, você também estabelece relações pessoais. Lamentavelmente, não tem como dizer que a conduta do senador Aécio não rompeu todos os códigos de conduta e ética parlamentar. O julgamento dele deve ser comparado ao julgamento do senador Delcídio. Não vejo como ter desfecho diferente.

Há a suspeita de desvios de R$ 900 mi nas obras do Mané Garrincha

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (23/5), os ex governadores do Distrito Federal Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda, além do ex-vice governador Tadeu Filippelli. A Operação Panatenaico investiga uma organização criminosa que fraudou e desviou recursos das obras de reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha para Copa do Mundo de 2014. Orçada em cerca de R$ 600 milhões, a construção do estádio com capacidade para 70 mil pessoas custou, em 2014, R$ 1,575 bilhão, colocando a arena como a mais cara entre as 12 cidades-sede da Copa. O superfaturamento, portanto, pode ter chegado a quase R$ 900 milhões.
 
A hipótese investigada pela Polícia Federal é de que agentes públicos, com a intermediação de operadores de propinas, tenham realizado conluios e, assim, simulado procedimentos previstos em edital de licitação. A renovação do Estádio Mané Garrincha, ao contrário dos demais estádios da Copa do Mundo financiados com dinheiro público, não recebeu empréstimos do BNDES, mas sim da Terracap, mesmo que a estatal não tivesse este tipo de operação financeira prevista no rol de suas atividades.
 
Em razão da obra do Mané Garrincha ter sido realizada sem prévios estudos de viabilidade econômica, a Terracap, companhia estatal do DF com 49% de participação da União, encontra-se em estado de iminente insolvência. 
 
Para recolher elementos que detalhem como operou o esquema criminoso que superfaturou a obra e lesou os cofres do GDF e da União, os cerca 80 policias envolvidos na operação foram divididos em 16 equipes. Devem ser cumpridos, no total, 15 mandados de busca de apreensão, 10 mandados de prisão temporária além de 3 conduções coercitivas. As medidas judiciais foram determinadas pela 10ª Vara da Justiça Federal no DF. Todas as ações ocorrem em Brasília e arredores. 
 

Panatenaico

 
O nome da operação é uma referência ao Stadium Panatenaico, sede dos jogos panatenaicos, competições realizadas na Grécia Antiga que foram anteriores aos jogos olímpicos. A história desta arena utilizada para a prática de esportes pelos helênicos, tida como uma das mais antigas do mundo, remonta à época clássica, quando estádio ainda tinha assentos de madeira. A construção foi toda remodelada em mármore, por Arconte Licurgo, no ano 329 a.C. e foi ampliado e renovado por Herodes Ático, no ano 140 d.C., com uma capacidade de 50 mil assentos. Os restos da antiga estrutura foram escavados e restaurados, com fundos proporcionados para o renascimento dos Jogos Olímpicos. O estádio foi renovado pela segunda vez em 1895 para os Jogos Olímpicos de 1896.
 
Correio Braziliense - 23/05/2017 07:26 / atualizado em 23/05/2017 08:47

Grupo usa camisetas de 'Fora, Temer' em ato contra o presidente na Esplanada, em Brasília.

Por G1 DF/Foto: Marília Marques/G1 - 19/05/2017 - 03:37:49

Até as 21h, manifestação foi pacífica na Praça dos Três Poderes; pouco depois, grupo derrubou grades de proteção do Palácio do Planalto. Policiais reagiram com bombas de gás; houve tumulto.

Manifestantes se reuniram na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, e em frente ao Palácio do Planalto em um ato contra o presidente Michel Temer na tarde desta quinta-feira (18). O protesto foi convocado por redes sociais e reuniu 1,5 mil pessoas no momento de maior público, por volta das 19h, de acordo com a Polícia Militar. No mesmo horário, não havia estimativa de público feita pelos organizadores.

A manifestação que começou pacífica, terminou em confronto entre policiais e um grupo de pessoas. A confusão teve início na Praça dos Três Poderes, por volta das 21h, e se estendeu até a rodoviária do Plano Piloto.

Segundo a PM, o conflito começou porque manifestantes derrubaram grades de proteção que isola o Palácio do Planalto, a cerca de 50 metros da entrada principal do prédio. A Polícia Militar reagiu com spray de pimenta para afastar o grupo.

Os manifestantes começaram, então, a jogar pedras e garrafas de vidro contra a polícia, que voltou a usar spray de pimenta para dispersar o grupo. Alguns jovens levaram grades e cones para o meio da via, formando uma espécie de barricada.

Por volta das 21h30 a Praça dos Três Poderes estava praticamente vazia. A segurança foi reforçada com militares da cavalaria.

Durante a dispersão dos manifestantes, houve novo confronto – desta vez, na plataforma inferior da rodoviária. Segundo a PM, um grupo de pessoas arremessou pedras contra a corporação, e os policiais voltaram a usar spray de pimenta.

Início pacífico

A concentração de manifestantes na rodoviária do Plano Piloto começou por volta das 17h. Uma hora depois, o grupo ocupou as seis faixas do Eixo Monumental no sentido Esplanada, e começou uma passeata em direção à Praça dos Três Poderes – área entre o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

Em frente ao Planalto, um pequeno grupo chegou mais cedo, por volta das 16h, pouco antes do presidente Michel Temer anunciar que não renunciaria ao cargo frente às denúncias de delatores da JBS.

Por volta das 20h20, um grupo de manifestantes começou a atirar latas na direção da Polícia Militar, os ânimos ficaram exaltados. Algumas pessoas protegeram o rosto com panos, temendo o uso de spray de pimenta. Mas não houve confronto.

Com bandeiras de partidos e faixas pedindo "Fora, Temer" e eleições diretas, os manifestantes também gritaram palavras de ordem contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e contra o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Um grupo a favor da intervenção militar também compareceu ao local, e houve troca de provocações, mas sem registros de confronto físico.

O sociólogo Daniel Galvão, 42 anos, levou os filhos de 6 e de 2 anos para o protesto. Junto eles carragavam um cartaz pedindo eleições diretas.

"Esse é um momento histórico que demanda extrema responsabilidade de cada cidadão no que diz respeito ao estabelecimento do estado democrático de direito. É a hora de exercer a nossa cidadania e todos precisam ocupar as ruas", apontou Galvão.

As denúncias

O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou no fim da tarde desta quinta-feira (18) à Presidência da República uma das gravações que integram a delação premiada da JBS. No início da noite, o conteúdo também foi liberado para a imprensa.

O arquivo de áudio tem duração de 39 minutos com conversas entre um dos donos da JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer.

As delações premiadas de Joesley e Wesley Batista já foram homologadas pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, o que dá validade jurídica ao acordo e permite novas investigações com base nos relatos.

Além de documentos, há gravações e vídeos feitos pelos delatores e também pela Polícia Federal no caso.

Diante da intensa repercussão do assunto, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento nesta quarta no qual declarou que não renunciará ao cargo.

Com base nas delações dos empresários, Fachin autorizou a abertura de um inquérito para investigar o presidente.

Contribuintes não tomam conhecimento do que se fez, assim não haverá como modular sua percepção.
Por JOSÉ NEGREIROS-CORREIO BRAZILIENSE - 15/05/2017 - 16:05:38

Rollemberg esconde o que faz de bom

As eleições de 2014 transcorreram sob o signo da mentira. A presidente candidata assegurava aos quatro cantos que não havia crise, que um futuro promissor nos esperava. Os críticos apenas torciam para o quanto pior melhor. Nesse contexto, candidatos aos cargos executivos plantavam suas promessas certos de que, mesmo se houvesse crise, esta seria de dimensões administráveis.

Um mês depois de eleita, Dilma Rousseff reconheceu o colapso, cujas dimensões astronômicas acabaram por incluir recorde de desemprego, recessão profunda e prolongada, ameaça inflacionária, contingenciamento orçamentário, enfim, uma tempestade perfeita. O deficit recalculado pós-impeachment atingiu a R$ 140 bilhões.

Com o orçamento do GDF 50% dependente de transferências da União em queda livre, acrescentava-se um rombo que, somados os deficits orçamentários, as dívidas e as promessas do governo anterior, atingia R$ 6,5 bilhões. Obviamente as prioridades tinham de mudar e o novo governo dedicouse a contornar o revés que se avizinhava, deixando os sonhos para segundo plano. O fantasma do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul nos ameaçava.

A despeito do que dizem seus oposicionistas, não faltou disposição ao governo do DF, que não cedeu ao populismo ou à demagogia: renegociou contratos, reduziu a máquina pública, desautorizou aumentos generosos e irresponsavelmente dados pelo governo anterior, aumentou impostos e corrigiu preços ícones para a demagogia barata, como o almoço nos restaurantes comunitários (de R$ 1 para R$ 3). Até o ingresso ao zoológico ficou mais caro. Enfim, levou-se ao limite o esforço para equilibrar as contas públicas, e o rombo foi reduzido a R$ 700 milhões.

A despeito de tais circunstâncias, Rollemberg conseguiu realizar uma boa parte da pauta de campanha, coisa da qual poucos se dão conta. Quando assumiu, 

1) 11 dos 12 tomógrafos do DF estavam quebrados por falta de pagamento à assistência técnica. Hoje, 11 estão em funcionamento. 

2) Rollemberg entregou mais moradias do que qualquer outro governador do DF — inclusive Roriz.

3) Há 20 anos, Brasília espera um aterro sanitário para se livrar do vergonhoso lixão. O aterro foi inaugurado.

4) O DF tem a maior favela da America Latina — o Sol Nascente —, que o governo vem urbanizado celeremente. 

5) Em 2015, entre 3% ou 4% das escolas do DF tinham horário integral; hoje são 44%. 

6) Este ano, conseguiu creches para todas as crianças de quatro a cinco anos que se inscreveram, deixando deficit zero.

7) Deu, enfim, credibilidade a uma política de combate a invasões irregulares de terras públicas, enfrentando-as onde quer que elas se dessem, no Recanto das Emas ou no Lago Sul. 8) Inaugurou um programa — Cidade Limpa — cujos resultados não são apenas limpeza urbana, mas se refletem em baixos índices de dengue e sensação de ordem em todos os lugares por onde passa. Não se trata de uma folha de realizações desprezível, a ser esquecida. Tudo isso, além dos problemas orçamentários, com uma Câmara Legislativa hostil, onde não dispunha de nenhum deputado distrital de seu partido. 

As avaliações de opinião pública, todavia, são muito críticas. Não espanta que isso aconteça perante uma agenda de medidas amargas necessárias, fenômeno observado também em relação ao presidente Temer e a muitos outros políticos que precisaram se ajustar às circunstâncias. Mas há aspectos que não se pode deixar de registrar. A saúde pública, com graves problemas permanentemente iluminados pela mídia, a segurança, do mesmo modo e os serviços de transporte no mesmo tom. A opinião pública paga enorme pedágio a um deficit de informação sobre o conjunto das realizações, seu significado e sua importância. Restrição justificável antes, agora precisa ser enfrentada.

A acusação de que o governador teria esquecido suas promessas de campanha traduz uma mentalidade progressivamente superada entre os cidadãos que — com o advento das redes sociais e suas mobilizações — já conhecem de longe as críticas oportunistas, o combate deletério e a agressão corporativa. No entanto, se os contribuintes não tomarem conhecimento do que se fez, não haverá como modular sua percepção.

Antes, a própria crise recomendava contenção de gastos publicitários; hoje é preciso que se entenda — informação é direito do cidadão, que precisa saber que se trabalha. Se a primeira metade do governo teve a função de ajustar as contas, a segunda deveria priorizar a informação, porque sem ela nenhum cidadão poderá fazer uma avaliação justa do que se tem pela frente.

Vicente Vecci

A operação Lava Jato trouxe à tona o antro de corrupção alojada na administração pública do país, vinculada a um setor da iniciativa privada com  determinados componentes da classe política. O foco principal são nossas estatais com poder de receitas elevadas de onde amealharam milhões de dólares e reais, provocando  sangria nos cofres públicos.

Nunca em nossa história  acontecera fato semelhante pelo volume de desvio desses  recursos, superando outro denominado  “ Mensalão” que teve como leito o Legislativo sob mando e comando de certos membros do Executivo, uma cooptação para perpetuação  no poder do partido então dominante. Nesse  dois fatos as unhas da corrupção estavam bastante longas e afiadas, conforme se comprovou e está sendo comprovado pelo Ministério Público e à Justiça.

Tudo leva a crer essa corrupção generalizada teve início com a ascensão da chamada Nova República na redemocratização do país, vivenciada  profissionalmente por nós na época, no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto.

Cobrimos a eleição indireta que elegeu Tancredo Neves presidente da República e tivemos a felicidade de entrevistá-lo em sua residência em Brasília uma semana antes de seu convalescimento e internamento nos Hospital de Base. Foi para emissoras de TV conveniadas com a nossa empresa jornalística OBN, tendo como pauta uma futura visita que faria como presidente da República à feira comercial e internacional de Tsucubo no Japão, onde gravamos sua mensagem  já falando como titular do cargo, saudando aos participantes do evento, prevista para ser veiculada na abertura.

Tancredo fizera um bom governo em Minas e o conhecíamos bem politicamente. Apoiamos sua candidatura nas eleições de 1982 no Noroeste de Minas Gerais, onde circulava  por mala direta o Jornal da Região-Geoeconomica do DF, editado por nós nesse período.

Experiente e de comportamento ilibado, primando pela ética, Tancredo, se empossado, com certeza o Brasil seria outro. Mas não aconteceu e assumiu seu lugar um político conhecido por construir um feudo em seu Estado com recursos públicos, conforme se divulgara. Daí então teve início a jornada da corrupção, infiltrada em governos que vieram posteriormente tanto nos estados como da União. Políticos que estavam no ostracismo, regressaram na política e se locupletaram com dinheiro público, principalmente em governos estaduais. Basta ver seus patrimônios antes e depois.

Deixando à questão ideológica à parte, nos governos militares esse mal praticamente não existia. Isso porque esses governantes trabalhavam com técnicos nos postos chaves da administração pública e não políticos nomeados. E para tornar essa administração transparente havia o SNI - Serviço Nacional de Informações que  fazia uma varredura na vida profissional de cada servidor público, indicado para determinado cargo.  Assumia se fosse íntegro e capacitado. Nesse aspecto, testemunhamos um fato dessa instituição. Falando pessoalmente com um coronel de exército então diretor desse órgão em Brasília, a trabalho, e que posteriormente presidiu à Telebrasília, em sua sala, ele nos mostrou um ofício que estava encaminhando ao ex- presidente Figueiredo e nele estava um parecer sobre determinado executivo que deveria assumir um cargo importante num órgão público. Entre outras palavras o expediente dizia, “essa pessoa não é recomendada para esse cargo porque é suscetível à corrupção”

Daí então cortava-se o mal  pela raiz.

No governo do então presidente Ernesto Geisel, ganhamos uma licitação para produzir 2 filmes documentários em 35 mm para ser distribuído na época numa rede de cinemas em todo o país. Nesse período ainda não  existia o vídeo. Tínhamos que trabalhar com películas. Esses produções foram sobre 2 projetos do governo Federal no Centro-Oeste, intitulados-PRODEPAN - Programa do Desenvolvimento do Pantanal e PRODEGAN-Programa de Desenvolvimento da Grande Dourados. Todos no Mato Grosso. E, para iniciarmos os trabalhos com deslocamentos da equipe de filmagens tínhamos que receber do órgão responsável uma porcentagem de recursos para as despesas. E, havendo demora e tínhamos prazo para produzir e veicular  esses documentários, procuramos o responsável pela liberação desse erário. De sorte que, ele já estava com o processo  pronto e desculpou-nos pela demora, apontando para uma assinatura no processo do presidente Geisel e nos disse “ demorou porque nenhuma liberação de recursos sai do cofres públicos sem o visto o presidente, se ele suspeitar de corrupção, ele pessoalmente cancela à licitação. Daí então mantinha-se o lema, cortava-se o mal pela raiz. Fizemos o trabalho e veiculamos esses filmes.

Todos os ex-presidentes militares morreram sem fortunas e não deixaram grupos econômicos. O maior tocador de obras desses governos, o ex-ministro coronel Mário David Andreazza quando faleceu, conforme informações divulgadas, seus amigos tiveram que fazer uma “vaca” para seu enterro.



Vicente Vecci  edita Há 33 anos em Brasília-DF  o Jornal do Síndico - www.jornaldosindicobsb.com.br, e-mail. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Foto: Reprodução - Agentes da Polícia Federal cercando o Congresso Nacional, em Brasília.

Que os políticos tentem sobreviver depois de um tsunami de denúncia é compreensível. Não dá para engolir é a imprensa, com carinha de espanto, tentando fazer as pessoas apoiar essa gente que tomaram as instâncias de governo de assalto.

Mesmo havendo denúncias e fortes indícios de que o Congresso Nacional e Palácio do Planalto tornaram-se um balcão de negócios, onde se vende a legislação ao gosto da empreiteira, eles estão sempre ouvindo os “analistas” para dar uma forcinha, sabe-se lá a que custo, a essas milícias governamentais.

Nesses momentos críticos usam demais o clichê de que “não se vive sem político ou sem a política”. Disso ninguém discorda. Uma coisa é viver sem política, outra bem diferente é viver sem larápios do dinheiro público.

Ainda querem aprovar o financiamento público para campanhas eleitorais. É preciso reforçar que os candidatos já possuem certa notoriedade junto ao público. Também é preciso acabar com essa visão de que as campanhas devem ter gastos astronômicos. A tese de que os bilhões de dinheiro público para as campanhas têm por objetivo os candidatos sem recursos é pura falácia para dar dinheiro aos renomados. Em síntese, a população tira o dinheiro do remédio para ser enganada com propagandas mentirosas.

Outra defesa enfática e até raivosa é de que a população não deve vaiar os homens que tiraram até a água do povo para se locupletar. Esquecem-se do período de campanha quando eles invadem a casa das pessoas sem pedir permissão nem com autorização prévia.

Já os cidadãos não podem ir à frente das casas deles para demonstrar sua insatisfação.  Se os gritos fossem de apoio, as imagens seriam capas de revistas e de jornais. E os gritos seriam manchete de abertura de noticiários de televisão.

E essa corda do abismo moral não para de esticar. Enquanto para a sociedade é péssimo saber que não sobra um político para apagar a luz, para eles isso é alentador, como se manifestou Lula numa emissora de rádio. Por essa lógica, a falha só é grave se for exceção, e cometida por poucos, quando se torna regra passa a ser virtude.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bacharel em direito

Para analistas, as citações a vários partidos podem favorecer candidatos de fora do meio político

Presidente do PSDB-DF, Izalci (E) teme aventureiros no processo eleitoral; líder do PT-DF, Roberto Policarpo (C), alerta para condenações prévias; para o presidente do PSB-DF, Jaime Recena (D), delações definirão eleições
 
Cinco ex-presidentes da República, oito ministros, 12 governadores, 24 senadores, 39 deputados federais. A lista do ministro Edson Fachin, divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última segunda-feira, atingiu em cheio a classe política brasileira e colocou quase todos os grandes partidos na mira das investigações. Diante da desconfiança geral, as denúncias devem abalar o cenário das eleições de 2018, que elegem senadores, deputados, governadores e o presidente da República.

Entre os políticos do DF, foram citados nomes como os dos ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, do ex-deputado federal Geraldo Magela (PT), do deputado distrital Robério Negreiros (PSDB) e do ex-senador Gim Argello, preso e condenado por outros crimes.

O Correio ouviu especialistas e presidentes de partidos do DF para analisar de que maneira as informações divulgadas agora influenciarão o pleito do próximo ano. Ainda com a ressalva de que falta tempo considerável para as urnas, é unanimidade que as revelações e as suspeitas serão decisivas para as escolhas dos eleitores.

A universalidade das delações pode provocar um efeito de neutralidade nos eleitores, acredita o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas. “Que as delações terão impacto, eu não tenho dúvida. A questão maior é qual vai ser esse impacto. Pode ocorrer um conceito neutralizador, porque não dá para dizer que um partido ou outro é o mocinho. Então, todos acabam virando suspeitos, e o eleitor fica perdido”, observa o especialista.

Para o cientista político Ricardo Caldas, o cenário será favorável para candidatos de fora do meio político

Esse efeito, explica Caldas, facilita a entrada de candidatos que venham de fora do meio político e que não tenham a imagem associada a nenhum partido. “Como já ocorreu na última eleição, a próxima vai favorecer as candidaturas de fora do sistema, os chamados outsiders, que enxergam uma oportunidade nessa grande janela”, prevê.

Esse tipo de candidatura é uma das  preocupações do deputado federal e presidente do PSDB-DF, Izalci Lucas. Para ele, o eleitor precisará ter cuidado com as escolhas para não votar em gente despreparada. “As pessoas precisam estar atentas para saber escolher melhor, mas também tomar cuidado em não votar no aventureiro, não cair no discurso de que não é político e eleger, por exemplo, um novo Collor”, alerta.

O próprio PSDB, no entanto, tem no seu quadro um exemplo de outsider que conquistou espaço nas últimas eleições, aponta o professor Ricardo Caldas. “O atual prefeito de São Paulo, João Doria, é um grande exemplo disso, de alguém que aproveitou essa oportunidade e se elegeu. Ele até possivelmente deve ser a escolha do partido para a Presidência da República, pois, com Aécio, Alckmin e Serra citados nas delações, a candidatura deles fica mais complicada”, comenta.

Generalização

O fato de praticamente todos os partidos fazerem parte das delações — e a possibilidade de uma visão generalizada sobre todos os políticos  — preocupa Izalci Lucas. Para ele, é importante também fazer a distinção entre investigação e condenação: “Apesar de muitos estarem citados, esse é apenas um processo de investigação, é preciso esperar que tudo seja apurado”.

Apesar de estar, em teoria, no lado oposto do espectro político, a visão do presidente do PT-DF, Roberto Policarpo, tem semelhanças com a de Izalci. “Existe uma espécie de condenação prévia. Espero que o eleitor saiba distinguir o que é fato ou não e que tudo seja feito com justiça”, comenta. Mesmo fazendo a ressalva de que falta tempo para o pleito, Policarpo acredita que as delações e as denúncias terão, sim, impacto. “Obviamente, isso vai pesar, mas o eleitor não vai só analisar o passado. Ele vai ver o que o candidato está propondo e os compromissos que os partidos têm com a sociedade”, acredita.

Reforma política

De acordo com o presidente do PSB-DF, Jaime Recena, essas denúncias devem definir os rumos das próximas eleições. “Os eleitores estão muito atentos aos nomes, a gente percebe isso pelas redes sociais”, observa. Ele acredita que a influência das delações é nacional e ressalta que, no DF, o cenário não será diferente. “Em Brasília, o eleitor estará muito mais antenado e interessado em saber as histórias e as trajetórias dos candidatos e em garantir que ele é ficha limpa”, afirma.

O peso das denúncias, acredita Recena, deve pressionar para que ocorram mudanças no sistema político brasileiro. “A reforma política é absolutamente necessária. Pessoalmente, não concordo, por exemplo, com alguém poder se eleger ad eternum nas eleições proporcionais. As investigações deixam a paciência do eleitor cada vez menor. Isso pode servir de ferramenta para pressionar a necessidade dessa discussão”, opina.

O cientista político Ricardo Caldas ressalta que é preciso ter cuidado com algumas propostas da reforma. A lista fechada seria prejudicial no momento, acredita Caldas. “Em um outro momento, ela até seria bem-vinda, mas, agora, seria um desastre. Faria permanecer toda a estrutura corrompida e permitiria aos partidos manter as pessoas de sempre, sem a necessidade de elegê-los diretamente”, alerta.

Outro ponto complicado, segundo o professor, é a questão do financiamento privado das campanhas. Para ele, o problema maior é como esse sistema foi instaurado no processo eleitoral nacional. “No Brasil, chegou ao limite do escárnio. É uma coisa que é comum em qualquer país. E é aceitável dentro de certos valores, mas perderam a noção do que era aceitável”, critica. Ele menciona o modelo norte-americano como exemplo de financiamento que poderia dar certo. “Lá, você tem um número grande de pequenas doações. Se eu doei US$ 100 para Obama, não vou poder chegar até ele e pressioná-lo, mas, se eu tiver doado US$ 1 milhão, vou achar que tenho esse direito”, explica.

Lista prévia

Por esse modelo, o eleitor vota para eleger os primeiros candidatos de uma lista de políticos definidos pela cúpula dos partidos. Dessa forma, não seria escolhido o candidato que ele acompanha ao longo da campanha, mas os primeiros da fila combinados pela sigla. Essa mudança, caso aprovada, valeria para as eleições de 2018 e de 2022.

“Nada a temer”, diz Filippelli

O ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) divulgou ontem um vídeo no Facebook para rebater as declarações de José Antônio Pacífico, ex-diretor da Odebrecht. Em depoimento, o delator disse que a empresa pagou R$ 15 milhões em propina para acelerar a liberação do Centrad. “A mídia veiculou a delação de um executivo de uma grande empreiteira envolvendo o meu nome. Não tenho conhecimento de tudo o que foi declarado, mas o próprio delator afirma expressamente que, em nenhum momento, tratou comigo sobre propina. E não tratou mesmo”, garante Filippelli. “Tenho 30 anos de vida pública e nunca tive uma condenação sequer em tribunais. Não tenho nada a esconder. Não tenho nada a temer. E entendo que a Lava-Jato tem sido um instrumento para mudar a história do nosso país”, concluiu.

Da Redação do Correio Braziliense - 15/04/2017 08:00 / atualizado em 15/04/2017 00:01