À queima-roupa, Jimmy Lima,

imgComo foi a organização do protesto?
A ideia surgiu a partir dos problemas que ocorreram em São Paulo. Fiquei realmente indignado com o que aconteceu, com a violência da polícia. Não dava para ficar parado, até porque a situação do Brasil, em geral, não é boa. Basicamente, usei a internet e as redes sociais para organizar a manifestação da última segunda-feira.

Essa foi a primeira manifestação de rua da qual você participou?
Sim. Eu já havia ido a um protesto sobre meio ambiente no ano passado, mas fui como fotógrafo.

Sua mãe foi cara pintada em 1992. Ela te influenciou de alguma forma? Ou ela se preocupa com o seu engajamento?
Ela não me influenciou, mas me apoia bastante. Ela sabe que isso é o certo, o Brasil precisa de uma reforma. Mas ela sempre pede para eu ter cuidado, manda mensagem e liga sempre para saber se está tudo bem.

Você já tinha um engajamento político antes de decidir organizar essa manifestação, que ganhou o nome de Marcha do Vinagre?
Não, a política não tem melhorado em nada o país, está na hora de a população cobrar mais. O Brasil precisa de uma reforma política. Quando a gente coloca alguém no poder, espera que essa pessoa melhore o Brasil. ...

Como você vê o engajamento da juventude?
Agora, a maioria está bem engajada e interessada. Só conseguiremos alguma coisa se estivermos juntos. Fiquei surpreendido por conseguirmos colocar 15 mil pessoas na rua em um ato histórico, em cima do Congresso Nacional.

Na sua opinião, qual o peso das redes sociais na política?
Tem um peso muito grande. A gente pode postar o que pensa, pode convocar protestos, como eu fiz. Você consegue atingir um grande número de pessoas. Com as redes sociais, você não lidera, você organiza uma manifestação. É diferente, isso dá estímulo aos jovens.

Houve ciúme de militantes de movimentos mais antigos?
Sim, porque o protesto cresceu muito mais do que eu imaginava. Eu esperava reunir no máximo 3 mil pessoas.

Depois do que ocorreu, você pretende se filiar a algum partido?
Por enquanto, não tenho nenhum interesse de participar ativamente da política. Eu, pessoalmente, não quero tirar ninguém do poder com as manifestações, quero que façam um trabalho melhor. O Brasil não pode ficar só esperando, tem que ir atrás e cobrar, mostrar o que está errado.

Que avaliação você faz do governo Agnelo? E do governo Dilma?

Os governos Dilma e Agnelo são bons, mas eles têm que melhorar a gestão do dinheiro público. Gastar R$ 1,5 bilhão em um estádio só para mostrar para o resto do mundo e passar uma boa impressão não é certo.

Você está no terceiro ano do ensino médio. Qual a prioridade neste momento, mudar o país ou passar no vestibular?

Vou continuar com as duas coisas, participando dos movimentos e estudando. Quero fazer vestibular de psicologia na UnB. Minhas notas no primeiro bimestre não foram muito boas, mas estou correndo atrás para melhorar. Minha mãe me cobra um bom desempenho, mas ela não quer que eu fique robotizado estudando em casa.

Por Ana Maria Campos e Helena Mader

Fonte: Correio Braziliense - Coluna Eixo Capital - 23/06/2013

Transtornos no trecho BRT Sul passarão logo, diz Oliveira

imgÀ frente da Administração Regional do Gama há exatamente um ano e dois meses, Marcio Palhares de Oliveira, 44 anos, reconhece que a cidade tem alguns problemas emergentes a serem resolvidos, mas aponta caminhos para solucioná-los. Em entrevista ao jornal Coletivo, ele fala sobre cultura, lazer e projetos prioritários para a cidade.

Quais são os principais problemas do Gama atualmente?
Temos alguns gargalos atualmente na cidade, tais como o transporte urbano, a acessibilidade, a segurança pública e a saúde. Contudo, em todas as áreas citadas, o Governo do Distrito Federal vem atuando fortemente e as perspectivas de melhorias são boas. No transporte público será entregue em breve o trecho do BRT Sul, com transporte de qualidade.

O senhor citou a questão da segurança. O que vem sendo feito?
O GDF já entregou um novo quartel para a cidade, mais 13 novas viaturas, além de estar prevista a instalação de câmeras de filmagens na cidade e a disponibilização de vans para funcionar como unidades móveis de policiamento.

E na área da saúde?
A cidade já recebeu inúmeras melhorias, como reformas de Postos de Saúde, reforma do pronto- socorro infantil, individualização dos leitos do pronto-socorro adulto, aquisição de ambulâncias novas, ampliação e reforma da UTI adulta. Previsão de reformas de mais postos de saúde, informatização do HRG e construção de um novo hospital para início ainda neste ano.

Um morador reclamou da falta de iluminação, dos buracos e da sujeira na pista de cooper. Como resolver o problema?
Quando estamos em obra, consequentemente enfrentamos alguns transtornos.  O que nos conforta é saber que em breve teremos um sistema revolucionário de transporte urbano. Até o fim deste ano, teremos a obra do BRT concluída.

Como a população pode se tornar mais próxima da administração?
Por meio da Ouvidoria do GDF, pelo  telefone 156. Criamos a ouvidoria itinerante que são urnas que distribuiremos em locais movimentados da cidade e o programa Administração mais perto de você – programa que vai a determinada região para ouvir a comunidade e atender às suas reivindicações.

Serviço

Eventos movimentam a cidade – O Gama recebe, neste mês, eventos na área de cultura e lazer. De 16 a 18, ocorre o Vivo Cine na Estrada, às 20h, na Área Pública do Setor Central. No dia 19, será o Dia de Lazer no Castelinho a partir das 8h no Setor Oeste. Nos dias 18 e 25, tem teatro Bagagem, às 17h.

Fonte: Jornal Coletivo

Chico Leite

Entrevista, deputado Chico Leite

"Aquele que diz uma coisa no público e outra no particular, que tem medo de colocar sua posição, que tem receio de desagradar, que mente e engana, não tem capacidade moral de representar quem quer que seja"

A Câmara Legislativa do Distrito Federal pôs fim a 16 anos de votações secretas em 2006. De autoria do deputado Chico Leite (PT), a proposta de emenda à Lei Orgânica do DF foi apresentada no início de 2003, mas acabou aprovada apenas na última sessão daquela legislatura, com 17 votos favoráveis, duas abstenções e cinco ausências. O texto prevê que só pode haver decisão sigilosa na Casa se o pedido for aprovado em votação aberta, pela maioria absoluta dos parlamentares. (JC) ...

Alguns deputados que defendem a inclusão da PEC 349 na pauta do plenário da Câmara dos Deputados dizem que a discussão é importante porque mesmo que não se consiga acabar de vez com o voto secreto, pode-se pôr fim ao sigilo em algumas votações. Na sua opinião, uma mudança parcial é uma vitória ou uma derrota?

Eu trabalho com o princípio de que todo aquele que exerce o trabalho em nome de outrem precisa prestar contas. No plano público, isso ganha uma força obrigacional muito maior. O mandato é coletivo. Nada mais justo que aquele que exerce cargo público, todo ele, mas, principalmente, os eleitos para isso, tenham todas as suas posições públicas e ostensivas. Se do ponto de vista político é obrigação, do ponto de vista pessoal é caráter. Aquele que diz uma coisa no público e outra no particular, que tem medo de colocar sua posição, que tem receio de desagradar, que mente e engana, não tem capacidade moral de representar quem quer que seja.

E se a PEC aprovada no Congresso não for a que põe fim ao voto secreto, mas aquela que abre o voto só nos casos de cassação?

É um passo adiante. Não podemos desmerecer as batalhas que vencemos até o fim da guerra. Mas só considero que a guerra foi vencida quando efetivamente não existir mais voto secreto daqueles que representam a população. Quem tem o direito de votar secretamente é o eleitor. Com o fim do voto secreto parlamentar, a gente inicia uma grande campanha contra a criminalidade moral, intelectual, que é tão nociva à sociedade quanto à (criminalidade) financeira. Desviar recurso público é tão grave e ruim para a sociedade quanto mentir, enganar usando o voto como forma de ascensão financeira ou profissional ao dizer uma coisa em público e outra no particular. Sempre ao gosto da plateia, acaba votando de acordo com seus próprios interesses ou com interesses inconfessáveis. Isso favorece a barganha ilícita.

Foi difícil acabar com o voto secreto na Câmara Legislativa?

Em um parlamento, pela pluralidade de ideias, é necessário ter capacidade de articulação. Foi um processo de convencimento de 2 de fevereiro de 2003, quando protocolei o projeto de emenda à Lei Orgânica, até 15 de dezembro de 2006, quando conseguimos aprovar com 17 votos. Foram idas e vindas nas comissões, mudanças de posição de alguns líderes… De maneira que venceu a sociedade do Distrito Federal e a posição daqueles que entendem que o exercício de um mandato exige prestação de contas à sociedade.

O movimento das assembleias legislativas estaduais pode reforçar esse processo no Congresso?

Esse movimento vai das bases congressuais ao plano federal, mas também volta. No caso do 14º e do 15º salários, nós (a Câmara Legislativa do DF) fomos a primeira Casa do Brasil que acabou com isso. Em seguida, no plano federal, o Congresso acabou. Logo, várias casas no país acabaram. No caso do voto secreto, nós acabamos com ele aqui na capital do Brasil e outras seis casas legislativas na sequência. Agora, com o passo do Congresso, com certeza essa ideia vingará nas outras assembleias e câmaras municipais no Brasil.

Fonte: CB/Gab. Do dep. Chico Leite - 30/05/2013

pdtQuais são seus planos para 2014?
Estou trabalhando com muito afinco para que Reguffe seja candidato ao Governo do DF.

O senhor é incentivado a ser candidato ao governo?

Fui procurado, sim. Sei que tenho responsabilidade com essa cidade, mas Reguffe representa uma geração nova. Se eu sair do Senado, ninguém vai carregar a minha bandeira nacional em defesa da educação como principal motor do progresso. Com Reguffe no governo, posso continuar o trabalho da luta pela federalização da educação.  ...

O PDT lançaria seu nome para a Presidência?

Não acredito que o PDT queira ter candidato, apesar da existência de um movimento que defenda isso. Mas já comuniquei que não serei candidato. Em 2006, tive 2,5% dos votos, mas deixei a imagem de um romântico combativo pela educação. Se eu for candidato agora, não passo de 5%. E vou deixar a imagem de um perseguidor da Presidência. Vou matar a imagem que construí.

Acredita que  Reguffe quer ser candidato ao GDF?

Ele tem dito que quer, mas acha que não está na hora de tomar a decisão, que ela só deve ser tomada em setembro. Parece perto, mas está longe do ponto de vista da atração de pessoas para o PDT. Tem gente que quer ser candidata a distrital pelo partido, mas aguarda a decisão sobre ter ou não candidato ao governo. Se esperarmos, podemos perder muita gente.

E o senador Rollemberg? Ele sonha em ter o senhor como aliado na disputa ao governo…
Se o PDT não tiver candidato, vamos ter que discutir a possibilidade de apoiar o Rodrigo ou o  Toninho. Mas preferimos que estejam conosco.

Receia enfrentar o PT pela relação com a militância que sempre fez a sua campanha?

Não digo que não faria isso, até porque já enfrentei o PT em plano nacional. Mas me incomodaria ver a militância do PT contra o meu nome. Essa é uma das razões pelas quais eu não fiz campanha no DF em 2006, apesar de ter apoiado a Arlete. E eu adoraria ver a Arlete candidata a governadora de novo. Se ela concorresse, eu defenderia o apoio ao PT e a retomada da aliança em 2014.

O que levou ao seu rompimento com Agnelo?

Ninguém fez mais campanha para o Agnelo do que eu, salvo ele próprio. Depois da eleição, falei que o PDT tinha um nome para a Secretaria do Trabalho, que era o Peniel (Pacheco). Mas meu interesse era a educação e disse que gostaria de ajudar na escolha. Depois, soube pela televisão que ele nomeou alguém da UnB, que é minha base. Isso me incomodou muito. O Agnelo me disse que avisasse o Peniel que ele seria secretário. Mas o deputado Israel Batista veio e negociou uma indicação dele. Foi uma desmoralização completa.  O Agnelo só queria garantir um voto na Câmara, o resto não interessava.

Reguffe tem discurso forte de corte de gastos e defesa da ética. Não seria preciso avançar para concorrer ao governo?
Reguffe foi meu aluno na UnB, mas ele fez caminho próprio e deu certo. O povo não quer ouvir que a educação é o motor do progresso, como eu falo. O povo quer ouvir é sobre o fim de privilégios e de benesses. O Reguffe representa no Congresso o que o Joaquim Barbosa representa no Brasil. Essa é a marca.

Por Ana Maria Campos e Helena Mader

Fonte: Correio Braziliense - Coluna Eixo Capital - 26/05/2013

Marcos Feliciano

Amigas e amigos do blog, não poucos leitores deste blog, na maioria evangélicos, criticaram meu post — crítico — à escolha do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Vários me acusaram, injustamente, de preconceito contra os evangélicos — quando em meu post original nem mencionei religião alguma — e de não apresentar no blog um “outro lado” da questão.

Em resposta e em respeito a esses leitores, apresento, agora, o “outro lado” propriamente dito: a longa entrevista às Páginas Amarelas de VEJA concedida há dias pelo próprio deputado. Leiam, conheçam suas opiniões e cheguem às suas próprias conclusões.

Entrevista concedida a Juliana Linhares, publicada em edição impressa de VEJA

Luciano Coelho

O Ministério Público em todo o país deflagrou uma campanha contra a PEC 37, que dá poderes exclusivos às polícias para investigações criminais. Por que esse assunto interessa a sociedade como um todo?
Queria me permitir usar da fala do ministro (aposentado) Ayres Britto, que tenho a felicidade de ter como professor no meu mestrado. Numa das primeiras aulas, ele falou que no universo jurídico ele conseguiu verificar que há dois grandes tipos de propostas: as que gravitam em torno de valores e as que gravitam em torno de interesses, que são menores, políticos, econômicos. A PEC 37 não tem compromisso maior com o bem-estar de uma sociedade, com valores como justiça, igualdade, combate à corrupção. Na verdade, atende alguns interesses. ...

Que interesses são esses?

Atende basicamente um interesse: a disponibilidade das investigações criminais nas mãos dos políticos. O monopólio da investigação pela polícia, subordinada ao poder Executivo, só se presta a impedir o aprofundamento da apuração de determinadas infrações penais, principalmente dos chamados crimes do colarinho branco.

Para as polícias Federal e Civil, a PEC 37 é uma questão de ganhar poder?
Tenho em mente que sim. A polícia está muito preocupada com essa questão que envolve a concentração do poder de investigação criminal. A rejeição da PEC 37 não tira esse poder dos policiais, apenas amplia a possibilidade de investigação de todos os organismos de Estado, que devem investigar os casos de corrupção.

Como funciona em outros países?
Na imensa esmagadora maioria dos países, o poder de investigação é reconhecido ao Ministério Público. Já virou uma espécie de mantra, a fala do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dizendo que só três países no mundo não permitem que o Ministério Público investigue: Indonésia, Quênia e Uganda. Estaríamos nessas companhias, o que demonstra o nível do retrocesso desse tipo de proposta.

Pode citar exemplos de investigações de sucesso conduzidas pelo Ministério Público?

Temos casos emblemáticos que resultaram em grandes condenações a favor da sociedade. Podemos mencionar o caso Celso Daniel, em São Paulo; as denúncias do TRT Paulista, com o juiz Nicolau dos Santos Neto e o mensalão no STF. Sem a participação do Ministério Público, dificilmente se teria a condenação. Numa investigação exclusiva da polícia, certamente alguns obstáculos seriam encontrados.

São sempre escândalos de repercussão?
Para que não fiquemos apenas nos casos mais emblemáticos, usados pela polícia para dizer que o Ministério Público busca holofotes, vou citar uma realidade local nossa do DF. Até o ano passado eu era promotor da Promotoria de Violência Doméstica da Ceilândia. Recebíamos semanalmente dezenas de mulheres que reclamavam ter buscado ajuda nas delegacias depois de terem sido agredidas. Muitos policiais se recusavam a registrar ocorrência, acreditando que se tratava de um caso qualquer que poderia ser resolvido numa conversa com o marido. Muitas vezes, ocorria por excesso de demanda e falta de estrutura. Na Promotoria, fazíamos uma investigação. Sem isso, essas vítimas ficariam sem condições até de registrar sua ocorrência.

Por Ana Maria Campos e Lilian Tahan

Fonte: Correio Braziliense - Coluna Eixo Capital - 14/04/2013

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