Em entrevista ao Jornal da Comunidade, Jofran Frejat (PR) afirmou não saber se será candidato nas eleições de 2014.

Jofran Frejat (PR)
Jofran Frejat (PR)

Sobre uma possível candidatura majoritária, ele disse que talvez seja escolhido pelo partido por exclusão, não por opção, já que o PR é o mesmo partido do ex-governador José Roberto Arruda, cotado para concorrer ao governo no ano que vem. Para Frejat, Dilma Rousseff e Agnelo Queiroz têm grandes chances de se reelegerem. ...

 

O senhor vai se candidatar nas próximas eleições?

Não tenho a menor ideia. A princípio eu não estou estimulado, não estou envolvido, não estou negociando nada. Já fui deputado cinco vezes e eu senti uma dificuldade grande, pois quando você está na Câmara você não consegue fazer, só consegue propor e nem tudo é aproveitado pelo governo. Já no Executivo eu consegui fazer um bom trabalho, reconhecido em todo o Brasil. Quando fui secretário de Saúde, construí postos de saúde, hospitais e a Faculdade de Medicina Pública do DF. Fizemos uma estrutura que serviu de base para a saúde pública do DF por anos. Há um reconhecimento de toda a população e até mesmo dos adversários de que fiz um belo trabalho. O que vale a pena nisso tudo é o reconhecimento da população. Não tem absolutamente nada fechado ainda, nem perspectiva de disputar a eleição. Ninguém é candidato de si mesmo, você é candidato de um grupo que decide que você vai se candidatar e que irá te ajudar.

 

O senhor já foi sondado para compor alguma chapa majoritária?

Ainda não. O partido já falou algumas vezes que quer lançar candidatos, mas eu também não me movimentei nesse sentido, nem estou pleiteando. Já me falaram que eu posso ser qualquer coisa, me candidatar a qualquer cargo. Eu acho que nós já tivemos tantas decepções que se as pessoas querem de fato uma coisa diferente, precisam se unir para fazer um movimento nesse sentido. Agora, se for para ficar nessas quezílias internas, vaidade pessoal ou interesses pessoais, eu estou fora. 

 

Como estão as movimentações dentro do PR?

Não tem absolutamente nada fechado ainda. O partido tem bons nomes. Eu acho que só serei candidato, pelo menos na área majoritária, por exclusão, não por opção. A escolha ocorreria por exclusão, da seguinte forma: fulano e sicrano não podem disputar por causa de problemas em determinadas áreas, beltrano também não, então eu vou ficando e acabo sendo escolhido por exclusão. É isso que está acontecendo e fora disso, eu não vejo caminho. As pessoas não estão optando pelo seu trabalho e pelas suas realizações. Eu também não vou atrás, pois não tenho barganha a fazer. Quem me quiser é como eu sou.

 

Quais os possíveis partidos que devem se unir ao PR?

O PR está ligado ao pessoal do Arruda, e naturalmente, o pessoal dele tem os seus objetivos. Eu não estou participando dessas negociações, então não sei muitos detalhes. 

 

O que o senhor espera das próximas eleições?

O atual governador será um candidato forte. Qualquer um que queira disputar com ele terá dificuldades a enfrentar, essa é minha impressão pessoal. O que eu realmente espero é que Brasília faça uma boa escolha. O que me incomoda aqui é que parece que as pessoas não estão interessadas na cidade que nos adotou e que nós adotamos. Amamos essa cidade, tivemos toda a oportunidade do mundo aqui e Brasília nos deu tudo. Temos que ter, no mínimo, a responsabilidade de fazer algo para que a cidade seja cada vez melhor. Eu não perdi a esperança em ver Brasília melhor, eu torço para que dê certo, seja quem for que esteja no governo.

 

Qual a sua expectativa pessoal para as eleições de 2014?

Minha expectativa para as próximas eleições é de absoluta incerteza. Eu só disputarei se for realmente uma coalizão com o objetivo de mudar o destino de Brasília, se não for, eu não vou. Já fui deputado cinco vezes, secretário de Saúde quatro. Não vou disputar pela vaidade.

 

Arruda pode ser o candidato do PR para disputar o Buriti?

O Arruda tem sim o objetivo de ser candidato. Caberá à população decidir se o quer de volta no governo. Apesar dos problemas que ele teve com a Justiça, acredito que a população é o juiz de tudo e decidirá o que quer para Brasília.

 

Como o senhor avalia o governo Agnelo?

Eu não vou julgar ninguém. O que posso dizer é que ele está trabalhando, não sei se conseguiu atingir os seus objetivos, mas está trabalhando. Pela experiência que tenho, posso dizer com certeza absoluta que não é fácil governar. Fui secretário de Saúde, e é lógico que é a área que tem mais carência de serviços. Não dá para melhorar a saúde em dois ou três meses, leva-se anos para isso. Quando eu fui secretário, a saúde já era uma área complicada e com muita demanda. Agora então, que se passaram anos e a população aumentou, a tendência é só aumentar a procura pelos serviços. Sem contar também que quando a saúde melhora, a demanda por atendimento também aumenta, pois os outros estados enviam seus pacientes para serem atendidos no local onde está melhor. Não é interessante para o prefeito de uma cidade do interior, por exemplo, gastar a verba destinada à saúde com equipes médicas, pois isso dá trabalho. É mais interessante comprar ambulâncias e quando o cidadão estiver passando mal ele enviar para Brasília alegando que vai mandá-lo para um dos melhores hospitais do país, assim já garante um voto no futuro. Então, é uma situação complicada.

 

O senhor acredita na reeleição do governador Agnelo?

Agnelo é um forte candidato, posso dizer que até agora, é o mais forte. É possível sim, que ele consiga a reeleição. Mas tudo depende também se ele vai conseguir mostrar seu trabalho para a população. O povo quer serviço público de qualidade, principalmente nas áreas de saúde, segurança, transporte e moradia. A população observa as coisas, vai deixando passar e sempre dá o troco nas urnas.

 

Como o senhor avalia os pré-candidatos ao governo?

Até agora, quem realmente é candidato definido é o governador Agnelo. Há muitos nomes fortes aí, que se lançaram. Tem o deputado federal Reguffe, que é um candidato forte e com uma bela história, mas tem um grande problema: quer fazer uma eleição sem financiamento financeiro. Não tem como concorrer uma eleição sem gastar dinheiro, para se deslocar você precisa gastar, tudo que você for fazer em uma campanha política gasta. Então, é muito difícil fazer uma campanha sem dinheiro para financiá-la. Claro que o dinheiro não é tudo. Já vi muitos candidatos perderem eleições mesmo fazendo uma campanha com muitos recursos. O senador Rollemberg é um bom nome, tem experiência na área administrativa do governo, mas pode enfrentar um impasse, já que parece que o Eduardo Campos andou se reunindo com o presidente do PPS e parece que pode apoiar a candidatura de Eliana Pedrosa para disputar o governo. O que eu posso dizer é que as vaidades são muitas e somente em março ou abril é que as coisas vão se definir. Mas, sem dúvidas, é preciso se unir para se tornar forte.

 

Como o senhor vê o cenário presidencial?

A Dilma é, sem dúvida, uma fortíssima candidata. Mas o Aécio Neves também tem uma excelente história política, fez muito por Minas Gerais, tanto é que conseguiu até eleger seu sucessor, também foi um bom presidente da Câmara. Além disso, temos o Eduardo Campos, que está fazendo muita coisa boa em Pernambuco. São fortes candidatos concorrendo à presidência da República.

 

O senhor acredita na reeleição de Dilma Rousseff?

Acho ela uma candidata muito forte. Além de ter uma grande popularidade pessoal, a Dilma ainda tem o apoio de Lula, que foi praticamente endeusado em algumas regiões do Brasil. Entretanto, se houver um segundo turno a coisa complica, pois Eduardo Campos e Aécio Neves se unem e têm grande chance de derrotá-la. No geral, a Dilma tem sido uma boa presidente, ampliou alguns projetos sociais, tem investido em áreas que antes eram deixadas de lado, mas pecou na economia brasileira, que não está nada bem. Geralmente a economia é um dos principais fatores que define uma vitória. O Lula só conseguiu se reeleger porque a economia estava bem. Então, se a Dilma conseguir melhorar isso em seu governo, tem grandes chances de ganhar as eleições.

Fonte: Jornal da Comunidade - 28/12/2013

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O Senador Rodrigo Rollemberg concedeu esta entrevista ao Blog do Cafezinho mostrando que não tem papas na língua.

O senador fala do rompimento com o governo do PT-DF, o caos no transporte público, eleições e possíveis alianças. Leia abaixo.

1.Quais as principais dificuldades que o senhor encontrou ao assumir o mandato como senador?

Rodrigo Rollemberg – O Senado é uma Casa de pessoas muito experientes, como ex-ministros de Estado, ex-governadores, ex-presidentes da República. Então, procurei primeiramente conhecer a Casa. Só fiz meu primeiro pronunciamento 60 dias após minha posse. Mas depois disso encontrei um ambiente de muito diálogo, muito entendimento, muito aprendizado. Creio que, ao final do meu terceiro ano como senador, posso afirmar com humildade que estou fazendo um bom mandato em defesa da população do Distrito Federal. ...

2.Como um senador pode exercer seu mandato e, ao mesmo tempo, ter uma atuação próxima da população?
Rodrigo Rollemberg –
Entendo que um bom exercício do mandato exige necessariamente estar próximo da sociedade. É a sociedade que nos oxigena, que nos reanima, que nos atualiza em relação aos seus problemas, seus desejos e suas aspirações. Tenho orgulho de dizer que depois de exercer duas vezes o mandato de deputado distrital, de ter sido secretário de Turismo, de ter sido secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, de ter sido deputado federal e ter assumido no Senado, continuo mantendo os mesmos hábitos que sempre mantive. Frequento os mesmos lugares e com isso estou sempre me atualizando em relação aos desejos da população do DF.

3.Brasília tem sofrido com vários problemas, principalmente das áreas de Saúde, Educação, Segurança e Transporte. Como o senhor, juntamente com seus pares no Senado, pode ajudar a população?
Rodrigo Rollemberg –
Temos procurado ajudar. Além dos recursos destinados ao DF anualmente, apresentei vários projetos de interesse de nossa população. Na área de segurança pública, ainda quando era deputado federal, tive uma participação importante na aprovação do Plano de Cargos e Salários da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do DF. Aprovamos esta semana no Senado o Plano Nacional de Educação. Apresentei emenda ao projeto para garantir a continuidade do funcionamento dos Centros de Ensino Especial e das Apaes para receber os alunos com deficiência. Graças ao nosso trabalho no Congresso Nacional, conseguimos aumentar em R$ 500 milhões os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para 2013. Também destinamos grande parte das emendas da Bancada do DF para a saúde. E buscamos fiscalizar a boa aplicação dos recursos públicos. São alguns exemplos que demonstram que estamos atentos aos anseios da população, especialmente nessas áreas, que são fundamentais.

4.Seu partido abandonou a base de apoio ao Governo Agnelo. Há possibilidade de o PSB lançar candidato ao governo do DF em 2014?
Rodrigo Rollemberg –
O PSB terá candidato ao Governo do DF em 2014. Essa é uma decisão já tomada pelo PSB no âmbito do DF e no âmbito nacional. Estamos nos preparando para isso. Desde o início do ano, temos 12 núcleos temáticos funcionando e procurando conhecer com profundidade os problemas do Distrito Federal, e construindo alternativas de políticas públicas que possam melhorar a qualidade de vida de nossa população. Além disso, já realizamos três seminários “DF em Debate”, reunindo conjuntos de cidades do DF, para discutir programas de governo com os moradores. Por fim, enviamos um grupo de quatro pessoas para conhecer o modelo de gestão do Governo de Pernambuco, um dos melhores avaliados do País, que voltaram impressionados com a gestão de Eduardo Campos.

5.Por quais motivos o PSB saiu da base do Governo Agnelo?
Rodrigo Rollemberg –
Pela prioridade de alianças com grupos responsáveis pelo atraso no Distrito Federal, a péssima qualidade administrativa e política, o que está expresso no baixíssimo nível de aprovação do Governo Agnelo. Discordamos da forma e do conteúdo deste governo. Não nos sentimos representados pelo Governo Agnelo.

6. Caso o senhor seja escolhido como o nome de consenso como candidato ao governo, aceitaria fazer aliança com partidos de esquerda e de direita, formando uma grande frente pluripartidária?
Rodrigo Rollemberg –
Nós queremos construir uma aliança no Distrito Federal em torno de um programa. Uma aliança que reúna as pessoas de bem. Estamos focados e confiantes de que conseguiremos construir esta aliança, com um conjunto de partidos, com o protagonismo exercido por pessoas reconhecidamente de bem.

7. O transporte público da cidade está um verdadeiro caos. Na sua opinião, quem é ou quem são os culpados pelo problema?
Rodrigo Rollemberg –
Os responsáveis são muitos. O problema do transporte público se agravou em função da omissão de diversos governos e da irresponsabilidade de empresários que atuam há anos em nossa cidade sem que o governo exerça seu papel fiscalizador. As mudanças que estão sendo feitas atualmente pelo GDF são pontuais, se limitam à troca dos ônibus e não tratam da questão estrutural. A solução para o transporte do Distrito Federal está nos trilhos, na implementação de veículos leves sobre trilhos nas diversas regiões do DF. Entretanto, o governo continua investindo numa velha solução, que são os ônibus convencionais.

8.O senhor é autor do substitutivo que cria a Lei Geral dos Concursos Públicos. O texto já foi aprovado pelo Senado e agora será analisado pela Câmara dos Deputados. Qual a importância desta lei?
Rodrigo Rollemberg –
Esta lei define regras claras e transparentes para a realização de concursos públicos, com o objetivo de dar mais tranquilidade e segurança jurídica para milhões de concursandos em todo o Brasil, que investem tempo, dinheiro e suas esperanças para ingressar no serviço público.

9.O senhor foi um dos grandes defensores do voto aberto no Congresso Nacional. A proposta aprovada não determina o voto aberto em todas as votações, mas nos casos de cassação de parlamentar e de veto. Mesmo assim, foi uma vitória?
Rodrigo Rollemberg –
Tivemos um avanço ao implementar o voto aberto nesses dois casos. Entendo que a população quer transparência. As pessoas querem e têm o direito de saber como votam seus representantes no Congresso Nacional. Por isso, defendi e defendo o voto aberto em todas as modalidades de votação.

10. Recentemente, dois administradores regionais do DF foram presos. Os episódios trazem à tona a discussão sobre a escolha dos administradores. Recentemente, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a sua Proposta de Emenda à Constituição que implementa as eleições diretas para administradores regionais, ideia que o senhor defende há muitos anos. Por quê?
Rodrigo Rollemberg –
Está claro que o modelo adotado pelo GDF para a escolha dos administradores regionais está equivocado. Os administradores servem mais aos deputados distritais que os indicam do que ao conjunto da população. Muitos dos administradores sequer moram nas cidades que administram. Defendemos eleições diretas para a escolha dos administradores regionais. E também a criação de uma carreira para as administrações, com servidores selecionados por concurso público, pessoas qualificadas que possam atuar com agilidade e com critérios técnicos para atender bem aos moradores das cidades, sem privilegiar nenhum grupo político. Acredito que as eleições diretas para os administradores são uma forma de aprofundar a democracia no DF. É inadmissível que, em pleno século 21, os administradores regionais sejam indicados pelos deputados.

11. Além desses projetos, o senhor foi em 2013 o líder do PSB no Senado. Qual o balanço o senhor faz dessa liderança?
Rodrigo Rollemberg –
Entendo que o PSB foi o partido que mais cresceu do ponto de vista qualitativo em 2013. Fomos o único partido que votou unido pela renovação na presidência do Senado, apoiando o senador Pedro Taques (PDT). Depois tivemos um protagonismo com o ingresso de um mandado de segurança no STF contra um projeto de lei casuístico que visava impedir a criação da Rede Sustentabilidade. Isso acabou contribuindo para que a ex-senadora Marina Silva ingressasse no PSB, o que ocorreu em outubro e foi o grande fato político do ano. E nesta semana, tivemos a filiação da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon. Tivemos também uma atuação expressiva na aprovação do voto aberto. Dos partidos que ainda não estavam decididos, o PPS já se decidiu nacionalmente pelo apoio ao PSB. No início do ano, havia muitas dúvidas sobre a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República. Terminamos 2013 com a certeza de que o PSB cresceu qualitativamente e de que Eduardo Campos é um candidato extremamente qualificado e competitivo.

Fonte: Blog do Cafezinho - 25/12/2013
Foto: Gabriel Jabur


Em entrevista exclusiva ao blog, a deputada distrital Liliane Roriz (PRTB) comenta sobre sua atuação na Câmara Legislativa, desabafa sobre questões polêmicas, coloca-se a favor da unidade dentro da oposição ao fazer duras críticas ao governo do DF: e justifica: “Quem é filha de quem eu sou tem o dobro de responsabilidade”, resume. ...

Blog do Sombra:  Praticamente na reta final do seu mandato, o que mudou desde que a senhora tomou posse como deputada distrital até os dias de hoje?
Liliane Roriz:
Mudou muita coisa. Entrei na Câmara sem saber direito o que encontraria pela frente. Sabia que muitos colegas mantinham um pré-conceito contra mim, por eu ser filha de Joaquim Roriz. Eu era também uma das únicas, se não a única, opositora declarada ao governo. Veja só: eu já era novata, mulher, relativamente nova e só por isso tinha receio da forma com que os petistas me tratariam. Morria de medo do deputado Chico Vigilante, pela imagem que ele sempre passou. Hoje eu dou boas risadas disso tudo, mesmo porque mantenho uma ótima relação com todos os deputados, até mesmo com os petistas. O deputado Chico Vigilante sempre me respeitou e construímos uma boa relação de consideração entre nós. Aprendi a separar bem as coisas.

Blog do Sombra: Muitos comentam sobre sua postura independente com relação ao seu pai. Isso ajuda ou dificulta o seu trabalho?
Liliane Roriz:
Vivi e convivi com a política desde que nasci, graças ao meu pai. Acho que foi dele que puxei essa vontade de querer trabalhar pelas cidades e ajudar a quem mais precisa. Como eram muitos candidatos proporcionais e fiz uma campanha simples, assim que fui eleita ele me chamou e me disse que agora eu tinha que arregaçar as mangas e mostrar quem era a Liliane, e não a filha do Roriz. No início, não entendi. Mas hoje vejo como essa atitude me ajudou para que eu focasse no que eu realmente acredito. Mas é claro que com o privilégio de ter o pai que eu tenho, vira e mexe eu tento consulta-lo sobre algumas questões. Ele sempre reluta e se faz de difícil, mas no fim das contas acaba me aconselhando.

Blog do Sombra: A senhora está satisfeita com a Câmara Legislativa e com sua atuação parlamentar?
Liliane Roriz:
Sou empresária e por isso tenho a chata mania de cobrar muito de mim e de quem está comigo. Nunca estou satisfeita. Se está bom, podemos melhorar. Às vezes isso incomoda, mas não ligo. Sei que é para o melhor resultado do trabalho. Hoje ouço coisas que não consigo acreditar se fosse tempos atrás. Dizem que eu estou sendo uma boa surpresa na Câmara Distrital. Isso me deixa muito feliz, mas não me envaidece. Costumo sempre dizer que quem é filha de quem eu sou tem o dobro de responsabilidade. E levo esse lema a ferro e fogo para o meu mandato. Sei que não posso e não tenho o direito de fazer feio. Minha filha, que deveria reclamar, e as pessoas mais próximas, me apoiam muito. Quando você está em paz em casa, fica com a cabeça livre para focar no trabalho. 

Blog do Sombra: Qual é a maior vitória e a maior derrota de seu mandato?
Liliane Roriz:
Tivemos grandes vitórias, como a lei que fiz para conceder o desconto do IPTU, a lei também de minha autoria que manteve a homenagem a Mané Garrincha no estádio... Recentemente, foi a lei que aprovamos e que já está em vigor que escancara a caixa preta da saúde pública e obriga o governo a divulgar na internet tudo sobre a rede, como remédios em estoque, a fila das cirurgias, os médicos de plantão por especialidade em cada unidade, enfim... A maior derrota, sem dúvida, foi a aprovação da transferência do museu da república para a área federal. Acho que nossos artistas, nossa cultura e nossa cidade perderão muito com essa mudança.

Blog do Sombra: O atual governo possui uma das maiores bases de sustentação da história do DF. Para a democracia, isso é saudável?
Liliane Roriz:
Olha, democracia é o poder do povo. Se o povo quis eleger um governo do PT e deputados que mantém afinidade com essa proposta, temos que respeitar. O que não acho correto é que, mesmo com a população reclamando, criticando e as pesquisas apontando o Agnelo como o segundo pior governador do país, a base permaneça intacta. A deputada Eliana Pedrosa declarou publicamente que votou no Agnelo, mas depois viu que tinha algo de errado com essa gestão e pulou fora. De lá pra cá, até que partidos desacreditaram nesse governo, quando achávamos que mais gente sairia da base, mas na prática tudo ficou como era. Em vez de deixar a base, os deputados deixavam os partidos. Isso sim eu acho lamentável, porque um deputado tem que dar voz à vontade da população e não garantir palanque para governantes. Agradeço a cada dia por ser uma das únicas opositoras do governo Agnelo e de não fazer isso da boca pra fora, mas por acreditar. Tenho muito orgulho de não fazer parte desta base e de não ter amarras com esta gestão.

Blog do Sombra: Por falar nisso, a senhora foi a deputada distrital que mais se destacou na luta contra a aprovação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) na CLDF. Por que resolveu comprar essas brigas?
Liliane Roriz:
Sou nascida em Luziânia, que faz parte da região metropolitana do DF, mas mudei para Brasília com apenas um ano de vida e escrevi toda a minha história aqui, brincando nas superquadras, no Parque da Cidade... Não sou uma forasteira. Quando comecei a ouvir rumores sobre o PPCUB e a LUOS, fiquei revoltada. Lembra-se daquele papo de construir a 901 Norte e encher de prédios uma área que hoje é limpa e ampla? Pois é, desde lá eu já comprei essa briga na Câmara. Achava aquilo um absurdo, um desrespeito ao plano de Lúcio Costa. Achava que minhas críticas tivessem surtido efeito, porque o governo recuou. Depois de um tempo, vi que a intenção do governo era ainda pior: o GDF incluiu outras propostas absurdas nesse PPCUB. Imagina só um Eixo Monumental todo loteado, cheio de construções? E a margem do lago toda cheia de hotéis? O Setor Hospitalar, que já não tem onde parar o carro, com prédios mais altos e mais salas comerciais... Ele queria vender a cidade a troco do caos. Por isso eu digo, não é que eu tenha comprado a briga: é o GDF que mais uma vez trabalha sem ouvir a população. Eu só aproveitei o meu mandato para dar voz ao coro que estava nas ruas e reclamava assim como eu dessas propostas absurdas. Isso não é mérito da deputada Liliane, é mérito de quem arregaçou as mangas e lutou contra o PPCUB. Graças a tanta gente, onde incluo estudiosos, especialistas, lideranças, anônimos, muitas pessoas que até tinham receio de se aproximar de mim, a revolta gerou um movimento que assustou o governo e os deputados. Vencemos a batalha por enquanto, mas só podemos sossegar quando esses dois projetos forem retirados de vez da pauta.

Blog do Sombra: A senhora será candidata a quê?
Liliane Roriz:
Eu quero ser candidata à reeleição como distrital. Mas sei que a minha vontade é o que menos vale nesse jogo político. Faço parte de um grupo político que quer o melhor para o DF. Precisamos livrar Brasília desse caos. Por isso, desde o início, tenho procurado me preparar para qualquer cenário que venha a surgir. Temos conversado com várias lideranças e acredito que só venceremos se estivermos todos juntos. Eu estou disposta a isso. Quero me colocar de forma com que eu seja útil. Mas a possibilidade de continuar trabalhando por nossas cidades, aqui na Câmara Distrital, é o que mais me atrai.

Blog do Sombra: Sua irmã Jaqueline Roriz e seu cunhado Manoel Neto acabaram de ser condenados em primeira instância no escândalo que ficou conhecido como a Caixa de Pandora. Isso pode atrapalhar o seu projeto?
Liliane Roriz:
Desde que minha irmã passou por essa situação, foi um sofrimento grande lá em casa. Quando eu passava na rua e alguém me hostilizava por me confundir com a Jaqueline, eu imaginava o tanto que deveria estar sendo difícil para ela. Vi pessoas que eram grudadas com ela simplesmente desaparecerem, falarem mal, virarem as costas, isso sem nem ter dado tempo de ela se defender na Justiça. Isso dói muito. Mesmo assim, desde o início, como deputada, decidi subir na tribuna e exigir publicamente explicações dela. Esse era o meu dever como parlamentar, e ela entendeu. Acredito que quando decidimos ingressar na vida pública, decidimos também que nossas vidas seriam públicas e teríamos que passar pelo crivo da opinião pública. E isso implica em tudo e, por mais difícil que seja, tem que se cumprir. Mas, como irmã, que tem sido um grande sofrimento, isso eu não vou negar. 

Blog do Sombra: Nessa mesma linha, depois que deixou o PSD, a senhora retornou ao seu partido de origem, o PRTB, que hoje é comandado no DF por uma figura conhecida no Brasil, que é o ex-senador Luiz Estevão. A senhora não teme ter a imagem vinculada a do primeiro senador cassado da história do Brasil?
Liliane Roriz:
Poucos como Luiz Estevão estiveram sempre ao lado de minha família, não só na vitória, mas principalmente nas turbulências, que é quando todos somem. Na hora do poder, é fácil ter amigos. Esse tipo de postura de lealdade a gente não esquece nunca. Além do que, quem o conhece sabe como o Luiz pode contribuir para a cidade. Se ele deve algo para a Justiça, está pagando de acordo com que os magistrados determinaram. Eu sei separar as coisas e os problemas jurídicos dele independem da grande capacidade de atuação política. Só para você ter ideia, mesmo após 20 anos fora da Câmara Legislativa, quando ele foi eleito o distrital mais votado da história do DF, Luiz ainda é lembrado como o opositor mais combativo do antigo governo do PT, que acabou sendo derrotado na tentativa de reeleição. Podem falar o que for, mas isso ninguém tira dele.

Blog do Sombra: A atuação do STF com relação ao Mensalão repercutiu de maneira muito emblemática na sociedade. A senhora acredita que isso pode resultar nas urnas em 2014?
Liliane Roriz:
O processo do Mensalão serviu para mostrar que o PT não é esse reduto de santos, como eles vendiam. Tinham um sucessor preparado para substituir o Lula, que era o José Dirceu, que está preso hoje acusado de chefiar uma quadrilha. Não posso e não vou tripudiar, porque sei bem como é complicado você colocar tudo num mesmo caldeirão. Mas também não dá para dizer que no PT só tem santo, o que não é verdade. Conheço muitos petistas que merecem respeito, outros nem tanto. É assim em todo lugar. Com a esperada aprovação da reforma política, acredito que o processo eleitoral vai sofrer mudanças radicais, que vai, se não acabar, intimidar a força do poder econômico, como foi no caso do mensalão. Espero que nas próximas eleições as pessoas concentrem-se em propostas, no trabalho de cada um. Se for assim, pela nossa experiência aqui no DF, o PT sairá derrotado, já que temos a certeza de como é péssima a gestão petista. O PT sabe ser oposição, mas não se dá bem como gestor. Esse sentimento está refletido nas pesquisas de opinião, onde Agnelo aparece na lanterninha em quase todos os cenários, além da grande rejeição que possui.  Espero que a oposição esteja unida e essa revolta da população contra o atual governo tire nossa cidade desse coma induzido que ela está.

Fonte: Edson Sombra / Redação - 17/12/2013

À queima-roupa

 

O senhor é do partido do deputado Benedito Domingos. Vai protegê-lo no processo por quebra de decoro
aberto na última quinta-feira?


Não protejo ninguém. Quando era delegado não protegi nem a minha família. Não vai ser por conta de partido que vou mudar isso. Quem fez suas besteiras que a segure.  ...

Seu correligionário foi condenado pelo Tribunal de Justiça por corrupção. Ele quebrou o decoro?
Temos que avaliar. A condenação  indica que o deputado condenado quebra o decoro. Mas ainda temos que dar a ele o direito a defesa eavaliar friamente antes do veredicto.

Se o senhor for escolhido relator, será um peso ?
Sem problema algum. Estarei fazendo um trabalho como qualquer outro. O partido não  está em julgamento. O deputado Benedito não é o PP.

Benedito sempre foi um líder importante do PP. Como fica o partido se ele for cassado?

Mesmo assim, poderá ficar no partido. Mas a vida é cíclica. Tem que ser dinâmica. Podem se construir novas lideranças. Ninguém é eterno.

Acha que deve ser voto aberto ou secreto?
Sempre voto aberto. Deputado não pode ficar em cima do muro, senão leva pedrada dos dois lados.

O PPCub  está pronto para votar?
Ainda falta muita coisa. Temos que analisar isso aí. Eu ainda não estou preparado para votar.

Fonte: Ana Maria Campos e Helena Mader, Coluna Eixo Capital - Correio Braziliense - 24/11/2013


Carlos Moura/CB/D.A Press

Apontada como potencial herdeira dos votos do pai e possível Plano B do grupo de Joaquim Roriz para as eleições de 2014, a deputada defende a candidatura do patriarca, mas diz que está "preparada para tudo".


A união de Roriz e Arruda no ano que vem já está decidida?

Não foi batido o martelo ainda. Por enquanto, eles estão só nas conversas. Já tiveram alguns encontros, o Arruda foi fazer uma visita de cortesia ao meu pai em São Paulo, depois tiveram juntos duas vezes aqui em Brasília, uma delas na casa do Fraga. Mas ninguém pode falar por eles, nem eu, tampouco o Antônio Gomes (secretário-geral do PR, que declarou em entrevista ao Correio esta semana que Arruda e Roriz estarão juntos em 2014).

Mas essa união é possível?

É possível sim, são duas forças políticas da cidade, que têm que se entender. Mas isso só vai ser decidido no ano que vem.

Seu pai será candidato?

Acredito que ele disputará, sim, as eleições no ano que vem. Ele está muito animado para a disputa e as pesquisas deixam ele ainda mais decidido a concorrer.

Você é sempre citada como um plano B ao Joaquim Roriz. Vai disputar o governo caso seu pai tenha algum impedimento jurídico ou de saúde?

Estou preparada para tudo. Mas, neste momento, minha atenção está totalmente voltada aos grandes projetos da Câmara Legislativa. Estou trabalhando muito no meu mandato, preocupada com questões relevantes para a cidade. Daqui até o fim do ano, vamos analisar o PPCUB (Plano de Proteção ao Conjunto Urbanístico de Brasília), a Luos (Lei de Uso e Ocupação do Solo) e o orçamento. Portanto, acho prematuro falar de eleição agora.

Esta semana, circulou pela internet uma foto sua ao lado do deputado Reguffe (PDT). A que se deveu o encontro?

É bom deixar isso bem claro, fui tomar um café lá no gabinete dele a convite do próprio Reguffe. Na semana passada, fiz um pronunciamento duro com relação ao PPCUB e ele me parabenizou por meu discurso, pela minha postura e, na ocasião, me chamou para visitar o gabinete dele. Fui a convite dele. Conversamos muito sobre o PPCUB, sobre política, família, e sobre o contexto da cidade, foi uma conversa muito boa, tanto ele quanto eu queremos o bem da cidade.

Trataram de eleição?

Não falamos absolutamente nada sobre 2014.

É possível uma aliança com candidatos de esquerda, como o próprio Reguffe ou o senador Rollemberg (PSB)?

Quando o assunto é o bem da cidade, essas divergências se tornam pequenas. Estou aberta a todas as conversas.

Seu pai governou a cidade durante quatro anos, mas você tem um discurso de renovação. Como herdar o espólio eleitoral dele e, ao mesmo tempo, passar para o eleitor uma imagem de novidade na política?

Fui criada no meio de uma família política. É claro que cada um pensa de um jeito, meu pai tem as ideias dele, eu tenho as minhas. Mas a gente se respeita muito.

Fonte:Eixo Capital


 



Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press


O reencontro dos ex-governadores José Roberto Arruda e Joaquim Roriz aconteceu na sua casa, durante um jantar. Você acompanhou a conversa?

Cedi minha casa porque, de acordo com Roriz, era um lugar onde não haveria vazamentos. Por isso, coloquei os dois em uma sala isolada e os deixei sozinhos para conversarem.

Não teve curiosidade de saber o que eles estavam conversando?

A curiosidade foi tirada depois, em conversas com o Arruda e com o Roriz. Eles me colocaram o que foi discutido. O objetivo era fazer o entendimento entre os dois, o que foi alcançado.

O surgimento de lideranças de partidos de direita tem despertado ciúmes. A pré-candidatura de Luiz Pitiman (PSDB), por exemplo, causou reações de correligionários. A oposição no DF está dividida?

A direita pode estar brigando, mas o pensamento é que lá na frente todos vão estar juntos. O problema do Pitiman é que ele não tem histórico e densidade política. Ele chega no processo como uma pessoa habilidosa e bem articulada, que de repente queria se titularizar na disputa para a sucessão, mas sem ter aquilo que é mais importante em uma eleição, que é o voto.

Quem desse grupo tem mais condições de ser cabeça de chapa em 2014?

As nossas duas grandes lideranças são Roriz e Arruda. Se ele forem impossibilitados, haverá um entendimento entre os dois para que indiquem sucessores de seus espólios. Aí, pode ser que seja o Pitiman, a Eliana Pedrosa, eu, ou o Izalci, por exemplo. Mas tem que ser um nome abençoado por Roriz e Arruda. É legítimo pleitear qualquer coisa, mas é preciso ter humildade. Tive 511 mil votos em 2010 e, mesmo assim, não digo que sou candidato a governador acima de qualquer coisa.

O também senhor é pré-candidato ao governo?

Só seria candidato a governador se houvesse consenso e harmonia, ao contrário de alguns, que só porque são habilidosos e bons de conversa acham que vão levar todo mundo no bico. Eu falo o que eu acho que tem que ser falado. As pessoas precisam ter senso para não ficarem expostas a determinadas críticas. Temos que formar o time, mas só escalar em 2014. Alguns não entendem essa mensagem e se acham no direito de se arvorarem a candidato na sucessão. O Pitiman queimou a largada.

Nesta semana, o senhor almoçou com Jofran Frejat (PR) e Izalci (PSDB). Os três podem estar em uma chapa majoritária?

Podemos, claro. Nós reunimos em três nomes questões importantes como saúde, educação e segurança, que são pilares básicos para a sociedade brasiliense. Começaram os entendimentos, mas tivemos o cuidado e a cautela de não tomar nenhuma decisão definitiva, nem fazer nenhum anúncio antecipado. Vamos continuar conversando, é assim que tem que ser.

O senhor convidou o ex-governador Joaquim Roriz para ir para o DEM e o nome foi rejeitado pelo diretório nacional. O senhor não desconfiou que poderia haver rejeição? Foi um jogo de cena?

Foi um grande equivoco por parte do presidente nacional do DEM. Ele não conhece a realidade de Brasília, deu a sua posição, que não foi nem a do diretório. Houve votação, um placar de oito favoráveis e três contrário. Dois desses ele foi buscar pelo telefone. Eu e quem entende de política lamentamos essa posição, até mesmo porque o partido ganharia musculatura para disputar uma eleição majoritária no DF em 2014.

O episódio enfraqueceu o diretório regional do DEM e consequentemente o senhor?

Sim, enfraqueceu muito. O DEM só não morreu porque eu não saí, não abandonei o barco afundando. As pessoas têm que ter sensibilidade, entender que política se faz de acordo com a região. Não me conformei com a decisão do senador Agripino.

Acha que o DEM vai conseguir ganhar na Justiça o mandato de Paulo Roriz, suplente de Raad Massouh?

Com certeza. O mandato pertence ao DEM, esse assunto não tem discussão. Por politicagem e por conta de uma visão míope da mesa diretora, estão querendo tirar o nosso mandato no grito. O Paulo Roriz não é do DEM desde 2012, sendo assim não pode assumir mandato que pertence a partido. Quem deve assumir o mandato de distrital é Tatu do Bem.

Fonte: Eixo Capital