Gama Cidadão | O Seu Portal de Notícias e Cidadania

Ter01172017

Last updateSeg, 16 Jan 2017 5pm

Portuguese Arabic English French German Japanese Spanish

Região Metropolitana do DF

Região do Entorno

De problema a uma nova prioridade.

 

Considerada durante muito tempo apenas um problema, a Região Metropolitana passou a ser prioridade do governo de Goiás. Segundo o governador, Marconi Perillo, as cidades próximas ao Distrito Federal representam uma importante área de desenvolvimento e nos últimos anos têm recebido recursos para vários setores. 

 

Para virar esse jogo, Perillo tem usado como importante trunfo os investimentos federais e também a integração com o DF. “Temos boas parcerias com o Governo Federal e Ministério das Cidades, via PAC do saneamento. Trabalhamos em conjunto com os municípios na área de mobilidade  e de desenvolvimento urbano”. O governador afirma ter conseguido resultados importantes na redução da violência no Entorno, mas a proteção às fronteiras e a legislação são obstáculos nesse processo.

 

O que mudou no tratamento da Região Metropolitana, sempre vista como esquecida pelo Governo de Goiás, mas agora recebendo mais atenção?

 

A Região Metropolitana do DF é hoje, ao lado da Região Metropolitana de Goiânia, a mais importante para nosso estado. É uma região muito densamente povoada. Além da densidade, tem uma população muito expressiva. Nós calculamos que sejam 1,5 milhão os goianos e brasileiros que vivem ali. São goianos que colaboram muito com o desenvolvimento do Distrito Federal. Nós temos pelo menos 400 mil trabalhadores do DF que vivem em Goiás, prestam seu suor, trabalho, inteligência, em favor de todos que vivem em Brasília. A economia da Região Metropolitana é dinâmica, ativa e é uma área que, pelo fato de ter ficado esquecida por muitos governos anteriores, acabou se transformando em dependente de muitas melhorias de infraestrutura urbana. Outra razão, para mim, foi ter trabalhado com o então senador Henrique Santillo, que à época criou um programa chamado Geoeconômica de Brasília. Ele sempre foi um estudioso dos problemas da Região Metropolitana. Mas com o passar destes 15 anos, desde que assumi o governo pela primeira vez, a região melhorou muito. ...

 

Em que áreas?

 

Nós tínhamos duas ou três comarcas com juízes, apenas. Hoje, praticamente todas as cidades têm fóruns novos, juízes, sedes do Ministério Público e promotores designados para trabalhar na região. O poder público estadual também está presente com significativas obras na área de saneamento em todas as cidades e, em algumas localidades, temos parcerias com o governo do DF e a Caesb. Em muitas outras, temos boas parcerias com Governo Federal e Ministério das Cidades, via PAC do saneamento. Trabalhamos em conjunto com os municípios na área de mobilidade urbana e desenvolvimento urbano. Estamos construindo o sistema produtor Corumbá 4. Com ele, todo o Entorno Sul de Brasília será atendido por muito tempo com abastecimento de águas de qualidade. Aliás, não só o Entorno Sul, mas várias outras cidades de Brasília. Em Águas Lindas, nós também temos uma boa parceria com a Caesb. Nesse período de 15 anos, houve uma presença muito significativa do governo, embora reconheçamos que ainda é preciso investir muito mais em esgoto e saneamento básico e água tratada. 

 

As rodovias têm sido prioridade?

 

Sim, temos muitas obras de infraestrutura para cidades do Entorno. Por exemplo, a duplicação entre Novo Gama e Lago Azul já está pronta. Nós agora vamos fazer a iluminação do canteiro central. É uma obra muito cobrada ali. Estamos construindo a alternativa à BR 040, saindo da Cidade Osfaya até o Jardim ABC. Neste ano, vamos construir as rodovias de Novo Gama, Barragem do Corumbá 4, Jardim Ingá, todas em direção a Luziânia. Está sendo licitada a rodovia que liga Santo Antônio do Descoberto à Barraca da Serra. Estamos reconstruindo a Avenida Goiás e o trecho que liga Santo Antônio a Águas Lindas. Já estamos em obras na rodovia que liga Águas Lindas a Brazlândia. Reconstruímos a rodovia que liga a divisa do DF até São João da Aliança e vamos concluir o trecho até Alto Paraíso e Campos Belos, assim como o trecho que liga a BR 020 até Cabeceiras. Não há nenhuma cidade sem previsão de recursos vultosos do governo do estado, para recuperação de vias ou para pavimentação de bairros. 

 

Qual são as principais dificuldades de se trabalhar em conjunto com o governo do DF? É difícil organizar as iniciativas?

 

Eu não sinto isso, mas sempre procurei facilitar as coisas. Há uma necessidade muito grande, por força da lei e do Ministério Público, de criação dos consórcios para manejo dos resíduos sólidos. Ali na região do Entorno há uma grande necessidade de resolver o problema do lixo urbano. O governo do DF também precisa. Resolvemos criar um consórcio entre os governos de Goiás, do DF e as prefeituras de cidades mais próximas ao DF. Brasília tem características de cidade e de estado e tem que resolver o problema do lixo. Aí nos juntamos para dar uma solução. Outra questão em que eu procurei trabalhar conjuntamente com o GDF, e fui correspondido, é a mobilidade urbana. Estamos trabalhando juntos nos ministérios do Planejamento e Cidades, para viabilizar recursos do PAC, de mobilidade urbana das grandes cidades e estender o BRT para a direção de Valparaíso e Luziânia. Esse tem sido um trabalho constante. Já entramos com pedidos nesses dois ministérios e tivemos boas sinalizações por parte do coordenador nacional do PAC, da ministra Míriam Belchior e do ministro Aguinaldo Ribeiro. 

 

Tínhamos ali três problemas graves relacionados a hospitais. O hospital de Valparaíso tinha sido começado há muito tempo, deixei o meu governo e não foi concluído. Concluí rapidamente e ele está funcionando muito bem. Mas havia duas pendências históricas, os hospitais de Santo Antônio do Descoberto e Águas Lindas. Esses hospitais receberam dinheiro do Governo Federal, mas estavam sendo tocados pelas prefeituras, que alegavam muitas dificuldades. E nós começamos desde o início do ano passado um trabalho para dar solução a esses dois casos. Aí, tivemos muita sensibilidade e apoio por parte do Ministério da Saúde e dos prefeitos. Os hospitais foram repassados para o governo do estado e, com isso, estamos fazendo novas licitações. Com ajuda do Governo Federal, nós vamos concluir esses hospitais e equipá-los a partir desse ano e botar para funcionar. Vamos transformar tanto os hospitais de Águas Lindas como o de Santo Antônio em hospitais de urgência. Os hospitais sempre foram bastante criticados, por supostamente sobrecarregar a rede pública do DF. Como o governo de Goiás tem trabalhado para resolver esse problema?

 

Quais as iniciativas para a educação e segurança na região?

 

Também tivemos uma grande preocupação com a educação no Entorno, levando programas como Prêmio Aluno e Bolsa Futuro, que é o maior programa de qualificação profissional do País. Nós resolvemos repassar o dinheiro direto para os diretores de escola para reformas de todas as escolas de toda a Região Metropolitana de Brasília. Praticamente todas foram reformadas. Na área de segurança pública, estamos construindo quatro presídios novos no Entorno. Três com capacidade para 300 presos e um, em Planaltina, com menor capacidade. Aumentamos o banco de horas para ter mais policiamento. Sabemos que ali é uma região muito conflagrada. Determinei que se aumente agora todo o efetivo para as cidades do Entorno. Estamos recrutando novos policiais civis, militares e bombeiros, por concurso, além de delegados. E também através de um programa chamado serviço militar voluntário, trazendo reservistas das Forças Armadas, bem treinados, homens que passaram até seis anos em treinamento, e vamos colocá-los nas ruas. Ali em muitas cidades já há uma sensação de melhoria da segurança.

 

Com relação à participação do Legislativo, tanto no DF, como em Goiás, o senhor tem recebido apoio dos parlamentares para as políticas para a Região Metropolitana?

 

Eu tenho tido apoio muito significativo dos três senadores goianos, Lúcia Vânia (PSDB), Cyro Miranda (PSDB) e Wilder Morais (DEM). Recebi desse tempo todo o apoio de toda a bancada federal de Goiás. Ao longo desse tempo, sempre senti uma boa vontade muito grande dos deputados do DF em relação às cidades do Entorno, mas eu faria um destaque todo especial para o senador Gim Argello (PTB), que foi fundamental para a viabilização de pelo menos três operações de crédito, indispensáveis para o governo de Goiás, para a execução desses projetos de governo. Ele tem sido, na base do governo da presidente Dilma, o grande interlocutor, viabilizador, de todos esses projetos que estão sendo desenvolvidos na Região Metropolitana.

 

Sobre o seu futuro político, qual será a prioridade, seja reeleito?

 

Eu passei em 2012 por dificuldades políticas, que estão sendo superadas. Espero que elas possam ser totalmente superadas em 2014 porque nós temos um elenco de investimentos, de obras e de avanços sociais e econômicos muito grandes. Aí, em meados de 2014, vou tomar uma decisão em relação ao que vai acontecer em Goiás com a nossa base. Minha grande preocupação é o projeto atual, de realizar o melhor governo da história de Goiás, superando inclusive os meus dois outros governos.

 

O governo instituiu o programa Reconhecer, que premia os professores com poucas faltas. O senhor está satisfeito com os resultados? Esse é o caminho para o resto do País?

 

Eu não diria que só o programa Reconhecer possa resolver o problema da educação no País. Nós aqui fizemos uma grande reforma educacional nesses últimos três anos, implantando um programa chamado Pacto pela Educação. Ele é composto de 25 pilares, que passam pela valorização e reconhecimento dos professores, melhoria da rede física, mudança grande no programas pedagógicos, valorização do aluno.  

 

A violência sempre foi uma das questões críticas da Região Metropolitana. Os investimentos têm sido suficientes?

 

Temos problemas que fazem com que a violência aumente vertiginosamente no Brasil. Primeiro, só os governos estaduais são obrigados pela Constituição a investir em segurança. É preciso que a Constituição seja alterada e que todos, por forma vinculada, tenham a obrigação de investir um percentual de receita em segurança pública, porque é uma área que precisa de dinheiro, para a polícia e também para a inteligência. O mais complicado é o tráfico de drogas. Nós temos fronteiras muito grandes com Colômbia e Bolívia, infelizmente, mal guardadas. Isso resulta na facilidade para os narcotraficantes. Goiás está no centro, as pessoas chegam aqui facilmente. Apesar de eu ter investido desde 2011 na polícia de divisas, não é suficiente. Hoje, no estado e no País inteiro, 80% dos crimes são praticados em função das drogas, principalmente o crack. E o último motivo é a legislação processual penal, penal, que faz com que todo esforço da polícia seja quase em vão. Prende hoje e amanhã solta. A Justiça acaba soltando por força da legislação. É preciso endurecer a lei. Nunca se apreendeu tanta droga em Goiás como em 2013, nunca se prenderam tantas pessoas como agora. Mas em média, o traficante fica 40 dias na cadeia e sai para cometer crimes às vezes piores. 

 

Quais os principais resultados dos seus três mandatos?

 

No ano 2000, nosso PIB era composto quase que todo pelos serviços da atividade agropastoreira. Só tínhamos 5% de participação da indústria e agora, já são 36%. Há 15 anos, quando eu assumi, o PIB era de R$ 17,5 milhões. Hoje, chegamos a R$ 130 milhões. Nesse período, foram gerados aproximadamente 800 mil empregos. Temos hoje três montadoras de veículos, Hyundai, Mitsubishi e Suzuki e também uma montadora de tratores. Temos também um parque industrial muito diversificado, principalmente nas áreas de medicamentos e confecções. E há vocação turística muito forte, turismo de águas quentes e religioso.

 

Fonte: Daniel Cardozo - Jornal de Brasília - 14/01/2014

À queima-roupa: Jofran Frejat



O senhor foi cinco vezes deputado federal e disputou as eleições em 2010 como vice na chapa de Joaquim e Weslian Roriz. Até hoje ainda é citado como nome forte para a votação deste ano. Será candidato?
Eu sou citado em toda parte, mas ninguém vem me procurar. Por enquanto, estou quieto e a tendência é que eu não dispute coisa nenhuma. Não vejo nenhuma coalizão em torno do meu nome. O PR está trabalhando a candidatura do Arruda ao governo. Naturalmente, se o cabeça de chapa é de um partido, as outras vagas majoritárias ficarão com outros partidos. Sei que só vou ser escolhido se for por exclusão, se fulano ou beltrano for impedido de concorrer é que vão pensar em mim. Até agora, não sou a primeira escolha de ninguém.

Isso deixa o senhor magoado?
Não, mas vamos ver o que acontece. A partir de março, as coisas devem se definir. Não estou com muito apetite de concorrer, se me procuram eu converso, opino. Estou aposentado, em casa, a única coisa que faço por enquanto é encher a paciência da minha mulher. Vejo movimentações pelos jornais, mas ninguém me chama para reunião nenhuma. Às vezes, recebo um ou outro telefonema de gente querendo saber que cargo eu vou disputar. Fui deputado federal por cinco vezes e a verdade é que na última legislatura eu já estava completamente desestimulado.

O que o desestimulou?
Eu sou trabalhador, acordo cedo, corro atrás para resolver as coisas. Mas na Câmara, não conseguia produzir. As coisas não andam por lá. Só quando fui da Comissão de Seguridade Social é que me sentia produtivo. Apresentava projetos, trazia ideias, mas as coisas ficavam engavetadas, nada acontece ali dentro. Sou médico, sou prático, tenho esse espírito de cirurgião: se está sangrando, vamos correr para resolver, para estancar o sangue. Mas lá na Câmara fica todo mundo só naquelas briguinhas. Me cansei. No meu primeiro mandato, fui constituinte, participei daquele momento mágico. Mas depois de duas, três, quatro legislaturas, você se decepciona. Quando chegou a quinta, vi que era hora de descansar.

E se fosse algum cargo majoritário? O senhor disputaria?
Se fosse outro cargo, eu poderia pensar. Mas é preciso que haja uma união de forças. Ninguém é candidato de si mesmo. Na época das filiações partidárias, todo mundo me procurou. Minha campainha, que estava há anos sem tocar, até enguiçou de tanta gente que veio à minha casa. É verdade! Mas me procuravam para quê? Para eu ser candidato a deputado? Para isso eu nem precisava mudar de partido e fiquei no PR mesmo. Ninguém me queria como protagonista, só como coadjuvante. Mas coadjuvante eu já tenho sido há muito tempo.

Se for candidato, qual será o seu lema?
Tenho competência e correição de procedimentos. Já basta o que Brasília sofreu, as forças da cidade têm que se movimentar para escolher pessoas corretas e decentes. Precisamos tirar a nossa cidade dessa situação.

Da redação do Eixo Capital

Agnelo Queiroz faz avaliação dos seus três anos de governo

Em entrevista para a televisão, um dia desses, o repórter me perguntou:

- O senhor não acha que a licitação de novos ônibus está demorando?

Respondi o que realmente eu sentia, o que era uma verdade interior para mim:

- Está sim. Está demorando 50 anos.


Se fosse hoje, 29 de Dezembro de 2013, eu poderia responder: acabou a demora.

Não sei se você tomou conhecimento: meu governo tinha conseguido quebrar o monopólio das empresas de ônibus de Brasília. ...

Há décadas, um pequeno grupo de pessoas controlava o setor e prestava um serviço de má qualidade, com ônibus velhos e um atendimento, no mínimo, desrespeitoso aos passageiros.

Quebramos o monopólio, fizemos nova licitação, em junho de 2012, e iniciamos a substituição, por veículos novos, de todos os 2630 ônibus do Distrito Federal. Absolutamente todos.

Mas, por incrível que possa parecer, uma única empresa das que  perderam a concessão - um único empresário - estava conseguindo emperrar o processo de mudança radical que estamos fazendo no sistema de ônibus de Brasília.

A Viplan, do sr. Wagner Canhedo, vinha opondo, um atrás do outro, obstáculos para a efetiva concretização da concorrência.

O último deles foi a recusa em pagar a indenização trabalhista de seus funcionários, sob a alegação de falta de recursos.

Como seria desumano deixar milhares de pais e mães de família desamparados, determinei que o GDF assumisse o pagamento dos direitos dos empregados da Viplan. E, em seguida, cobrasse da empresa na Justiça.

Diante da ameaça de se prolongar o mau atendimento da Viplan aos que precisam de seus 940 ônibus – e da perpetuação do monopólio - não tive dúvidas: mandei fazer a intervenção e passar o controle da empresa para o governo.

Agora, o que temos que fazer é prestar o melhor serviço, com ônibus novos e um atendimento eficiente. É isso que vou cobrar diariamente.

Na mesma entrevista para a televisão, o repórter me perguntou por que estou sendo mal avaliado nas pesquisas. Eu respondi que não sei, é difícil compreender a razão porque o forte trabalho que estamos fazendo não está sendo reconhecido pelas pessoas.

Mas, na realidade, nosso trabalho não está sendo re-conhecido, porque ele não é conhecido.

É o que dizem as pesquisas: a maior parte da população não sabe o que estamos fazendo, não tem idéia da grande transformação, da profunda mudança que meu governo está realizando.

Só agora, estamos começando a mostrar essas mudanças e transformações, algumas delas, esperando 50 anos.

Atacamos com toda força a questão da mobilidade urbana. E demos prioridade para o transporte de massa.

O objetivo é tornar a circulação diária das pessoas, da casa para o trabalho, mais rápida, mais fácil, mais confortável.

E, com isso, desafogar as ruas e o trânsito para os carros de passeio.

A maior demonstração disso é o Expresso DF Sul.

São 43 quilômetros de pistas exclusivas para ônibus articulados, que vão fazer uma viagem do Gama e de Santa Maria ao Plano Piloto – que hoje gasta uma hora e vinte – demorar só 40 minutos.

O Expresso DF Sul já está com quase 80% concluído.

Por isso, já estamos tocando o Expresso DF Oeste, que sai de Ceilândia e Taguatinga e chegará em minutos ao terminal sul de Brasília.

E no primeiro semestre de 2014, vamos começar o Expresso DF Norte, que vai até Sobradinho e Planaltina.

O Asfalto Novo, que vai chegar a todas as cidades, a pista do aeroporto e outras grandes intervenções que estamos fazendo mostram um pouco de uma das faces do nosso governo, a de executor de grandes e importantes obras.

Nossa outra face é a social, que é pouco vista, mas é de uma importância enorme. Brasília deixou de ser a cidade mais desigual do País por conta da nossa política de combate a desigualdade.

O exemplo é a Fábrica Social.

Instalada na Estrutural, uma área de grande carência, num galpão enorme com máquinas e equipamentos, a Fábrica Social ensina uma profissão às pessoas  – a maioria mulher – que viviam da cata do lixo. Elas aprendem a confeccionar bandeiras, uniformes, bolas de futebol. E ganham por peça, por produtividade. Já tem mulheres ganhando até dois mil reais por mês.

Algumas delas se reuniram e vão devolver o Cartão do Bolsa- Família ao governo, porque, explicam, não precisam mais dele. E é comovente ouvir uma delas dizer: “o cartão que a gente devolve vai servir para outra pessoa que esteja precisando mais”.

Pode estar aí uma das portas de saída, que tanto reclamam para os programas sociais.

Já estamos construindo 53 creches e vamos chegar a 115, ano que vem.

Brasília tinha só três Centros Olímpicos. Nós fizemos mais oito.

Mesmo na saúde, que encontrei em estado deplorável, nós conseguimos avançar bem, embora infelizmente, ainda tenhamos sérios problemas.

A Saúde é um problema nacional e aqui, onde eu sonhava poder resolver tudo rapidamente, a questão é agravada com a vinda diária de ambulâncias do Entorno e de outros estados para nossos hospitais. Um exemplo, dobramos de 207 para 431 UTIs na rede pública, fizemos mais em 03 anos do que em 50 anos de vida da nossa cidade.

Instalamos quatro UPAS – Unidades de Pronto Atendimento – que funcionam como pronto-socorro, com vários tipos de atendimento de urgência. E em 2014, vamos entregar mais dez. Só esse ano, elas retiraram 120 mil pessoas das filas de atendimento dos hospitais.

Criamos as Carretas da Mulher, que levam as consultas e exames aonde as elas vivem. E atendem mulheres idosas que nunca viram um médico em toda a vida. Mais de cem mil atendimentos já foram realizados.

Nós ainda fizemos 9 Clínicas da Família, dobramos o número dos Agentes de Saúde e o Hospital da Criança que é uma referência nacional.  

Temos muito a mostrar, em todas as regiões e em todas as áreas.

A maior prova do quanto nós fizemos, está no orçamento, eficiência na execução e na aplicação em obras, prezando sempre a transparência e a qualidade de nossas ações.

A melhor marca do governo anterior foi em 2009, com a execução de 1 bilhão e meio de reais.

Em 2012, nós já conseguimos superar estes números. Executamos 1 bilhão e oitocentos milhões do orçamento.

Em 2013, batemos o recorde de todos os tempos no DF: executamos 2 bilhões e 300 milhões de reais.

E, para 2014, nós temos uma boa notícia capaz de garantir um ano feliz para o Distrito Federal e todos os que aqui vivem e trabalham: no ano que vem, vamos executar nada mais, nada menos, a quantia de quase 5 bilhões de reais em melhorias para nossa população.

 

Feliz Ano Novo para todos.

Que Deus nos abençoe!

 

Agnelo Queiroz

Governador do Distrito Federal

Fonte: Correio Braziliense - 31/12/2013

Ex-deputado ainda não sabe se disputará eleições

Em entrevista ao Jornal da Comunidade, Jofran Frejat (PR) afirmou não saber se será candidato nas eleições de 2014.

Jofran Frejat (PR)
Jofran Frejat (PR)

Sobre uma possível candidatura majoritária, ele disse que talvez seja escolhido pelo partido por exclusão, não por opção, já que o PR é o mesmo partido do ex-governador José Roberto Arruda, cotado para concorrer ao governo no ano que vem. Para Frejat, Dilma Rousseff e Agnelo Queiroz têm grandes chances de se reelegerem. ...

 

O senhor vai se candidatar nas próximas eleições?

Não tenho a menor ideia. A princípio eu não estou estimulado, não estou envolvido, não estou negociando nada. Já fui deputado cinco vezes e eu senti uma dificuldade grande, pois quando você está na Câmara você não consegue fazer, só consegue propor e nem tudo é aproveitado pelo governo. Já no Executivo eu consegui fazer um bom trabalho, reconhecido em todo o Brasil. Quando fui secretário de Saúde, construí postos de saúde, hospitais e a Faculdade de Medicina Pública do DF. Fizemos uma estrutura que serviu de base para a saúde pública do DF por anos. Há um reconhecimento de toda a população e até mesmo dos adversários de que fiz um belo trabalho. O que vale a pena nisso tudo é o reconhecimento da população. Não tem absolutamente nada fechado ainda, nem perspectiva de disputar a eleição. Ninguém é candidato de si mesmo, você é candidato de um grupo que decide que você vai se candidatar e que irá te ajudar.

 

O senhor já foi sondado para compor alguma chapa majoritária?

Ainda não. O partido já falou algumas vezes que quer lançar candidatos, mas eu também não me movimentei nesse sentido, nem estou pleiteando. Já me falaram que eu posso ser qualquer coisa, me candidatar a qualquer cargo. Eu acho que nós já tivemos tantas decepções que se as pessoas querem de fato uma coisa diferente, precisam se unir para fazer um movimento nesse sentido. Agora, se for para ficar nessas quezílias internas, vaidade pessoal ou interesses pessoais, eu estou fora. 

 

Como estão as movimentações dentro do PR?

Não tem absolutamente nada fechado ainda. O partido tem bons nomes. Eu acho que só serei candidato, pelo menos na área majoritária, por exclusão, não por opção. A escolha ocorreria por exclusão, da seguinte forma: fulano e sicrano não podem disputar por causa de problemas em determinadas áreas, beltrano também não, então eu vou ficando e acabo sendo escolhido por exclusão. É isso que está acontecendo e fora disso, eu não vejo caminho. As pessoas não estão optando pelo seu trabalho e pelas suas realizações. Eu também não vou atrás, pois não tenho barganha a fazer. Quem me quiser é como eu sou.

 

Quais os possíveis partidos que devem se unir ao PR?

O PR está ligado ao pessoal do Arruda, e naturalmente, o pessoal dele tem os seus objetivos. Eu não estou participando dessas negociações, então não sei muitos detalhes. 

 

O que o senhor espera das próximas eleições?

O atual governador será um candidato forte. Qualquer um que queira disputar com ele terá dificuldades a enfrentar, essa é minha impressão pessoal. O que eu realmente espero é que Brasília faça uma boa escolha. O que me incomoda aqui é que parece que as pessoas não estão interessadas na cidade que nos adotou e que nós adotamos. Amamos essa cidade, tivemos toda a oportunidade do mundo aqui e Brasília nos deu tudo. Temos que ter, no mínimo, a responsabilidade de fazer algo para que a cidade seja cada vez melhor. Eu não perdi a esperança em ver Brasília melhor, eu torço para que dê certo, seja quem for que esteja no governo.

 

Qual a sua expectativa pessoal para as eleições de 2014?

Minha expectativa para as próximas eleições é de absoluta incerteza. Eu só disputarei se for realmente uma coalizão com o objetivo de mudar o destino de Brasília, se não for, eu não vou. Já fui deputado cinco vezes, secretário de Saúde quatro. Não vou disputar pela vaidade.

 

Arruda pode ser o candidato do PR para disputar o Buriti?

O Arruda tem sim o objetivo de ser candidato. Caberá à população decidir se o quer de volta no governo. Apesar dos problemas que ele teve com a Justiça, acredito que a população é o juiz de tudo e decidirá o que quer para Brasília.

 

Como o senhor avalia o governo Agnelo?

Eu não vou julgar ninguém. O que posso dizer é que ele está trabalhando, não sei se conseguiu atingir os seus objetivos, mas está trabalhando. Pela experiência que tenho, posso dizer com certeza absoluta que não é fácil governar. Fui secretário de Saúde, e é lógico que é a área que tem mais carência de serviços. Não dá para melhorar a saúde em dois ou três meses, leva-se anos para isso. Quando eu fui secretário, a saúde já era uma área complicada e com muita demanda. Agora então, que se passaram anos e a população aumentou, a tendência é só aumentar a procura pelos serviços. Sem contar também que quando a saúde melhora, a demanda por atendimento também aumenta, pois os outros estados enviam seus pacientes para serem atendidos no local onde está melhor. Não é interessante para o prefeito de uma cidade do interior, por exemplo, gastar a verba destinada à saúde com equipes médicas, pois isso dá trabalho. É mais interessante comprar ambulâncias e quando o cidadão estiver passando mal ele enviar para Brasília alegando que vai mandá-lo para um dos melhores hospitais do país, assim já garante um voto no futuro. Então, é uma situação complicada.

 

O senhor acredita na reeleição do governador Agnelo?

Agnelo é um forte candidato, posso dizer que até agora, é o mais forte. É possível sim, que ele consiga a reeleição. Mas tudo depende também se ele vai conseguir mostrar seu trabalho para a população. O povo quer serviço público de qualidade, principalmente nas áreas de saúde, segurança, transporte e moradia. A população observa as coisas, vai deixando passar e sempre dá o troco nas urnas.

 

Como o senhor avalia os pré-candidatos ao governo?

Até agora, quem realmente é candidato definido é o governador Agnelo. Há muitos nomes fortes aí, que se lançaram. Tem o deputado federal Reguffe, que é um candidato forte e com uma bela história, mas tem um grande problema: quer fazer uma eleição sem financiamento financeiro. Não tem como concorrer uma eleição sem gastar dinheiro, para se deslocar você precisa gastar, tudo que você for fazer em uma campanha política gasta. Então, é muito difícil fazer uma campanha sem dinheiro para financiá-la. Claro que o dinheiro não é tudo. Já vi muitos candidatos perderem eleições mesmo fazendo uma campanha com muitos recursos. O senador Rollemberg é um bom nome, tem experiência na área administrativa do governo, mas pode enfrentar um impasse, já que parece que o Eduardo Campos andou se reunindo com o presidente do PPS e parece que pode apoiar a candidatura de Eliana Pedrosa para disputar o governo. O que eu posso dizer é que as vaidades são muitas e somente em março ou abril é que as coisas vão se definir. Mas, sem dúvidas, é preciso se unir para se tornar forte.

 

Como o senhor vê o cenário presidencial?

A Dilma é, sem dúvida, uma fortíssima candidata. Mas o Aécio Neves também tem uma excelente história política, fez muito por Minas Gerais, tanto é que conseguiu até eleger seu sucessor, também foi um bom presidente da Câmara. Além disso, temos o Eduardo Campos, que está fazendo muita coisa boa em Pernambuco. São fortes candidatos concorrendo à presidência da República.

 

O senhor acredita na reeleição de Dilma Rousseff?

Acho ela uma candidata muito forte. Além de ter uma grande popularidade pessoal, a Dilma ainda tem o apoio de Lula, que foi praticamente endeusado em algumas regiões do Brasil. Entretanto, se houver um segundo turno a coisa complica, pois Eduardo Campos e Aécio Neves se unem e têm grande chance de derrotá-la. No geral, a Dilma tem sido uma boa presidente, ampliou alguns projetos sociais, tem investido em áreas que antes eram deixadas de lado, mas pecou na economia brasileira, que não está nada bem. Geralmente a economia é um dos principais fatores que define uma vitória. O Lula só conseguiu se reeleger porque a economia estava bem. Então, se a Dilma conseguir melhorar isso em seu governo, tem grandes chances de ganhar as eleições.

Fonte: Jornal da Comunidade - 28/12/2013

Entrevista com o Senador Rodrigo Rollemberg

img

O Senador Rodrigo Rollemberg concedeu esta entrevista ao Blog do Cafezinho mostrando que não tem papas na língua.

O senador fala do rompimento com o governo do PT-DF, o caos no transporte público, eleições e possíveis alianças. Leia abaixo.

1.Quais as principais dificuldades que o senhor encontrou ao assumir o mandato como senador?

Rodrigo Rollemberg – O Senado é uma Casa de pessoas muito experientes, como ex-ministros de Estado, ex-governadores, ex-presidentes da República. Então, procurei primeiramente conhecer a Casa. Só fiz meu primeiro pronunciamento 60 dias após minha posse. Mas depois disso encontrei um ambiente de muito diálogo, muito entendimento, muito aprendizado. Creio que, ao final do meu terceiro ano como senador, posso afirmar com humildade que estou fazendo um bom mandato em defesa da população do Distrito Federal. ...

2.Como um senador pode exercer seu mandato e, ao mesmo tempo, ter uma atuação próxima da população?
Rodrigo Rollemberg –
Entendo que um bom exercício do mandato exige necessariamente estar próximo da sociedade. É a sociedade que nos oxigena, que nos reanima, que nos atualiza em relação aos seus problemas, seus desejos e suas aspirações. Tenho orgulho de dizer que depois de exercer duas vezes o mandato de deputado distrital, de ter sido secretário de Turismo, de ter sido secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, de ter sido deputado federal e ter assumido no Senado, continuo mantendo os mesmos hábitos que sempre mantive. Frequento os mesmos lugares e com isso estou sempre me atualizando em relação aos desejos da população do DF.

3.Brasília tem sofrido com vários problemas, principalmente das áreas de Saúde, Educação, Segurança e Transporte. Como o senhor, juntamente com seus pares no Senado, pode ajudar a população?
Rodrigo Rollemberg –
Temos procurado ajudar. Além dos recursos destinados ao DF anualmente, apresentei vários projetos de interesse de nossa população. Na área de segurança pública, ainda quando era deputado federal, tive uma participação importante na aprovação do Plano de Cargos e Salários da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do DF. Aprovamos esta semana no Senado o Plano Nacional de Educação. Apresentei emenda ao projeto para garantir a continuidade do funcionamento dos Centros de Ensino Especial e das Apaes para receber os alunos com deficiência. Graças ao nosso trabalho no Congresso Nacional, conseguimos aumentar em R$ 500 milhões os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para 2013. Também destinamos grande parte das emendas da Bancada do DF para a saúde. E buscamos fiscalizar a boa aplicação dos recursos públicos. São alguns exemplos que demonstram que estamos atentos aos anseios da população, especialmente nessas áreas, que são fundamentais.

4.Seu partido abandonou a base de apoio ao Governo Agnelo. Há possibilidade de o PSB lançar candidato ao governo do DF em 2014?
Rodrigo Rollemberg –
O PSB terá candidato ao Governo do DF em 2014. Essa é uma decisão já tomada pelo PSB no âmbito do DF e no âmbito nacional. Estamos nos preparando para isso. Desde o início do ano, temos 12 núcleos temáticos funcionando e procurando conhecer com profundidade os problemas do Distrito Federal, e construindo alternativas de políticas públicas que possam melhorar a qualidade de vida de nossa população. Além disso, já realizamos três seminários “DF em Debate”, reunindo conjuntos de cidades do DF, para discutir programas de governo com os moradores. Por fim, enviamos um grupo de quatro pessoas para conhecer o modelo de gestão do Governo de Pernambuco, um dos melhores avaliados do País, que voltaram impressionados com a gestão de Eduardo Campos.

5.Por quais motivos o PSB saiu da base do Governo Agnelo?
Rodrigo Rollemberg –
Pela prioridade de alianças com grupos responsáveis pelo atraso no Distrito Federal, a péssima qualidade administrativa e política, o que está expresso no baixíssimo nível de aprovação do Governo Agnelo. Discordamos da forma e do conteúdo deste governo. Não nos sentimos representados pelo Governo Agnelo.

6. Caso o senhor seja escolhido como o nome de consenso como candidato ao governo, aceitaria fazer aliança com partidos de esquerda e de direita, formando uma grande frente pluripartidária?
Rodrigo Rollemberg –
Nós queremos construir uma aliança no Distrito Federal em torno de um programa. Uma aliança que reúna as pessoas de bem. Estamos focados e confiantes de que conseguiremos construir esta aliança, com um conjunto de partidos, com o protagonismo exercido por pessoas reconhecidamente de bem.

7. O transporte público da cidade está um verdadeiro caos. Na sua opinião, quem é ou quem são os culpados pelo problema?
Rodrigo Rollemberg –
Os responsáveis são muitos. O problema do transporte público se agravou em função da omissão de diversos governos e da irresponsabilidade de empresários que atuam há anos em nossa cidade sem que o governo exerça seu papel fiscalizador. As mudanças que estão sendo feitas atualmente pelo GDF são pontuais, se limitam à troca dos ônibus e não tratam da questão estrutural. A solução para o transporte do Distrito Federal está nos trilhos, na implementação de veículos leves sobre trilhos nas diversas regiões do DF. Entretanto, o governo continua investindo numa velha solução, que são os ônibus convencionais.

8.O senhor é autor do substitutivo que cria a Lei Geral dos Concursos Públicos. O texto já foi aprovado pelo Senado e agora será analisado pela Câmara dos Deputados. Qual a importância desta lei?
Rodrigo Rollemberg –
Esta lei define regras claras e transparentes para a realização de concursos públicos, com o objetivo de dar mais tranquilidade e segurança jurídica para milhões de concursandos em todo o Brasil, que investem tempo, dinheiro e suas esperanças para ingressar no serviço público.

9.O senhor foi um dos grandes defensores do voto aberto no Congresso Nacional. A proposta aprovada não determina o voto aberto em todas as votações, mas nos casos de cassação de parlamentar e de veto. Mesmo assim, foi uma vitória?
Rodrigo Rollemberg –
Tivemos um avanço ao implementar o voto aberto nesses dois casos. Entendo que a população quer transparência. As pessoas querem e têm o direito de saber como votam seus representantes no Congresso Nacional. Por isso, defendi e defendo o voto aberto em todas as modalidades de votação.

10. Recentemente, dois administradores regionais do DF foram presos. Os episódios trazem à tona a discussão sobre a escolha dos administradores. Recentemente, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a sua Proposta de Emenda à Constituição que implementa as eleições diretas para administradores regionais, ideia que o senhor defende há muitos anos. Por quê?
Rodrigo Rollemberg –
Está claro que o modelo adotado pelo GDF para a escolha dos administradores regionais está equivocado. Os administradores servem mais aos deputados distritais que os indicam do que ao conjunto da população. Muitos dos administradores sequer moram nas cidades que administram. Defendemos eleições diretas para a escolha dos administradores regionais. E também a criação de uma carreira para as administrações, com servidores selecionados por concurso público, pessoas qualificadas que possam atuar com agilidade e com critérios técnicos para atender bem aos moradores das cidades, sem privilegiar nenhum grupo político. Acredito que as eleições diretas para os administradores são uma forma de aprofundar a democracia no DF. É inadmissível que, em pleno século 21, os administradores regionais sejam indicados pelos deputados.

11. Além desses projetos, o senhor foi em 2013 o líder do PSB no Senado. Qual o balanço o senhor faz dessa liderança?
Rodrigo Rollemberg –
Entendo que o PSB foi o partido que mais cresceu do ponto de vista qualitativo em 2013. Fomos o único partido que votou unido pela renovação na presidência do Senado, apoiando o senador Pedro Taques (PDT). Depois tivemos um protagonismo com o ingresso de um mandado de segurança no STF contra um projeto de lei casuístico que visava impedir a criação da Rede Sustentabilidade. Isso acabou contribuindo para que a ex-senadora Marina Silva ingressasse no PSB, o que ocorreu em outubro e foi o grande fato político do ano. E nesta semana, tivemos a filiação da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon. Tivemos também uma atuação expressiva na aprovação do voto aberto. Dos partidos que ainda não estavam decididos, o PPS já se decidiu nacionalmente pelo apoio ao PSB. No início do ano, havia muitas dúvidas sobre a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República. Terminamos 2013 com a certeza de que o PSB cresceu qualitativamente e de que Eduardo Campos é um candidato extremamente qualificado e competitivo.

Fonte: Blog do Cafezinho - 25/12/2013

A responsabilidade de tirar Brasília do “coma induzido”

Foto: Gabriel Jabur


Em entrevista exclusiva ao blog, a deputada distrital Liliane Roriz (PRTB) comenta sobre sua atuação na Câmara Legislativa, desabafa sobre questões polêmicas, coloca-se a favor da unidade dentro da oposição ao fazer duras críticas ao governo do DF: e justifica: “Quem é filha de quem eu sou tem o dobro de responsabilidade”, resume. ...

Blog do Sombra:  Praticamente na reta final do seu mandato, o que mudou desde que a senhora tomou posse como deputada distrital até os dias de hoje?
Liliane Roriz:
Mudou muita coisa. Entrei na Câmara sem saber direito o que encontraria pela frente. Sabia que muitos colegas mantinham um pré-conceito contra mim, por eu ser filha de Joaquim Roriz. Eu era também uma das únicas, se não a única, opositora declarada ao governo. Veja só: eu já era novata, mulher, relativamente nova e só por isso tinha receio da forma com que os petistas me tratariam. Morria de medo do deputado Chico Vigilante, pela imagem que ele sempre passou. Hoje eu dou boas risadas disso tudo, mesmo porque mantenho uma ótima relação com todos os deputados, até mesmo com os petistas. O deputado Chico Vigilante sempre me respeitou e construímos uma boa relação de consideração entre nós. Aprendi a separar bem as coisas.

Blog do Sombra: Muitos comentam sobre sua postura independente com relação ao seu pai. Isso ajuda ou dificulta o seu trabalho?
Liliane Roriz:
Vivi e convivi com a política desde que nasci, graças ao meu pai. Acho que foi dele que puxei essa vontade de querer trabalhar pelas cidades e ajudar a quem mais precisa. Como eram muitos candidatos proporcionais e fiz uma campanha simples, assim que fui eleita ele me chamou e me disse que agora eu tinha que arregaçar as mangas e mostrar quem era a Liliane, e não a filha do Roriz. No início, não entendi. Mas hoje vejo como essa atitude me ajudou para que eu focasse no que eu realmente acredito. Mas é claro que com o privilégio de ter o pai que eu tenho, vira e mexe eu tento consulta-lo sobre algumas questões. Ele sempre reluta e se faz de difícil, mas no fim das contas acaba me aconselhando.

Blog do Sombra: A senhora está satisfeita com a Câmara Legislativa e com sua atuação parlamentar?
Liliane Roriz:
Sou empresária e por isso tenho a chata mania de cobrar muito de mim e de quem está comigo. Nunca estou satisfeita. Se está bom, podemos melhorar. Às vezes isso incomoda, mas não ligo. Sei que é para o melhor resultado do trabalho. Hoje ouço coisas que não consigo acreditar se fosse tempos atrás. Dizem que eu estou sendo uma boa surpresa na Câmara Distrital. Isso me deixa muito feliz, mas não me envaidece. Costumo sempre dizer que quem é filha de quem eu sou tem o dobro de responsabilidade. E levo esse lema a ferro e fogo para o meu mandato. Sei que não posso e não tenho o direito de fazer feio. Minha filha, que deveria reclamar, e as pessoas mais próximas, me apoiam muito. Quando você está em paz em casa, fica com a cabeça livre para focar no trabalho. 

Blog do Sombra: Qual é a maior vitória e a maior derrota de seu mandato?
Liliane Roriz:
Tivemos grandes vitórias, como a lei que fiz para conceder o desconto do IPTU, a lei também de minha autoria que manteve a homenagem a Mané Garrincha no estádio... Recentemente, foi a lei que aprovamos e que já está em vigor que escancara a caixa preta da saúde pública e obriga o governo a divulgar na internet tudo sobre a rede, como remédios em estoque, a fila das cirurgias, os médicos de plantão por especialidade em cada unidade, enfim... A maior derrota, sem dúvida, foi a aprovação da transferência do museu da república para a área federal. Acho que nossos artistas, nossa cultura e nossa cidade perderão muito com essa mudança.

Blog do Sombra: O atual governo possui uma das maiores bases de sustentação da história do DF. Para a democracia, isso é saudável?
Liliane Roriz:
Olha, democracia é o poder do povo. Se o povo quis eleger um governo do PT e deputados que mantém afinidade com essa proposta, temos que respeitar. O que não acho correto é que, mesmo com a população reclamando, criticando e as pesquisas apontando o Agnelo como o segundo pior governador do país, a base permaneça intacta. A deputada Eliana Pedrosa declarou publicamente que votou no Agnelo, mas depois viu que tinha algo de errado com essa gestão e pulou fora. De lá pra cá, até que partidos desacreditaram nesse governo, quando achávamos que mais gente sairia da base, mas na prática tudo ficou como era. Em vez de deixar a base, os deputados deixavam os partidos. Isso sim eu acho lamentável, porque um deputado tem que dar voz à vontade da população e não garantir palanque para governantes. Agradeço a cada dia por ser uma das únicas opositoras do governo Agnelo e de não fazer isso da boca pra fora, mas por acreditar. Tenho muito orgulho de não fazer parte desta base e de não ter amarras com esta gestão.

Blog do Sombra: Por falar nisso, a senhora foi a deputada distrital que mais se destacou na luta contra a aprovação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) na CLDF. Por que resolveu comprar essas brigas?
Liliane Roriz:
Sou nascida em Luziânia, que faz parte da região metropolitana do DF, mas mudei para Brasília com apenas um ano de vida e escrevi toda a minha história aqui, brincando nas superquadras, no Parque da Cidade... Não sou uma forasteira. Quando comecei a ouvir rumores sobre o PPCUB e a LUOS, fiquei revoltada. Lembra-se daquele papo de construir a 901 Norte e encher de prédios uma área que hoje é limpa e ampla? Pois é, desde lá eu já comprei essa briga na Câmara. Achava aquilo um absurdo, um desrespeito ao plano de Lúcio Costa. Achava que minhas críticas tivessem surtido efeito, porque o governo recuou. Depois de um tempo, vi que a intenção do governo era ainda pior: o GDF incluiu outras propostas absurdas nesse PPCUB. Imagina só um Eixo Monumental todo loteado, cheio de construções? E a margem do lago toda cheia de hotéis? O Setor Hospitalar, que já não tem onde parar o carro, com prédios mais altos e mais salas comerciais... Ele queria vender a cidade a troco do caos. Por isso eu digo, não é que eu tenha comprado a briga: é o GDF que mais uma vez trabalha sem ouvir a população. Eu só aproveitei o meu mandato para dar voz ao coro que estava nas ruas e reclamava assim como eu dessas propostas absurdas. Isso não é mérito da deputada Liliane, é mérito de quem arregaçou as mangas e lutou contra o PPCUB. Graças a tanta gente, onde incluo estudiosos, especialistas, lideranças, anônimos, muitas pessoas que até tinham receio de se aproximar de mim, a revolta gerou um movimento que assustou o governo e os deputados. Vencemos a batalha por enquanto, mas só podemos sossegar quando esses dois projetos forem retirados de vez da pauta.

Blog do Sombra: A senhora será candidata a quê?
Liliane Roriz:
Eu quero ser candidata à reeleição como distrital. Mas sei que a minha vontade é o que menos vale nesse jogo político. Faço parte de um grupo político que quer o melhor para o DF. Precisamos livrar Brasília desse caos. Por isso, desde o início, tenho procurado me preparar para qualquer cenário que venha a surgir. Temos conversado com várias lideranças e acredito que só venceremos se estivermos todos juntos. Eu estou disposta a isso. Quero me colocar de forma com que eu seja útil. Mas a possibilidade de continuar trabalhando por nossas cidades, aqui na Câmara Distrital, é o que mais me atrai.

Blog do Sombra: Sua irmã Jaqueline Roriz e seu cunhado Manoel Neto acabaram de ser condenados em primeira instância no escândalo que ficou conhecido como a Caixa de Pandora. Isso pode atrapalhar o seu projeto?
Liliane Roriz:
Desde que minha irmã passou por essa situação, foi um sofrimento grande lá em casa. Quando eu passava na rua e alguém me hostilizava por me confundir com a Jaqueline, eu imaginava o tanto que deveria estar sendo difícil para ela. Vi pessoas que eram grudadas com ela simplesmente desaparecerem, falarem mal, virarem as costas, isso sem nem ter dado tempo de ela se defender na Justiça. Isso dói muito. Mesmo assim, desde o início, como deputada, decidi subir na tribuna e exigir publicamente explicações dela. Esse era o meu dever como parlamentar, e ela entendeu. Acredito que quando decidimos ingressar na vida pública, decidimos também que nossas vidas seriam públicas e teríamos que passar pelo crivo da opinião pública. E isso implica em tudo e, por mais difícil que seja, tem que se cumprir. Mas, como irmã, que tem sido um grande sofrimento, isso eu não vou negar. 

Blog do Sombra: Nessa mesma linha, depois que deixou o PSD, a senhora retornou ao seu partido de origem, o PRTB, que hoje é comandado no DF por uma figura conhecida no Brasil, que é o ex-senador Luiz Estevão. A senhora não teme ter a imagem vinculada a do primeiro senador cassado da história do Brasil?
Liliane Roriz:
Poucos como Luiz Estevão estiveram sempre ao lado de minha família, não só na vitória, mas principalmente nas turbulências, que é quando todos somem. Na hora do poder, é fácil ter amigos. Esse tipo de postura de lealdade a gente não esquece nunca. Além do que, quem o conhece sabe como o Luiz pode contribuir para a cidade. Se ele deve algo para a Justiça, está pagando de acordo com que os magistrados determinaram. Eu sei separar as coisas e os problemas jurídicos dele independem da grande capacidade de atuação política. Só para você ter ideia, mesmo após 20 anos fora da Câmara Legislativa, quando ele foi eleito o distrital mais votado da história do DF, Luiz ainda é lembrado como o opositor mais combativo do antigo governo do PT, que acabou sendo derrotado na tentativa de reeleição. Podem falar o que for, mas isso ninguém tira dele.

Blog do Sombra: A atuação do STF com relação ao Mensalão repercutiu de maneira muito emblemática na sociedade. A senhora acredita que isso pode resultar nas urnas em 2014?
Liliane Roriz:
O processo do Mensalão serviu para mostrar que o PT não é esse reduto de santos, como eles vendiam. Tinham um sucessor preparado para substituir o Lula, que era o José Dirceu, que está preso hoje acusado de chefiar uma quadrilha. Não posso e não vou tripudiar, porque sei bem como é complicado você colocar tudo num mesmo caldeirão. Mas também não dá para dizer que no PT só tem santo, o que não é verdade. Conheço muitos petistas que merecem respeito, outros nem tanto. É assim em todo lugar. Com a esperada aprovação da reforma política, acredito que o processo eleitoral vai sofrer mudanças radicais, que vai, se não acabar, intimidar a força do poder econômico, como foi no caso do mensalão. Espero que nas próximas eleições as pessoas concentrem-se em propostas, no trabalho de cada um. Se for assim, pela nossa experiência aqui no DF, o PT sairá derrotado, já que temos a certeza de como é péssima a gestão petista. O PT sabe ser oposição, mas não se dá bem como gestor. Esse sentimento está refletido nas pesquisas de opinião, onde Agnelo aparece na lanterninha em quase todos os cenários, além da grande rejeição que possui.  Espero que a oposição esteja unida e essa revolta da população contra o atual governo tire nossa cidade desse coma induzido que ela está.

Fonte: Edson Sombra / Redação - 17/12/2013
Portal Gama Cidadão