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“Uma nota veiculada no Correio Braziliense que os atuais distritais que foram eleitos só representam 20% da população. Isso mostra que nosso modelo político não está sendo capaz de captar o anseio da população” (Wasny de Roure)

Nas rodas políticas o deputado distrital Wasny de Roure(PT) era um dos menos cotados para ser reeleito. Ele mesmo chegou a declarar a amigos próximos que não mais disputaria e que iria se dedicar à um novo livro, uma releitura das “Escrituras”.

Mas, como um trabalho considerado irretocável para muitos à frente da CLDF e, mais ainda, como um fiel “soldado” que sempre foi do PT, ele decidiu tentar mais uma eleição, e como voto se ganha é nas urnas, Wasny quebrou a maldição da cadeira de presidente da CLDF e conseguiu se reeleger com 19.318 votos.

Uma ótima margem de votos para quem teve poucos recursos e enfrentou a rejeição de um partido com um governador que não foi sequer ao segundo turno. O parlamentar está em seu quarto mandato. Para o distrital, o PT-DF precisa voltar às suas origens e avalia que o governador Agnelo Queiroz fortaleceu instituições que padecia de credibilidade.

O presidente da CLDF recebeu este blogueiro e fez uma rápida, mas perfeita e honesta radiografia do governo Agnelo e das eleições deste ano. Ele justificou o desempenho de Agnelo com a seguinte frase, rara para alguém em sua posição política: “Demos espaço para quem não tinha compromisso conosco e com o nosso plano de governo. Algumas forças políticas, não tinham real interesse de estar com ele (Agnelo)”.

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Abaixo a entrevista na integra:

Rádio Corredor - Qual a sua análise da atual situação política que o país atravessa?

Wasny de Roure - Essa campanha mostrou a insatisfação população com o sistema político, com os políticos e a política. Querem novos patamares de conquista. O Brasil não é mais o mesmo. Democracia robusta, respeita valores e segurança jurídica.

RC - Qual a sua avaliação das eleições no DF?

WR- A insatisfação com a classe política é geral. Uma nota veiculada no Correio Braziliense que os atuais distritais que foram eleitos só representam 20% da população. Isso mostra que nosso modelo político não está sendo capaz de captar o anseio da população.

RC - E a insatisfação com o PT-DF?

WR- A exposição que o PT foi submetido com certeza teve elementos verdadeiros. Mas eu creio que alguns acontecimentos foram turbinados por mídia. Esses fatores geraram um desgaste muito grande para todos nós.

RC - Em que o PT-DF errou?
 

WR - Nesse caso, não se trata de errar ou acertar. O PT-DF se preocupou mais com a gestão governamental do que com os anseios da população. As bases ficaram enfraquecidas e a capacidade de captar e recepcionar os anseios da população ficou comprometida. Esse movimento não se concatenou. Essa foi uma das principais falhas.

RC - Qual o balanço que o senhor faz da gestão do governador Agnelo Queiroz?

WR - Agnelo herdou uma situação totalmente desfavorável, enfrentou esse cenário e construiu uma Secretaria de Transparência. Ele fez um trabalho de transformar a Polícia Civil em uma instituição republicana, não política. O atual diretor da PCDF organizou as coisas. E mais: Agnelo fez um trabalho muito importante na CAESB, CEB e outras instituições que estavam desacreditadas.

RC - O senhor não acha muito pouco?

WR - Agnelo fez um bom governo. Principalmente em matéria de realizações e políticas públicas. Eu creio que o maior erro que nós cometemos foi não valorizar quem realmente representava os nossos anseios. Demos espaço para quem não tinha compromisso conosco e com o nosso plano de governo. Algumas forças políticas, não tinham real interesse de estar com ele (Agnelo).

RC - Por que Agnelo não foi ao segundo turno?

WR - Faltou ao governador uma melhor articulação política. Essa função caberia ao secretário de Governo. O governo não teve. O Paulo Tadeu (conselheiro do Tribunal de Contas do DF) ainda tentou fazer. Mas depois de sua saída essa função não existiu. O nosso leque político não teve robustez de encarar uma campanha política. Foi isso.

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RC - E o futuro do seu partido?

WR - Não fomos mal nas eleições proporcionais. Elegemos quatro deputados distritais. Os parlamentares eleitos foram bem votados. O ponto negativo é a votação do companheiro Chico Leite poderia ter sido melhor caso, a saúde dele não tivesse ficado debilitada nas últimas três semanas.

RC - O senhor quebrou a maldição da cadeira de presidente da CLDF e foi reeleito. Como o senhor conseguiu essa façanha?

WR - Sempre trabalhei bastante e a população reconheceu isso. Eu fiz uma campanha com poucos recursos. Enquanto a esse assunto da maldição entrego na mão de Deus.

Por Odir Ribeiro

Fotos Hernanny Queiroz

Fonte: Blog Rádio Corredor - 15/10/2014 19:59

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Fábio, marido de Marina, sobre escândalo Usimar : ‘Pago caro por um erro que não cometi’.

O técnico agrícola Fábio Vaz de Lima é o discreto marido de Marina Silva, a ex-senadora do Acre que o PSB vai anunciar oficialmente nesta quarta-feira (20) na cabeça de chapa como candidata à Presidência da República no lugar de seu antecessor, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na quarta da semana passada após a queda de seu avião em Santos, no litoral paulista...

Fábio Vaz, como é mais conhecido, nasceu em Santos e passou 13 anos e oito meses de seus 49 anos como assessor e secretário de governadores do PT no Acre, onde o partido comanda o Estado há 16 anos. Seu último cargo, do qual pediu para ser afastado nesta semana, era o de Secretário Adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis.

Leia mais:

AC: marido de Marina Silva pede exoneração do governo do PT

Quando Marina se desfiliou do PT, em 2009, e ingressou no PV, o marido dela também se desligou do PT, mas não aderiu ao PV. Mais recentemente, por não ter conseguido registro do Rede, Marina ingressou no PSB e ele continuou sem filiação partidária, tendo sido muito criticado por petistas por não ter deixado o governo do PT no Acre.

Sempre que Marina Silva ganha maior visibilidade na política, Fábio Vaz sofre as consequências. Em maio de 2001, o então relator do projeto do Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo o acusou de  “fraudador de contrabando de madeira”.

- Esse episódio é muito triste, pois foi uma acusação, uma desonestidade intelectual de uma pessoa com uma historia em defesa da democracia. A democracia não se faz com mentiras e atos torpes como ele fez. Ele me usou, que sou desconhecido, para atacar Marina. Na época falei que não ia agir com o fígado e assim fiz. Junto com Marina, pedimos investigação por parte do Ministério Público Federal para verificar a veracidade da denúncia do deputado. Depois de meses, recebi a posição do MPF (veja) de que nada foi constatado capaz de haver ligação de meu nome com a acusação feita por Aldo Rebelo – afirma.

O nome de Fábio Vaz consta no processo do “caso Usimar”, que envolve 40 pessoas em suposto desvio de R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís, no Maranhão, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Também aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge  Murad.

- Infelizmente colocaram meu nome de maneira indevida, pois naquela reunião do Conselho Deliberativo da Sudam eu participava apenas como ouvinte. Não votei, pois não era titular e nem suplente do Conselho Deliberativo. Estou pagando caro por um erro que não cometi.

Tímido e discreto, Fábio Vaz aceitou pela primeira conceder uma entrevista para falar  da trajetória dele de São Paulo ao Acre, da família, de política, das acusações e das críticas recorrentes pelo fato de ser casado com a presidenciável. Quem é Marina Silva?

- Não é fácil responder em poucas palavras. Marina é a pessoa que todos conhecem. Mulher forte, de caráter, verdadeira em tudo o que faz. Para Marina não há nada morno. Ou é quente ou é frio. Assim também é no aspecto pessoal. Tudo deve ser com a mais profunda verdade. No entanto, na vida familiar existem outras dimensões que me fazem amar Marina ainda mais, a cada dia. São pequenas coisa entre nós que é difícil de explicitar. Existe um comprometimento profundo pelas nossas vidas e dos outros, um carinho e atração sempre renovada, que rega o amor, e um forte compromisso com a palavra de Deus. Gosto do perfume dela, do seu toque, do seu jeito, do seu caráter. Gosto, gosto gosto… Isso é o meu amor por ela.

Veja a entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia:

Você participou três anos como assessor de Jorge Viana na prefeitura de Rio Branco, três anos na gestão dele como governador do Acre, quatro anos no governo de Binho Marques e mais três anos e oito meses no governo de Tião Viana. Ao todo, de forma intercalada, você foi um graduado assessor dos governos do PT durante 13 anos e oito meses. Por que somente agora decidiu se afastar do governo do PT?

Por uma razão bem simples: agora terei de estar perto de minha esposa em função dos acontecimentos políticos nacionais. Se nada disso tivesse acontecido talvez sairia mais adiante. O motivo é de ordem particular, mas com o componente político decorrente da tragédia.

Em 2009, quando Marina se desfiliou do PT e ingressou no PV, você também se desligou do PT, mas não aderiu ao PV. Mais recentemente, por não ter conseguido registro do Rede, ela ingressou provisoriamente no PSB e você continuou sem filiação partidária e foi muito criticado e questionado por petistas por não ter deixado o governo do PT. Como se sentiu sendo hostilizado pelos que se diziam seus companheiros?

É verdade. Foi uma minoria, mas sempre ocorreu esse tipo de questionamentos. Importante que o governador sempre demonstrou respeito pelo meu trabalho e pediu que eu não considerasse esse tipo de abordagem em redes sociais. Alguns chegaram a me pedira desculpas. Na verdade foram jovens que vi crescer no PT e, infelizmente, foram desrespeitosos. Sempre dei mais valor às pessoas que conhecem meu trabalho de muito antes dos novos convertidos no PT. Trabalho com desenvolvimento das comunidades da floresta desde o tempo em que andava na companhia do Chico Mendes. Foi por causa dessa experiência de trabalho que os governos do Acre me convidaram e me mantiveram na equipe.

E lá se vão 16 anos de PT no governo do Acre.

Mesmo com a marina se desfiando do PT, meu entendimento é que, por mais que o partido seja majoritário, os governo no Acre não são apenas do PT. Sao diversos partidos, o que inclui o PSB do vice-governador César Messias. Mesmo não estando filiado ao PSB, entendo que minha contribuição em frentes de trabalho que acompanho há anos poderia ter conta com a minha presença. Agora ficou incompatível, pois terei de estar com minha esposa em tempo integral e não será mais possível exercer o trabalho de forma efetiva. Não tenho a visão que havia incompatibilidade política. A minha historia política e de trabalho sempre foi feita em caminho paralelo, mas independente de minha união com Marina. Minha dedicação ao chamado projeto da Frente Popular do Acre vem desde antes de ganharmos os primeiros governos. Eu me sinto parte de tudo, seja das vitórias e dos desafios que ainda existem.

Você nasceu em Santos e veio para o Acre, em 1983, aos 17 anos. Como veio parar aqui?

Até 1982 eu estudava em escolas agrícolas estaduais em São Paulo. Os meus melhores amigos eram acreanos. Eu sabia tudo a respeito do Acre só de conversar com meus amigos João Othoniel o Bá, entre outros. Eles me incentivaram para ir ao Acre para tentar trabalhar em uma fase de expansão agrícola, no início do regime militar.  Consegui entrar, ainda com 18 incompletos, na extinta Secretaria de Desenvolvimento Agrário, para cuidar do Nucleo Rural Integrado do Bujari, que agora é município, mas à época era apenas uma vila de Rio Branco.  E assim fiquei e aconteceu tudo na minha vida. Agradeço muito aos meus amigos e ao Acre, pois foi a terra que me abraçou com muito carinho. Tenho uma identificação muito forte com o Acre, que cria até um certo aborrecimento com alguns de meus tios em Santos. Quando me apresento, costumo dizer que sou do Acre. Quando meus tios estão pode perto sou repreendido carinhosamente. Eles fazem questão de dizer que na verdade sou de Santos.  Todos sabem que tenho mais tempo de vida no Acre do que na terra que nasci e onde vivem meus pais.

E quando você conheceu Marina?

Conheci Marina quando entrei na Universidade Federal do Acre. No início, à distancia, pois ela já estava formada e a vi durante uma palestra. Isso foi em 1985. No ano seguinte, quando ela já separada  do primeiro casamento, nos aproximamos durante um festival de música promovido pelo Diretório Central dos Estudantes. Começamos a ficar juntos no dia 5 de abril de 1986, na data do meu aniversario.

Santos é marcante na vida ou no destino de Marina? Você nasceu lá, Marina estava lá quando Chico Mendes foi assassinado em Xapuri, em dezembro de 1988. Na semana passada, Eduardo Campos morreu em acidente aéreo em Santos…

Na vida de todos nós acontecem fatos difíceis de explicar, pois acabam sendo muito marcantes. Alguns podem ver significados nisso tudo, mas vejo apenas como acontecimentos. Marina conheceu Santos por minha causa. Quando ficou muito doente, fomos para a casa dos meus pais, onde vivi minha infância. Numa dessas vezes, em 1988, soubemos da morte de Chico. Era perto do Natal e tínhamos ido para Santos após as eleições, quando ela foi eleita vereadora em Rio Branco. Na verdade, naquele dia estávamos em Ribeirão Pires em uma consulta médica e voltamos para Santos. Agora aconteceu essa tragédia lamentável com Eduardo Campos e muda tudo na vida dela. Mas para mim nada tem de significado especial. Faz parte da vida, de termos boas e tristes lembranças de um lugar, seja ele qual for.

Por ser marido de Marina e por ter atividade política e executiva no governo do Acre, várias vezes você esteve no centro de furacões. Está preparado para lidar com isso novamente?

Este é o ônus de quem tem uma vida pública. Eu estou não só acostumado como tranquilo sobre isso. Quem me conhece e eu sabemos de minha conduta em cada espaço publico que atuei. Infelizmente as pessoas não apenas fiscalizam ou exercem o controle das coisas públicas. Algumas são levianas, sórdidas, e isso revolta um pouco. Mas minha fé e consciência me dão grande tranqüilidade no coração e na alma. Temos que estar preparados para lidar com pessoas que não exercem nenhum tipo de função de controle, mas usam da mentira para atingir alguém, infelizmente. Nos resta acreditar nas instituições, esclarecer, e ficar de cabeça erguida quando temos consciência de nossa postura ética na coisa publica. Revolta um pouco, mas minha fé também ajuda minha alma, dando-me tranquilidade durante as tempestades.

Seu nome consta no processo do “caso Usimar”, que envolve 40 pessoas em suposto desvio de R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís, no Maranhão, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Além de você, aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge  Murad. Como você foi parar no centro desse escândalo?

Infelizmente colocaram meu nome de maneira indevida, pois naquela reunião do Conselho Deliberativo da Sudam eu participava apenas como ouvinte. Não votei, pois não era titular e nem suplente do Conselho Deliberativo, que, à época, eram o então governador Jorge Viana e o então secretario de Planejamento, Gilberto Siqueira. Eles eram titular e suplente, respectivamente, mas não puderam estar presentes, pois recebiam a visita de uma delegação de uma instituição internacional no Acre. Fui deslocado para a São Luis de maneira inesperada. Viajei uma noite toda, cheguei no final da manhã, mas atrasado para a reunião da Sudam. Por ter assinado a lista de presença, acredito que meu nome foi colocado na ata, e depois não ocorreu atenção de retificar. Assim, se me lembro, o processo tem duas partes: uma é da investigação principal, de desvio de dinheiro; a outra é de improbidade administrativa dos membros do conselho da Sudam, que votaram no projeto. Como fui incluído na lista de presentes na ata, acabei sendo envolvido.

Por que chegou atrasado?

A reunião foi rápida, cheguei atrasado e nem era conselheiro, apenas ouvinte. Mas esta lá e poderá ser usado por pessoas com má intenção. Mas, acredito, quando as investigações avançarem, poderei mostrar não ter participado efetivamente da votação. Viajei de Rio Branco para São Luís com a roupa do corpo. Cheguei atrasado porque pois tive primeiro que comprar roupa e um paletó para participar. O fato de assinar talvez lista de presença me levou a ser incluído na ata da reunião, mas eu não tinha nem delegação oficial, pois não era titular e nem suplente. Estou pagando caro por um erro que não cometi. Outras pessoas foram incluídas apenas por assinarem presença. Uma delas é a Flora Valadares Coelho, que na época era dirigente do Banco da Amazônia, atualmente secretária de Fazenda e Administração do governo Tiao Viana. É uma pessoa séria, da mais alta credibilidade, funcionária de carreira do Banco Central, em quem acredito muito, mas infelizmente também foi citada. São percalços de quem está na administração publica. Mas é importante destacar que muitos reclamam de investigações, mas eu acho melhor sofrer injustiça inicialmente a não ter instituições de investigações fortes no País. Eu acredito em Ministério Publico, Polícia Federal, n Tribunal de Contas da União e na Advocacia Geral da União. Todas são importantes para o equilíbrio, precaução e controle da coisa publica.

Em maio de 2001, o então relator do projeto do Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo chamou você de “fraudador de contrabando de madeira”.

Esse episódio é muito triste, pois foi uma acusação, uma desonestidade intelectual de uma pessoa com uma historia em defesa da democracia. A democracia não se faz com mentiras e atos torpes como ele fez. Ele me usou, que sou desconhecido, para atacar Marina. Na época falei que não ia agir com o fígado e assim fiz. Junto com marina, pedimos investigação por parte do Ministério Público Federal para verificar a veracidade da denúncia do deputado. Depois de meses, recebi a posição do MPF de que nada foi constatado (veja) capaz de haver ligação de meu nome com a acusação feito por Aldo Rebelo. O caso usado por um inimigo de Marina é bastante ilustrativo de como alguns setores manipulam informação. A Marina, quando era ministra do Meio Ambiente, fez um trabalho de arranjo administrativo, com orientação do MPF, no Pará, envolvendo outras instituições para doar madeira apreendida para trabalhos sociais em região onde trabalhadores foram assassinados por jagunços, como foi o caso do Deda, na Transamazonica. Tudo feito da maneira mais correta, com a participação de várias instituições, às claras. E aí falam que eu era traficante de madeira. Isso machuca, mas graças a Deus tudo já foi muito bem esclarecido. Quem ainda usa essa leviandade o faz por motivos muitos desonestos e espúrios.

Parece que você e Marina sempre sempre se esforçaram para blindar os filhos e outros familiares dos embates políticos. Conseguiram isso em 2010. Será possível repetir o feito neste 2014?

Não é uma blindagem. É a maneira que encontramos de termos todos envolvidos, cada um à sua maneira, na vida política minha e de especialmente de Marina. Shalon, a mais velha, é psicóloga e concursada em empresas de pesquisa nacional. Danilo, o segundo, trabalha por conta própria marketing e comunicação e se especializou em construção de programas, tem uma carreira na área privada e é empreendedor individual. Eles são filhos do primeiro casamento de Marina e vivo com eles desde pequenos. Eu me sinto o segundo pai e falo que eles têm muita sorte, pois podem contar com dois pais quando muitos não tem nenhum. Moara a primeira filha de Marina comigo, é formada em direito, já tem OAB, e está no início da carreira. Mayara está terminando comunicação no interior de São Paulo e já estagia em rede de TV.  Todos eles têem suas maneiras de engajamento, mas diria que, como eu, Danilo é o mais discreto e as meninas, como a mãe, quando podem, gostam de participar de maneira mais forte. Mas todos têm uma característica comum: querem conquistas em suas carreiras por méritos próprios e não querem vínculo com o meu ou com o trabalho da mãe.

Pra finalizar: quem é Marina Silva?

Não é fácil responder em poucas palavras. Marina é a pessoa que todos conhecem. Mulher forte, de caráter, verdadeira em tudo o que faz. Para Marina não há nada morno. Ou é quente ou é frio. Assim também é no aspecto pessoal. Tudo deve ser com a mais profunda verdade. No entanto, na vida familiar existem outras dimensões que me fazem amar Marina ainda mais, a cada dia. São pequenas coisa entre nós que é difícil de explicitar. Existe um comprometimento profundo pelas nossas vidas e dos outros, um carinho e atração sempre renovada, que rega o amor, e um forte compromisso com a palavra de Deus. Gosto do perfume dela, do seu toque, do seu jeito, do seu caráter. Gosto, gosto gosto… Isso é o meu amor por ela.

Fonte: Por ALTINO MACHADO, blog da Amazônia - 20/08/2014 - - 12:26:35

ADVERSÁRIO
O ex-ministro Brizola Neto: o PDT é uma federação de interesses

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O ex-ministro Brizola Neto é considerado um dos poucos amigos da presidente Dilma Roussef. Pedetista com o avô, o ex-governador Leonel Brizola, ele foi escolhido para comandar o Ministério do Trabalho em 2012. No entanto, permaneceu por apenas dez meses no cargo, minado, segundo contou ao editor Rodrigo Rangel, por contrariar interesses nada republicanos da direção do partido.

Por que o senhor critica tão fortemente Carlos Lupi, que afinal preside o seu partido e integra um governo do qual o senhor também fez parte?

Hoje existe uma quadrilha que tomou de assalto a direção do PDT. Lupi e Manoel Dias (atual ministro do Trabalho) são verdadeiros corruptos que têm a cara de pau de permanecer no ministério mesmo diante de um pedido da polícia ao STF para investigar-los. Lupi foi o responsável por jogar no lixo um legado construído durante toda uma vida por meu avô, Leonel Brizola. A tragédia é ver que o patrimônio ético do PDT foi jogado no lixo. Hoje o partido é uma federação de interesses. O que vale para esses dirigentes é acumular cargos e vantagens. Ou seja: um balcão de negócios.

A que o senhor se refere? A gestão de Lupi no ministério foi de seguidos escândalos, favorecimentos e propinas milionárias. O cálculo que se faz é que tenha havido desvio de mais de 400 milhões de reais. Esses atuais dirigentes do partido, Lupi e Manoel Dias, são figuras repugnantes. O Lupi mudou de padrão de vida em relação ao jornaleiro que eu conheci. Quanto a Manoel Dias, ele é apenas um empregado do Lupi.

O que o senhor fez de diferente em relação a Lupi? Quando estive no governo, conseguimos fechar a fábrica de sindicatos que havia dentro do ministério. O que acontecia que fazia com que os processos ficassem sujeitos ao tráfico de influência? Chegou a haver 8000 pedidos acumulados. Para quê? Negavam, e os interessados ficavam sujeitos a toda sorte de influência da direção do ministério. Ficavam à mercê das vontades do ministério. É o ambiente ideal para o tráfico de influência, tanto que se criou ali uma expressão: fábrica de sindicatos. Quem era o gerente dessa fábrica? Era o Lupi. Eu fechei a fábrica.

Ao admitir o grupo de Lupi de volta no governo, a presidente Dilma cedeu ao fisiologismo? A minha ida para o ministério foi à revelia dessa direção, num movimento que a presidente Dilma fez para enfrentar as cúpulas partidárias, das quais ela acabou se tornando refém. Eu lamento muito que a política nacional, e o sistema político, crie governos dependentes de bases fisiológicas. Hoje a presidente Dilma é refém de um exército de mercenários que formam sua base aliada. No Brasil, os partidos, com raríssimas exceções, não são programáticos nem democráticos. Só têm compromisso com sua manutenção no poder, com a ocupação de cargos e com a obtenção de vantagens junto ao poder público. Essa é a grande tragédia da política brasileira.

O senhor se decepcionou com a presidente? Eu tenho uma grande admiração pela presidente Dilma. É importante lembrar que em 1989 e 1994 ela votou no Brizola e não no Lula. E ela tem um pouco daquilo que durante uma vida inteira eu vi no meu avô, e compromissos sinceros com a trajetória do trabalhismo brasileiro. Talves ela não tenha conseguido avançar mais por se tornar refém de uma base parlamentar que põe em primeiro lugar seus interesses pessoais, regionais, eleitorais. O que eu posso afirmar é que ela tentou à exaustão combatê-los. Mas os interesses eleitorais e a necessidade de ter votos no Congresso falaram mais alto.

Por que o senhor deixou o ministério? O Lupi queria continuar mandando e desmandando no ministério, como ele manda hoje no ministério do Manoel Dias, com todas as máculas que carrega, seja na concessão de registro sindical, seja na relação com ONGs que recebem verbas do ministério. Era a maneira que ele tinha de continuar influenciando e dando continuidade às suas práticas não republicanas.

Em algum momento a presidente admitiu que estava demitindo o senhor porque precisava ceder ao fisiologismo?
Interlocutores aconselharam mal a presidente, dizendo que era necessária, para recompor com o PDT, a volta do grupo do Lupi ao Ministério do Trabalho. A presidente conversou comigo e disse que estava entristecida, que estava fazendo um ato que não era da sua vontade. Mas que se viu obrigada pelas circunstâncias a me substituir e devolver o ministério à direção nacional do PDT.

Revista Veja edição 2378 - ano 47 - n° 25 - 18 junho de 2014  

Brasília não merece essa volta ao passado

Em entrevista exclusiva, diretor-geral do DFTrans defende Agnelo e acusa Arruda de ter entregue a máquina pública sucateada.

Pré-candidato a deputado federal, o atual diretor-geral do DFTrans, Marco Antônio Campanella (PPL), não tem meias palavras ao comentar a herança que recebeu do ex-governador de José Roberto Arruda. ...

"No transporte, nós tínhamos uns 15% de noção do que iríamos encontrar. Quando chegamos, encontramos o DFTrans sem planejamento, não havia respeito à fiscalização e às vezes nem ao cumprimento da legalidade", diz, aborrecido.

De acordo com Campanella, foram necessários dois anos para colocar ordem na casa. "Na minha pasta, a raposa estava cuidando do galinheiro. As empresas privadas não só operavam a frota, como cuidavam do dinheiro e da bilhetagem com total autonomia", revela.

Disposto a mudar esse quadro, o diretor-geral lançou um novo modelo de licitação do transporte público que considera mais transparente e flexível. Se a nova proposta é ou não melhor, o tempo dirá. O certo é que ela desagradou as maiores empresas prestadoras de serviço de transporte, que impetraram quase 200 ações na Justiça para impedir a nova licitação de sair do papel. O DFTrans venceu a batalha e recentemente iniciou o processo de mudança do transporte público da capital.

Em entrevista exclusiva ao portal Plano Brasília, Campanella comenta as eleições 2014, explica porque a rodoviária do Plano Piloto está um caos e defende a priorização do transporte coletivo em detrimento do individual. "Esse é um processo de mudança cultural, e vai depender muito da implantação de um serviço de transporte público de qualidade na cidade". Confira os melhores momentos da entrevista:

Plano Brasília: O que mudou no Marco Antônio Campanella que combatia a ditadura militar no MR-8, foi para o MDB e hoje está no PPL?

Marco Antônio Campanella: Se tem uma coisa que nós procuramos preservar é a nossa identidade e coerência na política. Outro dia, eu estava revisando o material da minha primeira campanha eleitoral para deputado federal, em 1986, e boa parte das propostas que eu fiz naquele tempo continuam atuais. São desafios que o Brasil ainda não conseguiu superar. Nós continuamos vivendo uma situação de subdesenvolvimento econômico e social. Em muitos terrenos conseguimos avançar, em outros não. Nós precisamos romper com essa estrutura econômica extremamente dependente do Brasil. E essa tem sido a prioridade do nosso partido, o PPL, criado em 2009 justamente porque não conseguimos identificar em outros partidos um projeto nacional de desenvolvimento do país. Nós ainda temos uma estrutura econômica capitalista extremamente dependente de grupos financeiros econômicos e industriais, e isso gera uma situação de muita desigualdade. Essa coerência eu mantive. O que eu defendia naquele tempo é o que continuo defendendo, guardada as mudanças ocorridas no cenário nacional e internacional. Muitos partidos políticos se afastaram da sua identidade original e se afastaram da população. E as pessoas, de certa forma, também se afastaram da política e passaram a vê-la como algo sujo.

PB: Como partido de esquerda, o PPL vai estar apoiando o PT nas eleições 2014?

MAC: No âmbito local, estamos fechados com o PT. Entendemos que o governador Agnelo está fazendo um governo que fortalece e recupera a gestão do estado sobre educação, saúde e transporte. Em relação à presidência, ainda não fechamos posição. Existe um diálogo com o PSB de Eduardo Campos, mas o PPL apoiou a Dilma em 2010 e estaria dispostos a apoiá-la de novo. Estamos discutindo isso bastante, internamente, e não podemos descartar uma parceria com o PSB já que temos muitos pontos de identidade programáticas com eles.

PB: Onde estão os pontos de convergência entre o seu partido e Eduardo Campos?

MAC: O ponto principal é o entendimento sobre a necessidade de industrialização do país. O Brasil ficou em penúltimo lugar em crescimento econômico na América Latina, atrás apenas do Haiti. Nós tivemos o pior desempenho industrial dentre os países emergentes. Países como a Venezuela, o Chile e a Argentina cresceram, em média, 4%, 5 %ou 6%. Já o Brasil cresceu apenas 2%. Nos outros BRICs, o crescimento foi ainda maior. Hoje, nós continuamos sendo exportadores de matéria prima e produtos fracamente industrializados. Por outro lado, somos grandes importadores de tecnologias e medicamentos. Ao comprar esse tipo de produto, nós estamos gerando empregos qualificados lá fora e nos mantendo na periferia da economia internacional. Nossa mão de obra fica concentrada na agricultura, no comércio e no setor de serviço, mas não nos mercados de tecnologia e inovação. Assim, fica inviável crescer de forma sustentável. É preciso investir mais em educação superior, em pesquisa, em inovação para crescer.

PB: Em relação ao governo local, Agnelo vem sendo duramente criticado pela oposição e até mesmo por uma ala descontente do PT. Por que ele demorou tanto a apresentar resultados?

MAC: O que aconteceu foi que nós recebemos a máquina pública em uma situação de caos e sucateamento. Na minha pasta, por exemplo, a raposa estava cuidando do galinheiro. As empresas privadas não só operavam a frota, como cuidavam do dinheiro e da bilhetagem com total autonomia. Uma das primeiras decisões do governador foi nos dar condições de assumir o controle antiga Fácil, que era a associação privada controlada pelas duas empresas que mandavam do transporte coletivo do DF. A partir dali, recuperamos a gestão e conseguimos lançar essa nova licitação que fará uma mudança estrutural no serviço que será oferecido a população. Estamos, no momento, trocando a frota antiga por uma nova. O próximo passo será repensar a lógica da operação, dando prioridade ao transporte coletivo. Queremos lançar em breve o veículo rápido sobre trilhos, vamos fortalecer a faixa exclusiva de ônibus e tomar outras medidas que priorizem o transporte da população e não apenas dos indivíduos isolados.

PB: Os brasilienses não reclamam da qualidade ônibus, mas acham que a frota é pequena para atender a demanda. O que está sendo feito para resolver esse problema?

MAC: Com esse novo modelo de licitação do transporte público, nós ganhamos liberdade para solicitar mais ônibus quando não for possível racionalizar a frota no horário de pico. No modelo antigo, dependíamos sempre de uma nova licitação quando havia aumento de demanda em uma região. O que eu quero deixar claro é que estamos fazendo tudo para fortalecer o transporte público no DF. Existe uma pesquisa que mostra que das 24 horas do dia, nós trabalhamos oito horas, dormimos oito e nas oito horas restante ficamos de 30% a 40% do nosso tempo no trânsito. Isso é desumano. Nós temos de tentar resolver essa questão do transporte público, priorizando o transporte coletivo. Hoje, prioriza-se o transporte individual em detrimento do coletivo. E isso atende principalmente aos interesses das empresas montadoras de automóvel, que são todas estrangeiras. No Brasil acontece o seguinte: como o transporte coletivo não é forte, os brasileiros compram carros e abarrotam as vias, que não têm capacidade para abarcar o fluxo e o contra-fluxo diário de automóveis. A solução para esse problema é planejamento. A faixa exclusiva foi uma primeira solução que demos e que está acelerando o transporte público, beneficiando uma grande quantidade de pessoas. Mas esse é um processo de mudança cultural, e vai depender muito da implantação de um serviço de transporte público de qualidade na cidade.

PB: Como o DFTrans pretende resolver esse problema da rodoviária, que está um caos?

MAC: O caos da rodoviária do Plano Piloto tem ligação direta com o transporte do entorno. Quando chegamos no DFTrans, encontramos uma gestão compartilhada com o chamado transporte metropolitano que atende aos moradores do entorno. Essa operação é realizada não pelo DFTrans, mas pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Por causa disso, não temos poder de fiscalização dessa frota que vem do entorno. O máximo que podemos fazer com autuar um ônibus ou motorista, mas a fiscalização e penalização por qualquer problema fica a cargo da ANTT. Essa crise que explodiu no entorno é a demonstração cabal do esgotamento desse atual modelo de gestão. Nós temos de trabalhar para concluir rapidamente esse processo e assumir, junto com governo de Goiás, a responsabilidade dessa gestão Até porque, a maior parte quilometragem dessa frota ocorre no DF. Do ponto de vista da rodoviária temos de buscar uma solução de curto e longo prazo. A de curto prazo foi deslocar o transporte metropolitano da plataforma inferior para a superior e daqui a 60 dias vamos colocar essa operação na parte de trás do prédio do Touring. No médio e longo prazo, temos de integrar essa frota do entorno à frota do DF. A rodoviária esgotou sua capacidade operacional. Ela tem de receber apenas os ônibus do DF. Os ônibus metropolitanos, que vão para o entorno, têm de sair de outro ponto.

PB: E como fazer a integração no sentido leste-oeste? O zebrinha, que deveria fazer isso, não está mais funcionando..

MAC: Nossa primeira providência foi tirar o antigo operador do zebrinha. Também renovamos toda a frota e, agora, queremos voltar à lógica original do zebrinha que é de integrar as pessoas no sentido leste-oeste, ou seja das avenida W3 para as L2 e L4. O objetivo é fazer isso sem que as pessoas tenham de dar a volta inteira na cidade. Mas já estamos começando a fazer os ajustes na operação.

PB: Para finalizar, como o senhor vê as tentativas de candidatura ao Buriti de Arruda?

MAC: Como bem disse nosso governador, seria um horror. Brasília não merece essa volta ao passado. Nada contra a pessoa, mas foi um momento trágico para a cidade. Com o governo Agnelo, o DF saiu das páginas policiais para entrar em um agenda positiva. E demorou justamente porque a herança era muito grave. No transporte, nós tínhamos uns 15% de noção do que iríamos encontrar. Quando chegamos, encontramos o DFTrans sem planejamento, não havia respeito à fiscalização e às vezes nem ao cumprimento da legalidade. Nós tivemos de enfrentar quase 200 ações na Justiça para liberar o novo edital do transporte, dentro de um modelo de licitação transparente e bem planejado. Então voltar ao passado seria um retrocesso. Queremos que a mudança que está acontecendo no DF seja uma mudança positiva e sem retorno.

Fonte: Revista Plano Brasília - 31/03/2014 - - 12:09:06

Fonte: Jornal de Brasília

 
Imagem: José Cruz/ABr
Eliana Calmon já foi juíza federal, procuradora da República, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora nacional de Justiça. Em 2014, já aposentada, a ex-magistrada decidiu enfrentar um novo desafio: concorrer a um cargo no Senado. Anunciada como pré-candidata pela dobradinha PSB-Rede Sustentabilidade, em dezembro de 2013, Eliana contou ao Bahia Notícias qual a sua intenção em entrar para a política brasileira e demonstrou conhecer os obstáculos que deverá superar para fazer a diferença, caso seja eleita. “Para quem não é profissional do ramo é muito difícil enfrentar o eleitorado, mas eu acho que nós precisamos começar. Senão, não muda. 

 
A mudança só vem a partir do momento em que tomamos a deliberação de querer mudar”, declarou. A baiana postulante ao Senado também confessou ter sido apadrinhada politicamente pelo senador Antônio Carlos Magalhães para chegar ao posto de ministra do STJ. Ela disse que não teve nenhum envolvimento com ele posteriormente. "Eu joguei as regras do jogo. Eu não poderia ser diferente, senão eu não seria ministra. É diferente de agora. 
 
O que eu acho importante para a nação é a gente mudar as regras do jogo e eu sei que não é fácil. Mas a população quer mudança e a maior prova disso foram os movimentos nas ruas", explicou. Eliana ainda criticou o envolvimento do Tribunal de Justiça da Bahia com o governo do Estado e decretou: “O maior problema do Judiciário baiano não é a corrupção, é a inação”.
 
Bahia Notícias: Como está a preparação para a eleição? Já está sendo feito o planejamento de pré-campanha?
 
Eliana Calmon: Ainda não, porque a minha filiação aconteceu no dia 19 de dezembro, minha aposentadoria no dia 18 e eu não posso lutar em duas frentes. Eu estava com a cabeça totalmente voltada para o Judiciário porque eu queria deixar os processos mais complicados resolvidos. Trabalhei muito, nos últimos dias, e não pensei em política. Depois da filiação, vieram as festas de Natal e Ano novo. Combinamos que, a partir da segunda-feira seguinte, começaríamos. O partido vai alugar uma sala para montar um escritório, já que não podemos ter comitê até junho, de acordo com a Legislação Eleitoral. O que eu acho engraçado é que é tudo muito camuflado. Pela legislação, eu nem posso dizer que vou ser candidata a senadora, mas como é que se faz política se a gente não diz o que quer ser? A presidente Dilma e o ex-presidente Lula estão fazendo propaganda claríssima, na televisão, de forma que esta Legislação Eleitoral é uma coisa esquisita. São dois pesos e duas medidas. Esta não possibilidade de Marina Silva regularizar a Rede de Sustentabilidade, por exemplo, foi algo que, para a Justiça, ficou muito difícil de explicar. Com relação aos partidos, acho que são verdadeiras camisas-de-força para manter o sistema. Precisávamos modernizar esta ritualística eleitoral, pois ela faz parte de um sistema que favorece os candidatos “profissionais”. Foi justamente isto que me deu ânimo para enfrentar [as eleições]. Os profissionais chegam à política e não fazem nada ou fazem aquilo que não deveriam fazer e nós ficamos a dizer “não tem candidatos bons, isso é um absurdo!”, “Hoje a política é muito feia, só existe corrupção”. A pergunta é a seguinte: E você, cidadão brasileiro, fez o quê? Ficou com medo de enfrentar isso? Para quem não é profissional do ramo é muito difícil enfrentar o eleitorado, mas eu acho que nós precisamos começar, senão não muda. A mudança só vem a partir do momento em que tomamos a deliberação de querer mudar.
 
BN: Quando a senhora tomou a deliberação de querer mudar na política? Quem chegou com o convite primeiro? O próprio PSB ou outros partidos?
 
EC: O primeiro partido que me fez o convite foi o PTN. Eles me deram uma medalha ao mérito legislativo e depois me convidaram para tomar um café, mas eu não pude ir, pois tinha uma sessão de julgamento. Recebi a medalha e saí antes de a solenidade terminar. Depois, me convidaram para outro encontro, eu fui e eles me fizeram o convite. Naquela época, eu não pensava nisso [candidatar-se a senadora]. Eles insistiram e eu disse que pensaria. O segundo convite veio do PSB. Eu estava na Bahia, quando uma pessoa, através de meu irmão, disse que precisava falar comigo. Esta pessoa disse que Eduardo Campos estava querendo conversar comigo sobre a possibilidade de um convite para se candidatar ao governo do Estado ou ao Senado e que as portas do PSB estariam abertas. 
 
BN: Isto foi quando mais ou menos?
 
EC: Isto foi antes de junho, antes das manifestações sociais. A partir daí, aconteceram sucessivos convites e eu fiquei assustada. A primeira conversa mais séria que eu tive foi quando o PDT me convidou, através de Cristóvão Buarque [senador pelo DF], e eu disse para ele que eu achava que eu tinha uma popularidade muito periférica: pessoas que lêem jornais e sabem o que é o CNJ. Disse, ainda, que eu achava que não teria uma candidatura que penetrasse no povão. Além disso, que eu ouvia dizer que uma campanha custa milhões e eu estava saindo da Justiça com um patrimônio muito pequeno, não tinha dinheiro para gastar em política, de forma que eu teria de ser carregada pelo partido. Falei também que eu não era mulher para ficar pedindo dinheiro a empresário e ele disse que eu não me preocupasse. Todos me acenavam com a possibilidade de ser muito mais fácil a eleição em Brasília por eu ser mais conhecida, o eleitor ser mais consciente e por não ter municípios. Cristóvão Buarque chegou a dizer “Eu fiz campanha e dormi na minha casa todos os dias. Saía para as cidades satélites e voltava”.
 
BN: Algum outro partido te fez o convite?
 
EC: O DEM convidou, através do Agripino Maia [senador pelo RN], o PMDB também convidou, inclusive o presidente, Valdir Raupp [senador por RO], esteve comigo. Mas todos eles me empurravam para Brasília e eu comecei a refletir: o que é que eu tenho a ver com Brasília? O fato de ser fácil se eleger? Eu estou querendo partir para uma política diferente e já começaria errando, no primeiro passo, se escolhesse uma cidade que não é minha, onde não tenho raízes. Eu continuo baiana, nunca deixei de ter casa na Bahia, venho constantemente quando estou estressada porque é onde eu consigo me energizar. Então decidi que seria candidata pela Bahia, mas ainda resistindo muito. Depois, vieram os movimentos de junho que me deixaram muito impressionada, com uma vontade de ir para rua. Se os meus netos fossem maiores, eu iria e diria: “Eu tinha que tomar conta dos meninos, por isso que eu fui”. Neste momento, eu vi, por meio da TV Senado, quatro gatos pingados discutindo a situação. Entre eles, Cristóvão Buarque juntamente com o Pedro Simon [senador pelo PMDB-RS]. Logo depois, assisti uma longa entrevista de Pedro Simon, na qual ele falava sobre o que vivenciou na República a partir de Ulysses Guimarães [ex-deputado federal pelo PMDB-RJ e líder da Constituinte de 1988]. No final da entrevista, ele criticava alguns políticos e o jornalista perguntou a ele: " Se o senhor tivesse que dar um conselho a um jovem, o senhor diria para ele se envolver na política ou não?" Ele respondeu que diria ao jovem que fosse imediatamente, que ligasse o computador e começasse, nas redes sociais, a fazer política. Ao refletir sobre tudo isto, tomei minha deliberação. Muita gente me reprovou por eu ter vindo para a Bahia. Diziam que eu gostava de coisas difíceis e que seria impossível. 
 
BN: Aqui na Bahia, o DEM dava como certa a candidatura da senhora ligada à oposição. Nas discussões também foi retomado o discurso do juiz Fernando da Rocha Tourinho que disse que a senhora pediu a bênção de Antônio Carlos Magalhães para o STJ. Mas, o ideário do que Eliana Calmon pensa sobre política está mais ligado a um pensamento de direita ou esquerda? Porque a senhora se filiou ao PSB...
 
EC: Totalmente de esquerda. Embora tenham me ligado muito a Antônio Carlos Magalhães, eu nunca estive ligada a ele. Pelo contrário. Quando eu me candidatei a uma vaga no STJ, me disseram que ele tinha um candidato: Lázaro Guimarães. Todos os políticos me perguntavam: a senhora é da Bahia, porque a senhora não está com Antonio Carlos? Soube que o senador dizia: “Eu não conheço bem esta moça, mas eu só sei que ela não fez nada pelo carlismo”. Terminei indo, por um amigo, conversar com Edison Lobão [Ministro de Minas e Energia e senador licenciado pelo PMDB-MA] e Jader Barbalho [senador pelo PMDB-PA]. O Jader disse para mim: “Eu conheço a senhora, a senhora votou contra mim no caso do polígono dos castanhais [que foi um processo contra grilagem], mas eu gosto de juiz correto. Eu vou ajudar a senhora”. Eu não acreditei, mas ele ajudou. Durante o processo, o candidato de ACM não entrou na lista de escolhidos, quem entrou fui eu concorrendo com Ellen Gracie, do Rio Grande do Sul. Eu soube que já estava tudo certo para ela ser apresentada como a primeira mulher a entrar no Superior Tribunal de Justiça no dia 8 de março (Dia internacional da Mulher). Segundo Jader, Ellen era a candidata do presidente [Fernando Henrique Cardoso]. Liguei para Edison Lobão e ele disse que apenas uma pessoa desmancharia isso: Antônio Carlos Magalhães. Entrei em contato com Tomás Bacelar, que foi meu professor, expliquei a situação e disse que eu precisava de alguém que chegasse até Antônio Carlos Magalhães e dissesse que, embora eu não fosse a candidata dele, eu era da Bahia. Pedi também a outros amigos que falassem com o senador, mas ninguém me dava resposta. Decidi ligar para ele. Consegui o telefone com Josafá Marinho [ex-senador pelo PFL-BA], liguei a primeira vez, em um domingo, e ele não atendeu. Um dia, de noite, o telefone tocou. “Doutora Eliana, aqui é Antônio Carlos.” Eu nem acreditei, pensei que fosse trote. “Está nervosa?”, eu respondi: “A alma está saindo pela boca”. Ele deu risada e disse “Fique calma, já tomei todas as providências. Não vai sair nada amanhã, vai demorar. Não estou prometendo nada, porque o presidente está irredutível, mas disse a ele que nós precisávamos conversar porque ele tinha um compromisso com a Bahia. Era doutor Lázaro, mas ele não entrou. Então, vamos ver.” Foram três meses esperando. Algumas vezes, ele ligava e dizia: “Esta gaúcha está danada, mas estamos no páreo, eu estou insistindo”. Neste período, fizeram dossiê contra mim, disseram que eu julgava contra a União e eu tive que fazer um contra-dossiê. Foi um inferno. Finalmente, fui eleita pelas mãos de Jader e Antônio Carlos, porque os dois ficaram unidos. Esta é a história de Eliana unida a Antônio Carlos. Não tive mais nada a ver com ele.
 
BN: Este apadrinhamento já te prejudicou de alguma maneira?
 
EC: Fiquei muito preocupada com este apadrinhamento e, no Senado, quando fui sabatinada, disse que achava muito política a escolha de um ministro de um tribunal superior. Disse que o escolhido chegava ao cargo comprometido politicamente e, como tinha muitos interesses para julgar, isto não era bom. Perguntaram se eu havia me comprometido politicamente. Eu disse que não tive compromisso, mas tive padrinhos políticos: Edison Lobão, Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Todos acharam que eu era uma anta política e que eu tinha enlouquecido quando assumi isto. Mas foi o mais certo que eu fiz, pois, a partir dali, eu não podia julgar nada que eles tivessem interesse, já que todo mundo sabia que eles haviam sido meus padrinhos. Antonio Carlos sempre me fez os maiores elogios e muita gente que ia pedir para ele para que eu interferisse em julgamento, ele dizia: “Nem a mim ela atende. É melhor não pedir”. Eu joguei as regras do jogo. Eu não poderia ser diferente, senão eu não seria ministra. É diferente de agora. O que eu acho importante para a nação é a gente mudar as regras do jogo e eu sei que não é fácil. Mas a população quer mudança e a maior prova disso foram os movimentos nas ruas. Não estou achando que eu vou ganhar, mas estou colaborando para uma mudança. Se eu não mudar, eu acho que eu apresso o processo e isso é o que basta para mim. No Judiciário, eu sempre fiz isto e quando eu cheguei à Corregedoria, consegui mudar algumas coisas. Este é o meu objetivo nesta campanha.
 
BN: A senhora acredita que esta história da bênção será utilizada de forma distorcida para querer abalar a imagem de Eliana Calmon?
 
EC: Não, porque já tentaram durante muito tempo, inclusive quando eu era corregedora. Isso não tem mais graça porque eu disse isto no Senado. 
 
BN: O Congresso, em geral, tem evitado discutir temas relativos ao próprio processo eleitoral. Muitas vezes, o STF tem tomado decisões que seriam do Legislativo, como a votação da Adin da OAB para acabar com as verbas de empresas privadas em campanha eleitoral. A senhora pretende enfrentar estes temas no Senado?
 
EC: Enfrentarei. Sem dúvida alguma é muito difícil, porque a gente fica muito isolado dentro de um contexto. Uma andorinha só não faz verão, duas não fazem, nem três, mas é preciso enfrentar, é preciso discutir. Ir para a tribuna e falar para o povo ouvir o que a gente tem a dizer e o que é preciso mudar. Eu vou com o espírito de apressar o processo de mudança. As regras eleitorais, dos partidos políticos, são um absurdo. São regras casuísticas, vão mudando de acordo com os interesses dos grupos dominantes, de forma que a relação entre o poder econômico e o poder político existe a partir da elaboração das leis. É preciso fazer regras transparentes para acabar com os grotões que são seccionados de duas formas: as pessoas ignorantes não sabem em quem votar, então você faz a troca de voto [por favores], e as pessoas não tão ignorantes, que é a classe media, você engana com regras que são verdadeiros embustes. Por exemplo, Renan dizer que depois do movimento de junho o Senado votou projetos espetaculares, isso não é verdade. Eles votaram projetos pela metade, que parecem deslumbrantes, mas não são.
 
BN: De que forma a senhora acha que o financiamento de campanha deveria ser feito?
 
EC: Eu acho que mudar as regras do jogo agora será um desastre. Se eles cortarem as doações de campanha de pessoas físicas para os outros candidatos, será muito bom para Dilma. Os cofres já estão cheios. O certo seria ter uma verba pública de campanha para ser repassada para os partidos, porque não é possível que estas empresas deem milhões sem nada a receber. Não existe almoço de graça. Pode até ter uma ou outra doação, por uma questão de simpatia, na qual seja descontado, por exemplo, o imposto de renda. Mas o que eu sei é que os empresários terminam favorecendo todos os partidos que tenham a possibilidade de ganhar porque ficam bem em qualquer situação. Ou seja, vão com a faca na mão exigir a retribuição daquilo que foi dado. O financiamento público acabaria com isso. Mas eu acho que tudo deva passar pelo controle do Tribunal de Contas. E não digo que a verba saia exclusivamente dos cofres públicos, mas que o público tenha controle sobre o que vai para os partidos.
 
BN: A senhora acha que a Justiça tem interferido ou não na atividade legislativa?
 
EC: Acho que está interferindo e esta interferência é comum, atualmente, em todos os países democráticos com esta nova visão do Judiciário. É a judicialização da política porque, se um dos poderes está faltando em cumprir o seu dever, vem o Judiciário para preencher. Isso se deu no Canadá, Turquia e em Israel. A criação do muro em Jerusalém, por exemplo, foi decidida pela suprema corte. Eu acho que isto é um sinal de maturidade. O problema é que, no Brasil, a falta do Legislativo tem sido constante. Aqui, há uma apatia do Congresso Nacional em razão destas parcerias que estão sendo feitas com o partido dominante que é o PT. Paralisa-se o Legislativo e o Executivo fica nas mãos do PMDB. É isto que estamos vendo claramente. Eu fui eleitora do PT porque sempre quis mudanças e ele tinha dois propósitos: inclusão social e ética na política. Os programas sociais foram bem sucedidos, mas a ética na política foi embora. Cada vez mais eles se comprometem com a bancada econômica e prejudicam a política social. A corrupção está dominando tudo. É possível perceber, em Brasília, a degradação ética de forma muito palpável.
 
BN: E dentro do Judiciário?
 
EC: Posso dizer que, na Justiça, as coisas também pioraram porque ela é o reflexo da sociedade. Ela não está fora da sociedade. De onde saem os magistrados? Quem escolhe os magistrados e tribunais superiores? Antigamente, no STJ, chapa branca (candidatos escolhidos por políticos) não entravam na lista. Hoje, há uma interferência direta de políticos na escolha e isso me preocupa muito. Por isso eu estou saindo sem muita saudade. Eu sou magistrada há 34 anos. Contando os cinco de procuradora da República, são 39. Pensava que sairia com saudade, que não saberia fazer outra coisa, mas estou com uma sensação de libertação da escravatura, me sentindo livre.
 
BN: No evento do PSB e Rede Sustentabilidade, a senhora falou que não tem dinheiro, que não é conhecida do grande público, mas a senhora tem um perfil combativo o que, de certo modo, causa até simpatia principalmente entre os mais jovens. Tem alguma estratégia definida para que este perfil, da pessoa que quer mudar a política como mudou o Judiciário, seja reforçado? Como isso vai chegar ao grande público?
 
EC: Eu ainda não tracei estratégia porque eu tenho que fazer isto junto com o partido, com as pessoas que farão política comigo. Tenho muita esperança de que a Rede me ajude, porque ela tem uma penetração muito boa. Tem muita gente jovem com o perfil simplista, de mudança, de combatividade e este pessoal eu acho que tem um perfil muito parecido com o meu. No PSB, eu gosto das soluções práticas do Eduardo Campos. Ele fez um trabalho magnífico em Pernambuco, eu conheci quando era corregedora. Campos acompanhava os números da violência no estado. Uma vez, ligou para mim e disse que as ações, em Jaboatão dos Guararapes, cidade com índice de criminalidade alta, não estavam sendo julgadas e sim prescrevendo. Nós trabalhamos juntos e se fez uma revolução no local. Fiquei encantada porque o governador estava à frente disso tudo. Aqui, antes de atuar no Tribunal da Bahia, chamei Fernando Schmidt [atual presidente do E. C. Bahia], que era assessor do governador, e pedi que ele falasse ao governador Jaques Wagner que ele precisava me ajudar, senão a gente não consertaria o TJ-BA. Não foi feito nada. Aqui na Bahia todos os órgãos estão cooptados: O Ministério Publico, Tribunal de Justiça e Tribunal de contas.
 
BN: A única alternativa da senhora vai ser o Senado? Porque a disputa vai ser bastante difícil. A senhora não cogita outra possibilidade? Candidata a deputada federal ou prefeitura de Salvador em 2016, por exemplo?
 
EC: Não. Cargo executivo eu não quero. O cargo executivo eu acho que é um administrador momentâneo. O que eu gosto é de fazer a diferença. Se me perguntassem se eu queria ser presidente do STJ, eu diria que não, porque o presidente do STJ é um administrador de prédio. Um prefeito da Bahia administra uma cidade. Eu acho que os processos de mudança estão no Legislativo.
 
BN: Nem vereadora. Aguardaria para 2018?
 
EC: Aguardaria. Se tiver fôlego até lá.
 
BN: Mas a senhora acredita que é possível, mesmo com toda dificuldade, este projeto ganhar?
 
EC: Acho que é possível. As coisas podem mudar, mesmo na Bahia. A minha estratégia será rede social e eu vou, pessoalmente, conhecer a Bahia. Eu quero ir para o sertão ver de perto os problemas. Não é possível que este estado não vá para frente. Esta junção prefeitura e governo é uma lástima. E o governador, Jaques Wagner, tem tudo nas mãos, mas o dinheiro acaba indo para outros estados.
 
BN: Em relação às mudanças no Judiciário baiano, que expectativa a senhora tem em relação a esta nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça? É diferente da anterior? Alguma coisa efetiva vai mudar?
 
EC: A Justiça baiana é muito preocupante. Durante muitos anos houve um domínio do Executivo sobre o Poder Judiciário da Bahia. Veio alguém para combater esta ideia, mas depois começou-se a fazer as mesma coisas. Eles continuaram subservientes ao governo porque é uma forma fácil de obter favores, principalmente depois da constituição de 88, porque tudo passa pelo Poder Judiciário. Quando há a conivência do Judiciário com o governo fica tudo um mar de rosas. Existe a troca de empregos. Além disso, aqueles que estavam combatendo Antonio Carlos Magalhães foram para lá e fizeram o mesmo. Os cargos dentro do Judiciário foram distribuídos conforme ser contra o presidente ou a favor. No final, eles ficaram tão desgastados que começaram a cooptar a parte podre do Tribunal – que são aqueles desonestos, corruptos – para fazer maioria. Eles estavam em uma situação quase insustentável. Tem uma turma que não é corrupta, mas não quer se indispor e fica quieto. Um dos grandes problemas do colegiado é o silencio dos bons. As pessoas não querem se desgastar. 
 
BN: Corporativismo?
 
EC: Não, é uma forma de não se aborrecer, de se preservar. Muitas pessoas diziam para mim: “Você já é ministra, pare de brigar, fique quieta”. Depois da interferência do CNJ, os corruptos estão assustados e aqueles inocentes estão querendo trabalhar para mostrar que a Bahia tem um tribunal que se respeite. Eles começaram a verificar que o que há de mal feito dentro do Judiciário baiano tem visibilidade em Brasília. Quanto ao atual presidente, Eserval Rocha, ele é um homem muito correto. Todos diziam que ele era louco, assim como disseram que eu era louca. Na verdade, é, realmente, quase uma loucura você querer marchar contra o vento. E ele sempre fez isso. Ele não tinha chance de ser presidente se não fosse este afastamento. A mulher mais forte do tribunal se chama Telma Britto e ela não queria ele. 
 
BN: A senhora, principalmente no CNJ, fez muitas denúncas e teve acesso a muitos documentos. Com esta documentação, é possível afirmar que o governo da Bahia e o Tribunal de Justiça da Bahia são corruptos? A senhora pretende apresentar esta documentação durante a campanha?
 
EC: Não, eu não farei isto. Aquilo que eu verifiquei como corregedora eu passei para o corregedor. Não usarei isto como arma eleitoral. Acho que seria uma indignidade da minha parte me aproveitar de um cargo no judiciário para usar como argumento de campanha.
 
BN: Mas é possível afirmar que o governo da Bahia e o Tribunal de Justiça são corruptos?
 
EC: Não. Eu não posso dizer que sejam corruptos. Existem muitos desvios, mas dentro de um contexto de um país tão corrupto, eu posso dizer que não é o pior. O maior problema do Judiciário baiano não é a corrupção, é a inação. É não querer fazer, não aceitar a mudança em troca de pequenos favores, benesses. Tribunal corrupto era o do Paraná, o do Maranhão.
 
BN: É verdade que a primeira-dama Fátima Mendonça é funcionária fantasma no Tribunal de Justiça?
 
EC: É. É só verificar em um site. Eles colocaram todos os documentos e a funcionária que denunciou foi punida por isso.  
 
BN: Existe apenas um adversário até agora, o vice-governador Otto Alencar (PSD). Qual a avaliação que a senhora faz do oponente?
 
EC: Parece que ele é realmente muito forte porque ele é uma pessoa muito afável, que todo mundo quer bem, não tem inimigos. Ele é do sistema, então tem mais penetração do que eu. A avaliação que eu faço é que ele é um candidato difícil pelo perfil que ele apresenta. O que eu acho interessante é que ele é muito bom, mas por que ele não foi candidato a governador?
 
BN: Como fazer para ganhar dele?
 
EC: As redes sociais,a diferença, o boca a boca. Será que isso funciona na Bahia? Alguém tentou? Até agora não. Vamos tentar?
 
Evilásio Júnior, José Marques e Fernanda Aragão
Bahia Notícias