Imagem: José Cruz/ABr
Eliana Calmon já foi juíza federal, procuradora da República, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora nacional de Justiça. Em 2014, já aposentada, a ex-magistrada decidiu enfrentar um novo desafio: concorrer a um cargo no Senado. Anunciada como pré-candidata pela dobradinha PSB-Rede Sustentabilidade, em dezembro de 2013, Eliana contou ao Bahia Notícias qual a sua intenção em entrar para a política brasileira e demonstrou conhecer os obstáculos que deverá superar para fazer a diferença, caso seja eleita. “Para quem não é profissional do ramo é muito difícil enfrentar o eleitorado, mas eu acho que nós precisamos começar. Senão, não muda. 

 
A mudança só vem a partir do momento em que tomamos a deliberação de querer mudar”, declarou. A baiana postulante ao Senado também confessou ter sido apadrinhada politicamente pelo senador Antônio Carlos Magalhães para chegar ao posto de ministra do STJ. Ela disse que não teve nenhum envolvimento com ele posteriormente. "Eu joguei as regras do jogo. Eu não poderia ser diferente, senão eu não seria ministra. É diferente de agora. 
 
O que eu acho importante para a nação é a gente mudar as regras do jogo e eu sei que não é fácil. Mas a população quer mudança e a maior prova disso foram os movimentos nas ruas", explicou. Eliana ainda criticou o envolvimento do Tribunal de Justiça da Bahia com o governo do Estado e decretou: “O maior problema do Judiciário baiano não é a corrupção, é a inação”.
 
Bahia Notícias: Como está a preparação para a eleição? Já está sendo feito o planejamento de pré-campanha?
 
Eliana Calmon: Ainda não, porque a minha filiação aconteceu no dia 19 de dezembro, minha aposentadoria no dia 18 e eu não posso lutar em duas frentes. Eu estava com a cabeça totalmente voltada para o Judiciário porque eu queria deixar os processos mais complicados resolvidos. Trabalhei muito, nos últimos dias, e não pensei em política. Depois da filiação, vieram as festas de Natal e Ano novo. Combinamos que, a partir da segunda-feira seguinte, começaríamos. O partido vai alugar uma sala para montar um escritório, já que não podemos ter comitê até junho, de acordo com a Legislação Eleitoral. O que eu acho engraçado é que é tudo muito camuflado. Pela legislação, eu nem posso dizer que vou ser candidata a senadora, mas como é que se faz política se a gente não diz o que quer ser? A presidente Dilma e o ex-presidente Lula estão fazendo propaganda claríssima, na televisão, de forma que esta Legislação Eleitoral é uma coisa esquisita. São dois pesos e duas medidas. Esta não possibilidade de Marina Silva regularizar a Rede de Sustentabilidade, por exemplo, foi algo que, para a Justiça, ficou muito difícil de explicar. Com relação aos partidos, acho que são verdadeiras camisas-de-força para manter o sistema. Precisávamos modernizar esta ritualística eleitoral, pois ela faz parte de um sistema que favorece os candidatos “profissionais”. Foi justamente isto que me deu ânimo para enfrentar [as eleições]. Os profissionais chegam à política e não fazem nada ou fazem aquilo que não deveriam fazer e nós ficamos a dizer “não tem candidatos bons, isso é um absurdo!”, “Hoje a política é muito feia, só existe corrupção”. A pergunta é a seguinte: E você, cidadão brasileiro, fez o quê? Ficou com medo de enfrentar isso? Para quem não é profissional do ramo é muito difícil enfrentar o eleitorado, mas eu acho que nós precisamos começar, senão não muda. A mudança só vem a partir do momento em que tomamos a deliberação de querer mudar.
 
BN: Quando a senhora tomou a deliberação de querer mudar na política? Quem chegou com o convite primeiro? O próprio PSB ou outros partidos?
 
EC: O primeiro partido que me fez o convite foi o PTN. Eles me deram uma medalha ao mérito legislativo e depois me convidaram para tomar um café, mas eu não pude ir, pois tinha uma sessão de julgamento. Recebi a medalha e saí antes de a solenidade terminar. Depois, me convidaram para outro encontro, eu fui e eles me fizeram o convite. Naquela época, eu não pensava nisso [candidatar-se a senadora]. Eles insistiram e eu disse que pensaria. O segundo convite veio do PSB. Eu estava na Bahia, quando uma pessoa, através de meu irmão, disse que precisava falar comigo. Esta pessoa disse que Eduardo Campos estava querendo conversar comigo sobre a possibilidade de um convite para se candidatar ao governo do Estado ou ao Senado e que as portas do PSB estariam abertas. 
 
BN: Isto foi quando mais ou menos?
 
EC: Isto foi antes de junho, antes das manifestações sociais. A partir daí, aconteceram sucessivos convites e eu fiquei assustada. A primeira conversa mais séria que eu tive foi quando o PDT me convidou, através de Cristóvão Buarque [senador pelo DF], e eu disse para ele que eu achava que eu tinha uma popularidade muito periférica: pessoas que lêem jornais e sabem o que é o CNJ. Disse, ainda, que eu achava que não teria uma candidatura que penetrasse no povão. Além disso, que eu ouvia dizer que uma campanha custa milhões e eu estava saindo da Justiça com um patrimônio muito pequeno, não tinha dinheiro para gastar em política, de forma que eu teria de ser carregada pelo partido. Falei também que eu não era mulher para ficar pedindo dinheiro a empresário e ele disse que eu não me preocupasse. Todos me acenavam com a possibilidade de ser muito mais fácil a eleição em Brasília por eu ser mais conhecida, o eleitor ser mais consciente e por não ter municípios. Cristóvão Buarque chegou a dizer “Eu fiz campanha e dormi na minha casa todos os dias. Saía para as cidades satélites e voltava”.
 
BN: Algum outro partido te fez o convite?
 
EC: O DEM convidou, através do Agripino Maia [senador pelo RN], o PMDB também convidou, inclusive o presidente, Valdir Raupp [senador por RO], esteve comigo. Mas todos eles me empurravam para Brasília e eu comecei a refletir: o que é que eu tenho a ver com Brasília? O fato de ser fácil se eleger? Eu estou querendo partir para uma política diferente e já começaria errando, no primeiro passo, se escolhesse uma cidade que não é minha, onde não tenho raízes. Eu continuo baiana, nunca deixei de ter casa na Bahia, venho constantemente quando estou estressada porque é onde eu consigo me energizar. Então decidi que seria candidata pela Bahia, mas ainda resistindo muito. Depois, vieram os movimentos de junho que me deixaram muito impressionada, com uma vontade de ir para rua. Se os meus netos fossem maiores, eu iria e diria: “Eu tinha que tomar conta dos meninos, por isso que eu fui”. Neste momento, eu vi, por meio da TV Senado, quatro gatos pingados discutindo a situação. Entre eles, Cristóvão Buarque juntamente com o Pedro Simon [senador pelo PMDB-RS]. Logo depois, assisti uma longa entrevista de Pedro Simon, na qual ele falava sobre o que vivenciou na República a partir de Ulysses Guimarães [ex-deputado federal pelo PMDB-RJ e líder da Constituinte de 1988]. No final da entrevista, ele criticava alguns políticos e o jornalista perguntou a ele: " Se o senhor tivesse que dar um conselho a um jovem, o senhor diria para ele se envolver na política ou não?" Ele respondeu que diria ao jovem que fosse imediatamente, que ligasse o computador e começasse, nas redes sociais, a fazer política. Ao refletir sobre tudo isto, tomei minha deliberação. Muita gente me reprovou por eu ter vindo para a Bahia. Diziam que eu gostava de coisas difíceis e que seria impossível. 
 
BN: Aqui na Bahia, o DEM dava como certa a candidatura da senhora ligada à oposição. Nas discussões também foi retomado o discurso do juiz Fernando da Rocha Tourinho que disse que a senhora pediu a bênção de Antônio Carlos Magalhães para o STJ. Mas, o ideário do que Eliana Calmon pensa sobre política está mais ligado a um pensamento de direita ou esquerda? Porque a senhora se filiou ao PSB...
 
EC: Totalmente de esquerda. Embora tenham me ligado muito a Antônio Carlos Magalhães, eu nunca estive ligada a ele. Pelo contrário. Quando eu me candidatei a uma vaga no STJ, me disseram que ele tinha um candidato: Lázaro Guimarães. Todos os políticos me perguntavam: a senhora é da Bahia, porque a senhora não está com Antonio Carlos? Soube que o senador dizia: “Eu não conheço bem esta moça, mas eu só sei que ela não fez nada pelo carlismo”. Terminei indo, por um amigo, conversar com Edison Lobão [Ministro de Minas e Energia e senador licenciado pelo PMDB-MA] e Jader Barbalho [senador pelo PMDB-PA]. O Jader disse para mim: “Eu conheço a senhora, a senhora votou contra mim no caso do polígono dos castanhais [que foi um processo contra grilagem], mas eu gosto de juiz correto. Eu vou ajudar a senhora”. Eu não acreditei, mas ele ajudou. Durante o processo, o candidato de ACM não entrou na lista de escolhidos, quem entrou fui eu concorrendo com Ellen Gracie, do Rio Grande do Sul. Eu soube que já estava tudo certo para ela ser apresentada como a primeira mulher a entrar no Superior Tribunal de Justiça no dia 8 de março (Dia internacional da Mulher). Segundo Jader, Ellen era a candidata do presidente [Fernando Henrique Cardoso]. Liguei para Edison Lobão e ele disse que apenas uma pessoa desmancharia isso: Antônio Carlos Magalhães. Entrei em contato com Tomás Bacelar, que foi meu professor, expliquei a situação e disse que eu precisava de alguém que chegasse até Antônio Carlos Magalhães e dissesse que, embora eu não fosse a candidata dele, eu era da Bahia. Pedi também a outros amigos que falassem com o senador, mas ninguém me dava resposta. Decidi ligar para ele. Consegui o telefone com Josafá Marinho [ex-senador pelo PFL-BA], liguei a primeira vez, em um domingo, e ele não atendeu. Um dia, de noite, o telefone tocou. “Doutora Eliana, aqui é Antônio Carlos.” Eu nem acreditei, pensei que fosse trote. “Está nervosa?”, eu respondi: “A alma está saindo pela boca”. Ele deu risada e disse “Fique calma, já tomei todas as providências. Não vai sair nada amanhã, vai demorar. Não estou prometendo nada, porque o presidente está irredutível, mas disse a ele que nós precisávamos conversar porque ele tinha um compromisso com a Bahia. Era doutor Lázaro, mas ele não entrou. Então, vamos ver.” Foram três meses esperando. Algumas vezes, ele ligava e dizia: “Esta gaúcha está danada, mas estamos no páreo, eu estou insistindo”. Neste período, fizeram dossiê contra mim, disseram que eu julgava contra a União e eu tive que fazer um contra-dossiê. Foi um inferno. Finalmente, fui eleita pelas mãos de Jader e Antônio Carlos, porque os dois ficaram unidos. Esta é a história de Eliana unida a Antônio Carlos. Não tive mais nada a ver com ele.
 
BN: Este apadrinhamento já te prejudicou de alguma maneira?
 
EC: Fiquei muito preocupada com este apadrinhamento e, no Senado, quando fui sabatinada, disse que achava muito política a escolha de um ministro de um tribunal superior. Disse que o escolhido chegava ao cargo comprometido politicamente e, como tinha muitos interesses para julgar, isto não era bom. Perguntaram se eu havia me comprometido politicamente. Eu disse que não tive compromisso, mas tive padrinhos políticos: Edison Lobão, Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Todos acharam que eu era uma anta política e que eu tinha enlouquecido quando assumi isto. Mas foi o mais certo que eu fiz, pois, a partir dali, eu não podia julgar nada que eles tivessem interesse, já que todo mundo sabia que eles haviam sido meus padrinhos. Antonio Carlos sempre me fez os maiores elogios e muita gente que ia pedir para ele para que eu interferisse em julgamento, ele dizia: “Nem a mim ela atende. É melhor não pedir”. Eu joguei as regras do jogo. Eu não poderia ser diferente, senão eu não seria ministra. É diferente de agora. O que eu acho importante para a nação é a gente mudar as regras do jogo e eu sei que não é fácil. Mas a população quer mudança e a maior prova disso foram os movimentos nas ruas. Não estou achando que eu vou ganhar, mas estou colaborando para uma mudança. Se eu não mudar, eu acho que eu apresso o processo e isso é o que basta para mim. No Judiciário, eu sempre fiz isto e quando eu cheguei à Corregedoria, consegui mudar algumas coisas. Este é o meu objetivo nesta campanha.
 
BN: A senhora acredita que esta história da bênção será utilizada de forma distorcida para querer abalar a imagem de Eliana Calmon?
 
EC: Não, porque já tentaram durante muito tempo, inclusive quando eu era corregedora. Isso não tem mais graça porque eu disse isto no Senado. 
 
BN: O Congresso, em geral, tem evitado discutir temas relativos ao próprio processo eleitoral. Muitas vezes, o STF tem tomado decisões que seriam do Legislativo, como a votação da Adin da OAB para acabar com as verbas de empresas privadas em campanha eleitoral. A senhora pretende enfrentar estes temas no Senado?
 
EC: Enfrentarei. Sem dúvida alguma é muito difícil, porque a gente fica muito isolado dentro de um contexto. Uma andorinha só não faz verão, duas não fazem, nem três, mas é preciso enfrentar, é preciso discutir. Ir para a tribuna e falar para o povo ouvir o que a gente tem a dizer e o que é preciso mudar. Eu vou com o espírito de apressar o processo de mudança. As regras eleitorais, dos partidos políticos, são um absurdo. São regras casuísticas, vão mudando de acordo com os interesses dos grupos dominantes, de forma que a relação entre o poder econômico e o poder político existe a partir da elaboração das leis. É preciso fazer regras transparentes para acabar com os grotões que são seccionados de duas formas: as pessoas ignorantes não sabem em quem votar, então você faz a troca de voto [por favores], e as pessoas não tão ignorantes, que é a classe media, você engana com regras que são verdadeiros embustes. Por exemplo, Renan dizer que depois do movimento de junho o Senado votou projetos espetaculares, isso não é verdade. Eles votaram projetos pela metade, que parecem deslumbrantes, mas não são.
 
BN: De que forma a senhora acha que o financiamento de campanha deveria ser feito?
 
EC: Eu acho que mudar as regras do jogo agora será um desastre. Se eles cortarem as doações de campanha de pessoas físicas para os outros candidatos, será muito bom para Dilma. Os cofres já estão cheios. O certo seria ter uma verba pública de campanha para ser repassada para os partidos, porque não é possível que estas empresas deem milhões sem nada a receber. Não existe almoço de graça. Pode até ter uma ou outra doação, por uma questão de simpatia, na qual seja descontado, por exemplo, o imposto de renda. Mas o que eu sei é que os empresários terminam favorecendo todos os partidos que tenham a possibilidade de ganhar porque ficam bem em qualquer situação. Ou seja, vão com a faca na mão exigir a retribuição daquilo que foi dado. O financiamento público acabaria com isso. Mas eu acho que tudo deva passar pelo controle do Tribunal de Contas. E não digo que a verba saia exclusivamente dos cofres públicos, mas que o público tenha controle sobre o que vai para os partidos.
 
BN: A senhora acha que a Justiça tem interferido ou não na atividade legislativa?
 
EC: Acho que está interferindo e esta interferência é comum, atualmente, em todos os países democráticos com esta nova visão do Judiciário. É a judicialização da política porque, se um dos poderes está faltando em cumprir o seu dever, vem o Judiciário para preencher. Isso se deu no Canadá, Turquia e em Israel. A criação do muro em Jerusalém, por exemplo, foi decidida pela suprema corte. Eu acho que isto é um sinal de maturidade. O problema é que, no Brasil, a falta do Legislativo tem sido constante. Aqui, há uma apatia do Congresso Nacional em razão destas parcerias que estão sendo feitas com o partido dominante que é o PT. Paralisa-se o Legislativo e o Executivo fica nas mãos do PMDB. É isto que estamos vendo claramente. Eu fui eleitora do PT porque sempre quis mudanças e ele tinha dois propósitos: inclusão social e ética na política. Os programas sociais foram bem sucedidos, mas a ética na política foi embora. Cada vez mais eles se comprometem com a bancada econômica e prejudicam a política social. A corrupção está dominando tudo. É possível perceber, em Brasília, a degradação ética de forma muito palpável.
 
BN: E dentro do Judiciário?
 
EC: Posso dizer que, na Justiça, as coisas também pioraram porque ela é o reflexo da sociedade. Ela não está fora da sociedade. De onde saem os magistrados? Quem escolhe os magistrados e tribunais superiores? Antigamente, no STJ, chapa branca (candidatos escolhidos por políticos) não entravam na lista. Hoje, há uma interferência direta de políticos na escolha e isso me preocupa muito. Por isso eu estou saindo sem muita saudade. Eu sou magistrada há 34 anos. Contando os cinco de procuradora da República, são 39. Pensava que sairia com saudade, que não saberia fazer outra coisa, mas estou com uma sensação de libertação da escravatura, me sentindo livre.
 
BN: No evento do PSB e Rede Sustentabilidade, a senhora falou que não tem dinheiro, que não é conhecida do grande público, mas a senhora tem um perfil combativo o que, de certo modo, causa até simpatia principalmente entre os mais jovens. Tem alguma estratégia definida para que este perfil, da pessoa que quer mudar a política como mudou o Judiciário, seja reforçado? Como isso vai chegar ao grande público?
 
EC: Eu ainda não tracei estratégia porque eu tenho que fazer isto junto com o partido, com as pessoas que farão política comigo. Tenho muita esperança de que a Rede me ajude, porque ela tem uma penetração muito boa. Tem muita gente jovem com o perfil simplista, de mudança, de combatividade e este pessoal eu acho que tem um perfil muito parecido com o meu. No PSB, eu gosto das soluções práticas do Eduardo Campos. Ele fez um trabalho magnífico em Pernambuco, eu conheci quando era corregedora. Campos acompanhava os números da violência no estado. Uma vez, ligou para mim e disse que as ações, em Jaboatão dos Guararapes, cidade com índice de criminalidade alta, não estavam sendo julgadas e sim prescrevendo. Nós trabalhamos juntos e se fez uma revolução no local. Fiquei encantada porque o governador estava à frente disso tudo. Aqui, antes de atuar no Tribunal da Bahia, chamei Fernando Schmidt [atual presidente do E. C. Bahia], que era assessor do governador, e pedi que ele falasse ao governador Jaques Wagner que ele precisava me ajudar, senão a gente não consertaria o TJ-BA. Não foi feito nada. Aqui na Bahia todos os órgãos estão cooptados: O Ministério Publico, Tribunal de Justiça e Tribunal de contas.
 
BN: A única alternativa da senhora vai ser o Senado? Porque a disputa vai ser bastante difícil. A senhora não cogita outra possibilidade? Candidata a deputada federal ou prefeitura de Salvador em 2016, por exemplo?
 
EC: Não. Cargo executivo eu não quero. O cargo executivo eu acho que é um administrador momentâneo. O que eu gosto é de fazer a diferença. Se me perguntassem se eu queria ser presidente do STJ, eu diria que não, porque o presidente do STJ é um administrador de prédio. Um prefeito da Bahia administra uma cidade. Eu acho que os processos de mudança estão no Legislativo.
 
BN: Nem vereadora. Aguardaria para 2018?
 
EC: Aguardaria. Se tiver fôlego até lá.
 
BN: Mas a senhora acredita que é possível, mesmo com toda dificuldade, este projeto ganhar?
 
EC: Acho que é possível. As coisas podem mudar, mesmo na Bahia. A minha estratégia será rede social e eu vou, pessoalmente, conhecer a Bahia. Eu quero ir para o sertão ver de perto os problemas. Não é possível que este estado não vá para frente. Esta junção prefeitura e governo é uma lástima. E o governador, Jaques Wagner, tem tudo nas mãos, mas o dinheiro acaba indo para outros estados.
 
BN: Em relação às mudanças no Judiciário baiano, que expectativa a senhora tem em relação a esta nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça? É diferente da anterior? Alguma coisa efetiva vai mudar?
 
EC: A Justiça baiana é muito preocupante. Durante muitos anos houve um domínio do Executivo sobre o Poder Judiciário da Bahia. Veio alguém para combater esta ideia, mas depois começou-se a fazer as mesma coisas. Eles continuaram subservientes ao governo porque é uma forma fácil de obter favores, principalmente depois da constituição de 88, porque tudo passa pelo Poder Judiciário. Quando há a conivência do Judiciário com o governo fica tudo um mar de rosas. Existe a troca de empregos. Além disso, aqueles que estavam combatendo Antonio Carlos Magalhães foram para lá e fizeram o mesmo. Os cargos dentro do Judiciário foram distribuídos conforme ser contra o presidente ou a favor. No final, eles ficaram tão desgastados que começaram a cooptar a parte podre do Tribunal – que são aqueles desonestos, corruptos – para fazer maioria. Eles estavam em uma situação quase insustentável. Tem uma turma que não é corrupta, mas não quer se indispor e fica quieto. Um dos grandes problemas do colegiado é o silencio dos bons. As pessoas não querem se desgastar. 
 
BN: Corporativismo?
 
EC: Não, é uma forma de não se aborrecer, de se preservar. Muitas pessoas diziam para mim: “Você já é ministra, pare de brigar, fique quieta”. Depois da interferência do CNJ, os corruptos estão assustados e aqueles inocentes estão querendo trabalhar para mostrar que a Bahia tem um tribunal que se respeite. Eles começaram a verificar que o que há de mal feito dentro do Judiciário baiano tem visibilidade em Brasília. Quanto ao atual presidente, Eserval Rocha, ele é um homem muito correto. Todos diziam que ele era louco, assim como disseram que eu era louca. Na verdade, é, realmente, quase uma loucura você querer marchar contra o vento. E ele sempre fez isso. Ele não tinha chance de ser presidente se não fosse este afastamento. A mulher mais forte do tribunal se chama Telma Britto e ela não queria ele. 
 
BN: A senhora, principalmente no CNJ, fez muitas denúncas e teve acesso a muitos documentos. Com esta documentação, é possível afirmar que o governo da Bahia e o Tribunal de Justiça da Bahia são corruptos? A senhora pretende apresentar esta documentação durante a campanha?
 
EC: Não, eu não farei isto. Aquilo que eu verifiquei como corregedora eu passei para o corregedor. Não usarei isto como arma eleitoral. Acho que seria uma indignidade da minha parte me aproveitar de um cargo no judiciário para usar como argumento de campanha.
 
BN: Mas é possível afirmar que o governo da Bahia e o Tribunal de Justiça são corruptos?
 
EC: Não. Eu não posso dizer que sejam corruptos. Existem muitos desvios, mas dentro de um contexto de um país tão corrupto, eu posso dizer que não é o pior. O maior problema do Judiciário baiano não é a corrupção, é a inação. É não querer fazer, não aceitar a mudança em troca de pequenos favores, benesses. Tribunal corrupto era o do Paraná, o do Maranhão.
 
BN: É verdade que a primeira-dama Fátima Mendonça é funcionária fantasma no Tribunal de Justiça?
 
EC: É. É só verificar em um site. Eles colocaram todos os documentos e a funcionária que denunciou foi punida por isso.  
 
BN: Existe apenas um adversário até agora, o vice-governador Otto Alencar (PSD). Qual a avaliação que a senhora faz do oponente?
 
EC: Parece que ele é realmente muito forte porque ele é uma pessoa muito afável, que todo mundo quer bem, não tem inimigos. Ele é do sistema, então tem mais penetração do que eu. A avaliação que eu faço é que ele é um candidato difícil pelo perfil que ele apresenta. O que eu acho interessante é que ele é muito bom, mas por que ele não foi candidato a governador?
 
BN: Como fazer para ganhar dele?
 
EC: As redes sociais,a diferença, o boca a boca. Será que isso funciona na Bahia? Alguém tentou? Até agora não. Vamos tentar?
 
Evilásio Júnior, José Marques e Fernanda Aragão
Bahia Notícias

Eleições 2014

Em conversa com o blog, o tucano Márcio Machado confirma sua pré-candidatura ao Buriti, critica duramente o governo Agnelo e garante que sua absolvição no processo que o acusava de dispensa ilegal de licitação na reforma do Nilson Nelson calou de vez seus adversários: “Não estou fora do jogo político”, frisa.

 

Blog do Sombra: A sua saída da presidência do PSDB-DF gerou algumas especulações. Por que o senhor deixou o comando regional dos tucanos?

 

Márcio Machado: Olha, eu tive a honra de presidir o diretório regional do PSDB por três mandatos consecutivos. Consegui unir todas as forças políticas do partido em torno de um projeto em defesa dos princípios e pensamentos que contribuíssem com interesse maior da sociedade. O problema é que em maio de 2013 terminou meu mandato e, pelo estatuto, eu não poderia ser reconduzido ao cargo. Além disso, não tinha pretensão de retornar à presidência do partido. A mudança sempre serve para oxigenar um grupo. ...

 

Blog do Sombra: Então não houve relação com a acusação de dispensa de licitação do Nilson Nelson quando o senhor era secretário de Obras?

 

Márcio Machado: Claro que não (risos). Desde que esse processo foi recebido na Justiça já sabíamos que ele não prosperaria. Inclusive, por informações de amigos meus de dentro do próprio partido que militam na área jurídica. A ação só prosperaria se houvesse comprovação de dano ao erário, coisa que nunca ocorreu. Pelo contrário, ficou provado que a reforma foi enxuta e custou muito menos do que a previsão inicial. Reduzimos gastos e assim a Justiça entendeu. A minha absolvição era certa, mas é claro que a palavra final de um colegiado botou um ponto final nessa história, que serviu apenas para alguns adversários acharem que eu estaria fora do jogo político. Hoje mostro que não estou.

 

Blog do Sombra: A sua permanência como presidente durante três mandados no PSDB ajuda ou atrapalha a sua disposição de ser candidato ao Buriti?

 

Márcio Machado: Sou do PSDB desde 1995 e tenho história com o partido. Com essa trajetória, aliada à função de presidente por três mandatos, eu acredito que pode sim contribuir imensamente para a decisão de colocar meu nome à disposição do meu partido como pré-candidato a governador. É claro que levei em consideração também a minha história de vida como engenheiro, de empresário e ainda as diversas funções públicas que exerci, quando adquiri conhecimento de todos os problemas que tanto incomodam a população do Distrito Federal.

 

Blog do Sombra: O senhor decidiu anunciar sua candidatura após o PSDB já possuir pelo menos dois outros prováveis nomes ao governo. Qual foi o motivo dessa decisão?

 

Márcio Machado: É bom que se deixe claro que todas as candidaturas colocadas são legítimas, inclusive a minha. Ouvi muitas pessoas do partido, aliados e realmente acredito que meu nome poderá agregar ao PSDB, principalmente agora que o partido está passando por um momento difícil, de turbulência, necessitando de união entre todas as forças para as eleições.  É o que eu falei ainda há pouco: além de toda a minha experiência de vida, acabei sendo cobrado por nossos companheiros tucanos para que colocasse meu nome à disposição. E quem me conhece ou me acompanha sabe que sempre tive uma vida política muito ativa e sempre preocupado com os problemas do DF. É lógico que nutro um desejo imenso de poder contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade de vida de nossa população. Desta forma, encarei como um desafio e não hesitei em tomar a decisão.

 

Blog do Sombra: O senhor é engenheiro e ficou conhecido como o homem das obras do governo Arruda. No entanto, seu companheiro de partido, Luiz Pitiman, que tenta viabilizar a candidatura, também cuidou de obras no mesmo governo e possui um perfil parecido. O que diferencia o senhor do deputado Pitiman?

 

Márcio Machado: Veja bem, tenho todo o respeito pelo deputado Pitiman, ainda mais agora que ele pertence aos quadros do partido. Realmente estivemos juntos no governo Arruda, mas eu fui secretário de Obras por três anos e tive a oportunidade, ouvindo a comunidade, de planejar e executar todas as duas mil obras do Governo Arruda. No entanto, nossa convivência no Governo Arruda foi curta, pois ele esteve à frente da Novacap por apenas nove meses. Além de engenheiro civil, eu tenho uma grande experiência e conhecimento, tanto na iniciativa privada como na gestão pública. Fui secretário de Obras e membro titular de diversos conselhos, como Sebrae, Conselho de Preservação da Área Tombada de Brasília, Conselho de Desenvolvimento Econômico, Conselho de Habitação, Conselho do Meio Ambiente, Conselho da CEB, Conselho do Metrô, presidente de entidade de classe e várias outras, que realmente podem somar e muito nesse desafio.  Além disso, o que eu acho o mais importante, é que apesar de ser mineiro, tenho 34 anos vividos em Brasília com muito orgulho, onde construí minha vida e família, mas também conheci todos os rincões do Distrito Federal e seus problemas. Agora, se temos o perfil parecido ou não, deixo para as pessoas julgarem.

 

Blog do Sombra: E a respeito do outro pré-candidato tucano, o também deputado Izalci, como o senhor avalia?

 

Márcio Machado: O deputado Izalci é um companheiro que viveu o partido por diversos momentos importantes, tem uma história de vida que lhe permite postular qualquer função pública no DF. Acredito e vou trabalhar muito para que possamos, eu Izalci e Pitiman, unir forças tendo como objetivo comum o melhor para o PSDB e para as nossas cidades, deixando de lado a vaidade e trabalhando focados para eleger Aécio Neves como presidente do Brasil e também  o próximo governador para tirarmos o Distrito Federal dessa crise em que vive com a gestão do PT.

 

Blog do Sombra: Então como o senhor pretende trabalhar para convencer de que seu nome é o mais viável para o partido?

 

Márcio Machado: O partido possui diversos nomes com muita experiência e em condições de também pleitear esta função pública. Posso citar a governadora Abadia, o deputado Izalci, o ex-secretário de Governo, José Humberto, e vários outros. Além de minha história de vida limpa, tenho procurado aprofundar conversas com todos os companheiros do PSDB-DF e da direção nacional. Quero mostrar a todos o meu perfil e a minha experiência, além de minha proposta para a cidade. Acredito no projeto de que possamos somar com os todos os partidos para promover a união das forças de oposição aos governos do PT, tanto local quanto nacional. Precisamos dessas forças para fazer um belo palanque aqui em Brasília e ajudar na vitória do nosso presidente Aécio Neves, além de fazer o novo governador do Distrito Federal. Assim, eu confio e acredito que estaremos ajudando o Brasil e Brasília a promover as mudanças que a população tanto cobra.

 

Blog do Sombra: Há rumores de que o PSDB já decida ainda em janeiro a possível candidatura majoritária ao DF. Caso não seja o escolhido, o senhor trabalhará para o candidato referendado?

 

Márcio Machado: É verdade. Tudo leva a crer que aconteça esta escolha até o fim do mês. E eu acredito que a escolha do candidato do PSDB tem que ser feita de uma forma tranquila, sem afobamento, adotando-se um processo de análise profundo e democrático, sempre visando os interesses da socialdemocracia e da população do Distrito Federal. O nosso presidente regional, o ex-ministro Eduardo Jorge, e o nosso presidente nacional, Aécio Neves, são homens públicos que têm um enorme apreço pela transparência, democracia e pelo diálogo permanente. Portanto, o PSDB sabe que não precisa ter tanta pressa para uma definição como esta, até porque todos sabem que a "a pressa é inimiga da perfeição". Mas o dever de todo postulante é, primeiramente, agregar e não ser candidato dele próprio. E assim tenho trabalhado. Segundo, é ouvir o que a maioria deseja. Sendo assim, teremos confiança na voz de nossos militantes. E claro, sempre confiando na sabedoria e isenção de nossos dirigentes para que o processo seja o mais democrático possível.

 

Blog do Sombra: Se o senhor realmente for o escolhido, qual será a maior bandeira do PSDB na campanha para conquistar o Palácio do Buriti?

 

Márcio Machado: O PSDB já possui praticamente pronto um conjunto de propostas para ser apresentado à sociedade do DF. Elas servirão para convencer que nossas ideias, em conjunto com a dos demais partidos aliados, será a melhor opção para a nossa população. O governo do PT que está provisoriamente de plantão, que tem uma aprovação de apenas 9% da população e que foi apontado pela pesquisa do IBOPE como o segundo pior governo do Brasil, não tem projeto para o Distrito Federal, não fez e não faz nada, a não ser gastar milhões em propaganda mentirosa e absurda. Estamos assistindo um caos na saúde, a pior do país, o pior índice de criminalidade, a educação abandonada e um total desgoverno. Vamos, portanto, apresentar uma proposta à sociedade que mude toda esta situação que aflige o cidadão brasiliense. A educação e a saúde, com certeza, merecerão uma atenção redobrada e serão nossa prioridade, e não um estádio bilionário e megalomaníaco como esse que o PT ergueu. Vamos acabar com analfabetismo e tornar a educação exemplo para o Brasil e iguala-la ao dos melhores índices do mundo. Vamos construir o futuro. Mas é claro que não estarmos sozinhos nesta missão. Tenho muita confiança que o PPS, presidido pela deputada Eliana Pedrosa, o DEMOCRATAS, presidido pelo aguerrido  Fraga ,o PP do competente Paulo Otávio e outras tantas lideranças formarão uma grande aliança para mudar, pra melhor, tudo isto que está aí.

Fonte: Redação - 19/01/2014

Região do Entorno

De problema a uma nova prioridade.

 

Considerada durante muito tempo apenas um problema, a Região Metropolitana passou a ser prioridade do governo de Goiás. Segundo o governador, Marconi Perillo, as cidades próximas ao Distrito Federal representam uma importante área de desenvolvimento e nos últimos anos têm recebido recursos para vários setores. 

 

Para virar esse jogo, Perillo tem usado como importante trunfo os investimentos federais e também a integração com o DF. “Temos boas parcerias com o Governo Federal e Ministério das Cidades, via PAC do saneamento. Trabalhamos em conjunto com os municípios na área de mobilidade  e de desenvolvimento urbano”. O governador afirma ter conseguido resultados importantes na redução da violência no Entorno, mas a proteção às fronteiras e a legislação são obstáculos nesse processo.

 

O que mudou no tratamento da Região Metropolitana, sempre vista como esquecida pelo Governo de Goiás, mas agora recebendo mais atenção?

 

A Região Metropolitana do DF é hoje, ao lado da Região Metropolitana de Goiânia, a mais importante para nosso estado. É uma região muito densamente povoada. Além da densidade, tem uma população muito expressiva. Nós calculamos que sejam 1,5 milhão os goianos e brasileiros que vivem ali. São goianos que colaboram muito com o desenvolvimento do Distrito Federal. Nós temos pelo menos 400 mil trabalhadores do DF que vivem em Goiás, prestam seu suor, trabalho, inteligência, em favor de todos que vivem em Brasília. A economia da Região Metropolitana é dinâmica, ativa e é uma área que, pelo fato de ter ficado esquecida por muitos governos anteriores, acabou se transformando em dependente de muitas melhorias de infraestrutura urbana. Outra razão, para mim, foi ter trabalhado com o então senador Henrique Santillo, que à época criou um programa chamado Geoeconômica de Brasília. Ele sempre foi um estudioso dos problemas da Região Metropolitana. Mas com o passar destes 15 anos, desde que assumi o governo pela primeira vez, a região melhorou muito. ...

 

Em que áreas?

 

Nós tínhamos duas ou três comarcas com juízes, apenas. Hoje, praticamente todas as cidades têm fóruns novos, juízes, sedes do Ministério Público e promotores designados para trabalhar na região. O poder público estadual também está presente com significativas obras na área de saneamento em todas as cidades e, em algumas localidades, temos parcerias com o governo do DF e a Caesb. Em muitas outras, temos boas parcerias com Governo Federal e Ministério das Cidades, via PAC do saneamento. Trabalhamos em conjunto com os municípios na área de mobilidade urbana e desenvolvimento urbano. Estamos construindo o sistema produtor Corumbá 4. Com ele, todo o Entorno Sul de Brasília será atendido por muito tempo com abastecimento de águas de qualidade. Aliás, não só o Entorno Sul, mas várias outras cidades de Brasília. Em Águas Lindas, nós também temos uma boa parceria com a Caesb. Nesse período de 15 anos, houve uma presença muito significativa do governo, embora reconheçamos que ainda é preciso investir muito mais em esgoto e saneamento básico e água tratada. 

 

As rodovias têm sido prioridade?

 

Sim, temos muitas obras de infraestrutura para cidades do Entorno. Por exemplo, a duplicação entre Novo Gama e Lago Azul já está pronta. Nós agora vamos fazer a iluminação do canteiro central. É uma obra muito cobrada ali. Estamos construindo a alternativa à BR 040, saindo da Cidade Osfaya até o Jardim ABC. Neste ano, vamos construir as rodovias de Novo Gama, Barragem do Corumbá 4, Jardim Ingá, todas em direção a Luziânia. Está sendo licitada a rodovia que liga Santo Antônio do Descoberto à Barraca da Serra. Estamos reconstruindo a Avenida Goiás e o trecho que liga Santo Antônio a Águas Lindas. Já estamos em obras na rodovia que liga Águas Lindas a Brazlândia. Reconstruímos a rodovia que liga a divisa do DF até São João da Aliança e vamos concluir o trecho até Alto Paraíso e Campos Belos, assim como o trecho que liga a BR 020 até Cabeceiras. Não há nenhuma cidade sem previsão de recursos vultosos do governo do estado, para recuperação de vias ou para pavimentação de bairros. 

 

Qual são as principais dificuldades de se trabalhar em conjunto com o governo do DF? É difícil organizar as iniciativas?

 

Eu não sinto isso, mas sempre procurei facilitar as coisas. Há uma necessidade muito grande, por força da lei e do Ministério Público, de criação dos consórcios para manejo dos resíduos sólidos. Ali na região do Entorno há uma grande necessidade de resolver o problema do lixo urbano. O governo do DF também precisa. Resolvemos criar um consórcio entre os governos de Goiás, do DF e as prefeituras de cidades mais próximas ao DF. Brasília tem características de cidade e de estado e tem que resolver o problema do lixo. Aí nos juntamos para dar uma solução. Outra questão em que eu procurei trabalhar conjuntamente com o GDF, e fui correspondido, é a mobilidade urbana. Estamos trabalhando juntos nos ministérios do Planejamento e Cidades, para viabilizar recursos do PAC, de mobilidade urbana das grandes cidades e estender o BRT para a direção de Valparaíso e Luziânia. Esse tem sido um trabalho constante. Já entramos com pedidos nesses dois ministérios e tivemos boas sinalizações por parte do coordenador nacional do PAC, da ministra Míriam Belchior e do ministro Aguinaldo Ribeiro. 

 

Tínhamos ali três problemas graves relacionados a hospitais. O hospital de Valparaíso tinha sido começado há muito tempo, deixei o meu governo e não foi concluído. Concluí rapidamente e ele está funcionando muito bem. Mas havia duas pendências históricas, os hospitais de Santo Antônio do Descoberto e Águas Lindas. Esses hospitais receberam dinheiro do Governo Federal, mas estavam sendo tocados pelas prefeituras, que alegavam muitas dificuldades. E nós começamos desde o início do ano passado um trabalho para dar solução a esses dois casos. Aí, tivemos muita sensibilidade e apoio por parte do Ministério da Saúde e dos prefeitos. Os hospitais foram repassados para o governo do estado e, com isso, estamos fazendo novas licitações. Com ajuda do Governo Federal, nós vamos concluir esses hospitais e equipá-los a partir desse ano e botar para funcionar. Vamos transformar tanto os hospitais de Águas Lindas como o de Santo Antônio em hospitais de urgência. Os hospitais sempre foram bastante criticados, por supostamente sobrecarregar a rede pública do DF. Como o governo de Goiás tem trabalhado para resolver esse problema?

 

Quais as iniciativas para a educação e segurança na região?

 

Também tivemos uma grande preocupação com a educação no Entorno, levando programas como Prêmio Aluno e Bolsa Futuro, que é o maior programa de qualificação profissional do País. Nós resolvemos repassar o dinheiro direto para os diretores de escola para reformas de todas as escolas de toda a Região Metropolitana de Brasília. Praticamente todas foram reformadas. Na área de segurança pública, estamos construindo quatro presídios novos no Entorno. Três com capacidade para 300 presos e um, em Planaltina, com menor capacidade. Aumentamos o banco de horas para ter mais policiamento. Sabemos que ali é uma região muito conflagrada. Determinei que se aumente agora todo o efetivo para as cidades do Entorno. Estamos recrutando novos policiais civis, militares e bombeiros, por concurso, além de delegados. E também através de um programa chamado serviço militar voluntário, trazendo reservistas das Forças Armadas, bem treinados, homens que passaram até seis anos em treinamento, e vamos colocá-los nas ruas. Ali em muitas cidades já há uma sensação de melhoria da segurança.

 

Com relação à participação do Legislativo, tanto no DF, como em Goiás, o senhor tem recebido apoio dos parlamentares para as políticas para a Região Metropolitana?

 

Eu tenho tido apoio muito significativo dos três senadores goianos, Lúcia Vânia (PSDB), Cyro Miranda (PSDB) e Wilder Morais (DEM). Recebi desse tempo todo o apoio de toda a bancada federal de Goiás. Ao longo desse tempo, sempre senti uma boa vontade muito grande dos deputados do DF em relação às cidades do Entorno, mas eu faria um destaque todo especial para o senador Gim Argello (PTB), que foi fundamental para a viabilização de pelo menos três operações de crédito, indispensáveis para o governo de Goiás, para a execução desses projetos de governo. Ele tem sido, na base do governo da presidente Dilma, o grande interlocutor, viabilizador, de todos esses projetos que estão sendo desenvolvidos na Região Metropolitana.

 

Sobre o seu futuro político, qual será a prioridade, seja reeleito?

 

Eu passei em 2012 por dificuldades políticas, que estão sendo superadas. Espero que elas possam ser totalmente superadas em 2014 porque nós temos um elenco de investimentos, de obras e de avanços sociais e econômicos muito grandes. Aí, em meados de 2014, vou tomar uma decisão em relação ao que vai acontecer em Goiás com a nossa base. Minha grande preocupação é o projeto atual, de realizar o melhor governo da história de Goiás, superando inclusive os meus dois outros governos.

 

O governo instituiu o programa Reconhecer, que premia os professores com poucas faltas. O senhor está satisfeito com os resultados? Esse é o caminho para o resto do País?

 

Eu não diria que só o programa Reconhecer possa resolver o problema da educação no País. Nós aqui fizemos uma grande reforma educacional nesses últimos três anos, implantando um programa chamado Pacto pela Educação. Ele é composto de 25 pilares, que passam pela valorização e reconhecimento dos professores, melhoria da rede física, mudança grande no programas pedagógicos, valorização do aluno.  

 

A violência sempre foi uma das questões críticas da Região Metropolitana. Os investimentos têm sido suficientes?

 

Temos problemas que fazem com que a violência aumente vertiginosamente no Brasil. Primeiro, só os governos estaduais são obrigados pela Constituição a investir em segurança. É preciso que a Constituição seja alterada e que todos, por forma vinculada, tenham a obrigação de investir um percentual de receita em segurança pública, porque é uma área que precisa de dinheiro, para a polícia e também para a inteligência. O mais complicado é o tráfico de drogas. Nós temos fronteiras muito grandes com Colômbia e Bolívia, infelizmente, mal guardadas. Isso resulta na facilidade para os narcotraficantes. Goiás está no centro, as pessoas chegam aqui facilmente. Apesar de eu ter investido desde 2011 na polícia de divisas, não é suficiente. Hoje, no estado e no País inteiro, 80% dos crimes são praticados em função das drogas, principalmente o crack. E o último motivo é a legislação processual penal, penal, que faz com que todo esforço da polícia seja quase em vão. Prende hoje e amanhã solta. A Justiça acaba soltando por força da legislação. É preciso endurecer a lei. Nunca se apreendeu tanta droga em Goiás como em 2013, nunca se prenderam tantas pessoas como agora. Mas em média, o traficante fica 40 dias na cadeia e sai para cometer crimes às vezes piores. 

 

Quais os principais resultados dos seus três mandatos?

 

No ano 2000, nosso PIB era composto quase que todo pelos serviços da atividade agropastoreira. Só tínhamos 5% de participação da indústria e agora, já são 36%. Há 15 anos, quando eu assumi, o PIB era de R$ 17,5 milhões. Hoje, chegamos a R$ 130 milhões. Nesse período, foram gerados aproximadamente 800 mil empregos. Temos hoje três montadoras de veículos, Hyundai, Mitsubishi e Suzuki e também uma montadora de tratores. Temos também um parque industrial muito diversificado, principalmente nas áreas de medicamentos e confecções. E há vocação turística muito forte, turismo de águas quentes e religioso.

 

Fonte: Daniel Cardozo - Jornal de Brasília - 14/01/2014



O senhor foi cinco vezes deputado federal e disputou as eleições em 2010 como vice na chapa de Joaquim e Weslian Roriz. Até hoje ainda é citado como nome forte para a votação deste ano. Será candidato?
Eu sou citado em toda parte, mas ninguém vem me procurar. Por enquanto, estou quieto e a tendência é que eu não dispute coisa nenhuma. Não vejo nenhuma coalizão em torno do meu nome. O PR está trabalhando a candidatura do Arruda ao governo. Naturalmente, se o cabeça de chapa é de um partido, as outras vagas majoritárias ficarão com outros partidos. Sei que só vou ser escolhido se for por exclusão, se fulano ou beltrano for impedido de concorrer é que vão pensar em mim. Até agora, não sou a primeira escolha de ninguém.

Isso deixa o senhor magoado?
Não, mas vamos ver o que acontece. A partir de março, as coisas devem se definir. Não estou com muito apetite de concorrer, se me procuram eu converso, opino. Estou aposentado, em casa, a única coisa que faço por enquanto é encher a paciência da minha mulher. Vejo movimentações pelos jornais, mas ninguém me chama para reunião nenhuma. Às vezes, recebo um ou outro telefonema de gente querendo saber que cargo eu vou disputar. Fui deputado federal por cinco vezes e a verdade é que na última legislatura eu já estava completamente desestimulado.

O que o desestimulou?
Eu sou trabalhador, acordo cedo, corro atrás para resolver as coisas. Mas na Câmara, não conseguia produzir. As coisas não andam por lá. Só quando fui da Comissão de Seguridade Social é que me sentia produtivo. Apresentava projetos, trazia ideias, mas as coisas ficavam engavetadas, nada acontece ali dentro. Sou médico, sou prático, tenho esse espírito de cirurgião: se está sangrando, vamos correr para resolver, para estancar o sangue. Mas lá na Câmara fica todo mundo só naquelas briguinhas. Me cansei. No meu primeiro mandato, fui constituinte, participei daquele momento mágico. Mas depois de duas, três, quatro legislaturas, você se decepciona. Quando chegou a quinta, vi que era hora de descansar.

E se fosse algum cargo majoritário? O senhor disputaria?
Se fosse outro cargo, eu poderia pensar. Mas é preciso que haja uma união de forças. Ninguém é candidato de si mesmo. Na época das filiações partidárias, todo mundo me procurou. Minha campainha, que estava há anos sem tocar, até enguiçou de tanta gente que veio à minha casa. É verdade! Mas me procuravam para quê? Para eu ser candidato a deputado? Para isso eu nem precisava mudar de partido e fiquei no PR mesmo. Ninguém me queria como protagonista, só como coadjuvante. Mas coadjuvante eu já tenho sido há muito tempo.

Se for candidato, qual será o seu lema?
Tenho competência e correição de procedimentos. Já basta o que Brasília sofreu, as forças da cidade têm que se movimentar para escolher pessoas corretas e decentes. Precisamos tirar a nossa cidade dessa situação.

Da redação do Eixo Capital

Em entrevista para a televisão, um dia desses, o repórter me perguntou:

- O senhor não acha que a licitação de novos ônibus está demorando?

Respondi o que realmente eu sentia, o que era uma verdade interior para mim:

- Está sim. Está demorando 50 anos.


Se fosse hoje, 29 de Dezembro de 2013, eu poderia responder: acabou a demora.

Não sei se você tomou conhecimento: meu governo tinha conseguido quebrar o monopólio das empresas de ônibus de Brasília. ...

Há décadas, um pequeno grupo de pessoas controlava o setor e prestava um serviço de má qualidade, com ônibus velhos e um atendimento, no mínimo, desrespeitoso aos passageiros.

Quebramos o monopólio, fizemos nova licitação, em junho de 2012, e iniciamos a substituição, por veículos novos, de todos os 2630 ônibus do Distrito Federal. Absolutamente todos.

Mas, por incrível que possa parecer, uma única empresa das que  perderam a concessão - um único empresário - estava conseguindo emperrar o processo de mudança radical que estamos fazendo no sistema de ônibus de Brasília.

A Viplan, do sr. Wagner Canhedo, vinha opondo, um atrás do outro, obstáculos para a efetiva concretização da concorrência.

O último deles foi a recusa em pagar a indenização trabalhista de seus funcionários, sob a alegação de falta de recursos.

Como seria desumano deixar milhares de pais e mães de família desamparados, determinei que o GDF assumisse o pagamento dos direitos dos empregados da Viplan. E, em seguida, cobrasse da empresa na Justiça.

Diante da ameaça de se prolongar o mau atendimento da Viplan aos que precisam de seus 940 ônibus – e da perpetuação do monopólio - não tive dúvidas: mandei fazer a intervenção e passar o controle da empresa para o governo.

Agora, o que temos que fazer é prestar o melhor serviço, com ônibus novos e um atendimento eficiente. É isso que vou cobrar diariamente.

Na mesma entrevista para a televisão, o repórter me perguntou por que estou sendo mal avaliado nas pesquisas. Eu respondi que não sei, é difícil compreender a razão porque o forte trabalho que estamos fazendo não está sendo reconhecido pelas pessoas.

Mas, na realidade, nosso trabalho não está sendo re-conhecido, porque ele não é conhecido.

É o que dizem as pesquisas: a maior parte da população não sabe o que estamos fazendo, não tem idéia da grande transformação, da profunda mudança que meu governo está realizando.

Só agora, estamos começando a mostrar essas mudanças e transformações, algumas delas, esperando 50 anos.

Atacamos com toda força a questão da mobilidade urbana. E demos prioridade para o transporte de massa.

O objetivo é tornar a circulação diária das pessoas, da casa para o trabalho, mais rápida, mais fácil, mais confortável.

E, com isso, desafogar as ruas e o trânsito para os carros de passeio.

A maior demonstração disso é o Expresso DF Sul.

São 43 quilômetros de pistas exclusivas para ônibus articulados, que vão fazer uma viagem do Gama e de Santa Maria ao Plano Piloto – que hoje gasta uma hora e vinte – demorar só 40 minutos.

O Expresso DF Sul já está com quase 80% concluído.

Por isso, já estamos tocando o Expresso DF Oeste, que sai de Ceilândia e Taguatinga e chegará em minutos ao terminal sul de Brasília.

E no primeiro semestre de 2014, vamos começar o Expresso DF Norte, que vai até Sobradinho e Planaltina.

O Asfalto Novo, que vai chegar a todas as cidades, a pista do aeroporto e outras grandes intervenções que estamos fazendo mostram um pouco de uma das faces do nosso governo, a de executor de grandes e importantes obras.

Nossa outra face é a social, que é pouco vista, mas é de uma importância enorme. Brasília deixou de ser a cidade mais desigual do País por conta da nossa política de combate a desigualdade.

O exemplo é a Fábrica Social.

Instalada na Estrutural, uma área de grande carência, num galpão enorme com máquinas e equipamentos, a Fábrica Social ensina uma profissão às pessoas  – a maioria mulher – que viviam da cata do lixo. Elas aprendem a confeccionar bandeiras, uniformes, bolas de futebol. E ganham por peça, por produtividade. Já tem mulheres ganhando até dois mil reais por mês.

Algumas delas se reuniram e vão devolver o Cartão do Bolsa- Família ao governo, porque, explicam, não precisam mais dele. E é comovente ouvir uma delas dizer: “o cartão que a gente devolve vai servir para outra pessoa que esteja precisando mais”.

Pode estar aí uma das portas de saída, que tanto reclamam para os programas sociais.

Já estamos construindo 53 creches e vamos chegar a 115, ano que vem.

Brasília tinha só três Centros Olímpicos. Nós fizemos mais oito.

Mesmo na saúde, que encontrei em estado deplorável, nós conseguimos avançar bem, embora infelizmente, ainda tenhamos sérios problemas.

A Saúde é um problema nacional e aqui, onde eu sonhava poder resolver tudo rapidamente, a questão é agravada com a vinda diária de ambulâncias do Entorno e de outros estados para nossos hospitais. Um exemplo, dobramos de 207 para 431 UTIs na rede pública, fizemos mais em 03 anos do que em 50 anos de vida da nossa cidade.

Instalamos quatro UPAS – Unidades de Pronto Atendimento – que funcionam como pronto-socorro, com vários tipos de atendimento de urgência. E em 2014, vamos entregar mais dez. Só esse ano, elas retiraram 120 mil pessoas das filas de atendimento dos hospitais.

Criamos as Carretas da Mulher, que levam as consultas e exames aonde as elas vivem. E atendem mulheres idosas que nunca viram um médico em toda a vida. Mais de cem mil atendimentos já foram realizados.

Nós ainda fizemos 9 Clínicas da Família, dobramos o número dos Agentes de Saúde e o Hospital da Criança que é uma referência nacional.  

Temos muito a mostrar, em todas as regiões e em todas as áreas.

A maior prova do quanto nós fizemos, está no orçamento, eficiência na execução e na aplicação em obras, prezando sempre a transparência e a qualidade de nossas ações.

A melhor marca do governo anterior foi em 2009, com a execução de 1 bilhão e meio de reais.

Em 2012, nós já conseguimos superar estes números. Executamos 1 bilhão e oitocentos milhões do orçamento.

Em 2013, batemos o recorde de todos os tempos no DF: executamos 2 bilhões e 300 milhões de reais.

E, para 2014, nós temos uma boa notícia capaz de garantir um ano feliz para o Distrito Federal e todos os que aqui vivem e trabalham: no ano que vem, vamos executar nada mais, nada menos, a quantia de quase 5 bilhões de reais em melhorias para nossa população.

 

Feliz Ano Novo para todos.

Que Deus nos abençoe!

 

Agnelo Queiroz

Governador do Distrito Federal

Fonte: Correio Braziliense - 31/12/2013