Na entrevista, ele diz ainda que, caso o governo apoie a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara Federal, ele irá romper a aliança com a presidente brasileira

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“Esse cara deve ser assim, entre mil picaretas, o picareta Mor. Eu conheço esse cara desde o governo Collor. Ele operava no escândalo do PC Farias na Telerj. Depois tava enrolado no fundo de pensão da Sedae do governo Garorinho e aí vem vindo. Depois tava enrolado no governo Lula com Furnas e agora enrolado até o gogó em tudo em quanto. E ele é o que banca os colegas. Todo mundo sabe disso. Antigamente, o picareta achava a sombra, procurava ali o bastidor, ia fazendo as picaretagens dele escondido. Agora não! Quer ser o presidente da Câmara. Se o PT mais a Dilma aceitarem, eu rompo e vou pra oposição. Claramente. Pouco importa a boa-fé do meu irmão Cid Gomes. Eu enchi”, concluiu Ciro...

Entrevista completa

Milícia na Polícia do Ceará, governo Dilma, transição de Cid Gomes para Camilo Santana, os cenários na política e na economia. Estes são apenas alguns dos assuntos abordados na conversa com o secretário de saúde, Ciro Gomes. As declarações foram feitas em entrevista ao programa HoraK, apresentado pela jornalista Kézya Diniz (eu!), reexibido na segunda-feira (10).

Vídeo

Atendendo a pedidos, aqui está a entrevista completa. O vídeo está disponível no Youtube mas você pode acompanhar aqui mesmo, no final deste post. Além disso, para quem não tem paciência, ou uma internet veloz para assistir vídeos, recortei alguns trechos da entrevista.

Erro crasso na IstoÉ

Em diferentes momentos, Ciro comentou “alguns erros políticos” do grupo liderado por seu irmão, o governador Cid Gomes, como no caso do pedido judicial que barrou a circulação da revista IstoÉ que citou o nome do gestor cearense entre os supostos beneficiários do esquema de pagamento de propina da Petrobras.

“O último [erro] foi durante a campanha, uma desorientação jurídica que foi aquela apreensão da revista IstoÉ. (…) Por maior aberração que seja, apreender uma revista não é a providência correta. Você deve, como eu faço, processar, ir pra cima, esculhambar e tal, mas apreender é um erro crasso”, avaliou o secretário.

Derrota em Fortaleza

Sobre o resultado da eleição, em que Camilo Santana abriu vantagem e venceu nos municípios do interior, mas perdeu nas urnas de Fortaleza para o adversário Eunício Oliveira, Ciro revelou seu desapontamento.

“No dia eu não consegui ficar alegre. Eu não consegui ficar alegre com a vitória do Camilo no segundo turno pensando nisso [na derrota do petista em Fortaleza]. Fortaleza é uma cidade com quem eu tenho uma identidade absoluta e definitiva a quem eu devoto o meu amor, a minha paixão. E, pela primeira vez, Fortaleza me surpreendeu. Me doeu muito a ideia de que eu não conheço mais Fortaleza. Fortaleza sempre votou no melhor, no mais progressista. Dessa vez foi diferente e é preciso entender isso”.

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Questionado se a derrota do grupo na capital acende uma luz de alerta para a reeleição do prefeito Roberto Cláudio, Ciro afastou a hipótese. “Eu não creio que essas coisas se comuniquem assim instantaneamente”.

O secretário, no entanto, avalia que em Fortaleza está a “concentração da crítica” ao governo de Cid Gomes com enfase na Segurança e na Saúde. Ciro completa afirmando que ainda analisa o que as urnas quiseram afirmar. “Enfim, nós vamos precisar entender isso. Eu, por exemplo, hoje, tô muito dedicado a entender, conversar, ouvir as pessoas para entender o que foi [que aconteceu]. O prefeito Roberto está executando um plano e ele vai chegar na avaliação própria, na hora, como um dos maiores prefeitos da história da cidade”.

Milícia

Ciro Gomes voltou a afirmar que existe, na Polícia Militar, a atuação de uma milícia em afinidade com o narcotráfico. E acrescentou que providencias já foram tomadas, inclusive alguns policiais foram identificados e expulsos da corporação, sendo posteriormente absorvidos na Guarda Municipal de Maracanaú. Ele disse ainda ter acionado o Ministério Público para investigar o caso. Ano passado, o assunto causou polêmica, principalmente porque Ciro acusou o vereador Capitão Wagner (PR) – deputado estadual eleito – de chefiar milícia dentro da Polícia Militar. Na entrevista, Ciro explica como funciona a milícia na Polícia do Ceará.

Secretariado de Camilo

Ao comentar sobre a equipe de secretariado do governador eleito, Camilo Santana (PT), Ciro evitou maiores detalhes. “Não sei. Também não quero saber. Apenas, sei que não fico. Depois das eleições, tive apenas duas conversas com Camilo a pedido de Cid Gomes”, disse.

Decepção com Tasso

Ciro Gomes revelou ter se decepcionado com o senador eleito Tasso Jereissati (PSDB), pois, segundo ele, Tasso não deveria ter se coligado com Eunício Oliveira. “Tenho um carinho por ele. Mas, acho que passou do limite ao apoiar o Eunício”, ressaltou Ciro, voltando a chamar o peemedebista de picareta e reafirmando, ainda, que durante a campanha apenas queria que o patrimônio acumulado por Eunício fosse esclarecido à população.

“Eu me decepcionai uma vez com o Tasso. Eu tenho por ele uma afeição definitiva, um respeito imortal, um carinho imenso, também ninguém consegue ver um ataque meu ao Tasso. Não tem a menor chance! Pouco importa, ele veio contra o Cid, quis entregar o Ceará ao Marcos Cals, mas entregar ao Eunício, para o cara que tem a história do Tasso, acho que ele passou do limite”, disparou.

Eunício

Após reafirmar as críticas da campanha contra o senador Eunício Oliveira, questionado sobre como seria caso o peemedebista tivesse concordado com Cid e retirado a candidatura permitido que “todos ficassem juntos, do mesmo lado”, Ciro afirmou não gostar desse tipo de “ajuste que o Cid faz”. “Faço, porque meu papel é cada vez mais secundário, o líder é o Cid mas daí até eu elogiar… Veja o Tasso. Acabou de sair da política, veja se tem algum vídeo dele dizendo que Eunício é um político descente. Não tem”, enfatizou. 

Lula

Questionado se também tinha se decepcionado com Lula, Ciro foi cauteloso. Para ele, o “País precisa criar novas lideranças”, pois é “mal para o país uma dependência”. O ex-presidente não desembarcou em terras alencarinas para pedir votos para Camilo. “O Lula não foi uma decepção mas se ele não guardar o seu lugar, passará a ser de um grande brasileiro que muito ajudou o Pais, para uma figura perniciosa”, declarou Ciro.

Dilma Rousseff

Ciro afirma que, se continuar cometendo erros, Dilma Rousseff não chega ao final de seu mandato. Conforme ressaltou, a petista está em má companhia, citando o vice-presidente da República, Michel Temer, também presidente nacional do PMDB. Para ele, o próximo mandato começará “terrível”. Isso porque deixaram de fazer “muitas coisas”, o que desequilibrou as contas públicas, ressaltando a inflação.

Picareta Mor

Na entrevista, ele diz ainda que, caso o governo apoie a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara Federal, ele irá romper a aliança com a presidente brasileira.

“Esse cara deve ser assim, entre mil picaretas, o picareta Mor. Eu conheço esse cara desde o governo Collor. Ele operava no escândalo do PC Farias na Telerj. Depois tava enrolado no fundo de pensão da Sedae do governo Garorinho e aí vem vindo. Depois tava enrolado no governo Lula com Furnas e agora enrolado até o gogó em tudo em quanto. E ele é o que banca os colegas. Todo mundo sabe disso. Antigamente, o picareta achava a sombra, procurava ali o bastidor, ia fazendo as picaretagens dele escondido. Agora não! Quer ser o presidente da Câmara. Se o PT mais a Dilma aceitarem, eu rompo e vou pra oposição. Claramente. Pouco importa a boa-fé do meu irmão Cid Gomes. Eu enchi”, concluiu Ciro.

PMDB

Ainda sobre o PMDB, Ciro voltou a fazer críticas e disse que o partido “virou uma quadrilha de saqueadores, independente do governo”. Sobre o PMDB estadual, o secretário afirmou ser “irrelevante” ao comentar sobre sua postura de oposição ao próximo governo. E ironizou o vice-prefeito Gaudêncio Lucena, sugerindo que ele se candidate a Prefeitura de Fortaleza em 2016. Sobre sua postura de críticas contra Eunício, ele disse que não costumar “personalizar” na política e que podem criticar seu jeito de ser.

Saúde

Sobre os avanços na saúde do Estado, Ciro foi enfático. “Pretendo deixar a melhor saúde do Estado”, disse, acrescentando que Camilo concluirá o hospital da Regional Metropolitano, e construirá outro no Vale do Jaguaribe. Ciro ainda criticou as propostas adversarias durante a disputa eleitoral. Segundo ele, o principal adversário de Camilo, o senador Eunício Oliveira (PMDB), não tinha ideia das promessas apresentadas ao eleitorado.

“Pé de meia”

O secretário também revelou que analisa propostas de emprego fora do Ceará e disse que está preocupado em fazer seu “pé de meia”.

“Não tem nada fixo ainda, mas eu tô pensando em ganhar algum dinheiro. Pela primeira vez na vida estou começando a me sentir inseguro com relação ao futuro. E escrever. Eu tô com um livro novo na cabeça sobre o Brasil e acredito que o ano que vem, pelo menos, eu vou ocupar com essas duas tarefas. Vou fazer palestras sim, mas eu tenho duas propostas de trabalho na iniciativa privada e eu vou examinar, dependendo do salário. São ambas fora do Ceará. Vou ficar com muita saudade, mas, pelo menos por um ano, eu preciso ganhar algum trocado”, revelou. Por cada palestra, Ciro diz que recebe cerca de R$ 15 mil, líquidos.

Acompanhe abaixo a entrevista completa com Ciro Gomes, em vídeo

Fonte: Portal Política com K - 13/11/2014 - - 17:23:56

Após a derrota nas urnas na disputa pelo Senado, a ex-corregedora do CNJ conta o que aprendeu nos bastidores da política. Apesar do diagnóstico desolador, ela diz que é possível implementar mudanças

imgDepois de chamar a atenção do país para o submundo do Judiciário, com a célebre expressão “bandidos de toga”, a ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon experimentou, pela primeira vez, os prazeres e os dissabores da política. Conduzida ao PSB pelas mãos de Marina Silva e Eduardo Campos, a ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) saiu da estreia nas urnas em terceiro lugar, com 8,4% dos votos para o Senado pela Bahia, na disputa vencida por Otto Alencar (PSD)...

Entre as muitas conclusões que tira do processo eleitoral, estão a existência do voto de cabresto em pleno século 21, a desigualdade entre os candidatos ferindo a democracia do pleito, a atuação imoral dos cabos eleitorais e um comportamento dos políticos que resulta na “institucionalização do cinismo”. Apesar do cenário sombrio traçado, Eliana não descarta continuar na política. Ela diz que tem recebido muitas cobranças e apoios para se manter engajada até as próximas eleições. 

Embora tenha ganhando apenas de candidatos nanicos, que obtiveram menos de 1% da preferência do eleitorado, Eliana faz o balanço pelos números absolutos. “Tive mais de meio milhão de votos, não é coisa pouca”, diz. A ministra aposentada se orgulha dos 20% de votos obtidos em Salvador, onde a atuação dela no Judiciário é mais conhecida. Confira os principais trechos de entrevista que ela concedeu ao Correio.

Que balanço a senhora faz da estreia na política nesta primeira eleição?

Foi uma experiência muito boa, eu tirei muitas conclusões. Sabia das dificuldades que encontraria. Mas posso dizer o seguinte: como cidadã brasileira, minha experiência foi muito bem-sucedida porque eu fui bem votada, tive mais de meio milhão de votos, não é coisa pouca. Tive 20% dos votos da cidade de Salvador, sem ser uma candidata com estrutura de grandes partidos. Então, dadas as dificuldades, eu me considero uma vencedora e tenho algumas conclusões. A primeira conclusão é a falência total do sistema eleitoral como um sistema democrático. Há uma grande desigualdade entre os candidatos. Alguém com um minuto de tevê e os seus adversários com cinco, sete minutos, isso não pode estar certo. Depois é a situação da própria Justiça Eleitoral, que não tem estrutura adequada para fazer uma fiscalização melhor no que se passa no interior do estado, nas cidades menores. 

E o que a senhora viu por lá?

Tem muito derrame de dinheiro, muita compra de votos, eleitores intimados com a ameaça de perda de cargos, os chamados terceirizados aterrorizados com a ameaça de uma revisão dos contratos. Isso me deixou muito triste, porque, realmente, se eu não tivesse vivido isso, poderia achar que era conversa. Mas, infelizmente, isso ainda existe nos grotões, nas cidades do interior, entre as pessoas mais simples, as pessoas mais humildes, que temem o braço do Estado e terminam votando coercitivamente. Foi uma coisa que me deixou muito preocupada porque nós estamos igual a 200 anos atrás, na mesma situação, com as mesmas práticas. Isso foi verificado em cidades do semiárido baiano, que é a área atingida pela seca, na região da Chapada, onde estão os bolsões de pobreza da Bahia, que é um estado muito grande e diversificado. Lá, temos o grande celeiro do voto de cabresto. Eu vivi isso tudo. Visitei cidades simples, de barqueiros e alguns pequenos comerciantes. Pessoas que vivem única e exclusivamente das benesses governamentais e onde o governo sempre ganha. Vi distribuição de cestas básicas em véspera de eleição, de motos, de carros de cachorro-quente. 

O voto de cabresto não é coisa do passado?

Não, é uma coisa muito viva, muito presente. É interessante que nem as estatísticas nem as previsões eleitorais alcançam isso, porque é algo que ocorre nos rincões. Aqui também as pesquisas eleitorais se mostraram equivocadas em razão da falta de penetração nesses locais.

Quando a senhora fala em desigualdade entre os candidatos, está falando de financiamento desigual também?

A questão do financiamento de campanha é uma coisa bem interessante porque as empresas que financiam as grandes campanhas se sentem às vezes tolhidas de fazer doações com receio de retaliações. Na Bahia, nós tivemos notícias de alguns empresários impedidos de fazer doação ao PSB, que era a teceria via. Eu não vi, mas muitas pessoas, de diferentes lugares, traziam a mesma informação, de que as empresas foram recomendadas a não doar, especialmente para a chapa majoritária, em que a candidata Lídice da Mata (PSB) concorria ao governo. Eu não tive problema com isso porque eu fiz uma campanha pequena com as ajudas que tive, na maioria vindas de pessoas físicas, de advogados que me conheciam e queriam colaborar. Escritórios de advocacia de São Paulo me ajudaram, isso me deixou muito satisfeita. Foi uma campanha modesta, beirando os R$ 3 milhões. 

Com a experiência de agora, o que faria de diferente?

Nada. Faria tudo absolutamente igual. Essa política nova que foi sinalizada por Marina Silva é uma política correta. Só que a Bahia não está ainda preparada para essa nova política. Porque nessa nova política não fazemos atividades de rua, mas sim atividades de convencimento para mostrar para as pessoas, para os formadores de opinião, as nossas propostas, por meio de debates, mesas redondas e palestras em que dialogamos com a sociedade. Isso não é sonhático, isso é real. Onde o político esclareça aos eleitores quais as suas propostas, onde você não tem cabos eleitorais. Eu sempre ouvia falar de cabos eleitorais, mas não sabia como funcionavam as coisas.

E como funcionam?

Há pessoas que aparecem assim: “Eu tenho 10 mil votos, 5 mil votos, 3 mil votos, e custa tanto”. Então, é assim que acontece. Eu não sabia. Esses cabos eleitorais podem ser os próprios prefeitos ou pessoas influentes dentro de determinados círculos. Há até algumas pessoas que investem nesse mercado eleitoral, que vivem disso, lucram com essa atividade de quatro em quatro anos. Alguns podem ser mentirosos, outros não. No meu comitê, cheguei a receber uma proposta escrita de cabos eleitorais, que pediam tanto, atuavam em tal bairro, aí tinha uma lista de despesas que ele me cobrava. E ainda dizia que boca de urna era separado. Nós chegamos ao requinte de ter cabo eleitoral apresentando uma espécie de contrato. Isso está errado.

Há mais bandidos de toga ou mais bandidos no jogo político-eleitoral?

Na realidade, são coisas diferentes. Institucionalizou-se no Brasil — e é aí que nós, cidadãos, temos de estar atentos — que em política vale-tudo. Você não tem escrúpulos, você não tem moral, você não tem lado. Você passa de um palanque para o outro, de um partido para o outro, mesmo que ideologicamente contrário, sem precisar dar satisfação. Você passa rasteira, puxa tapete. E, para tudo isso, eles dizem: “Faz parte do jogo político”. Qualquer coisa que eu estranhava durante a campanha, alguém dizia: “É assim mesmo”. Eu não acho que é assim. Jogo político é um jogo legítimo e necessário em qualquer democracia. E você não ter lado, não ter dignidade moral, não ter proposta, isso não está certo. É uma institucionalização do cinismo. É o vale-tudo. Sair das urnas vitorioso é o que vale. E na Justiça é diferente. Você não tem, dentro da Justiça, um jogo de vale-tudo. O que você tem são episódios em que alguns elementos deletérios agem. São dois campos diferentes que precisam ser igualmente acompanhados pela sociedade. 

A senhora continua na política?

Não sei. Eu digo que ainda estou no processo, porque entendo que a campanha só termina quando acaba o segundo turno, de forma que nós continuamos ao lado do Aécio Neves, como determinou o PSB nacional, depois de avaliação interna, e desta forma permaneço engajada. Recebi pedidos de segmentos da sociedade, tenho sido cobrada para continuar. Mas ainda não sei, ainda não tenho ideia de como as coisas vão acontecer. Agora sei como funciona a máquina. Vamos aguardar.

“Jogo político é um jogo legítimo e necessário em qualquer democracia. E você não ter lado, não ter dignidade moral, não ter proposta, isso não está certo. É uma institucionalização do cinismo. É o vale-tudo”

“Foi uma coisa que me deixou muito preocupada porque nós estamos igual a 200 anos atrás, na mesma situação, com as mesmas práticas. (No semiárido) temos o grande celeiro do voto de cabresto. Eu vivi isso tudo”

“No meu comitê, cheguei a receber uma proposta escrita de cabos eleitorais, que pediam tanto, atuavam em tal bairro, aí tinha uma lista de despesas que ele me cobrava. E ainda dizia que boca de urna era separado. Nós chegamos ao requinte de ter cabo eleitoral apresentando uma espécie de contrato. Isso está errado”

Fonte: Correio Braziliense. Por RENATA MARIZ. Foto Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 4/10/13 - 18/10/2014 - - 07:08:30

 Wasny

“Uma nota veiculada no Correio Braziliense que os atuais distritais que foram eleitos só representam 20% da população. Isso mostra que nosso modelo político não está sendo capaz de captar o anseio da população” (Wasny de Roure)

Nas rodas políticas o deputado distrital Wasny de Roure(PT) era um dos menos cotados para ser reeleito. Ele mesmo chegou a declarar a amigos próximos que não mais disputaria e que iria se dedicar à um novo livro, uma releitura das “Escrituras”.

Mas, como um trabalho considerado irretocável para muitos à frente da CLDF e, mais ainda, como um fiel “soldado” que sempre foi do PT, ele decidiu tentar mais uma eleição, e como voto se ganha é nas urnas, Wasny quebrou a maldição da cadeira de presidente da CLDF e conseguiu se reeleger com 19.318 votos.

Uma ótima margem de votos para quem teve poucos recursos e enfrentou a rejeição de um partido com um governador que não foi sequer ao segundo turno. O parlamentar está em seu quarto mandato. Para o distrital, o PT-DF precisa voltar às suas origens e avalia que o governador Agnelo Queiroz fortaleceu instituições que padecia de credibilidade.

O presidente da CLDF recebeu este blogueiro e fez uma rápida, mas perfeita e honesta radiografia do governo Agnelo e das eleições deste ano. Ele justificou o desempenho de Agnelo com a seguinte frase, rara para alguém em sua posição política: “Demos espaço para quem não tinha compromisso conosco e com o nosso plano de governo. Algumas forças políticas, não tinham real interesse de estar com ele (Agnelo)”.

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Abaixo a entrevista na integra:

Rádio Corredor - Qual a sua análise da atual situação política que o país atravessa?

Wasny de Roure - Essa campanha mostrou a insatisfação população com o sistema político, com os políticos e a política. Querem novos patamares de conquista. O Brasil não é mais o mesmo. Democracia robusta, respeita valores e segurança jurídica.

RC - Qual a sua avaliação das eleições no DF?

WR- A insatisfação com a classe política é geral. Uma nota veiculada no Correio Braziliense que os atuais distritais que foram eleitos só representam 20% da população. Isso mostra que nosso modelo político não está sendo capaz de captar o anseio da população.

RC - E a insatisfação com o PT-DF?

WR- A exposição que o PT foi submetido com certeza teve elementos verdadeiros. Mas eu creio que alguns acontecimentos foram turbinados por mídia. Esses fatores geraram um desgaste muito grande para todos nós.

RC - Em que o PT-DF errou?
 

WR - Nesse caso, não se trata de errar ou acertar. O PT-DF se preocupou mais com a gestão governamental do que com os anseios da população. As bases ficaram enfraquecidas e a capacidade de captar e recepcionar os anseios da população ficou comprometida. Esse movimento não se concatenou. Essa foi uma das principais falhas.

RC - Qual o balanço que o senhor faz da gestão do governador Agnelo Queiroz?

WR - Agnelo herdou uma situação totalmente desfavorável, enfrentou esse cenário e construiu uma Secretaria de Transparência. Ele fez um trabalho de transformar a Polícia Civil em uma instituição republicana, não política. O atual diretor da PCDF organizou as coisas. E mais: Agnelo fez um trabalho muito importante na CAESB, CEB e outras instituições que estavam desacreditadas.

RC - O senhor não acha muito pouco?

WR - Agnelo fez um bom governo. Principalmente em matéria de realizações e políticas públicas. Eu creio que o maior erro que nós cometemos foi não valorizar quem realmente representava os nossos anseios. Demos espaço para quem não tinha compromisso conosco e com o nosso plano de governo. Algumas forças políticas, não tinham real interesse de estar com ele (Agnelo).

RC - Por que Agnelo não foi ao segundo turno?

WR - Faltou ao governador uma melhor articulação política. Essa função caberia ao secretário de Governo. O governo não teve. O Paulo Tadeu (conselheiro do Tribunal de Contas do DF) ainda tentou fazer. Mas depois de sua saída essa função não existiu. O nosso leque político não teve robustez de encarar uma campanha política. Foi isso.

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RC - E o futuro do seu partido?

WR - Não fomos mal nas eleições proporcionais. Elegemos quatro deputados distritais. Os parlamentares eleitos foram bem votados. O ponto negativo é a votação do companheiro Chico Leite poderia ter sido melhor caso, a saúde dele não tivesse ficado debilitada nas últimas três semanas.

RC - O senhor quebrou a maldição da cadeira de presidente da CLDF e foi reeleito. Como o senhor conseguiu essa façanha?

WR - Sempre trabalhei bastante e a população reconheceu isso. Eu fiz uma campanha com poucos recursos. Enquanto a esse assunto da maldição entrego na mão de Deus.

Por Odir Ribeiro

Fotos Hernanny Queiroz

Fonte: Blog Rádio Corredor - 15/10/2014 19:59

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Fábio, marido de Marina, sobre escândalo Usimar : ‘Pago caro por um erro que não cometi’.

O técnico agrícola Fábio Vaz de Lima é o discreto marido de Marina Silva, a ex-senadora do Acre que o PSB vai anunciar oficialmente nesta quarta-feira (20) na cabeça de chapa como candidata à Presidência da República no lugar de seu antecessor, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na quarta da semana passada após a queda de seu avião em Santos, no litoral paulista...

Fábio Vaz, como é mais conhecido, nasceu em Santos e passou 13 anos e oito meses de seus 49 anos como assessor e secretário de governadores do PT no Acre, onde o partido comanda o Estado há 16 anos. Seu último cargo, do qual pediu para ser afastado nesta semana, era o de Secretário Adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis.

Leia mais:

AC: marido de Marina Silva pede exoneração do governo do PT

Quando Marina se desfiliou do PT, em 2009, e ingressou no PV, o marido dela também se desligou do PT, mas não aderiu ao PV. Mais recentemente, por não ter conseguido registro do Rede, Marina ingressou no PSB e ele continuou sem filiação partidária, tendo sido muito criticado por petistas por não ter deixado o governo do PT no Acre.

Sempre que Marina Silva ganha maior visibilidade na política, Fábio Vaz sofre as consequências. Em maio de 2001, o então relator do projeto do Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo o acusou de  “fraudador de contrabando de madeira”.

- Esse episódio é muito triste, pois foi uma acusação, uma desonestidade intelectual de uma pessoa com uma historia em defesa da democracia. A democracia não se faz com mentiras e atos torpes como ele fez. Ele me usou, que sou desconhecido, para atacar Marina. Na época falei que não ia agir com o fígado e assim fiz. Junto com Marina, pedimos investigação por parte do Ministério Público Federal para verificar a veracidade da denúncia do deputado. Depois de meses, recebi a posição do MPF (veja) de que nada foi constatado capaz de haver ligação de meu nome com a acusação feita por Aldo Rebelo – afirma.

O nome de Fábio Vaz consta no processo do “caso Usimar”, que envolve 40 pessoas em suposto desvio de R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís, no Maranhão, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Também aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge  Murad.

- Infelizmente colocaram meu nome de maneira indevida, pois naquela reunião do Conselho Deliberativo da Sudam eu participava apenas como ouvinte. Não votei, pois não era titular e nem suplente do Conselho Deliberativo. Estou pagando caro por um erro que não cometi.

Tímido e discreto, Fábio Vaz aceitou pela primeira conceder uma entrevista para falar  da trajetória dele de São Paulo ao Acre, da família, de política, das acusações e das críticas recorrentes pelo fato de ser casado com a presidenciável. Quem é Marina Silva?

- Não é fácil responder em poucas palavras. Marina é a pessoa que todos conhecem. Mulher forte, de caráter, verdadeira em tudo o que faz. Para Marina não há nada morno. Ou é quente ou é frio. Assim também é no aspecto pessoal. Tudo deve ser com a mais profunda verdade. No entanto, na vida familiar existem outras dimensões que me fazem amar Marina ainda mais, a cada dia. São pequenas coisa entre nós que é difícil de explicitar. Existe um comprometimento profundo pelas nossas vidas e dos outros, um carinho e atração sempre renovada, que rega o amor, e um forte compromisso com a palavra de Deus. Gosto do perfume dela, do seu toque, do seu jeito, do seu caráter. Gosto, gosto gosto… Isso é o meu amor por ela.

Veja a entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia:

Você participou três anos como assessor de Jorge Viana na prefeitura de Rio Branco, três anos na gestão dele como governador do Acre, quatro anos no governo de Binho Marques e mais três anos e oito meses no governo de Tião Viana. Ao todo, de forma intercalada, você foi um graduado assessor dos governos do PT durante 13 anos e oito meses. Por que somente agora decidiu se afastar do governo do PT?

Por uma razão bem simples: agora terei de estar perto de minha esposa em função dos acontecimentos políticos nacionais. Se nada disso tivesse acontecido talvez sairia mais adiante. O motivo é de ordem particular, mas com o componente político decorrente da tragédia.

Em 2009, quando Marina se desfiliou do PT e ingressou no PV, você também se desligou do PT, mas não aderiu ao PV. Mais recentemente, por não ter conseguido registro do Rede, ela ingressou provisoriamente no PSB e você continuou sem filiação partidária e foi muito criticado e questionado por petistas por não ter deixado o governo do PT. Como se sentiu sendo hostilizado pelos que se diziam seus companheiros?

É verdade. Foi uma minoria, mas sempre ocorreu esse tipo de questionamentos. Importante que o governador sempre demonstrou respeito pelo meu trabalho e pediu que eu não considerasse esse tipo de abordagem em redes sociais. Alguns chegaram a me pedira desculpas. Na verdade foram jovens que vi crescer no PT e, infelizmente, foram desrespeitosos. Sempre dei mais valor às pessoas que conhecem meu trabalho de muito antes dos novos convertidos no PT. Trabalho com desenvolvimento das comunidades da floresta desde o tempo em que andava na companhia do Chico Mendes. Foi por causa dessa experiência de trabalho que os governos do Acre me convidaram e me mantiveram na equipe.

E lá se vão 16 anos de PT no governo do Acre.

Mesmo com a marina se desfiando do PT, meu entendimento é que, por mais que o partido seja majoritário, os governo no Acre não são apenas do PT. Sao diversos partidos, o que inclui o PSB do vice-governador César Messias. Mesmo não estando filiado ao PSB, entendo que minha contribuição em frentes de trabalho que acompanho há anos poderia ter conta com a minha presença. Agora ficou incompatível, pois terei de estar com minha esposa em tempo integral e não será mais possível exercer o trabalho de forma efetiva. Não tenho a visão que havia incompatibilidade política. A minha historia política e de trabalho sempre foi feita em caminho paralelo, mas independente de minha união com Marina. Minha dedicação ao chamado projeto da Frente Popular do Acre vem desde antes de ganharmos os primeiros governos. Eu me sinto parte de tudo, seja das vitórias e dos desafios que ainda existem.

Você nasceu em Santos e veio para o Acre, em 1983, aos 17 anos. Como veio parar aqui?

Até 1982 eu estudava em escolas agrícolas estaduais em São Paulo. Os meus melhores amigos eram acreanos. Eu sabia tudo a respeito do Acre só de conversar com meus amigos João Othoniel o Bá, entre outros. Eles me incentivaram para ir ao Acre para tentar trabalhar em uma fase de expansão agrícola, no início do regime militar.  Consegui entrar, ainda com 18 incompletos, na extinta Secretaria de Desenvolvimento Agrário, para cuidar do Nucleo Rural Integrado do Bujari, que agora é município, mas à época era apenas uma vila de Rio Branco.  E assim fiquei e aconteceu tudo na minha vida. Agradeço muito aos meus amigos e ao Acre, pois foi a terra que me abraçou com muito carinho. Tenho uma identificação muito forte com o Acre, que cria até um certo aborrecimento com alguns de meus tios em Santos. Quando me apresento, costumo dizer que sou do Acre. Quando meus tios estão pode perto sou repreendido carinhosamente. Eles fazem questão de dizer que na verdade sou de Santos.  Todos sabem que tenho mais tempo de vida no Acre do que na terra que nasci e onde vivem meus pais.

E quando você conheceu Marina?

Conheci Marina quando entrei na Universidade Federal do Acre. No início, à distancia, pois ela já estava formada e a vi durante uma palestra. Isso foi em 1985. No ano seguinte, quando ela já separada  do primeiro casamento, nos aproximamos durante um festival de música promovido pelo Diretório Central dos Estudantes. Começamos a ficar juntos no dia 5 de abril de 1986, na data do meu aniversario.

Santos é marcante na vida ou no destino de Marina? Você nasceu lá, Marina estava lá quando Chico Mendes foi assassinado em Xapuri, em dezembro de 1988. Na semana passada, Eduardo Campos morreu em acidente aéreo em Santos…

Na vida de todos nós acontecem fatos difíceis de explicar, pois acabam sendo muito marcantes. Alguns podem ver significados nisso tudo, mas vejo apenas como acontecimentos. Marina conheceu Santos por minha causa. Quando ficou muito doente, fomos para a casa dos meus pais, onde vivi minha infância. Numa dessas vezes, em 1988, soubemos da morte de Chico. Era perto do Natal e tínhamos ido para Santos após as eleições, quando ela foi eleita vereadora em Rio Branco. Na verdade, naquele dia estávamos em Ribeirão Pires em uma consulta médica e voltamos para Santos. Agora aconteceu essa tragédia lamentável com Eduardo Campos e muda tudo na vida dela. Mas para mim nada tem de significado especial. Faz parte da vida, de termos boas e tristes lembranças de um lugar, seja ele qual for.

Por ser marido de Marina e por ter atividade política e executiva no governo do Acre, várias vezes você esteve no centro de furacões. Está preparado para lidar com isso novamente?

Este é o ônus de quem tem uma vida pública. Eu estou não só acostumado como tranquilo sobre isso. Quem me conhece e eu sabemos de minha conduta em cada espaço publico que atuei. Infelizmente as pessoas não apenas fiscalizam ou exercem o controle das coisas públicas. Algumas são levianas, sórdidas, e isso revolta um pouco. Mas minha fé e consciência me dão grande tranqüilidade no coração e na alma. Temos que estar preparados para lidar com pessoas que não exercem nenhum tipo de função de controle, mas usam da mentira para atingir alguém, infelizmente. Nos resta acreditar nas instituições, esclarecer, e ficar de cabeça erguida quando temos consciência de nossa postura ética na coisa publica. Revolta um pouco, mas minha fé também ajuda minha alma, dando-me tranquilidade durante as tempestades.

Seu nome consta no processo do “caso Usimar”, que envolve 40 pessoas em suposto desvio de R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís, no Maranhão, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Além de você, aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge  Murad. Como você foi parar no centro desse escândalo?

Infelizmente colocaram meu nome de maneira indevida, pois naquela reunião do Conselho Deliberativo da Sudam eu participava apenas como ouvinte. Não votei, pois não era titular e nem suplente do Conselho Deliberativo, que, à época, eram o então governador Jorge Viana e o então secretario de Planejamento, Gilberto Siqueira. Eles eram titular e suplente, respectivamente, mas não puderam estar presentes, pois recebiam a visita de uma delegação de uma instituição internacional no Acre. Fui deslocado para a São Luis de maneira inesperada. Viajei uma noite toda, cheguei no final da manhã, mas atrasado para a reunião da Sudam. Por ter assinado a lista de presença, acredito que meu nome foi colocado na ata, e depois não ocorreu atenção de retificar. Assim, se me lembro, o processo tem duas partes: uma é da investigação principal, de desvio de dinheiro; a outra é de improbidade administrativa dos membros do conselho da Sudam, que votaram no projeto. Como fui incluído na lista de presentes na ata, acabei sendo envolvido.

Por que chegou atrasado?

A reunião foi rápida, cheguei atrasado e nem era conselheiro, apenas ouvinte. Mas esta lá e poderá ser usado por pessoas com má intenção. Mas, acredito, quando as investigações avançarem, poderei mostrar não ter participado efetivamente da votação. Viajei de Rio Branco para São Luís com a roupa do corpo. Cheguei atrasado porque pois tive primeiro que comprar roupa e um paletó para participar. O fato de assinar talvez lista de presença me levou a ser incluído na ata da reunião, mas eu não tinha nem delegação oficial, pois não era titular e nem suplente. Estou pagando caro por um erro que não cometi. Outras pessoas foram incluídas apenas por assinarem presença. Uma delas é a Flora Valadares Coelho, que na época era dirigente do Banco da Amazônia, atualmente secretária de Fazenda e Administração do governo Tiao Viana. É uma pessoa séria, da mais alta credibilidade, funcionária de carreira do Banco Central, em quem acredito muito, mas infelizmente também foi citada. São percalços de quem está na administração publica. Mas é importante destacar que muitos reclamam de investigações, mas eu acho melhor sofrer injustiça inicialmente a não ter instituições de investigações fortes no País. Eu acredito em Ministério Publico, Polícia Federal, n Tribunal de Contas da União e na Advocacia Geral da União. Todas são importantes para o equilíbrio, precaução e controle da coisa publica.

Em maio de 2001, o então relator do projeto do Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo chamou você de “fraudador de contrabando de madeira”.

Esse episódio é muito triste, pois foi uma acusação, uma desonestidade intelectual de uma pessoa com uma historia em defesa da democracia. A democracia não se faz com mentiras e atos torpes como ele fez. Ele me usou, que sou desconhecido, para atacar Marina. Na época falei que não ia agir com o fígado e assim fiz. Junto com marina, pedimos investigação por parte do Ministério Público Federal para verificar a veracidade da denúncia do deputado. Depois de meses, recebi a posição do MPF de que nada foi constatado (veja) capaz de haver ligação de meu nome com a acusação feito por Aldo Rebelo. O caso usado por um inimigo de Marina é bastante ilustrativo de como alguns setores manipulam informação. A Marina, quando era ministra do Meio Ambiente, fez um trabalho de arranjo administrativo, com orientação do MPF, no Pará, envolvendo outras instituições para doar madeira apreendida para trabalhos sociais em região onde trabalhadores foram assassinados por jagunços, como foi o caso do Deda, na Transamazonica. Tudo feito da maneira mais correta, com a participação de várias instituições, às claras. E aí falam que eu era traficante de madeira. Isso machuca, mas graças a Deus tudo já foi muito bem esclarecido. Quem ainda usa essa leviandade o faz por motivos muitos desonestos e espúrios.

Parece que você e Marina sempre sempre se esforçaram para blindar os filhos e outros familiares dos embates políticos. Conseguiram isso em 2010. Será possível repetir o feito neste 2014?

Não é uma blindagem. É a maneira que encontramos de termos todos envolvidos, cada um à sua maneira, na vida política minha e de especialmente de Marina. Shalon, a mais velha, é psicóloga e concursada em empresas de pesquisa nacional. Danilo, o segundo, trabalha por conta própria marketing e comunicação e se especializou em construção de programas, tem uma carreira na área privada e é empreendedor individual. Eles são filhos do primeiro casamento de Marina e vivo com eles desde pequenos. Eu me sinto o segundo pai e falo que eles têm muita sorte, pois podem contar com dois pais quando muitos não tem nenhum. Moara a primeira filha de Marina comigo, é formada em direito, já tem OAB, e está no início da carreira. Mayara está terminando comunicação no interior de São Paulo e já estagia em rede de TV.  Todos eles têem suas maneiras de engajamento, mas diria que, como eu, Danilo é o mais discreto e as meninas, como a mãe, quando podem, gostam de participar de maneira mais forte. Mas todos têm uma característica comum: querem conquistas em suas carreiras por méritos próprios e não querem vínculo com o meu ou com o trabalho da mãe.

Pra finalizar: quem é Marina Silva?

Não é fácil responder em poucas palavras. Marina é a pessoa que todos conhecem. Mulher forte, de caráter, verdadeira em tudo o que faz. Para Marina não há nada morno. Ou é quente ou é frio. Assim também é no aspecto pessoal. Tudo deve ser com a mais profunda verdade. No entanto, na vida familiar existem outras dimensões que me fazem amar Marina ainda mais, a cada dia. São pequenas coisa entre nós que é difícil de explicitar. Existe um comprometimento profundo pelas nossas vidas e dos outros, um carinho e atração sempre renovada, que rega o amor, e um forte compromisso com a palavra de Deus. Gosto do perfume dela, do seu toque, do seu jeito, do seu caráter. Gosto, gosto gosto… Isso é o meu amor por ela.

Fonte: Por ALTINO MACHADO, blog da Amazônia - 20/08/2014 - - 12:26:35

ADVERSÁRIO
O ex-ministro Brizola Neto: o PDT é uma federação de interesses

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O ex-ministro Brizola Neto é considerado um dos poucos amigos da presidente Dilma Roussef. Pedetista com o avô, o ex-governador Leonel Brizola, ele foi escolhido para comandar o Ministério do Trabalho em 2012. No entanto, permaneceu por apenas dez meses no cargo, minado, segundo contou ao editor Rodrigo Rangel, por contrariar interesses nada republicanos da direção do partido.

Por que o senhor critica tão fortemente Carlos Lupi, que afinal preside o seu partido e integra um governo do qual o senhor também fez parte?

Hoje existe uma quadrilha que tomou de assalto a direção do PDT. Lupi e Manoel Dias (atual ministro do Trabalho) são verdadeiros corruptos que têm a cara de pau de permanecer no ministério mesmo diante de um pedido da polícia ao STF para investigar-los. Lupi foi o responsável por jogar no lixo um legado construído durante toda uma vida por meu avô, Leonel Brizola. A tragédia é ver que o patrimônio ético do PDT foi jogado no lixo. Hoje o partido é uma federação de interesses. O que vale para esses dirigentes é acumular cargos e vantagens. Ou seja: um balcão de negócios.

A que o senhor se refere? A gestão de Lupi no ministério foi de seguidos escândalos, favorecimentos e propinas milionárias. O cálculo que se faz é que tenha havido desvio de mais de 400 milhões de reais. Esses atuais dirigentes do partido, Lupi e Manoel Dias, são figuras repugnantes. O Lupi mudou de padrão de vida em relação ao jornaleiro que eu conheci. Quanto a Manoel Dias, ele é apenas um empregado do Lupi.

O que o senhor fez de diferente em relação a Lupi? Quando estive no governo, conseguimos fechar a fábrica de sindicatos que havia dentro do ministério. O que acontecia que fazia com que os processos ficassem sujeitos ao tráfico de influência? Chegou a haver 8000 pedidos acumulados. Para quê? Negavam, e os interessados ficavam sujeitos a toda sorte de influência da direção do ministério. Ficavam à mercê das vontades do ministério. É o ambiente ideal para o tráfico de influência, tanto que se criou ali uma expressão: fábrica de sindicatos. Quem era o gerente dessa fábrica? Era o Lupi. Eu fechei a fábrica.

Ao admitir o grupo de Lupi de volta no governo, a presidente Dilma cedeu ao fisiologismo? A minha ida para o ministério foi à revelia dessa direção, num movimento que a presidente Dilma fez para enfrentar as cúpulas partidárias, das quais ela acabou se tornando refém. Eu lamento muito que a política nacional, e o sistema político, crie governos dependentes de bases fisiológicas. Hoje a presidente Dilma é refém de um exército de mercenários que formam sua base aliada. No Brasil, os partidos, com raríssimas exceções, não são programáticos nem democráticos. Só têm compromisso com sua manutenção no poder, com a ocupação de cargos e com a obtenção de vantagens junto ao poder público. Essa é a grande tragédia da política brasileira.

O senhor se decepcionou com a presidente? Eu tenho uma grande admiração pela presidente Dilma. É importante lembrar que em 1989 e 1994 ela votou no Brizola e não no Lula. E ela tem um pouco daquilo que durante uma vida inteira eu vi no meu avô, e compromissos sinceros com a trajetória do trabalhismo brasileiro. Talves ela não tenha conseguido avançar mais por se tornar refém de uma base parlamentar que põe em primeiro lugar seus interesses pessoais, regionais, eleitorais. O que eu posso afirmar é que ela tentou à exaustão combatê-los. Mas os interesses eleitorais e a necessidade de ter votos no Congresso falaram mais alto.

Por que o senhor deixou o ministério? O Lupi queria continuar mandando e desmandando no ministério, como ele manda hoje no ministério do Manoel Dias, com todas as máculas que carrega, seja na concessão de registro sindical, seja na relação com ONGs que recebem verbas do ministério. Era a maneira que ele tinha de continuar influenciando e dando continuidade às suas práticas não republicanas.

Em algum momento a presidente admitiu que estava demitindo o senhor porque precisava ceder ao fisiologismo?
Interlocutores aconselharam mal a presidente, dizendo que era necessária, para recompor com o PDT, a volta do grupo do Lupi ao Ministério do Trabalho. A presidente conversou comigo e disse que estava entristecida, que estava fazendo um ato que não era da sua vontade. Mas que se viu obrigada pelas circunstâncias a me substituir e devolver o ministério à direção nacional do PDT.

Revista Veja edição 2378 - ano 47 - n° 25 - 18 junho de 2014  

Brasília não merece essa volta ao passado

Em entrevista exclusiva, diretor-geral do DFTrans defende Agnelo e acusa Arruda de ter entregue a máquina pública sucateada.

Pré-candidato a deputado federal, o atual diretor-geral do DFTrans, Marco Antônio Campanella (PPL), não tem meias palavras ao comentar a herança que recebeu do ex-governador de José Roberto Arruda. ...

"No transporte, nós tínhamos uns 15% de noção do que iríamos encontrar. Quando chegamos, encontramos o DFTrans sem planejamento, não havia respeito à fiscalização e às vezes nem ao cumprimento da legalidade", diz, aborrecido.

De acordo com Campanella, foram necessários dois anos para colocar ordem na casa. "Na minha pasta, a raposa estava cuidando do galinheiro. As empresas privadas não só operavam a frota, como cuidavam do dinheiro e da bilhetagem com total autonomia", revela.

Disposto a mudar esse quadro, o diretor-geral lançou um novo modelo de licitação do transporte público que considera mais transparente e flexível. Se a nova proposta é ou não melhor, o tempo dirá. O certo é que ela desagradou as maiores empresas prestadoras de serviço de transporte, que impetraram quase 200 ações na Justiça para impedir a nova licitação de sair do papel. O DFTrans venceu a batalha e recentemente iniciou o processo de mudança do transporte público da capital.

Em entrevista exclusiva ao portal Plano Brasília, Campanella comenta as eleições 2014, explica porque a rodoviária do Plano Piloto está um caos e defende a priorização do transporte coletivo em detrimento do individual. "Esse é um processo de mudança cultural, e vai depender muito da implantação de um serviço de transporte público de qualidade na cidade". Confira os melhores momentos da entrevista:

Plano Brasília: O que mudou no Marco Antônio Campanella que combatia a ditadura militar no MR-8, foi para o MDB e hoje está no PPL?

Marco Antônio Campanella: Se tem uma coisa que nós procuramos preservar é a nossa identidade e coerência na política. Outro dia, eu estava revisando o material da minha primeira campanha eleitoral para deputado federal, em 1986, e boa parte das propostas que eu fiz naquele tempo continuam atuais. São desafios que o Brasil ainda não conseguiu superar. Nós continuamos vivendo uma situação de subdesenvolvimento econômico e social. Em muitos terrenos conseguimos avançar, em outros não. Nós precisamos romper com essa estrutura econômica extremamente dependente do Brasil. E essa tem sido a prioridade do nosso partido, o PPL, criado em 2009 justamente porque não conseguimos identificar em outros partidos um projeto nacional de desenvolvimento do país. Nós ainda temos uma estrutura econômica capitalista extremamente dependente de grupos financeiros econômicos e industriais, e isso gera uma situação de muita desigualdade. Essa coerência eu mantive. O que eu defendia naquele tempo é o que continuo defendendo, guardada as mudanças ocorridas no cenário nacional e internacional. Muitos partidos políticos se afastaram da sua identidade original e se afastaram da população. E as pessoas, de certa forma, também se afastaram da política e passaram a vê-la como algo sujo.

PB: Como partido de esquerda, o PPL vai estar apoiando o PT nas eleições 2014?

MAC: No âmbito local, estamos fechados com o PT. Entendemos que o governador Agnelo está fazendo um governo que fortalece e recupera a gestão do estado sobre educação, saúde e transporte. Em relação à presidência, ainda não fechamos posição. Existe um diálogo com o PSB de Eduardo Campos, mas o PPL apoiou a Dilma em 2010 e estaria dispostos a apoiá-la de novo. Estamos discutindo isso bastante, internamente, e não podemos descartar uma parceria com o PSB já que temos muitos pontos de identidade programáticas com eles.

PB: Onde estão os pontos de convergência entre o seu partido e Eduardo Campos?

MAC: O ponto principal é o entendimento sobre a necessidade de industrialização do país. O Brasil ficou em penúltimo lugar em crescimento econômico na América Latina, atrás apenas do Haiti. Nós tivemos o pior desempenho industrial dentre os países emergentes. Países como a Venezuela, o Chile e a Argentina cresceram, em média, 4%, 5 %ou 6%. Já o Brasil cresceu apenas 2%. Nos outros BRICs, o crescimento foi ainda maior. Hoje, nós continuamos sendo exportadores de matéria prima e produtos fracamente industrializados. Por outro lado, somos grandes importadores de tecnologias e medicamentos. Ao comprar esse tipo de produto, nós estamos gerando empregos qualificados lá fora e nos mantendo na periferia da economia internacional. Nossa mão de obra fica concentrada na agricultura, no comércio e no setor de serviço, mas não nos mercados de tecnologia e inovação. Assim, fica inviável crescer de forma sustentável. É preciso investir mais em educação superior, em pesquisa, em inovação para crescer.

PB: Em relação ao governo local, Agnelo vem sendo duramente criticado pela oposição e até mesmo por uma ala descontente do PT. Por que ele demorou tanto a apresentar resultados?

MAC: O que aconteceu foi que nós recebemos a máquina pública em uma situação de caos e sucateamento. Na minha pasta, por exemplo, a raposa estava cuidando do galinheiro. As empresas privadas não só operavam a frota, como cuidavam do dinheiro e da bilhetagem com total autonomia. Uma das primeiras decisões do governador foi nos dar condições de assumir o controle antiga Fácil, que era a associação privada controlada pelas duas empresas que mandavam do transporte coletivo do DF. A partir dali, recuperamos a gestão e conseguimos lançar essa nova licitação que fará uma mudança estrutural no serviço que será oferecido a população. Estamos, no momento, trocando a frota antiga por uma nova. O próximo passo será repensar a lógica da operação, dando prioridade ao transporte coletivo. Queremos lançar em breve o veículo rápido sobre trilhos, vamos fortalecer a faixa exclusiva de ônibus e tomar outras medidas que priorizem o transporte da população e não apenas dos indivíduos isolados.

PB: Os brasilienses não reclamam da qualidade ônibus, mas acham que a frota é pequena para atender a demanda. O que está sendo feito para resolver esse problema?

MAC: Com esse novo modelo de licitação do transporte público, nós ganhamos liberdade para solicitar mais ônibus quando não for possível racionalizar a frota no horário de pico. No modelo antigo, dependíamos sempre de uma nova licitação quando havia aumento de demanda em uma região. O que eu quero deixar claro é que estamos fazendo tudo para fortalecer o transporte público no DF. Existe uma pesquisa que mostra que das 24 horas do dia, nós trabalhamos oito horas, dormimos oito e nas oito horas restante ficamos de 30% a 40% do nosso tempo no trânsito. Isso é desumano. Nós temos de tentar resolver essa questão do transporte público, priorizando o transporte coletivo. Hoje, prioriza-se o transporte individual em detrimento do coletivo. E isso atende principalmente aos interesses das empresas montadoras de automóvel, que são todas estrangeiras. No Brasil acontece o seguinte: como o transporte coletivo não é forte, os brasileiros compram carros e abarrotam as vias, que não têm capacidade para abarcar o fluxo e o contra-fluxo diário de automóveis. A solução para esse problema é planejamento. A faixa exclusiva foi uma primeira solução que demos e que está acelerando o transporte público, beneficiando uma grande quantidade de pessoas. Mas esse é um processo de mudança cultural, e vai depender muito da implantação de um serviço de transporte público de qualidade na cidade.

PB: Como o DFTrans pretende resolver esse problema da rodoviária, que está um caos?

MAC: O caos da rodoviária do Plano Piloto tem ligação direta com o transporte do entorno. Quando chegamos no DFTrans, encontramos uma gestão compartilhada com o chamado transporte metropolitano que atende aos moradores do entorno. Essa operação é realizada não pelo DFTrans, mas pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Por causa disso, não temos poder de fiscalização dessa frota que vem do entorno. O máximo que podemos fazer com autuar um ônibus ou motorista, mas a fiscalização e penalização por qualquer problema fica a cargo da ANTT. Essa crise que explodiu no entorno é a demonstração cabal do esgotamento desse atual modelo de gestão. Nós temos de trabalhar para concluir rapidamente esse processo e assumir, junto com governo de Goiás, a responsabilidade dessa gestão Até porque, a maior parte quilometragem dessa frota ocorre no DF. Do ponto de vista da rodoviária temos de buscar uma solução de curto e longo prazo. A de curto prazo foi deslocar o transporte metropolitano da plataforma inferior para a superior e daqui a 60 dias vamos colocar essa operação na parte de trás do prédio do Touring. No médio e longo prazo, temos de integrar essa frota do entorno à frota do DF. A rodoviária esgotou sua capacidade operacional. Ela tem de receber apenas os ônibus do DF. Os ônibus metropolitanos, que vão para o entorno, têm de sair de outro ponto.

PB: E como fazer a integração no sentido leste-oeste? O zebrinha, que deveria fazer isso, não está mais funcionando..

MAC: Nossa primeira providência foi tirar o antigo operador do zebrinha. Também renovamos toda a frota e, agora, queremos voltar à lógica original do zebrinha que é de integrar as pessoas no sentido leste-oeste, ou seja das avenida W3 para as L2 e L4. O objetivo é fazer isso sem que as pessoas tenham de dar a volta inteira na cidade. Mas já estamos começando a fazer os ajustes na operação.

PB: Para finalizar, como o senhor vê as tentativas de candidatura ao Buriti de Arruda?

MAC: Como bem disse nosso governador, seria um horror. Brasília não merece essa volta ao passado. Nada contra a pessoa, mas foi um momento trágico para a cidade. Com o governo Agnelo, o DF saiu das páginas policiais para entrar em um agenda positiva. E demorou justamente porque a herança era muito grave. No transporte, nós tínhamos uns 15% de noção do que iríamos encontrar. Quando chegamos, encontramos o DFTrans sem planejamento, não havia respeito à fiscalização e às vezes nem ao cumprimento da legalidade. Nós tivemos de enfrentar quase 200 ações na Justiça para liberar o novo edital do transporte, dentro de um modelo de licitação transparente e bem planejado. Então voltar ao passado seria um retrocesso. Queremos que a mudança que está acontecendo no DF seja uma mudança positiva e sem retorno.

Fonte: Revista Plano Brasília - 31/03/2014 - - 12:09:06