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José Álvaro Moisés: “O governo está esfarinhando”

"Por oportunismo ou não, o PMDB está ocupando o espaço deixado pelo PT e pela oposição”

O professor José Álvaro Moisés, em seu apartamento, em São Paulo. Para ele, o segundo governo Dilma vive um ocaso prematuro.

Para o cientista político, a baixa popularidade de Dilma Rousseff e a desconfiança da população nos partidos e no Congresso podem abrir espaço para um “aventureiro” em 2018. ...

O cientista político José Álvaro Moisés, de 69 anos, é um dos mais duros críticos do PT na academia, onde os simpatizantes do partido detêm a hegemonia, em especial na área de filosofia e ciências humanas. Professor de ciência política e diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Moisés foi um dos fundadores do PT, em 1980, mas deixou o partido em meados dos anos 1990. A “pá de cal”, segundo ele, ocorreu em dois tempos – com a recusa do PT em atender ao chamado do então presidente, Itamar Franco, para um governo de união nacional logo após o impeachment de Fernando Collor, em 1992, e o afastamento da deputada Luiza Erundina (hoje no PSB), por ter aceitado um cargo de ministra no governo. “Minha impressão é que, hoje, o PT entrou na fase do declínio”, afirma. “Se a oposição for capaz de ocupar o espaço deixado pelo PT, provavelmente vai disputar as eleições de legitimidade de Dilma e a desconfiança da população nos partidos e no Congresso Nacional. “A presidente Dilma conseguiu perder seu capital político em apenas três meses”, diz. “As pessoas estão cobrando o preço da mentira.”

O cientista político José Álvaro Moisés, de 69 anos, é um dos mais duros críticos do PT na academia, onde os simpatizantes do partido detêm a hegemonia, em especial na área de filosofia e ciências humanas. Professor de ciência política e diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Moisés foi um dos fundadores do PT, em 1980, mas deixou o partido em meados dos anos 1990. A “pá de cal”, segundo ele, ocorreu em dois tempos – com a recusa do PT em atender ao chamado do então presidente, Itamar Franco, para um governo de união nacional logo após o impeachment de Fernando Collor, em 1992, e o afastamento da deputada Luiza Erundina (hoje no PSB), por ter aceitado um cargo de ministra no governo. “Minha impressão é que, hoje, o PT entrou na fase do declínio”, afirma. “Se a oposição for capaz de ocupar o espaço deixado pelo PT, provavelmente vai disputar as eleições de 2018 com muita força, mesmo que o candidato seja o Lula.” Em entrevista a ÉPOCA, Moisés fala sobre a crise de legitimidade de Dilma e a desconfiança da população nos partidos e no Congresso Nacional. “A presidente Dilma conseguiu perder seu capital político em apenas três meses”, diz. “As pessoas estão cobrando o preço da mentira.”

ÉPOCA – O Brasil vive hoje a maior crise política desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992. Como o senhor vê o cenário político?

José Álvaro Moisés – Há uma crise de legitimidade do governo. Ele está esfarinhando, dissolvendo como sorvete na mão de criança no verão. A presidente Dilma conseguiu perder quase todo o seu capital político em apenas três meses, de tal modo que, quando alguém do governo vai falar na televisão, tem panelaço. Nas últimas pesquisas, a aprovação do governo e da presidente Dilma ficou em torno de 10%. Não conheço na história brasileira nenhum governo que, num período tão curto, tenha enfrentado um questionamento desses. Não apenas no que se refere às medidas de ajuste da economia. As dúvidas sobre o governo e as críticas de todos os lados passam pelo questionamento da capacidade de Dilma governar e coordenar sua própria base política. Agora, com a escolha do vice-presidente, Michel Temer, para fazer a articulação política, parece que isso está mudando um pouco. A escolha de Temer não vai resolver tudo, mas aponta a possibilidade de melhoria na relação com o Congresso. Para completar o quadro, uma parte dos eleitores do PT está decepcionada. Você não chega a 78% de rejeição da presidente e 65% da política do governo, como mostrou a pesquisa CNT (Confederação Nacional dos Transportes), no final de março, se não imaginar que, nesse contingente, tem gente que votou no PT.

ÉPOCA – Quais as consequências dessa crise para o país?

Moisés – Se muita gente começa a desacreditar no governo e associa isso ao mau funcionamento de algumas instituições da democracia, como os partidos e o Congresso Nacional, pode levar à formação de uma base potencial para apoiar alternativas não democráticas, como uma intervenção militar. Isso é um horror. Em todas as pesquisas que fiz na USP, essa desconfiança nas instituições aparece. Em 2006, 29% diziam que a democracia pode funcionar sem o Congresso e 31% sem os partidos. Em 2014, isso foi para 46% no caso dos partidos e para 45% no caso do Congresso. É muito para duas instituições centrais na democracia, cujo papel é trazer os desejos da sociedade, suas preferências, para dentro do sistema político.

ÉPOCA – No dia 12 de abril, milhares de pessoas voltaram às ruas para pedir o impeachment da presidente Dilma e protestar contra o PT e a corrupção no governo. O senhor acredita que o impeachment é possível?

Moisés – A democracia não pode funcionar na base do impeachment. O impeachment é uma solução de emergência, que deve ser usada numa situação de radicalização política, para não aprofundar a crise. Na situação atual, não estão criadas nem as condições políticas, nem as condições que a Constituição assegura, para permitir o impeachment. Agora, eu tenho uma dúvida. Admitindo que, neste mandato, não haja atos de responsabilidade da presidente que justifiquem o impeachment, o que vamos fazer com o que aconteceu no primeiro mandato, quando ela era chefe da Casa Civil, presidente do conselho da Petrobras e ministra de Minas e Energia? Não sei se o sistema político vai tratar disso no fim do mandato dela. Recentemente, vi uma tese que tem de ser considerada. Como o Brasil adotou o sistema de reeleição, o segundo mandato seria uma sequência do primeiro. Embora não esteja claro na Constituição, os crimes de responsabilidade do primeiro mandato se transfeririam para o segundo. Estou tentando entender se isso faz sentido jurídico, porque mudaria minha posição em relação ao impeachment.

ÉPOCA – O PT, Lula e Dilma continuam a negar participação ou conhecimento sobre as propinas na Petrobras. Como o senhor analisa isso?

Moisés – As pesquisas mais recentes mostram que muita gente não apenas está acompanhando as investigações do petrolão, como imagina que tanto Lula como Dilma sabiam o que estava acontecendo e têm responsabilidade pelo que ocorreu. Bem mais que 50% estão dizendo isso. Não é um antipetismo ou um ódio ao PT, como disse o ex-ministro Luís Carlos Bresser Pereira outro dia num artigo. Em nenhum momento o Bresser fala sobre o direito de as pessoas protestarem e se indignarem com a corrupção. Ele teria de dizer que o PT está dando motivo não só para os ricos, mas também para muitos de seus eleitores começarem a protestar e se colocarem contra o partido e o governo. As pessoas estão cobrando o preço da mentira. Ouvi muito isso nas manifestações da Avenida Paulista. As pessoas não são idiotas. Elas estão percebendo que alguma coisa não está funcionando bem. A minha impressão é que o PT entrou numa fase de decadência.

ÉPOCA – Em sua opinião, esse quadro pode abrir espaço para a ascensão de um “salvador da pátria” em 2018?

Moisés – Num momento em que há muita descrença, se aparecer um aventureiro, as pessoas podem aceitar. Em última instância, foi isso que aconteceu com a eleição do Collor. Mas, naquela época, estávamos em outra fase do processo de democratização brasileiro. É preciso lembrar que, naquele momento, o PT teve um papel importante na mobilização pelo impeachment. Não considerou que fosse golpismo, como agora. Hoje, temos de evitar que essa deterioração do governo se articule com a crítica das instituições. Essa separação precisa ser feita pelo governo, pelos partidos e pelas lideranças políticas. Mas estamos carentes de lideranças democráticas capazes de pensar o momento e os desdobramentos futuros. Sei que teve o Aécio Neves na eleição de 2014. Diria até que ele saiu maior do que entrou na campanha. Só que, nos últimos meses, não estamos vendo a presença dele. Sou crítico também em relação à participação da Marina. Algumas semanas atrás, a Marina disse que estava “ouvindo o silêncio”. Eu respeito isso. Mas a sociedade está num momento crítico. Precisa haver vozes de liderança que façam essa separação. O Fernando Henrique tem feito isso, mas não podemos depender só dele. 

ÉPOCA – Há uma luz no fim do túnel?

Moisés – Depende do papel que a oposição desempenhar. Estamos vivendo uma crise no Brasil que abre as portas para que as forças políticas se reinventem. Isso significa que precisam agir. Não só o PSDB, mas o DEM, o PPS, o próprio PSB, para não falar do partido da Marina. Precisamos de uma oposição democrática, capaz de falar sobre os temas centrais do momento: ajuste fiscal, para retomar a economia, a reforma política, em especial as questões que dizem respeito à corrupção, a maneira como é feito o financiamento das campanhas eleitorais e medidas para ter mais controle e punição sobre a corrupção. A oposição tem de dizer algo sobre isso. Não apenas um elenco de propostas para se contrapor, mas que faça sentido para a população e mostre que a política é um caminho para melhorar a sociedade. Se a oposição for capaz de ocupar o espaço deixado pelo PT, provavelmente vai disputar as eleições de 2018 com muita força, mesmo que o candidato seja o Lula.

ÉPOCA – Que papel cabe ao PMDB nesse processo?

Moisés – Nos últimos 25 anos, formamos a imagem do PMDB como um partido fisiológico, que aproveita todas as chances de estar no poder e não teria nem projeto para o Brasil. De repente, o PMDB está jogando um alto papel. Não importa se por vias transversas ou por pessoas que nem têm tanto crédito, mas o PMDB está dizendo que, na democracia, a agenda política não pode ser definida só pelo Executivo. O Legislativo tem de participar, ter mais independência para examinar o que o Executivo está propondo. Por mais contraditório que seja, o PMDB está dizendo: “Algum princípio republicano tem de prevalecer” e “Ter 39 ministérios não faz sentido”. Alguém sempre vai dizer que é oportunismo. Se você vai na linha do presidencialismo de coalizão, quem faz parte da coalizão tem de participar das decisões. Às vezes, da crise podem emergir mudanças positivas. O espaço da boa política deixado pelo PT e pela oposição, surpreendentemente, começa a ser ocupado pelo PMDB.

Fonte: Por José Fucs, revista Época, foto: Camila Fontana/ÉPOCA - 28/04/2015 - - 13:59:42

André Singer: “As pessoas que protestam não são de direita”

O cientista político contraria o PT, diz que a oposição que está emergindo das ruas é majoritariamente de centro – e defende o sistema partidário brasileiro

André Singer, no jardim de sua casa, em São Paulo. “Nós construímos este sistema partidário e custou muito construí-lo”.

O cientista político André Singer é um intelectual ligado ao PT – e também uma das vozes mais ponderadas do partido. Na contracorrente dos setores petistas mais estridentes, Singer defende que o partido faça uma autocrítica, com o afastamento temporário dos acusados de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras...

Singer encara também sem alarmismos as manifestações contra o governo, cujo caráter predominante, afirma, foi de protesto democrático. Crítico da guinada econômica do governo Dilma Rousseff, Singer considera, porém, que o “lulismo”, como ele batizou o alinhamento político dos brasileiros mais pobres ao PT sob a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está diante de sua maior crise.

ÉPOCA – Alguns analistas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, avaliam que nosso sistema político degenerou de um “presidencialismo de coalizão” para um “presidencialismo de cooptação”.

André Singer – Eu vou discordar. No Brasil, sempre houve essa tendência de achar que os partidos políticos são podres, que o sistema político está podre.

ÉPOCA – A reação do governo Dilma, ao propor, de novo, reforma política, não foi nessa linha? 

Singer – Uma coisa é você dizer que há inúmeros problemas e que eles precisam ser enfrentados. Eu sou a favor de mudanças pontuais, mas que sejam feitas. Acho que nós temos três grandes partidos – o PT, PSDB e PMDB – que conformam um sistema: situação, oposição e um partido de centro, que faz o papel de fiel da balança. Com um monte de problemas? Sim, mas eles expressam interesses sociais e visões que existem na sociedade brasileira. Nós construímos esse sistema partidário e custou muito construí-lo. Não adianta ficar pensando que vamos de uma hora para outra dissolver tudo e que vai emergir um sistema ideal. Não é assim que funciona no Brasil e em lugar nenhum. Não estou defendendo qualquer tipo de conformismo, mas devo alertar para determinadas ilusões, que não levam a nada.

ÉPOCA – O que vimos no dia 15 de março foi uma continuação de junho de 2013?

Singer – Há pontos de conexão, mas não há propriamente uma continuação, porque junho de 2013 foi um fenômeno muito complexo, que misturou de tudo. Em um momento, havia da extrema-esquerda à extrema-direita na mesma avenida. Agora, houve uma manifestação, pela primeira vez, de setores de oposição ao governo, nos quais existem centro, direita e extrema-direita. São setores que estavam ansiosos por ir à rua desde 2005. E nunca tinham conseguido massa crítica para se manifestar. Tentaram em 2007, com o “Cansei”, fizeram algumas manifestações não tão grandes depois da eleição e, finalmente, chegaram a 15 de março. O ponto de contato entre esses eventos é esse centro novo.

ÉPOCA – O senhor discorda então de uma avaliação corrente no PT de que as manifestações de 15 de março foram organizadas pela direita? 

Singer – Eu acho que elas foram puxadas pela direita. Quem está à frente dos movimentos é a direita. 

ÉPOCA – O que o senhor caracteriza como direita?

Singer – Eu acho que o “Fora, Dilma” expressa isso, de um modo geral. Claro que “Fora, Dilma” pode ser uma maneira de dizer “eu sou contra a Dilma”. Aí há uma certa ambiguidade, porque não dá para saber exatamente se a pessoa que está dizendo “Fora, Dilma” está literalmente querendo defender o impeachment ou se ela está dizendo “eu sou contra a Dilma”. Quem diz “Fora, Dilma”, no fundo, pode aceitar que a Dilma tem de governar. Essa era a maioria das pessoas que foi à Avenida Paulista, em São Paulo. Essa é a minha intuição.

ÉPOCA – O senhor acha então que o grupo de direita que puxou a manifestação não era o grupo majoritário?

Singer – Não é o grupo majoritário. Tanto não é o grupo majoritário que o PSDB, de maneira muito inteligente, percebeu que a bandeira do impeachment não agrega e recuou. Não recuou apenas por uma questão institucional, mas também porque percebeu que não é a bandeira que empolga a maioria. É a bandeira que está na cabeça apenas dos que estão puxando as manifestações. O que é compreensível, porque quem puxa é quem está mais irritado e tem posições mais radicalizadas.

ÉPOCA – Mas qual é a bandeira que empolga?

Singer – Protestar contra o governo. A questão da corrupção, sim, é um catalisador importante. Ela tem uma ligação forte com a questão econômica. Quanto mais a situação econômica é ruim, mais as pessoas vão depositar sua irritação no problema da corrupção. Se a situação econômica estivesse boa, é claro que as pessoas seriam contra a corrupção. Mas seria muito mais fácil para o governo defender a posição, justa na minha opinião, de que tudo está sendo feito para combater a corrupção. Mas as pessoas estão muito irritadas com a situação econômica, e isso potencializa muito o mau humor com a corrupção, o que é absolutamente legítimo e compreensível.

ÉPOCA – Quando houve a manifestação, parte expressiva do PT disse que ela, de alguma forma, era golpista. 

Singer – Em certo momento, sim, parecia mesmo uma movimentação golpista. De um lado, havia esses grupos que pedem abertamente intervenção militar, o que é golpe. Do outro, grupos que pedem o impeachment que, a meu ver, seria um golpe branco. Como esses grupos puxaram as manifestações, parecia que elas teriam esse caráter. Mas, quando foi chegando perto, a situação mudou. A manifestação atraiu muita gente que não tem essa postura. Se a manifestação tivesse mantido a feição golpista, haveria um número menor de pessoas na Paulista. À medida que a manifestação foi crescendo, foi se moderando. Ela se tornou uma manifestação mais moderada de protesto contra o governo.

ÉPOCA – O senhor escreveu que a crise do governo está relacionada ao que muita gente chama de estelionato eleitoral. Reeleita, a presidente Dilma adotou políticas que ela criticou na campanha e dizia que seriam adotadas por Aécio Neves. Mas era possível dobrar a aposta na política econômica do primeiro mandato? 

Singer – Dou uma resposta de cientista político, e não de economista. Se a presidente Dilma tinha a avaliação de que precisava fazer um ajuste recessivo, ela não podia ter prometido que ia envidar esforços imediatos na retomada do crescimento e dizer que o ajuste recessivo seria feito pelo adversário. O preço é muito alto: o eleitor não perdoa esse tipo de mudança abrupta. Eu não tenho uma fórmula econômica, mas me parece que ela teria de dar curso ao que ela falou na campanha. Tentar reativar a economia e evitar o que está acontecendo agora, que é o desemprego. Nós vamos ver um desemprego maior como resultado do ajuste recessivo que está começando a ser adotado.

ÉPOCA – Não está faltando autocrítica por parte do PT? 

Singer – Está na hora, sim, de o PT fazer uma autocrítica. Ele precisa fazer uma revisão de sua postura, porque nasceu para ficar à margem de qualquer desvio ético. Essa característica prevaleceu durante muito tempo e deu muita energia moral para o PT. O partido não deveria colocar em risco esse patrimônio. Tenho defendido que as pessoas que estão sendo investigadas sejam provisoriamente afastadas, para que o partido possa começar um processo de revisão. Ao mesmo tempo, é correto dizer que está caindo sobre o PT um peso que não está sendo aplicado aos outros partidos. Especificamente ao PSDB, que está saindo ileso de todo o processo do mensalão mineiro e do chamado Trensalão, em São Paulo. É preciso fazer as críticas e cobranças, mas precisamos perceber que o PT é um partido fundamental no sistema partidário. Demonizar o PT não vai ajudar a democracia brasileira.

ÉPOCA – Dado o cenário de desgaste político e crise econômica, o senhor diria que o lulismo acabou?

Singer – Não, não acho que acabou, mas ele está diante de sua maior crise, de seu maior desafio. A desaprovação do governo alcançou as camadas sociais que são a base propriamente do lulismo, o subproletariado e a nova classe trabalhadora. Isso é um tremendo problema, que não tinha acontecido até aqui. Quando a classe média se afastou do PT e do Lula, veio essa nova base que sustentou as três eleições seguintes. Se a eleição fosse hoje, o lulismo não ganharia. Mas estamos no começo de um processo. Temos a eleição do ano que vem e depois a eleição de 2018. Muita coisa vai acontecer. A liderança política do ex-presidente Lula por enquanto está mantida. Ele é um líder que tem demonstrado grande capacidade de invenção. Ninguém sabe dizer o que vai acontecer nem com a economia internacional nem com a economia brasileira. A gente não pode decretar ainda o fim do jogo. 

Fonte: Por Guilherve Evelin e Ivan Matins com Harumi Visconti, Epoca. Foto: Foto: Roberto Setton/ÉPOCA - 30/03/2015 - - 23:01:19

Izalci começa contagem regressiva para fazer cobranças a Rollemberg

Mais um aliado pressiona Rodrigo Rollemberg contra a parede e marca no calendário um prazo para que a gestão do socialista decole de vez. É o deputado federal Izalci Lucas (PSDB), que definiu 100 dias como a data limite para que o ocupante do Palácio do Buriti “dê a cara” do seu governo.

O deputado tucano repete, assim, a postura do senador Antônio Reguffe (PDT) que também já ajustou o cronômetro para Rollemberg, embora mais compreensivo ao definir o fim do primeiro semestre para o GDF deslanchar. Já a previsão de Izalci se esgota em meados de Brasília completar 55 anos.

Em linhas gerais, o ultimato tem como essência o cumprimento de promessas de campanha. Ao pedetista, o governador já descumpriu algumas, como aumento de tributos acima da inflação, manutençãio de um excessivo quadro de comissionados e a manutenção de ICMS sobre medicamentos. Mas Izalci Lucas revela que também já pode entrar na fila dos descontentes com o chefe do Executivo brasiliense.

Não que se sinta usado por Rollemberg, diz o tucano, mas ele lembra que sua imagem foi intimamente ligada ao então candidato ao GDF durante a campanha. “Fui o único que ele usou na televisão. Fez material comigo e distribuiu. Na pratica assumiu alguns compromissos comigo, mas ainda não cumpriu”, critica.

“É normal os primeiros 100 dias para se fazer uma avaliação. É um prazo para saber a marca do governo. O que se percebe é que ele está cuidando da crise”, observa, mas destacou nesta entrevista a Notibras que a gestão administrativa propriamente dita deixa a desejar.

Apesar de dar esse prazo, Izalci garante que não deixou Rollemberg ‘descascar o abacaxi’ sozinho. E sustenta isso ao citar seus dois encontros: um com servidores do GDF e outro com o próprio governador.

Na ocasião, o tucano ‘deu bronca’ nos professores. Apontou a greve como ultima instância para reivindicar seus direitos. Mas ao GDF, criticou com um tom mais disciplinador. “A solução que o governo deu (quitação total dos benefícios atrasados para até final de março) poderia ter dado no inicio da gestão. Assim teria evitado essa paralisação”, afirma.

Ao contrário do que os rumores indicam sobre o não cumprimento do reajuste salarial das categorias, Izalci defende a manutenção do aumento. “Se o governo não encontrar alternativa, vai virar um caos”, prevê, com certo tom de pessimismo.

Embora a crise no GDF atraia a atenção do tucano, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras vem ocupando, e muito, a mente do parlamentar. Mais do que isso, seu tempo também. No dia em que recebeu Notibras, Izalci se debruçava sobre os depoimentos dos principais delatores na Operação Lava Jato. Quer ter um verdadeiro R-X da situação na hora de ouvir depoimentos.

Izalci tem uma das cadeiras da Comissão e tenta ser firmar como a linha de frente da oposição. Mesmo que a sociedade se receie das investigações dentro da instituição, o deputado não acredita que o corporativismo fale mais alto.

“O governo está fragilizado e tem a minoria na Casa (Câmara dos Deputados). A prova disso foi a aprovação para que houvesse sub-relatorias na comissão. As únicas (CPIs) que deram certo foram as que tinham sub-relatorias”, explica, já com tom mais otimista.

De tudo o que já estudou dos depoimentos, Izalci defende seus correligionários, principalmente o senador Aécio Neves, que teve seu nome fora da lista do procurador-geral Rodrigo Janot. Em contrapartida, no entanto, dispara contra a presidente Dilma Roussef. “Ela está enrolada até o pescoço”.

Elton Santos

Fonte: Notibras - 08/03/2015

Agnelo foi perdulário; venda do BRB pode tirar Rollemberg do sufoco

imgMais um aliado pressiona Rodrigo Rollemberg contra a parede e marca no calendário um prazo para que a gestão do socialista decole de vez. É o deputado federal Izalci Lucas (PSDB), que definiu 100 dias como a data limite para que o ocupante do Palácio do Buriti "dê a cara" do seu governo.

O deputado tucano repete, assim, a postura do senador Antônio Reguffe (PDT) que também já ajustou o cronômetro para Rollemberg, embora mais compreensivo ao definir o fim do primeiro semestre para o GDF deslanchar. Já a previsão de Izalci se esgota em meados de Brasília completar 55 anos.

Em linhas gerais, o ultimato tem como essência o cumprimento de promessas de campanha. Ao pedetista, o governador já descumpriu algumas, como aumento de tributos acima da inflação, manutençãio de um excessivo quadro de comissionados e a manutenção de ICMS sobre medicamentos. Mas Izalci Lucas revela que também já pode entrar na fila dos descontentes com o chefe do Executivo brasiliense.

Não que se sinta usado por Rollemberg, diz o tucano, mas ele lembra que sua imagem foi intimamente ligada ao então candidato ao GDF durante a campanha. "Fui o único que ele usou na televisão. Fez material comigo e distribuiu. Na pratica assumiu alguns compromissos comigo, mas ainda não cumpriu", critica.

"É normal os primeiros 100 dias para se fazer uma avaliação. É um prazo para saber a marca do governo. O que se percebe é que ele está cuidando da crise", observa, mas destacou nesta entrevista a Notibras que a gestão administrativa propriamente dita deixa a desejar.

Apesar de dar esse prazo, Izalci garante que não deixou Rollemberg 'descascar o abacaxi' sozinho. E sustenta isso ao citar seus dois encontros: um com servidores do GDF e outro com o próprio governador.

Na ocasião, o tucano 'deu bronca' nos professores. Apontou a greve como ultima instância para reivindicar seus direitos. Mas ao GDF, criticou com um tom mais disciplinador. "A solução que o governo deu (quitação total dos benefícios atrasados para até final de março) poderia ter dado no inicio da gestão. Assim teria evitado essa paralisação", afirma.

Ao contrário do que os rumores indicam sobre o não cumprimento do reajuste salarial das categorias, Izalci defende a manutenção do aumento. "Se o governo não encontrar alternativa, vai virar um caos", prevê, com certo tom de pessimismo.

Embora a crise no GDF atraia a atenção do tucano, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras vem ocupando, e muito, a mente do parlamentar. Mais do que isso, seu tempo também. No dia em que recebeu Notibras, Izalci se debruçava sobre os depoimentos dos principais delatores na Operação Lava Jato. Quer ter um verdadeiro R-X da situação na hora de ouvir depoimentos.

Izalci tem uma das cadeiras da Comissão e tenta ser firmar como a linha de frente da oposição. Mesmo que a sociedade se receie das investigações dentro da instituição, o deputado não acredita que o corporativismo fale mais alto.

"O governo está fragilizado e tem a minoria na Casa (Câmara dos Deputados). A prova disso foi a aprovação para que houvesse sub-relatorias na comissão. As únicas (CPIs) que deram certo foram as que tinham sub-relatorias", explica, já com tom mais otimista.

De tudo o que já estudou dos depoimentos, Izalci defende seus correligionários, principalmente o senador Aécio Neves, que teve seu nome fora da lista do procurador-geral Rodrigo Janot. Em contrapartida, no entanto, dispara contra a presidente Dilma Roussef. "Ela está enrolada até o pescoço".

Elton Santos

Fonte: Notibras - 02/03/2015

João Batista usa a cabeça, tira saúde da UTI e põe na enfermaria

Heródia, a bíblica Salomé, parece ter encarnado em alguns desafetos do secretário de Saúde do Distrito Federal neste tumultuado início da administração do socialista Rodrigo Rollemberg. Tanto, que insistem em pedir a cabeça do secretário João Batista de Sousa, cobrando do governador um gesto típico de Herodes Antipas.

jb

As pressões, porém, parecem não atingir o João Batista brasiliense. E pelo andar da carruagem – é o que se observa nos corredores do Palácio do Buriti – sua cabeça não será servida numa bandeja. Alheio ao disse-me-disse, o secretário vai cumprindo o papel que lhe foi confiado. E hoje já se pode dizer que ele transferiu a mórbida saúde da UTI para a enfermaria.

– O doutor João Batista tem a confiança do governador. Não há nada que sinalize mudanças no comando da Secretaria de Saúde, garante um assessor palaciano, na medida em que procura desfazer o que considera boataria a iminente substituição do secretário.

Se há interesses contrariados patrocinando o lobby da mudança, ninguém diz. O que se sabe é que o quadro caótico herdado de Agnelo Queiroz e de Rafael Barbosa muda a olhos vistos. Medicamentos estão de volta às prateleiras, ambulâncias e caminhões são recuperados, leitos de unidades de terapia intensiva são reabertos. Só não vê quem não quer.

– A situação era bem preocupante, mas muita coisa foi feita. O nosso esforço é grande e eu tenho que reconhecer que a equipe está trabalhando de uma forma muito intensa", afirmou João Batista de Sousa em entrevista a Étore Medeiros, repórter da Agência Brasília, ao fazer um balanço dos 30 dias de situação de emergência na saúde pública da capital da República.

Os números revelados por João Batista são precisos e animadores. Dos 314 remédios que estavam em falta no início do ano, 240 já tiveram o estoque reposto. Até agora, foram empenhados 30,4 milhões para a compra de medicamentos essenciais, especiais e regulares. Ou seja, o risco de falência múltipla do órgão – para usar um termo médico – está afastado.

As condições oferecidas pela situação de emergência decretada pelo governador Rodrigo Rollemberg permitiram muitos avanços, afirma o secretário. Como exemplo, ele cita a realização de 11 pregões eletrônicos para a compra de 103 itens, entre material de consumo e medicamentos, com investimento total de R$ 38,6 milhões. "Os pregões são a forma mais econômica de assegurar o abastecimento da rede pública", explica João Batista. "Além de mais transparente, o modelo de compra garante preço mais em conta", acentua.

A rede de saúde pública do Distrito Federal conta com 440 leitos de UTIs, incluindo os conveniados. Desses, 101 chegaram a ser fechados por falta de pessoal ou de manutenção, mas aos poucos estão sendo reabertos. Outra melhoria visível se deu na frota da Secretaria de Saúde, conta o secretário. Das 65 ambulâncias, 35 estavam paradas; dessas, 28 foram recuperadas. Os 19 caminhões estavam praticamente fora de operação, com apenas três funcionando. Após investimentos em manutenção, 12 voltaram a circular.

A verdade, afirma João Batista, é que a população estava praticamente desassistida em muitos aspectos, sobretudo quanto ao abastecimento de medicamentos e insumos. Além da falta de remédios, ele lista como os maiores gargalos encontrados o déficit de pessoal, estimado em torno de 4 mil a 4 mil 500 servidores, e as dívidas com fornecedores.

Embora esteja impedido de contratar novos profissionais em função do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal ter sido atingido em mais uma herança indesejável do governo anterior, a Secretaria poderá repor vagas deixadas por aposentadorias, exonerações ou mortes de funcionários — casos que significam cerca de 1 mil postos na saúde.

Para reverter a situação, o secretário avalia como poderia ser feita a contratação de concursados ainda não nomeados. Ele reconhece que nem todas as vagas serão repostas de imediato, mas, diz, áreas críticas como clínica médica, pediatria, anestesia e UTI poderão ser reforçadas com novos profissionais.

Quanto às dívidas, R$ 767 mil foram investidos na quitação com fornecedores de óleo e gás das caldeiras hospitalares — essenciais para a esterilização de materiais cirúrgicos, por exemplo. Paralelamente, a manutenção da rede pública de saúde foi fortalecida com a emissão de notas de empenho para as empresas que fazem o serviço. Com os R$ 3,2 milhões empenhados, todas as unidades estão agora cobertas com os serviços de manutenção, anuncia João Batista.

Durante esse período de emergência, o governo promoveu diálogo com credores que interromperam serviços essenciais ou não aceitaram novos empenhos. "A situação crítica que o governo enfrenta (no setor financeiro) foi apresentada, reconhecida pelos credores, e em muitos casos as atividades foram retomadas", enfatiza o secretário.

O certo, afirma João Batista em tom imperativo, é que "nós vamos sair da situação de emergência, vamos sair da crise, acho que antes do que eu imaginava. Mas isso não é suficiente, é preciso ter uma transformação, é preciso fazer alguma coisa diferente", ressalta. E essa mudança, antecipa, vai começar com o reforço de iniciativas na atenção primária, como o programa de Saúde da Família, que cobre hoje apenas 27% do Distrito Federal. A meta é chegar a 2018 com 80% de cobertura.

Fonte: Notibras / Felipe Meireles, com informações de Étore Medeiros - 26/02/2015

Alcoforado: "Desgaste do governo Agnelo envergonha a mim e a todo o povo do DF"

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Crédito: Edílson Rodrigues/CB/D.A Press


O senhor foi advogado de Agnelo Queiroz e passava a impressão de que eram muito próximos. O desgaste do governo dele o envergonha?

Sempre tive com Agnelo uma relação de natureza técnica. Um profissional que é dedicado procura sempre estar próximo para cuidar do cliente de uma maneira muito mais satisfatória e protetiva. O papel do advogado nessas horas corresponde a uma expectativa de, às vezes, profissionalismo e, às vezes, afeto. Daí porque eu acho que a situação de agora não só deve envergonhar a mim, como deve envergonhar a todo o povo do Distrito Federal.


O senhor advertiu Agnelo quando os problemas surgiram de que poderiam acarretar ação judiciais?

O meu papel, na verdade, não foi de fazer uma advocacia preventiva. Nas oportunidades em que fui provocado, sempre externei minhas opiniões com muita sinceridade, objetividade e segundo alguns princípios que devem nortear o administrador cuidadoso, criterioso e eficiente.


Acha que as ações de improbidade já ajuizadas pelo Ministério Público e outras que ainda poderão surgir indicam que o ex-governador pode acabar sendo enquadrado na Lei da Ficha Limpa?
 
Existe realmente um risco significativo, pelo cenário das ações e pelo conjunto de informações que hoje vêm à opinião pública. É preciso ter muito cuidado para enfrentar essas questões porque vão deixar sequelas muito profundas na vida dos administradores que não foram cuidadosos e criteriosos.


Onde está agora o ex-governador Agnelo? Tem notícias dele?

Não. Não tenho comunicação nem contato com ele no momento.


Houve algum desentendimento entre vocês?

Não houve desentendimentos. Cumpri um ciclo profissional. Fiz um trabalho com fidelidade e eficiência. Fiz também, modéstia à parte, com competência porque o ex-governador não teve nenhuma condenação em nenhum dos processos dos quais eu cuidei profissionalmente, Para mim, isso é uma bandeira significativa porque o profissional vive desses resultados. Talvez seja o único governador que não tenha sido denunciado, nem condenado em nenhuma esfera da justiça brasileira, nem do Tribunal de Contas.


O senhor foi um dos fundadores do PSDB. Era um estranho no ninho no governo petista?

Não. Sempre tive minhas compreensões ideológicas e sempre tive as minhas particularidades que ficavam no plano das minhas reservas pessoais. Nunca alienei a minha ideologia e sim aluguei a minha capacidade profissional, como advogado. Não misturo as duas coisas.


Muita gente imaginava que, por ser o advogado do governador, o senhor tinha muita influência no governo. Tinha mesmo?

Ficou muito no imaginário popular que essa influência fosse muito aguda. Acho que essa questão da influência vai ficar para a história. Vocês vão verificar que outras pessoas tiveram ingerência muito mais significativa, inclusive do final do governo.


Quem realmente tinha influência?
O governo Agnelo parecia um grande arquipélago. Ele ficou numa grande ilha e havia outras, sem comunicação, sem interlocução. Cada um tinha a sua capitania hereditária e administrou de acordo com as suas próprias intenções. Faltou, me parece, harmonia, coerência e simetria no conjunto das ações do governo. Isso foi o ponto, na minha percepção, significativo para que o governo tivesse uma rejeição nas urnas.

A campanha do Agnelo deu um calote no seu escritório?

Não posso negar que fiquei para o restos a pagar (risos). Não posso desdizer a verdade.

Acredita que esse compromisso será honrado por Agnelo?

Quem assumiu essa dívida foi o PT. Espero que o partido cumpra os seus compromissos profissionais porque eu me dediquei profundamente na campanha.

Fonte: Blog Eixo Capital - 22/02/2015

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