Ex-correspondente internacional do ‘Estado’ diz que Trump ataca a grande mídia porque ela exibe suas contradições

Estadão conteúdo - 05/10/2017 - 13:08:51

Com 40 anos de profissão – dos quais 16 como correspondente internacional – o jornalista Moisés Rabinovici avalia que o papel do jornalista hoje é separar o ‘joio do trigo’ em meio à tanta informação disponível na era digital e à recente onda de notícias falsas. Rabinovici, que estreia o programa de análise Um Olhar sobre o Mundo no dia 16 (às 22h, em rede nacional, pela TV Brasil), critica o presidente dos EUA, Donald Trump, por atacar meios de comunicações que expõem as contradições de seu governo. 

Qual é o principal desafio do correspondente internacional hoje? 

É conseguir ser singular na mesmice. Não adianta ele se basear nas agências de notícia e mandar para o jornal o que todos já estão noticiando. Ele precisa ter um olhar exclusivo, específico, que valha. Cumpra o papel que as agências não estão cumprindo. Isso é um dos aspectos do correspondente, que vai dar a perspectiva de seu país diante dos acontecimentos. O mundo de hoje não é mais lugar para o jornalismo romântico. Hoje, o jornalismo é imediatista. Agora, um atirador começa a disparar em Las Vegas, antes que ele acabe o último cartucho, já estamos acompanhando o que está acontecendo. Esse é o fenômeno ‘glocal’, que significa global e local ao mesmo tempo. 

O que quer dizer? 

As notícias hoje são todas locais e globalizadas. O que é global passou a ser local. Temos essas notícias imediatamente nas mãos e o trabalho do jornalismo agora é fazer uma curadoria. Separar o que é fake news e o que não é, organizar a leitura para um leitor que está sendo invadido por quilômetros de notícia, informação em excesso. O grande repórter pode até chegar atrasado, mas ele volta com uma belíssima de uma matéria. E essa reportagem é de leitura, que os jornais de fim de semana precisam. Contar histórias e ter um olhar sobre o mundo, que é minha proposta, dar ao leitor uma visão de quem esteve no mundo e aprendeu com ele como reportar o que significam determinados acontecimentos. 

Nesse contexto, existe o jornalismo cidadão, feito por quem está no centro dos conflitos onde os jornalistas não podem chegar. Como confiar nessas fontes? 

Da mesma forma que um tuíte que a pessoa manda pode conter uma mentira, há o desmentido. Essas coisas são imediatas. Ficou mais fácil espalhar uma notícia falsa, mas ficou também fácil descobrir a mentira. Há um embate. O problema é que as falsas, as ‘fake news’, têm maior insistência, ficam mais tempo nas redes. Jornalistas como eu são animais em extinção. Fazíamos as coberturas românticas, íamos para cobrir uma guerra, dos dois lados do front. A gente avançava com as tropas de um país invadindo o outro. Hoje, tem os drones que por controle remoto, por exemplo, vão a lugares que não se chega.

O que mais mudou? 

No telex (que se utilizava para transmitir a notícia), o seu dia vivido na cobertura da guerra sai diretamente do cérebro para os dedos, no teclado. Não faz nenhuma parada para ‘maquiagem’. Hoje em dia esses textos já não cabem mais, porque os leitores têm pressa, as plataformas de distribuição de notícia são imediatas, não comportam textos longos, investigativos. Eles têm lugar nos jornais (impressos) porque são indispensáveis para atrair o leitor. 

O que o sr. acha das tentativas de deslegitimar a grande mídia, como no caso do presidente Donald Trump que disse que as pessoas podem acompanhar as coisas pelo Twitter? 

Ele comete um erro. Ele despreza tanto a imprensa tradicional que sequer foi ao almoço anual para o qual foi convidado. Ele passou a achar que não precisa da imprensa porque ela vai atrás e cobra o que ele diz. Durante a campanha eleitoral, ele acusou Hillary (Clinton) de usar um servidor pessoal e não o da Secretaria de Estado para e-mails que eram do governo. Agora, o pessoal dele fez a mesma coisa. Ele não gosta da imprensa porque ela descobre histórias como essa. 

Por que há tantas mortes ligadas ao exercício da profissão, mesmo em países que não estão “em guerra”, como o México? 

É corajoso o jornal mexicano que está na região do narcotráfico sair com uma lista dos narcotraficantes mais procurados. Isso provoca assassinatos. É lamentável, mas é nossa profissão. 

Com tantos blogs e outras fontes sobre os mais diversos temas, qual o risco da retroalimentação por aqueles que só se interessam por ler o que condiz com sua opinião? 

O importante é poder ter informação independente e desinteressada porque as que vêm com partidarismo, ou com algum interesse, são parte de um lobby, essas não formam, fazem marketing. Por isso, o jornalismo hoje é muito curadoria, o valor do jornalista hoje é muito o de separar o joio do trigo, de poder escrever um artigo com base nas informações consideradas honestas. Vão restar aqueles jornais que prezam a informação com objetividade, que publiquem reportagens aprofundadas, investigativas e completas, não o que a internet está atirando contra nós.

"Tenho um mural de sonhos e nele os projetos sociais tomam grande espaço.” Jaqueline Silva

Blog da Cris Oliveira - 20/09/2017 Foto: Reprodução

Na coluna Mulheres Falando de Política, entrevistei Jaqueline Silva (PPL), que começou sua carreira política em 2006 como candidata a Deputada Distrital obtendo 1.165 votos na época. Mesmo sem recursos e com muita simpatia, Jaqueline não parou com a derrota que teve. Em 2010 se candidatou novamente, perdeu, mas obteve 4.858 votos. Incentivada por uma boa equipe, pelo marido e também pelo filho de 20 anos, a candidata concorreu novamente em 2014 e dessa vez obteve 9.444 votos, chegando perto da cadeira do Legislativo. Foi prejudicada pela coligação, pois elegeu um deputado que não tem nada a ver com o povo que votou nela.

Fiz algumas perguntas à Jaqueline Silva. Confira:

-Jaqueline, você foi convidada pelo Governador Rollemberg para ser Administradora de Santa Maria. Por que não aceitou o convite?

R: Cheguei aos quase 10 mil votos sem nunca ter assumido um cargo público. Não me senti à vontade com o convite do Governador, e preferi aguardar o momento certo de ser útil na gestão pública. Acredito que ser administradora não ajudaria no meu projeto de chegar à cadeira do Legislativo.

-Você está preparada para enfrentar o Sistema Legislativo e suas barganhas comprometedoras, que deixam deputados engessados no Poder Executivo?

R: A luta pelo fim do sistema corrompido se concretizará com a renovação do poder. Sinto o clamor da renovação no corpo a corpo que tenho com os eleitores. O povo quer eleger deputados corretos que realmente representam o povo.

– Que tipo de políticas públicas para as mulheres você acha que falta no Distrito Federal?

R: É assustador em Santa Maria o número de adolescentes gestantes. Não vejo os poderes preocupados em cuidar desse assunto. Outra questão que aflige as mulheres é a falta de exames preventivos, como a mamografia por exemplo. Acredito que a mulher eleita cuidará com mais detalhes das políticas públicas para as mulheres.

– Falta investimento no campo social no Distrito Federal?

R: Sim. A falta de políticas sociais traz graves consequências. Vejo essa realidade em Santa Maria: crianças são usadas por traficantes, pessoas desempregadas passam fome. Tudo isso contribui para o crescimento da criminalidade. O restante do Distrito Federal também vive esta realidade. Santa Maria não é diferente das outras cidades do DF.

-O que é o projeto #OcupaParque?

R: O Ocupaparque é um projeto de voluntariados para incentivar o lazer com a construção e revitalização de praças e parques. Os comerciantes de Santa Maria abraçaram a causa, e a comunidade participa do projeto que cresce a cada dia.

-Faltam mulheres eleitas no Brasil e no DF. Quais são os motivos da escassez de mulher no poder?

R: Somos competitivas. As mulheres são maioria, mas poucas de nós sabem usar o poder incentivando umas às outras. Precisamos de união para ocuparmos os nossos espaços.

-Por que o PPL?

R: Enxerguei em 2014 no PPL a esperança de ser eleita por causa das coligações. E quase deu certo. Não fui eleita por 900 votos.

 

Governador Rodrigo Rollemberg garante pagamentos de salários e de contratos em dia, além de cenário positivo para a economia, com mudanças na Previdência

Ana Maria Campos, Ana Viriato do Correio Braziliense - 10/09/2017 08:00

"Estamos há dois anos e oito meses sem nenhuma denúncia de corrupção", afirma Rollemberg

Com um discurso regado a benefícios para os servidores e para o setor produtivo, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) prega a aprovação do projeto de lei complementar que altera a Previdência como uma saída para a crise financeira do DF pelos próximos anos.

O apelo é de que o aval da Câmara Legislativa para a fusão dos fundos de aposentadoria do funcionalismo local propiciará um cenário de céu de brigadeiro na capital. A promessa é de salários em dia, garantia das aposentadorias, quitação de dívidas de fornecedores, fim dos atrasos de pagamentos de faturas de contratos e um consequente ambiente de mais otimismo para o empresariado numa cidade que gira em torno do serviço público.

Por outro lado, a reprovação do texto, ressalta Rollemberg, significa dificuldades para todos. Esse é o tom das conversas que o governador tem mantido com distritais em busca de ajuda. Mas não é só isso. Ele cobra energicamente a lealdade de aliados com espaço generoso no governo, mas que não são parceiros quando está em jogo uma decisão considerada estratégica. O deputado Reginaldo Veras (PDT), que já anunciou voto contra, é um dos bombardeados.

Com mais sutileza, Rollemberg se refere também ao presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), que apresentou um substitutivo e defendeu mais prazo para debater o assunto. Nesse caso, o governador apela para o impacto positivo da medida no setor produtivo, base do pedetista, e aposta no “bom senso”. Com a oposição, o governador é duro e aponta que Wasny de Roure (PT), um dos  autores do mandado de segurança que provocou a suspensão da votação na última terça-feira, agiu de “má-fé”, ao argumentar que os prazos regimentais não foram cumpridos na tramitação do projeto enviado em regime de urgência pelo Executivo.

Rollemberg mira também os sindicatos, que estariam defendendo apenas interesses corporativos em detrimento da cidade, além de disseminar mentiras para criar um cenário desfavorável. Uma das inverdades seria o imediato aumento da contribuição previdênciária, com redução de salários. Segundo Rollemberg, tal medida só ocorrerá se o Congresso aprovar a reforma da Previdência do governo Temer e a eventual variação das alíquotas não tem relação com as atuais discussões no DF, uma vez que já está prevista na Lei Orgânica. 

Para os adversários, Rollemberg manda um recado: a aprovação do projeto será positiva para todos os que pretendem governar o DF, porque leva ao equilíbrio fiscal e a uma “Previdência sustentável”. Ele também jura que não  pensa agora em reeleição e só entrará nesse debate no próximo ano, quando puder dizer que conseguiu ajustar as contas públicas do DF.  Ninguém duvida, no entanto, que, se a medida realmente trouxer tantos impactos positivos para Brasília, a força política de Rollemberg vai crescer em 2018.

O governo diz que a aprovação do projeto da Previdência é vital para o equilíbrio das contas públicas, mas o que significa para a cidade?

Significa reestruturar a Previdência, fazer justiça, abrir um novo tempo na vida da cidade, dar adeus à crise e poder retomar o desenvolvimento, com a geração de empregos e de oportunidades. 

Alguns deputados dizem que a fusão dos fundos de Previdência pode colocar em risco a aposentadoria de servidores que contribuíram para o fundo capitalizado, que está saudável e superavitário. Esse risco existe?

Existe, na verdade, neste momento, o risco de não conseguirmos pagar a aposentadoria dos servidores que entraram no serviço público até dezembro de 2006. Vários estados que tinham essa segregação de massas, a finalizaram, como Minas Gerais, Paraná, Sergipe, Goiás… Não há sentido na separação. Os servidores são iguais. São os mesmos funcionários, que estão no mesmo regime e, simplesmente, foram separados por um réveillon. Você tem, de um lado, 110 mil servidores — 58 mil aposentados e 52 mil na ativa —, com um deficit mensal de R$ 170 milhões; e, do outro, um fundo com 50 mil servidores, com idade média de 36 anos, onde há apenas 152 aposentados, com um superavit de R$ 3,7 bilhões, e cuja contribuição não pode ser utilizada para pagar a aposentadoria de quem entrou antes de dezembro de 2006. O que queremos é que a contribuição de todos possa pagar a aposentadoria de todos. É um princípio da Previdência: a solidariedade. Os mais novos devem contribuir para pagar a aposentadoria dos mais velhos. 

Qual o plano do seu governo para manter capitalizado o fundo, de forma que cresça ao longo do tempo?

A reestruturação é um passo importante em direção à sustentabilidade. Colocamos um artigo no projeto cujo texto garante que a metade do valor de todo ativo concedido ou vendido no DF seja direcionado ao custeio da Previdência. Ou seja, se você faz a concessão do Mané Garrincha, do Parque da Cidade, do Centro de Convenções, 50% do montante será repassado à Previdência. E a mesma coisa ocorrerá com qualquer outro ativo que for vendido na história do DF.

Com a criação do regime complementar, todos que optarem por ingressar no funcionalismo público a partir de agora terão como teto da aposentadoria o valor de R$ 5.331,31. Se quiserem receber mais, darão uma contribuição maior e o governo também concederá um aporte maior para outro fundo. Para cada R$ 1 do servidor, o governo aportará R$ 1. Com isso, esperamos economia na contribuição patronal. Estamos contribuindo e dando prazo de dois governos para que os próximos comandantes e a sociedade pensem em medidas adicionais. Além disso, o país está discutindo uma reforma da Previdência que envolverá toda a sociedade.

Esse artigo dos ativos não acaba criando resistência? O deputado Chico Leite, que já estudou o projeto e é contra a privatização de empresas, disse que vai apresentar uma emenda supressiva...

O artigo não quer dizer que o governo vai privatizar determinado ativo. Quer dizer que, qualquer que seja o bem concedido — e temos vários em trâmite de concessão — ou que eventualmente, no outro governo, seja vendido, renderá metade dos recursos ao custeio da Previdência dos servidores.

Acredita ter os votos necessários para a aprovação?

Estamos dando uma oportunidade à Câmara Legislativa e à cidade de fazer uma opção. Há a garantia, com a aprovação do projeto, de fazer a reestruturação da Previdência, com o pagamento das aposentadorias de todos os servidores públicos e funcionários ativos. Também existe a possibilidade de retornar ao dia 30 o pagamento dos integrantes da administração direta. Aos servidores que recebem do Fundo Constitucional, damos a garantia do repasse um pouco antes do quinto dia útil do mês. Prevemos o retorno do 13º junto com o salário para aniversariantes do mês; o pagamento em dia de horas extras da saúde; a antecipação de férias para os professores na primeira semana de janeiro; o repasse de parte das pecúnias referentes a 2016 dos servidores públicos; a remuneração em dia das empresas terceirizadas, e, portanto, dos terceirizados; e o pagamento dos fornecedores e prestadores de serviço.

Mas, se o projeto não for aprovado, há a certeza, por total impossibilidade de fazer os pagamentos, de atraso ou parcelamento de salários; de atrasos a empresas terceirizadas; e, também, a continuidade dos atrasos de pagamentos para fornecedores e prestadores de serviços, o que é muito ruim para a economia da cidade. O deputado Joe Valle, como representante do setor produtivo, sabe o transtorno que é para o empresário ter seus salários atrasados no momento de crise. Portanto, tenho certeza  deque vai prevalecer o bom senso. Que as pessoas vão deixar de lado a preocupação com as eleições e consigo mesmas, e vão pensar na cidade, acarretando, assim, a aprovação da proposição.

É possível aprovar um substitutivo?

Podemos aprovar o original, com aperfeiçoamentos. Estamos abertos ao diálogo. O importante é que não haja arremedos ou soluções que não se sustentem do ponto de vista jurídico. Há necessidade de soluções estruturais, como as que estamos propondo; que resolverão, de fato, o problema. A questão do auxílio-doença, mencionada no substitutivo dos distritais, já foi estudada aqui e, a princípio, não atende as necessidades. Pelo contrário, ela aumentaria o deficit da Previdência e reduziria o superavit do fundo capitalizado. Mas estamos abertos a construir alternativas.

O debate eleitoral está contaminando a votação?

Tenho ouvido que parlamentares estão comentando que, se houver a aprovação, eu ficaria muito forte para a eleição. Não estou pensando em reeleição. Desde o início do meu mandato, quando tive de tomar medidas muito duras, estou pensando na cidade. Faço uma comparação: quando assumi o governo de Brasília, a cidade estava em uma situação parecida com a do Rio de Janeiro. Mas nós tivemos a coragem de tomar medidas difíceis, que trouxeram um custo político e pessoal muito elevado. Mas, hoje, vemos a cidade de pé. Neste ano, no Rio de Janeiro, tivemos 102 assassinatos de PMs. Enquanto isso, em Brasília, durante os últimos oito meses, alcançamos o menor número de homicídios em 32 anos. Disse isso, ontem (07/09), ao presidente Temer, na tribuna de honra, enquanto havia o desfile das forças de segurança. A cidade está de pé, porque tivemos coragem de tomar as medidas duras. 

Sindicatos têm dito em carros de som que haverá redução de salário decorrente do aumento da alíquota de contribuição previdenciária. Isso vai ocorrer?

O projeto não trata do acréscimo. A Lei Orgânica do DF tem um artigo que diz que a contribuição previdenciária do DF não pode ser menor que a da União. Só haverá aumento de contribuição se houver a nível federal. Por isso, disse que os sindicatos não estão falando a verdade para os servidores. Quando a gente tem a oportunidade de falar direto com o funcionalismo, há um processo de convencimento. Aliás, quero dizer que, em reuniões fechadas com os dirigentes sindicais, muitos deles saem absolutamente convencidos de que essa é a melhor alternativa para resolver o problema. Mas, quando chegam lá fora, eles não usam o mesmo discurso para falar com a base.

O deputado Joe Valle liderou o movimento para não votar o projeto e produziu o substitutivo. Acha que isso sinaliza que ele estátrabalhando em uma candidatura própria?É um movimento político?

Temos de separar as questões. Neste momento, todos temos de ter compromisso com a cidade. A proposta que apresentamos foi estudada e estruturada. Ao contrário dos outros estados, não queremos utilizar os recursos no nosso governo. Os subsídios serão utilizados ao longo do tempo. Quem for governar Brasília a partir de 2019 encontrará a cidade organizada, com a possibilidade e o tempo para fazer uma discussão profunda sobre a reestruturação.  Mas não é correto com a cidade tratarmos de 2018 num momento tão importante. 

Seria possível, aprovando o projeto, discutir com os servidores os atrasos de reajustes que eles reivindicam?

Este não é o momento. Ao organizar as contas da cidade e garantir o pagamento de todos em dia, não tenho dúvida  de que a economia local vai reagir e voltar a crescer, como tem acontecido aos poucos. Estamos há cinco meses seguidos reduzindo o desemprego. Esse crescimento poderá permitir, a médio prazo, a retomada dessa discussão. Fazer o debate imediatamente seria prematuro.

O TCU apontou um deficit do Iprev. Isso já foi esclarecido?

A questão do superavit foi revista. Os critérios utilizados pela Corte estavam equivocados. Gostaria de esclarecer também que o fim da segregação de massas está em total conformidade com a lei. O STF já tem um conjunto de decisões dizendo que o Ministério da Previdência não pode, por portaria, regulamentar algo que está previsto na Constituição (a competência dos estados e do DF para legislar sobre a Previdência Social). Em várias decisões, o Supremo assegurou a autonomia dos estados para promover o fim da segregação de massas. Foi assim com Minas Gerais, Paraná, Sergipe… 

Nesses estados, deu certo?

Deu certo. Hoje, os estados estão em uma situação melhor do que antes. Mas isso resolve para sempre o problema da Previdência? Não. Isso dá um tempo de, pelo menos, dois governos para que a sociedade possa debater com propriedade novas medidas para garantir a sustentabilidade da Previdência. Tenho dito isso. É importante que os próprios sindicatos assumam o debate. Não dá para ficar apenas com a postura “sou contra, sou contra, sou contra”, sem buscar alternativas. Vai chegar um momento em que,  qualquer que seja o governador, não conseguirá pagar os aposentados, devido ao deficit mensal de R$ 170 milhões por mês. Esse valor é um recurso que o conjunto da sociedade está pagando para um conjunto de servidores públicos.

O rombo herdado do governo anterior do DF estará sanado ao fim de 2018?

Os nossos esforços são para atingir esse objetivo. É importante registrar que o país foi saqueado ao longo dos últimos anos pela irresponsabilidade fiscal e pela corrupção. E nós estamos primando pela responsabilidade fiscal, para garantir o equilíbrio econômico-financeiro. Podemos dizer, com muita tranquilidade, que estamos há dois anos e oito meses sem nenhuma denúncia de corrupção. Isso que é a nova política. 

A votação do projeto da Previdência depende diretamente da Justiça. Há um plano B?

O desembargador foi induzido ao erro por um parlamentar. Isso é lamentável. Um deputado que usou de má-fé, porque conhece com profundidade o regimento. À época em que Wasny foi presidente da Câmara Legislativa, por muitas vezes, projetos em regime de urgência foram votados em tempo menor que esse. E por quê? Porque há previsão no regimento. A proposta em regime de urgência não depende desses limites temporais que o deputado Wasny arguiu no tribunal, induzindo ao erro o desembargador. Ele se referiu como se fosse um projeto de lei ordinária, quando, na verdade, era um projeto de lei complementar em regime de urgência. Portanto, houve, claramente, má-fé.

É hora de os deputados da base ajudarem a governar?

Sem dúvida. Esse é um projeto fundamental para a cidade. Ele é o coroamento de todo o nosso esforço. É inadmissível que pessoas da nossa base, que sabem do nosso compromisso de campanha — garantir a responsabilidade fiscal e a estabilidade econômica — faltem por puro oportunismo.

E os deputados da base, como o Reginaldo Veras, que têm votado sistematicamente contra as propostas do governo? É um indício de ruptura?

Não tem cabimento ou coerência um parlamentar votar sistematicamente contra os principais projetos do governo, aqueles que são estruturantes para a cidade, e querer ter cargos no governo. É uma incoerência. 

Isso seria uma barganha política, um toma lá, dá cá?

Não há barganha. Mas não tem cabimento um deputado ter cargos no governo, espaço no governo, e votar insistentemente contra o governo nos momentos mais importantes para a cidade, em função de puro oportunismo.

E o Israel Batista, que sinalizou voto contra e tem aliados coordenando uma secretaria com o projeto BoraVencer?

Tenho muita convicção de que o deputado Israel vai votar a favor do projeto. Ele fez um debate com técnicos especialistas e professores. Os educadores, inclusive, aprovaram completamente o projeto e entenderam que era a saída correta. O que o deputado Israel pediu foi uma semana de prazo para que pudesse percorrer as escolas e explicar aos professores. Não entendo a postura do deputado Reginaldo, de ter ficado contra essa proposta. 

Joe Valle também tem um espaço grande. Ele pode perder cargos?

Tenho muita convicção de que, com a responsabilidade que tem nesse momento, com o tempo que teve para a apreciação da matéria e com os eventuais ajustes no texto, Joe Valle contribuirá com a aprovação desse projeto.

Se a proposta é tão importante, por que só foienviada agora, quase três anos depois do início do governo?

É importante registrar que o projeto que cria a Previdência complementar existe desde 2015. Se, no passado, quando houve a segregação de massa dos fundos, tivesse sido feita a Previdência complementar, teríamos, só de contribuição patronal, uma economia em torno de R$ 360 milhões por ano. Portanto, estamos fazendo esse debate desde 2015. Sobre o fim da segregação de massas, todos nós aguardávamos que, em 2016, a economia reagiria, mas não reagiu. Pensamos que ia reagir em 2017, mas, devido à crise política, também não reagiu. Isso nos levou a ter de fazer a reestruturação da Previdência. A origem do problema está no deficit. 

Ficaram para trás vários aliados que apoiaram a sua eleição em 2014. Qual é a cara do seu grupo político hoje?

Tenho muito claro o que aconteceu ao longo desses dois anos e oito meses. Tivemos de adotar uma agenda muito dura e responsável, que é a do ajuste fiscal. Infelizmente, nossos políticos têm dificuldade de se aproximar de uma agenda como essa. Quando tivemos de suspender o aumento dos salários, de reduzir de 38 para 20 o número de secretarias, de fazer cortes no custeio da máquina, a agenda não se mostrou popular. Por isso, muitas pessoas se afastaram dela. Mas, com a responsabilidade que temos, seguimos em frente.

Como disse, os resultados estão aparecendo quando percebemos Brasília com o menor número de homicídios dos últimos 32 anos. Enquanto isso, nos outros estados brasileiros, esse índice cresce assustadoramente. Quando vemos todas as crianças de 4 e 5 anos na escola, é um dado relevante. Quando vemos que, na atenção primária, a cobertura subiu de 28% para 44%, e devemos chegar a 61%, percebemos que tem um avanço. Com a implementação do bilhete eletrônico ainda neste mês, também há avanços. Não estou preocupado com reeleição. Estou preocupado em cumprir as promessas que fiz no início do mandato. A eleição, vamos discutir no momento adequado, que é no início do ano que vem. É quando a cidade estará em pleno funcionamento. 

Em que mês esse debate estará aberto?

Vou tratar de eleição quando tiver convicção de que a cidade está equilibrada e a casa, organizada. 

Além de embates na Câmara Legislativa, o governo tem enfrentado resistência no Judiciário, como as ações contra o Instituto Hospital de Base, o corte dos supersalários de empresas públicas e essa votação. O senhor acredita que conseguirá colher os frutos das propostas que apresentou?

Estamos enfrentando muitas dificuldades e desafios, além de interesses incompatíveis ou divergentes dos das cidades. Interesses menores, mesquinhos, corporativos e eleitorais que afrontam o conjunto da cidade. Em relação aos supersalários: determinei que a Procuradoria reúna as ações coletivas para que possamos recorrer. No caso do Instituto Hospital de Base, tenho convicção de que o juiz foi induzido ao erro e há como reverter essa posição. Mesmo porque há uma decisão do STF muito clara em relação a isso. Vamos enfrentar a batalha política e a jurídica. Estamos enfrentando essas batalhas com o objetivo de organizar a cidade, de entregar Brasília como uma cidade melhor.

Os interesses corporativos dos sindicatos atrapalham?

Os sindicatos privatizaram Brasília. Hoje, o serviço público serve muito mais aos sindicatos do que ao conjunto da população. Faço uma reflexão: todos os trabalhadores em Brasília dão duro por quarenta horas, o que justifica que um servidor da saúde tenha jornada de 20 horas? Isso vai contra a população.

Por que, hoje, temos um conjunto de leitos de UTIs fechado? Porque faltam servidores para esses leitos. E nós não podemos contratar novos servidores, porque estamos no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Só podemos substituir em casos de morte ou de aposentadoria na educação, saúde e segurança. Esse debate tem de ser feito com profundidade. Sou servidor público e tenho profundo orgulho disso, mas alguns sindicatos, alguns dirigentes, estão prestando um desserviço à administração pública ao torná-la insustentável a médio prazo.

O Instituto Hospital de Base é uma aposta do seu governo para melhorar a saúde e uma espécie de modelo de gestão. Acredita que vai ser  implementado no início de 2018, conforme seus planos?

Temos quatro grandes entregas na Saúde. Tenho convicção de que vamos superar todos os obstáculos jurídicos e políticos para a implantação do Instituto Hospital de Base. O projeto será excelente para os servidores. Mas é importante resolver o problema financeiro para que o IHBDF tenha os recursos necessários para manter os serviços com excelência. Temos a ampliação da atenção primária. Ainda há a construção do Hospital da Criança, que permitirá 220 leitos. E, por último, o início da construção do Hospital do Câncer, que teve apoio expressivo do senador Reguffe, com recursos da bancada.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou uma Adin contra a lei da regularização fundiária. Se a Justiça acatar, haverá impacto no processo em curso no DF?

Não. Vamos continuar nosso processo, negociado com o Ministério Público. Completamos 31 mil escrituras entregues, isso é mais que todos os governos anteriores e até o fim do mandato, vamos entregar mais que todos os governos juntos. Também estamos avançando bastante no processo de venda direta de condomínios. Houve 92% de adesão dos moradores do Ville de Montagne, apesar de haver um conjunto pequeno de habitantes estimulados por deputados que não querem o bem da cidade e que tentaram fazer com que eles não aderissem. Entregamos 12 mil unidades habitacionais e estamos com várias áreas do Habita Brasília, cujas implementações começarão ainda neste ano ou, no máximo, no ano que vem. 

O Teatro Nacional será reaberto na sua gestão?

Tenho muito orgulho de dois dados do meu governo. Brasília foi a única unidade da federação que, nos últimos anos, aumentou o aporte de recursos nas áreas de ciência, tecnologia e informação. O outro é a cultura. Enquanto todos os outros estados reduzem os repasses, nós estamos aumentando, ano a ano, os recursos. Não há nenhum projeto do FAC pendente de pagamento. Pagamos todos os projetos de 2014 que não haviam sido pagos e, hoje, não há pendências. Lançamos um edital de R$ 23 milhões para a produção audiovisual e um outro, de R$ 37 milhões. Pela primeira vez, estamos fazendo editais regionalizados. Ou seja, descentralizando os recursos.

Vamos inaugurar, daqui a pouco, o Espaço Cultural Renato Russo e o Museu de Arte. Está pronto e sendo equipado o complexo cultural de Samambaia. Está quase pronto o complexo cultural de Planaltina. E fizemos um acordo para adaptar o projeto do Teatro Nacional e fazer a recuperação por partes. Nosso objetivo é abrir, ainda neste ano, o foyer da Villa Lobos. Depois, vamos fazer a recuperação da Sala Martins Pena para, posteriormente, a da sala Villa Lobos. Isso é uma boa notícia. Também vamos dar uma grande notícia no festival de Cinema. Vamos conseguir uma área extremamente nobre para o novo pólo de cinema de Brasília.

E o transporte?  Quando funcionará?

Teremos um grande avanço com o lançamento do bilhete único, neste mês. Para muita gente, significará o barateamento do transporte. 

Há um risco de Brasília amanhecer de novo sem ônibus?

No que o governo pode ajudar, tem ajudado. Houve uma negociação na data-base, um reajuste acima da própria inflação, então não vejo sentido em uma greve. 

Houve um primeiro caso de denúncia de corrupção no seu governo. A questão dos fiscais no transporte público. O que está sendo feito?

É importante registrar que essa investigação foi solicitada pelo secretário de Mobilidade, quando percebeu que havia, no quarto escalão, uma movimentação suspeita. Qualquer indício de corrupção é submetido, instantaneamente, a pedidos de investigação. Foi uma apuração aberta pela Polícia Civil.

Sobre investigações internas, o delegado adjunto da Deco, 

Adriano Valente, afirmou que, mesmo antes do trânsito em julgado, é possível abrir processosadministrativos contra servidores suspeitos de fraudes em concursos. O governo pedirá investigações a partirda denúncia?

Se houver fundamento, não tenham dúvidas de que seremos implacáveis. Se houver comprovação de corrupção de servidores públicos, serão demitidos. 

Como ficou a relação com o presidente Temer depois que seu partido pediu a renúncia e o impeachment dele?

É uma relação boa e institucional. No que podemos ajudar, ajudamos. E ele tem sido bastante atencioso. Não tenho do que me queixar. Em relação ao partido, temos feito conversas com lideranças nacionais. Estivemos, recentemente, com o Alckmin; devemos nos encontrar com Ciro Gomes e, também, com Marina Silva. São atores que merecem ser ouvidos nesse processo. 

O PSB, então, está longe de saber com quem estará na disputa presidencial?

O ambiente está indefinido. Mas esses são três atores com quem o PSB decidiu dialogar. Marina Silva tem uma relação histórica comigo. Ciro Gomes também foi um companheiro de partido, que saiu do PSB pela porta da frente e manteve muitos amigos. Estivemos com o governador Alckmin, em uma situação específica. Mas tudo está muito indefinido. E a definição nacional terá efeitos nos planos locais.

Com o depoimento do ex-poderoso ministro petista Antônio Palocci, o presidente Lula sepultou as chances de ser candidato? 

O depoimento de Palocci agrava a situação dele.

Chico Leite afirma que seu voto segue sua consciência e não está baseado em troca de espaço político

Por Ana Maria Campos-Correio Braziliense/Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press - 08/09/2017 - 10:21:40

O deputado Chico Leite (Rede) passou os últimos 10 dias estudando minuciosamente o projeto de lei complementar que muda a Previdência do DF. Vai votar a favor. “Essa é a única alternativa, no momento, para resolver duas preocupações: a sustentabilidade da Previdência do servidor, que é deficitária hoje, e o pagamento dos salários em dia, que neste mês já corre sério risco”, aponta o distrital. Mas ele vai propor uma emenda para suprimir o artigo 47, que trata de receitas para o fundo das aposentadorias decorrente da “venda de ativos”. É para deixar clara a impossibilidade de privatizações de empresas do governo, explica. Chico Leite afirma que seu voto segue sua consciência e não está baseado em troca de espaço político. “Não tenho um só cargo no governo”, garante.

 

Algoz de Bandarra no centro da crise com delação da JBS

 

No centro da crise que pode levar à cassação dos benefícios da delação premiada concedida aos irmãos Batista, donos da JBS, o advogado Marcelo Miller foi o algoz dos promotores de Justiça Leonardo Bandarra e Deborah Guerner, em 2011. 

O ex-procurador da República presidiu a comissão disciplinar que investigou as denúncias contra os dois integrantes do Ministério Público do DF envolvidos no escândalo da Operação Caixa de Pandora. O relatório final recomendou a demissão de Bandarra e de Guerner. Sobre o ex-procurador-geral de Justiça do DF pesaram principalmente as acusações de usar o cargo para extorquir o ex-governador José Roberto Arruda e de vazar informações sigilosas a Durval Barbosa. Nomeado pelo então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para a tarefa, Miller conduziu os depoimentos que levaram a condenação à pena máxima, aprovada no plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Foi o primeiro grande escândalo envolvendo um integrante do Ministério Público.

 

Pedido de demissão e investigação

 

Em nota divulgada nesta semana, o ex-procurador Marcelo Miller, que pediu demissão do cargo para advogar em escritório que atendia o grupo JBS, negou ter cometido qualquer crime. Miller deixou o cargo em abril depois de pelo menos 14 anos no serviço público. Em 2003, ele passou no concurso para promotor de Justiça do DF. Depois virou diplomata e, em seguida, procurador da República. Agora, tornou-se alvo de uma investigação requerida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por supostamente interceder em favor do grupo JBS.

 

Propaganda da segurança pública

 

No desfile do Sete de Setembro, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) vendeu o peixe da segurança pública ao presidente Michel Temer. Na conversa na tribuna de honra, enquanto policiais militares desfilavam, Rollemberg apresentou dados que, segundo ele, indicam queda na criminalidade do DF. Segundo a assessoria do governador, Temer ficou muito impressionado.

 

Efeito Lava-Jato

 

Mas as famílias que saíram de casa para assistir ao desfile cívico curtiram mesmo foi a participação da Polícia Federal, com veículos blindados. 

 

Os policiais foram ovacionados e retribuíram com acenos. Pelo segundo ano consecutivo, foram os mais aplaudidos. Ganharam em popularidade até da Esquadrilha da Fumaça.

 

 

À QUEIMA-ROUPA. Deputado distrital Reginaldo Veras (PDT)

 

O governador Rodrigo Rollemberg pretende exonerar os servidores que você indicou na Secretaria de Educação como retaliação por sua posição contrária ao projeto que muda a Previdência. Pretende mudar o voto?

Há três coordenadores regionais de ensino ligados politicamente a mim: todos servidores de carreira e que foram escolhidos a partir de uma lista quíntupla. Os cargos do Executivo são de livre provimento do governador, que tem o poder discricionário de nomear e exonerar. Já o voto é meu. E o exerço segundo meus princípios, coerência histórica e de acordo com o que julgo ser melhor para a sociedade. Na CCJ, votei contra as alterações na Previdência e no plenário ratificarei o voto contrário.

 

O que acha dessa atitude?

Atitude pouco republicana. E só consolida a prática do “toma lá da cá”, típica da velha política que todos condenamos.

 

Técnicos do governo e o chefe da Casa Civil, Sergio Sampaio, dizem que esse é o projeto mais importante da gestão de Rollemberg. Não seria a hora de os aliados ajudarem?

Ajudaria se concordasse com o projeto. O que for bom para a sociedade terá meu apoio. O que julgar ruim votarei sempre contra. Tem sido essa minha prática desde o início do mandato.

 

Por que você vota contra?

O PLC está sendo votado de forma intempestiva, a união dos fundos previdenciários não dá garantias para a aposentadoria dos servidores que ingressaram a partir de 2007. O recurso da Previdência é uma “poupança” do servidor, e não do governo.

 

Esse momento, com o seu voto e o de Joe Vale contra, e também o de Israel Batista (PV), seria um rompimento com o governo Rollemberg?

O conceito de base e oposicão governista está ultrapassado. O PDT compôs a aliança original que elegeu o governador, o que explica a participação no governo. Não entendo como rompimento, pois eu e Joe sempre votamos de forma independente.

 

O PDT estará com Rollemberg em 2018?

Isso depende de quatro variáveis: a reforma política; as alianças nacionais para a disputa presidencial – há grande chance de PDT e PSB estarem em lados diferentes e isto terá reflexo nas alianças locais; quem será o candidato da direita ou do campo conservador; e a capacidade de o governador recuperar sua popularidade e ter viabilidade eleitoral.

Para marcar a Semana Mundial e o Mês do Aleitamento Materno, a professora do curso de Nutrição, Caroline Romeiro, destaca a importância da amamentação para as mães e para os bebês


Fotos: Faiara Assis

Para incentivar o ato de amamentar, de 1 a 7 de agosto, em 150 países, entre eles o Brasil, ocorre a Semana Mundial de Aleitamento Materno.  Com o objetivo de reforçar a amamentação no país, recentemente o Congresso Nacional sancionou uma lei que institui o mês de agosto como Mês do Aleitamento Materno no Brasil, chamado de Agosto Dourado.

Considerado o alimento mais completo para o bebê, o leite materno confere proteção imunológica e nutrientes essenciais, especialmente no início da vida, quando outros alimentos não podem ainda ser oferecidos para suprir as necessidades nutricionais. Para falar da importância desse alimento para o desenvolvimento dos bebês e esclarecer alguns mitos, a professora do curso de Nutrição da Católica, Caroline Romeiro, respondeu às seguintes questões:

Quais os benefícios da amamentação para a mãe e para a criança? Os benefícios para a mãe incluem o vínculo afetivo, a volta ao peso normal (pré-gestacional) e volta do tamanho do útero ao tamanho normal. Para a criança, poderia dizer que são imensuráveis, pois além do vínculo afetivo e a sensação de proteção, a amamentação fornece os nutrientes essenciais necessários para o bom desenvolvimento e crescimento da criança, formação adequada da microbiota intestinal e confere proteção imunológica. Podemos citar os benefícios da amamentação até para a sociedade como um todo, pois tornamos as crianças mais saudáveis, com menor risco de internação por doenças infecciosas e desnutrição, além de reduzir o lixo residual quando comparamos com a utilização de fórmulas em lata, portanto, é inclusive um ato sustentável para o planeta.

A amamentação gera proteção imunológica para o bebê? Sim, para algumas doenças, como a gripe, quando a mãe está imunizada a criança fica protegida, desde que esteja em aleitamento materno exclusivo.

Qual o procedimento correto: a livre demanda ou horário preestabelecido para as mamadas? Hoje, o recomendado é a livre demanda, pois a criança saberá quando tem fome e sinaliza para a mãe quando chora. Esse é o natural.

A alimentação da mãe influencia na qualidade do leite? O teor de nutrientes do leite materno não varia muito, porém alguns micronutrientes e, especialmente a composição de lipídeos, podem variar sim. Ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento do Sistemas Nervoso Central (SNC), nessa fase, passam pelo leite materno, como é o caso do ômega 3 (DHA).

Quando a criança nasce com uma alergia ou intolerância, a mãe precisa fazer uma dieta para não prejudicá-la durante a amamentação?  Quando a criança tem alergia a algum componente alimentar, e mama no peito, a mãe deverá fazer alterações na dieta sim, pois esses componentes podem passar pelo leite materno. Muitas coisas relacionadas à restrição na dieta materna para evitar a cólica no bebê, são crenças populares, pois não há evidência de que a retirada de determinados alimentos irá reduzir o quadro de cólica nos bebês. Afinal, a cólica no bebê acontece até o terceiro ou quarto mês de vida por imaturidade fisiológica, natural desse período. Por isso é importante respeitar o período de aleitamento exclusivo e evitar a introdução precoce de alimentos.

Qual a idade ideal para introduzir os alimentos e parar com a amamentação? A idade recomendada para introdução alimentar é aos seis meses de vida. Isso significa começar o processo nessa idade, não significa que a criança estará pronta, afinal, existem individualidades que devem ser respeitadas em cada caso. Mas aos seis meses a criança normalmente já consegue sentar, tem o pescoço mais firme e, muitas vezes, já tem alguns dentinhos. Existe um método que está ganhando muitos adeptos na introdução alimentar, que estimula a autonomia nas crianças, e elas pegam com suas próprias mãos os alimentos que têm interesse (oferecidos pela família seguindo alguma recomendações, claro). O método é o BLW, do inglês Baby-led-weaning, no qual a criança é autora do processo de introdução alimentar, bem interessante.

É verdade ou mito que existe leite fraco e forte? Mito! Não existe leite fraco. Todo leite materno será suficiente para a criança.

Como a mãe pode lidar com os incômodos dos primeiros dias da amamentação?  No início, o importante é ter calma e paciência. Muitas pessoas acham que é natural o processo da amamentação, porém, tanto a mãe como o bebê,estão aprendendo como é o processo. O bebê aprendendo a sugar, e a mãe a encontrar a melhor posição, a lidar com a dor (a dor está associada à má pega), o ciclo circadiano invertido, muitas vezes associado a noites mau dormidas e à falta de apoio, são os maiores problemas associados a esse período. Eu recomendo que as mães procurem enfermeiras especialistas em amamentação para esse período, pois esse apoio profissional trará alívio e confiança, que é o que elas precisam nesse momento.

Qual a relevância do incentivo à amamentação? Nós estamos retornando à cultura da amamentação, o que considero uma grande vitória para nossa sociedade. O início da vida é fundamental para a saúde humana, e amamentar, que é algo tão natural e necessário para nós, estava sendo perdido. Muito pela mudança de estrutura na nossa sociedade, com a mulher trabalhando fora de casa. Precisamos cada vez mais reforçar a importância do aleitamento materno, portanto, acho que esta semana é importante para isso. Mas ainda precisamos mais, precisamos garantir o apoio a essas mulheres, pois nem sempre é fácil manter a amamentação. Lembrando que o aleitamento materno exclusivo deve acontecer até os seis meses, porém, a partir daí ainda é recomendado manter o aleitamento junto com outros alimentos, e isso deve acontecer até pelo menos dois anos de vida. Após dois anos, o aleitamento pode acontecer sem nenhum problema, e a interrupção da amamentação deve ser uma decisão da mãe e da criança.

Para Ruy Fausto, sigla deve se articular com outras frentes e partidos, como o PSOL, nas eleições do ano que vem

É de esquerda e critica o chavismo, trotskismo, maoismo e o marxismo. Repudia todas as formas de populismo, totalitarismo e adesismo – às quais tem dado o nome de “patologias da esquerda”.

Aos 82 anos, o professor emérito de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Ruy Fausto, radicado na França, transformou o artigo que publicou na edição da revista piauí de outubro passado no livro Caminhos da Esquerda: elementos para uma reconstrução (Companhia das Letras), a ser lançado em 3 de julho.

Em entrevista ao Estado, Fausto defende o fim da hegemonia do PT no campo da esquerda e a formação de uma frente única progressista para a eleição presidencial de 2018 com, por exemplo, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Leia a seguir os principais trechos da entrevista.


Ruy Fausto considera difícil Lula ser candidato Foto: Felipe Rau/Estadão

ESTADÃO - Há uma hegemonia de direita?

No mundo, há uma ofensiva grande da direita que surgiu, principalmente, com o fim da União Soviética. Me assusta muito, particularmente, a extrema direita, que tem uma linguagem muito violenta. Tem ainda a situação brasileira, com o PT, que acabou fortalecendo a direita. A política petista trouxe maior distribuição de renda, mas também houve uma corrupção absolutamente intolerável. Ainda assim, nada justifica o impeachment (da presidente cassada Dilma Rousseff), que foi um desastre. Mas a direita se lançou nessa aventura, conseguiu e isso permitiu que eles levantassem a cabeça. A corrupção foi um discurso bem apropriado pelos movimentos de direita.

RUY FAUSTO - Como o senhor avalia as críticas ao que o PT fez enquanto ocupou o governo?

Um partido de esquerda que se pretende democrático tem de ter lisura administrativa absoluta. Há uma política de “fins justificam os meios”. A lição que se tira no PT hoje é: “nós não fomos suficientemente oportunistas”. Isso é um desastre total e tem intelectual saudando isso aí. Certamente faltou um mea-culpa. Nesse sentido, os melhores são o Tarso Genro (ex-governador do Rio Grande do Sul), o José Eduardo Cardozo (ex-ministro da Justiça no governo Dilma). O PT vai continuar a existir. Mas o caminho é de queda, para haver uma renovação.

Lula seria um bom candidato?

Acho que não. Primeiro, acho muito difícil que ele concorra, a situação jurídica é muito difícil. Eu não desejo a condenação do Lula, embora ache difícil ele conseguir evitar isso. Desejo, sim, que ele possa legalmente se candidatar, mas não acho que, nas condições atuais, ele seria um bom candidato para a esquerda. Acho que os melhores nomes podem vir do PT, do PSOL, ou mesmo da sociedade civil.

O senhor acredita que a esquerda deveria sair unificada em 2018?

Sim, é essencial que se crie uma frente única de esquerda, fazer uma espécie de fórum desses movimentos independentes. Não é para ter uma ruptura total com o PT, mas a hegemonia não pode mais ser dele, no campo da esquerda. Isso também não significa que a gente vá ganhar em 2018. A gente tem de ter uma boa campanha. E, aí, surgem possíveis nomes. O Fernando Haddad (ex-prefeito de São Paulo), por exemplo, é bom sujeito, competente, não é corrupto. Outro nome é o Marcelo Freixo, que me parece um sujeito bom. Acho que talvez o Fernando Haddad possa sair como candidato ou como vice. Às vezes, um dos melhores do PT com um dos melhores do PSOL poderia funcionar.

Mas Fernando Haddad não conseguiu se reeleger em São Paulo e Marcelo Freixo também não foi eleito prefeito no Rio na eleição do ano passado...

O Haddad, eu não estive aqui (no Brasil) durante toda a sua gestão na Prefeitura, mas tenho a impressão de que fez um bom governo. Ele teve uma péssima campanha, foi muito atacado e avaliou mal os movimentos das ruas. Já o PSOL é até meio de extrema esquerda. Há muito essa ideia de que se deve ir mais à esquerda – como se a luta política fosse uma espécie de escala. Você pode até dizer isso, mas redefina a esquerda. Enfim, o PSOL tem seu mérito por ter criticado a corrupção e as alianças sem escrúpulos do PT, mas ainda é de extrema esquerda. Alguns flertam com chavismo e castrismo. Mas, na verdade, é um partido muito variado.

Existem ainda outros nomes que surgem: o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o Guilherme Boulos, líder do MTST, e mesmo a ex-ministra Marina Silva (Rede).

A Marina, eu respeito a biografia, mas seu programa econômico não é bom e ela não se move muito bem na política. O Ciro é um sujeito que fala muitas verdades, mas fala demais. O Boulos não conheço de perto. Ele certamente faz um trabalho muito importante na periferia, mas ainda tem um discurso muito bolivariano, e acho que isso tem de mudar. Devemos priorizar um programa mais democrático.

*Ruy Fausto é doutor em Filosofia pela Universidade de Paris I e professor emérito da USP. Irmão do historiador Boris Fausto, escreveu livros como A esquerda difícil, em que fez rigorosas análises políticas. Aos 82 anos, lançará uma obra com possíveis saídas para a crise da esquerda no País.

Marianna Holanda, O Estado de S. Paulo / Política- 25/06/2017