A obra vive exclusivamente de doações. Da caridade alheia. Sentimento que permite que meninos e meninas carentes e com câncer e outras enfermidades sobrevivam

A intenção é fazer dali uma extensão do lar. E é dessa maneira que a pequena Layanne Costa Pereira, 13 anos, segue no dia a dia. Ela brinca, canta, pula e se diverte com outras crianças. É ali também, em meios às mesas ou até deitada no chão, que ela pratica uma de suas paixões: desenhar. A paixão pelo lápis de colorir é algo comum a toda criança, mas, no caso de Layanne, há um obstáculo a ser vencido. A visão da menina, que vive em uma casa de acolhimento a crianças e adolescentes com câncer e outras doenças graves, é deficitária. É na Casa do Menino Jesus, no Gama, que ela se hospeda toda vez que sai de Porangatu (GO) rumo a Brasília para se tratar de uma deficiência no organismo. O projeto filantrópico, que conta com total apoio do trabalho voluntário, é o último a ser mostrado na série #PrazerEmAjudar.

Por:  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., da Redação do Correio Braziliense - 25/12/2015 


"A solidariedade e o voluntariado são o que move a casa. Esse é um chamado que Deus me deu. É com muita alegria que damos apoio às famílias em um momento tão difícil. O prazer em ajudar é imenso"

Atualmente, 10 crianças e adolescentes, com idades até 17 anos, estão acolhidos, com os familiares, durante o período que passam pelo tratamento das enfermidades. Elas vêm de diversos estados brasileiros, principalmente da Região Norte. No total, a casa comporta 30 pacientes com acompanhantes. A obra, que nasceu há 24 anos, é presidida pela irmã Maria Alrimar de Andrade, 62. Segundo ela, a ideia surgiu a partir da necessidade de criar um local especial que pudesse atender a crianças com câncer em momentos delicados do tratamento. “A casa é de Deus, nós só cuidamos do trabalho. Queremos que tudo dê certo para as pessoas terem força neste momento de luta”, comenta a irmã.

A garota Layanne tem o sonho de ser artista plástica. Apesar das dificuldades trazidas pela doença hereditária, a menina segue com os desenhos. “É inexplicável a habilidade dela com a arte”, comenta a irmã. Isso porque a garota enxerga apenas vultos. A cada três meses, ela vem se tratar em Brasília. A mãe dela, Fabiana Pereira de Jesus, 31, explica que, sem a existência da Casa do Menino Jesus, seria impossível permanecer na capital do país. “Esse trabalho de acolhimento é fundamental. Nós nos sentimos bem cada vez que viemos aqui. Todos nos tratam com carinho e dedicação”, diz a dona de casa. A criança concorda com a mãe. “Eu gosto daqui, todos são bem legais comigo, e ainda tenho muitos amigos por aqui.”

A obra vive exclusivamente de doações. Da caridade alheia. Sentimento que permite que meninos e meninas carentes e com câncer e outras enfermidades sobrevivam. É uma luta diária. Às vezes, pode durar longos e sofridos meses ou até anos. O voluntário também é uma das molas propulsoras da Casa de Menino Jesus. Ivete Braga, 52, é uma das voluntárias do projeto. Há 12 anos, é na cozinha que ela faz sua parte e garante a alimentação de todos os acolhidos. “Sou grata por estar aqui e poder ajudar. Para mim, é importante esse momento de doação — dar algo que eu sei fazer para alguém que necessita”, conta. Assim como a cozinheira, cinco pessoas se revezam para cuidar do espaço e prestar assistência às famílias.

A casa tem três quartos — um para crianças de até 2 anos; outro para meninas; e um masculino. Todos têm cama para os pacientes e os respectivos acompanhantes. A estrutura também conta com um refertório e uma sala coletiva. Uma das preocupações da equipe da casa é dar suporte emocional aos responsáveis pelas crianças. Para fortalecer o espírito, as mães podem participar de momentos de oração. Tudo tem que funcionar para que eles se sintam em casa ou para que, pelo menos, o sentimento de ficar distantes dos lares seja amenizado. As crianças passam por tratamento na Rede Sarah, no Hospital Universitário de Brasília (HUB), no Hospital de Base (HBDF) e no Hospital da Criança (HCB). “Tudo isso não tem custo nenhum. Queremos apoiar essas famílias que vêm em busca da cura e com coragem para lutar”, garante a irmã Maria Alrimar.

Suporte
As famílias ficam sem chão ao receber o diagnóstico de câncer e de outros problemas que exigem um tratamento complexo. A instituição vem para trazer um pouco de alívio nesse momento de dificuldade. Diante de tanto apoio, a mãe de um dos pacientes, a manicure Ana Paula Pavão, 40 anos, de acolhida passou a ser voluntária. “Costumo dizer que aqui é minha casa. Contribuir com o projeto é importante pra mim, uma vez que é a forma que tenho de retribuir todo o carinho recebido. Eu não teria condições de arcar com alguma hospedagem ou aluguel em Brasília”, comentou.

O filho de Ana Paula, o jovem Paulo Erica Pavão, 15 anos, desde 2006 se trata na capital do país. Os dois são de Belém, no Pará. Ele nasceu com apenas um ventrículo. Com isso, tem dificuldades para respirar. O garoto precisa fazer um transplante duplo de coração e pulmão. “Aqui, é como se fosse a minha segunda família. Esse apoio me dá mais forças para lutar”, simplifica o menino.

Como ajudar?
Quem quiser contribuir com o andamento do projeto pode entrar em contato pelos telefones (61) 3384-1517/ 3385-6317 ou pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Visitas também são bem-vindas. A Casa do Menino Jesus fica na EQ 14/18, no Setor Oeste do Gama. Se preferir, a conta para doações é: Banco do Brasil / Agência: 1239-4/ Conta-corrente: 5212-4.