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A hora de dizer não

Ruth Aquino

Chega um momento na nossa vida em que devemos renunciar”, disse na semana passada o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, com vigor e lucidez aos 91 anos. Renunciar a uma ou mais coisas que pareciam essenciais antes. Renunciar a um cargo, a uma paixão, um desamor, uma obsessão, uma disputa, uma vaidade, ao sol a pino, à carne vermelha no jantar, seja lá o que for. Saber dizer não com serenidade pode ser um ato revolucionário e de liberdade individual.

Pelo ineditismo e pela surpresa, a renúncia do papa Bento XVI foi dissecada no mundo inteiro em plena festa profana, o Carnaval. Cada um viu o que quis. Vemos aquilo em que cremos. Católicos fervorosos se sentiram perdidos ao perceber, enfim, que o papa não é santo. Não é mesmo, nunca foi. Agnósticos e cristãos com um mínimo de perspectiva histórica sabem que a batina não sacraliza ninguém. Amém. ...

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De quem é o petróleo?

Tudo o que a Petrobrás podia fazer de errado, fez. Usada como massa de manobra política nos governos anteriores do PT, paga agora o preço que a presidente Maria das Graças Foster tem que carregar nas costas.

A empresa ícone do patriotismo condoreiro, perdeu seis posições no ranking das maiores companhias petrolíferas do mundo.

A sua produção caiu 2,6%, seus lucros caíram 36%, seu Ebitda caiu 14% e seu endividamento aumentou de forma a ameaçar o seu rebaixamento no rating das agências de risco.

E 2013, como disse com estarrecedora franqueza a presidente Foster, também não promete ser um bom ano, principalmente o primeiro semestre.

Os motivos são muito simples: a empresa, durante os dois governos Lula, não foi administrada como uma empresa que tem que apostar na eficiência e dar retorno aos seus acionistas, mas como instrumento ideológico. ...

Seus erros mais evidentes:

* A política de segurar os preços artificialmente para não impactar na inflação.

* A política de construção de refinarias em sociedade com o governo chavista da Venezuela, que simplesmente não colocou um centavo na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujas obras estão com um atraso de 3 anos.

* A política de só usar materiais fabricados no Brasil sem levar em conta preço, qualidade e eficiência. E “sem eficiência não há petróleo”, como disse o presidente da norueguesa Statoil, Helge Lunde, numa esclarecedora entrevista à revista Veja desta semana. Ele disse que os fabricantes noruegueses também receberam um “empurrãozinho”do Estado, mas dentro de um marco regulatório rigoroso que impunha prazos e metas bem definidas.

* A mudança do sistema de concessão para o sistema de partilha na regulamentação da exploração do pré-sal, que obriga a Petrobrás a ser a operadora única e a participar com no mínimo 30% do capital em qualquer área explorada. Isso a força a investir um dinheiro que ela não tem ou a aumentar o seu nível de endividamento, que já é está no limite. O primeiro leilão do pré-sal está marcado para novembro deste ano e não se sabe se até lá o governo manterá as regras em vigor, que tem espantado eventuais empresas interessadas.

Esse panorama cinzento da Petrobrás é fruto da manipulação política das gestões anteriores e Maria das Graças Foster, no seu discurso de posse, deixou isso bastante claro, ainda que depois tenha sido obrigada a fazer alguns salameleques diplomáticos para livrar a cara de José Sérgio Gabrielli, o presidente anterior e atual secretario do governo petista da Bahia.

O Brasil espera que em algum momento o petróleo volte a ser nosso.

Por Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Fonte: Blog do Noblat - 15/02/2013

Dez anos de presidência petista

Dilma se vê sem espaço para atribuir parte dos seus erros ao governo anterior

Na próxima semana, o PT deve comemorar em grande estilo dez anos de conquista da Presidência. Não é pouco. A festa é mais do que justa. Foi um decênio marcado por alto grau de continuidade. A junção do governo de Dilma ao de Lula foi sem costura. Em contraste com o slogan “continuidade sem continuísmo”, com que José Serra pretendia disfarçar seu discurso de oposição a FHC, na eleição de 2002, Dilma Rousseff deixou claríssimo, na campanha de 2010, que seu governo teria a marca da continuidade com continuísmo. Para grande orgulho do PT. ...


Não poderia ter sido diferente. Desde de 2005, quando foi alçada à Casa Civil, em meio ao descabeçamento do partido que se seguiu ao mensalão, Dilma Rousseff atrelou seu destino ao presidente Lula. Assumiu a administração do Planalto, transformou-se na figura forte do governo e, sem experiência eleitoral prévia, foi ungida candidata do PT. E, para assombro dos que duvidavam dos superpoderes de Lula, acabou eleita presidente da República.


Um alto grau de continuidade entre dois governos tem muitas vantagens. Mas, aos poucos, o Planalto vem se dando conta de que também tem suas desvantagens. Quando as coisas dão errado, o governo se vê sem espaço para atribuir parte dos erros à administração anterior. Não faltam bons exemplos. Alguns óbvios. Outros, nem tanto.


A presidente Dilma Rousseff tem plena consciência de que um quadro sério de falta de energia elétrica lhe seria fatal, tendo em vista o papel central que vem desempenhando, há exatos dez anos, nas intervenções do governo no setor. Não teria com quem partilhar os custos de uma falha grave nessa área.


A interminável sequência de más notícias sobre a Petrobras também merece atenção. Em face do enorme desgaste político, o governo tem tentado conter os danos, dando discreto alento à narrativa favorável que se vê em parte da mídia. Os problemas da empresa vinham do governo anterior. E, só no ano passado, puderam ser detectados e enfrentados pelo atual governo, com a nomeação da nova presidente da Petrobras.


É até uma boa história. Mas incompleta. O que ainda falta explicar é que, durante sete dos oito anos do governo Lula, a presidente Dilma Rousseff ocupou nada menos que a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. E não se pode dizer que era função puramente figurativa. Afinal, se tratava da maior sociedade anônima do País. É mais do que sabido que a presidente se dedicou à função com seu empenho habitual. E, tendo chegado à presidência do Conselho como ministra de Minas e Energia, fez questão de manter a posição quando passou a responder pela Casa Civil.


É preciso também ter em mente que boa parte das dificuldades que vêm sendo enfrentadas pela Petrobras decorre da sobrecarga que foi imposta à empresa pelas impensadas regras de exploração do pré-sal. Todas elas concebidas no governo passado, sob a estrita tutela de Dilma Rousseff.


Outra narrativa conveniente, e também incompleta, é a que vem pautando a racionalização do emperramento do investimento público. A alegação é que, surpreendida com as irregularidades detectadas nos programas de investimento de certas áreas, como o Ministério dos Transportes, a presidente se viu obrigada a fazer uma “faxina”. E levou muito tempo para conseguir remontar toda a estrutura burocrática requerida para fazer o investimento acontecer. O que falta explicar é como irregularidades desse vulto escaparam por tantos anos, no governo Lula, à eficiência com que Dilma Rousseff teria gerido os programas de investimento público que compunham o PAC.


Na condução da política econômica, o continuísmo assumiu um contorno especialmente problemático. Havia até boas coisas a preservar. Mas o que o atual governo decidiu manter, ao conservar intacta a equipe do eixo Fazenda-BNDES, foi o vale-tudo da última fase do período Lula, que contava com o apoio entusiástico da candidata Dilma Rousseff. A presidente está colhendo o que plantou. Não pode se queixar da perda de credibilidade da política econômica que hoje se vê.


Por Rogério Furquim Werneck: é economista e professor da PUC-Rio

Fonte: O Globo - 15/02/2013

Que se dane a saúde

A mentalidade corporativa dos que dirigem algumas entidades médicas brasileiras, como o Conselho Federal de Medicina, é responsável por um crime contra a população brasileira: as restrições absurdas ao exercício da medicina, no país, por brasileiros formados em outros países e por médicos estrangeiros.

Chega a ser ridícula a afirmação do presidente do CFM a propósito do elevado número de brasileiros que estudam medicina no exterior: “... eles saem despreparados para a vida profissional: sem uma base teórica sólida, sem conhecimento de problemas de saúde pública do Brasil e, sobretudo, sem experiência para cuidado do paciente”. Como se a formação em faculdades brasileiras assegurasse tudo isso. ...

Ou Roberto D´Avila, o presidente do CFM, fala sem o menor conhecimento do assunto ou se faz de desentendido, em defesa da reserva de mercado. Países latino-americanos e africanos têm resolvido problemas de saúde e melhorado seus índices na área graças à presença de médicos cubanos, que o CFM impede de trabalhar no Brasil. Brasileiros que se formam em Cuba e, ao contrário da maioria dos médicos aqui formados, se dispõem a trabalhar no interior do país, não obtêm o registro – têm de fazer uma prova de revalidação de diploma preparada para reprovar o maior número possível de candidatos. Se os formados aqui tivessem de fazer, seriam reprovados.

Defender interesses de uma categoria profissional é uma coisa. Colocar interesses particulares acima dos coletivos é outra.

Fonte: Blog Hélio Doyle - 14/02/2013

Por que não estamos agindo em defesa e proteção ao patrimônio moral e ético do Brasil?

Podemos tomar algumas medidas, sim, contra esta forma inescrupulosa de os políticos agirem contrários à moral e à ética. Não digo “contra nós” porque isso é de praxe. Caso contrário, há muito tempo esses inúteis estariam trabalhando para nos aliviar a carga de impostos, para que a Educação fosse contemplada com maiores atenções, que a Saúde Pública fosse levada em conta com a responsabilidade devida e a Segurança como fundamental à ordem e direitos de ir e vir sem as ameaças que corremos ao sair às ruas ou frequentar qualquer ambiente fechado (lembro a catástrofe de Santa Maria!) ...

Então, o primeiro passo, a meu ver, seria o protesto. Organizado, em passeatas com direção ao Congresso para quem reside em Brasília ou em frente às Assembleias estaduais, exigindo mudanças no comportamento dos senadores, por exemplo, de modo que eles constatassem a nossa insatisfação e indignação, ou seja, que nos mostrássemos efetivamente descontentes e decepcionados com o escárnio que foi a eleição do Renan.

A segunda medida seria esta que estamos fazendo diariamente neste espaço democrático. Pelo menos, escrever criticando esta postura infamante e degradante do Senado, composto por vendilhões da Pátria, aproveitadores, perdulários e absolutamente dispensáveis no contexto de nosso desenvolvimento e progresso como Nação;

A terceira: NÃO REELEGER os mesmos crápulas que ora são alvos de nossa revolta!

E a última é conclamar a claque petista, seus sectários tão costumeiramente presentes nas redes sociais em defesa e proteção dos canalhas condenados pelo Supremo porque envolvidos no mensalão, para que ajam em conformidade à decência, à honra de um País abalado pela corrupção, pela orgia que os parlamentares fazem do nosso dinheiro e deboche com referência ao respeito que deveriam ter para conosco, às Instituições, ao Brasil!

Ou, então, vejo que a divisão do País e dos brasileiros, que venho propalando em vários comentários como objetivo petista, está chancelada, caso este pessoal dê mais importância a ladrões e escroques profissionais que à própria Pátria brasileira!

A pergunta que precisa ser respondia deve ser: por que não estamos agindo em defesa e proteção ao patrimônio moral e ético do Brasil?

Por Francisco Bendl

Fonte: Blog da Tribuna - 11/02/2013

Brasília: apologia e crítica

Chico LeiteJá se tornou lugar comum alardear o vanguardismo arquitetônico e urbanístico de Brasília. Enaltecer o caráter revolucionário desse feito humano continua sendo louvável – e necessário para a formação cultural dos brasilienses do futuro. Mas a apologia deve vir acompanhada de sua crítica.
 
Única cidade moderna tombada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasília vem sendo assolada nas últimas décadas pela especulação imobiliária, grilagem de terras e ocupação desordenada.
 
Após 55 anos da concepção do projeto original, Brasília, e particularmente o Plano Piloto de Lucio Costa, convive com problemas típicos de grandes cidades, como trânsito intenso, criminalidade crescente e favelização. Depois de anos de governos despreocupados com o planejamento da cidade, agora observamos claramente as conseqüências dessa inação: o Plano Piloto não consegue comportar os mais de 2,3 milhões de habitantes que vivem no Distrito MFederal e 1,3 milhão de residentes em municípios limítrofes goianos e mineiros que se deslocam diariamente para o centro da capital. ...
 
O Plano Piloto concentra cerca de 70% dos empregos. É onde estão as principais opções culturais, esportivas, de lazer, educacionais, médicas. É o destino final de centenas de milhares de veículos e pessoas todos os dias, com seus efeitos diretos sobre o meio ambiente e a mobilidade.
 
Na minha avaliação, é necessário ampliar oportunidades e criar empregos nas regiões administrativas, reduzindo assim a forte dependência e a enorme pressão sofrida pelo Plano Piloto, que já se mostra fragilizado, sufocado, desgastado. Além disso, é preciso recuperar o sistema de transporte urbano, que se encontra em frangalhos, e investir em alternativas limpas e baratas, como o transporte por ciclovias, que devem vir acompanhadas de campanhas educativas, melhorias na sinalização e bicicletários.
 
O enorme desafio de construir a capital federal onde não havia nada foi recompensado pela magnífica obra arquitetônica e urbanística, desenhada nas pranchetas de dois ilustres brasileiros e erguida sobre a poeira por milhares de anônimos de todos os cantos do país. É o conjunto dessa história que se fez merecedor do título da Unesco.
 
Não nos esqueçamos de que, originalmente, o Plano Piloto foi pensado para abrigar harmoniosamente motoristas e diplomatas, jardineiros e ministros. Hoje isso soa como utopia numa cidade que ostenta um dos custos de moradia mais altos do Brasil. Mas não se trata aqui, claro, da defesa de um retorno impossível ao passado e muito menos do engessamento ingênuo da cidade. O que precisamos é de planejamento responsável e competente, que leve desenvolvimento social e econômico para todas as regiões administrativas do Distrito Federal – todas tão brasilienses quanto o Plano Piloto.

Por Chico Leite  - Procurador de Justiça (licenciado), Professor de Direito Penal e Deputado Distrital pelo Partido dos Trabalhadores.

Fonte: Chico Leite - 08/02/2013
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