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Em Goiás: Estado abandona obras e doentes com xeroderma. A longa espera por uma prótese

Diagnóstico tardio

POR RENATO ALVES - CORREIO BRAZILIENSE - 18/06/2016 - 10:20:24
 
 
Sete anos após o Jornal Correio Braziliense revelar a existência de uma comunidade goiana com a maior incidência de pessoas com um mal genético que causa câncer, mutila e mata, os governos ainda falham no atendimento a esses pacientes. Falta tudo para eles.

Faina (GO) — Próteses nunca fornecidas ou trocadas. Falta de atendimento médico. Três obras abandonadas e uma prometida, mas sequer iniciada. O Estado continua falhando com uma comunidade isolada e esquecida há mais de meio século, vítima de uma doença rara, incurável e letal. Ela torna a pele do doente mil vezes mais sensível à luz, obrigando-o a trocar o dia pela noite e a tomar uma série de cuidados. Para piorar, cientistas descobriram haver mais do que o dobro de portadores do mal do que o inicialmente identificado. Até agora, há a certeza de 20 doentes no povoado e na sede do município goiano, além de dois parentes vivendo nos Estados Unidos. Outros 48 carregam o gene defeituoso. Por isso, também precisam de acompanhamento especializado.

Xeroderma pigmentoso (XP) é o nome da doença que aflige o Recanto das Araras, distrito de Faina (GO), desde os anos 1950. A moléstia, transmitida de pai para filho, deixa a pessoa hipersensível à luz, causa câncer, mutila e mata. O fenômeno só se tornou público em 2009, por meio de reportagens do Correio. Desde então, geneticistas e médicos da Universidade de São Paulo (USP) e da Secretaria de Saúde de Goiás estudam o caso. Além de examinar os pacientes, coletaram material genético de todos os familiares, gente sem manifestação da doença, mas que pode adquiri-la. Os cientistas identificaram casos suspeitos para realizar um trabalho preventivo, a fim de evitar a disseminação do xeroderma na comunidade e minimizar os efeitos nos novos pacientes.

Cerca de 200 famílias moram em Araras, a 420km de Brasília. A maioria é formada por casamento entre parentes, principalmente primos. E é justamente essa cultura que leva à perpetuação e à proliferação do XP na comunidade, pois se trata de uma enfermidade recessiva, mais comum entre nascidos de casamentos consanguíneos, em que a chance de duas pessoas terem o mesmo erro genético é maior (veja arte). A incidência média de casos no mundo é de um em cada grupo de 200 mil pessoas. Em Araras, são ao menos 17 casos, numa comunidade de 800 pessoas. Outros dois doentes trocaram a vila por Goiânia, recentemente, em busca de emprego. Um terceiro mora na sede do município de Faina. É a maior concentração da doença registrada pela comunidade científica.

Nos últimos 60 anos, cientificamente comprovado, 13 pessoas com origem no lugarejo morreram em decorrência da doença. Acredita-se que mais de 60 perderam a vida com os mesmos sintomas, mas não tiveram diagnóstico. O grupo tem pacientes de 2 a 80 anos. Esse fator leva os cientistas a imaginar que se trata de uma mutação leve, agravada por fatores ambientais, como a alta incidência solar. Sem aposentadoria por invalidez, dinheiro e acompanhamento médico ideal, os doentes de Araras passaram a maior parte da vida expostos ao sol, pois sobrevivem da agricultura e da pecuária leiteira. A região registra temperaturas entre 16ºC e 35ºC.

Após as reportagens do Correio, as autoridades goianas e a comunidade acadêmica decidiram investigar o fenômeno. Na pesquisa mais recente, realizada pela Universidade de São Paulo (USP), a equipe de geneticistas comandada pelo professor Carlos Menck, detectou na comunidade, após coleta de sangue de 169 pessoas, 48 com o gene da doença. Todos ainda sem a manifestação do mal, mas com os sinais dele no sangue. Por meio de saliva, porém, comprovou-se que cerca de 300 têm um alelo da doença. “Um só alelo não significa ter o XP. Mas, se o portador dele se casar com alguém que também tem um alelo, há 25% de chance de terem um filho com xeroderma”, explica Lígia Pereira Castro, que também estuda os pacientes de XP.

Estudos 

Desde 2010, quando os cientistas do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP deram início à investigação, eles identificaram 17 moradores de Araras com a doença. Outra havia morrido recentemente e mais duas tinham se mudado para os EUA. Desde então, um dos 17 residentes do vilarejo morreu em função dos cânceres na pele e a equipe de Menck diagnosticou 33 portadores de XP em todo o Brasil. “Nas nossas pesquisas, identificamos a mutação de dois alelos em Araras. Isso é raríssimo. Significa que a doença chegou ali por meio de duas famílias de origens diferentes. Sabemos que uma veio de Hidrolândia (cidade goiana de 18 mil habitantes, a 250km de Faina). Por isso, precisamos ir até lá, investigar, pois devemos encontrar mais doentes. Mas isso depende de uma verba, que ainda não temos”, explica Menck.

Unidos em uma associação, os pacientes de Araras tiveram grandes conquistas com a repercussão do fenômeno. Receberam mutirões de médicos e de outros voluntários. Ganharam atendimento preferencial em unidade de Goiânia e garantia do fornecimento de protetor solar. No fim do ano passado, conseguiram o direito à aposentadoria especial. Mas o INSS teimava em reconhecer o risco para os trabalhadores e a conceder o benefício, que veio só após reportagens do Correio e de outros veículos do Brasil e do exterior. 

As três mais esperadas iniciativas do Estado, no entanto, ainda não se concretizaram. Em outubro de 2009, o Governo de Goiás prometeu a imediata cobertura da quadra de esportes da única escola de Araras. A obra, que possibilitaria crianças com XP fazer atividades físicas protegidas do sol, sequer começou. Já o governo federal liberou R$ 800 mil para duas obras no vilarejo: uma unidade básica de saúde e uma escola de ensinos fundamental e médio — a antiga, mantida pelo município, só oferece o fundamental, em instalações precárias.

A primeira obra teve início em dezembro de 2013 com promessa de entrega em junho de 2014. Com ela, os doentes do lugar não precisariam mais enfrentar as desgastantes viagens de 240km até Goiânia para exames, internações e cirurgias. Mas, há um ano, a empreiteira paralisou tudo. Material e equipamento de construção também estão abandonados. “Sabemos que a União liberou todo o dinheiro. Ninguém dá qualquer satisfação. O pior é que, no caso da unidade de saúde, já temos até os equipamentos, doados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia”, reclama Gleice Machado, líder comunitária e presidente da Associação Brasileira dos Portadores de Xeroderma Pigmentoso (AbraXP).

Gleice e os moradores de Araras também esperam a conclusão da tão sonhada praça da vila. Executada pela Prefeitura de Faina, com mão de obra do município e material do Governo de Goiás, ela seria inaugurada em junho, mas também está abandonada. Ao Correio, o prefeito de Faina, Paulo Nascimento (PSDB), garantiu o fim da obra. “Ela será retomada na segunda-feira, por outra construtora, e entregue em 15 dias.” A administração dele também é responsável por fiscalizar a construção da unidade básica de saúde e da escola. Sobre ambas, não explicou o motivo da interrupção. Apenas disse que serão retomadas. “A unidade de saúde deve ser entregue em 30 de julho”, completou, sem dizer onde foi parar o dinheiro repassado pela União.

SAúDE 

A longa espera por uma prótese

Homem usa a mesma máscara, que substitui nariz, olho e orelha tomados pelos tumores causados pelo xeroderma, há 15 anos. Deveria ter trocado a cada 24 meses. Ele é o retrato do descaso do poder público com os pacientes de Araras

Por Renato Alves

Faina (GO) Único funcionário da cooperativa leiteira de Araras, Deide Freire não consegue sequer trocar a prótese colocada no rosto há 15 anos para substituir o nariz, o olho e a orelha perdidos na retirada do tumor derivado do xeroderma pigmentoso (XP). O médico falou para ele repor a máscara a cada dois anos, mas o paciente não tem dinheiro, e o hospital público de Goiás que o atende se recusa a fornecê-la. Na clínica particular, ela custa R$ 10 mil. Outros dois moradores do vilarejo enfrentam o mesmo problema. Um nunca teve prótese. No lugar dela, usa esparadrapo.

Deide e os dois vizinhos são a personificação do descaso do Estado com os pacientes de XP. Ele ainda pode se considerar um homem de sorte. É o único doente em Araras que passa a maior parte do dia sob a sombra. Ele engrossa a renda recebendo e anotando o leite levado por produtores rurais da região à sede da cooperativa, na vila. Mas a soma do que ganha do Estado com o bico na cooperativa é insuficiente para o tratamento. Mesmo trabalhando na sombra, não está livre dos danos provocados pelo XP. Hoje, aos 47 anos, está com dificuldade na fala e na respiração. Por isso, recentemente, teve de se licenciar do trabalho por tempo indeterminado.

Deide é um dos seis filhos de um casal de primos. Da relação de Elizeu e Edi Freire, nasceram outros dois que tiveram o XP diagnosticado na infância. O caçula, Vilson Elizeu, morreu com 30 anos, consumido pelo tumor. Desesperado, Dercimar decidiu sair do país em busca de melhores condições. Escolheu uma região dos Estados Unidos com temperaturas mais amenas ao longo do ano e neve no inverno. Lá, arrumou um trabalho braçal, porém menos cansativo que o da roça e que não o expõe ao sol. Diferentemente do irmão, Deide se casou e formou família em Araras. Tem duas filhas. E é por causa delas, afirma, que continua a lutar contra a doença.

Diagnóstico tardio

Deide nasceu em Jeroaguara, outro distrito de Faina, em 16 de setembro de 1969, na mesma fazenda onde passou a infância. Os pais notaram as primeiras sardas no rosto do menino quando ele tinha 7 anos. Aos 10, surgiu a primeira lesão, no nariz. Só aí Edi e Elizeu demonstraram preocupação e levaram o filho a um médico, na Cidade de Goiás. O profissional que examinou o garoto os aconselhou a procurar um médico em Goiânia. Logo o médico marcou uma cirurgia para a remoção do tumor. Mas, pouco mais de um mês depois, surgiram outras lesões no rosto de Deide.

Com os anos, o problema se agravou. Em agosto de 1985, o médico encaminhou o paciente a uma equipe de especialistas do Hospital Araújo Jorge, em Goiânia. Só então, oito anos após o surgimento dos primeiros sintomas, Deide teve o diagnóstico definitivo: ele tinha xeroderma pigmentoso e não podia mais ficar exposto ao sol. 

No entanto, a realidade da família e de onde moravam não permitia aos pais darem a Deide toda a proteção adequada. Trabalhando na roça para ajudar no sustento da casa, o garoto sentiu o agravamento da doença. Com os anos, as sardas, os tumores, as cirurgias e a quantidade de pele retirada só aumentaram. Em 1989, Deide sentiu uma dormência no lado direito da face. Procurou um médico em Goiânia, que o mandou de volta sem nada diagnosticar. Mas as dores não cessaram. Sem suportar o sofrimento, retornou ao médico. Dessa vez, ele detectou pequenos tumores perto do seio maxilar direito e marcou uma cirurgia de emergência.

Após ser submetido à retirada dos tumores, o paciente ficou dois dias internado. Dez dias depois, de alta, na roça, ele voltou a sentir dores na mesma região do corpo. Descobriu outro tumor. Enfrentou mais uma operação. Após duas semanas, vieram os resultados da biópsia. Eram malignos. Deide passou por 20 sessões de radioterapias, período em que o então jovem goiano do interior ficou sozinho em Goiânia. O tratamento trouxe uma significativa melhora, que permitiu o retorno à sua comunidade.

Exposição prejudicial

À época, Deide se dedicava com afinco a duas atividades: estudar e jogar futebol. Mas, para ir e voltar ao colégio, tinha de enfrentar o sol forte, assim como nas peladas no campinho de terra batida do povoado. A exposição trouxe de volta as dores e a dormência no rosto. O alerta maior partiu de uma professora dele. Um dia, na casa dela, me observando, ela exclamou: Parece que um olho está maior do que o outro!, conta Deide.

Após alguns meses, decidiu buscar resposta no Hospital Araújo Jorge. Especialistas o encaminharam para um exame de tomografia computadorizada. Apesar da urgência, só conseguiu realizar o exame no dia seguinte. Após ler o laudo, uma médica disse que Deide teria de fazer mais uma cirurgia. A sensação era de que o meu fim estava chegando, recorda-se. A médica o encaminhou a outra equipe, especializada em doenças na cabeça e no pescoço. No mesmo dia, ele fez uma consulta particular. Levou, com medo, o laudo da tomografia. O médico mandou Deide voltar no dia seguinte, preparado para a operação. O cidadão de Araras foi, arrasado, para a pensão, perto da Rodoviária de Goiânia, onde se hospedava quando tinha de ir ao médico. Deide não conseguiu dormir. Reviu sua vida. Rezou para sobreviver a mais uma intervenção cirúrgica. Na manhã seguinte, pegou um ônibus para casa, já com a operação agendada.

De volta a Goiânia e ao hospital uma semana depois, Deide procurou um dos médicos que o havia examinado. O doente questionou se em São Paulo não haveria um tratamento alternativo que o pouparia de uma cirurgia arriscada, com risco de morte. Para o alívio de Deide, o médico goiano respondeu positivamente e o sugeriu o hospital AC Camargo Cancer Center. Mais conhecido como Hospital do Câncer, era uma unidade oncológica, referência no diagnóstico, no tratamento e na pesquisa de câncer.

No entanto, a alegria de Deide durou pouco. Não havia previsão para novas consultas na unidade de saúde paulistana, pois os funcionários estavam em greve geral. Mas o goiano persistiu e continuou na capital paulista. Por indicação, procurou o Hospital Heliópolis. Nos anos 2000, a oncologia era o seu carro-chefe, com ênfase em tumores de cabeça, pescoço e tubo gastrointestinal. Novamente, Deide teve os planos desfeitos. A equipe médica que o atendeu em Heliópolis negou tratamento, alegando que poderia fazer tudo em Goiânia.

Desanimado, com medo da morte, o paciente pegou o ônibus para a capital goiana, decidido a marcar a tão temida cirurgia. Mas os médicos que acompanhavam o seu tratamento o aconselharam a não passar por tal procedimento. Explicaram que, com a doença no estágio avançado, não compensava correr tal risco. Ele tinha mais chances de viver por algum tempo com o tumor no corpo. Um dos doutores goianos lhe deu uma luz: aconselhou-o a fazer um tratamento no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.

Esperançoso, embarcou em mais um ônibus, rumo à capital carioca, que só conhecia pela televisão. Dessa vez, porém, estava livre das despesas com hospedagem e alimentação. Tinha o abrigo garantido na casa da irmã de um amigo. Após mostrar todos os exames que havia feito e de uma extensa entrevista, os médicos deram a ele outro caminho. A cirurgia poderia ser evitada se enfrentasse uma bateria de sessões de radioterapia. Alertaram, porém, que era um tratamento demorado e dolorido. Mas não havia escolha. Começou no dia seguinte.

Apesar de longe da família, em uma cidade estranha, a esperança no sucesso do tratamento renovou o ânimo de Deide, que, após três meses de radioterapia, tomou o ônibus de volta para Goiânia e, de lá, outro para Faina, onde parentes o esperavam. Os dias no Inca deram sobrevida a Deide, a ponto de ele conseguir construir uma casa no vilarejo de Araras, para onde se mudou com a mulher, com quem teve duas saudáveis filhas. Elas o fizeram voltar a sorrir, ter motivos para não desistir da luta diária contra os constantes ataques do xeroderma, que lhe têm rendido tumores por todo o corpo.

Como ajudar

Quem quiser adquirir o livro Nas asas da esperança ou ajudar os doentes de Araras de outra forma deve ligar para Gleice Machado (62) 3391-1174, (62) 8561-9263 ou (62) 9299-6645, enviar e-mail para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ou mandar correspondência em nome dela para Av. João Artiga, 815, Centro, Matrinchã, Goiás, CEP 76.740-000

Secretaria cria grupo para responder questionamentos da CPI da Saúde do DF

Pasta quer levantar dados para esclarecer demandas dos parlamentares durante processo que apura gastos da pasta entre 2011 e 2016

OTÁVIO AUGUSTO - CORREIO BRAZILIENSE - 07/06/2016 - 15:13:20

 

A Secretaria de Saúde criou grupo de trabalho para esclarecer os questionamentos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que apura gastos da pasta entre janeiro de 2011 e março de 2016. Ao todo, o Executivo local escalou 10 servidores para “analisar e responder as demandas” da Câmara Legislativa. A Portaria Nº 91 foi publicada na edição dessa terça-feira (7/6) do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). O trabalho do grupo deve durar até o fim das investigações da CPI da Saúde.

Entre os servidores convocados, estão integrantes da Subsecretaria de Logística e Infraestrutura (Sulis), do Fundo da Saúde, da Subsecretaria de Planejamento (Suplan), Subsecretaria de Gestão de Pessoas (Sugep), Subsecretaria de Atenção Integral à Saúde (Sais), Subsecretaria de Administração Geral (Suag), do gabinete do secretário de Saúde, Humberto Fonseca, entre outras departamentos. 

“O grupo de trabalho poderá, sempre que necessário, convocar servidores das áreas envolvidas, bem como convidar especialistas, para agregar conhecimentos técnicos e/ou responder as demandas realizadas pela CPI da Saúde na Câmara Legislativa”, ressalta o artigo 3º da portaria. 

O ato administrativo que criou a CPI da Saúde foi assinado há pouco mais de um mês, pela presidente da Câmara Legislativa, a deputada Celina Leão (PDT). Os integrantes da Comissão são o deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) será o primeiro titular e terá a distrital Sandra Faraj (SD) como suplente, enquanto Robério Negreiros (PSDB) será o segundo no comando e terá, como suplente, a parlamentar Telma Rufino (Sem partido).

Bebê deixada em casa sozinha morre em incêndio no Novo Gama

O fogo começou por volta das 3h na casa onde a criança de 1 ano e 6 meses dormia sozinha

Da Redação do portal Metrópoles POR: THAIS CIEGLINSKI,  14/05 12:37 , ATUALIZADO EM 14/05 15:24

Uma criança de 1 ano e 6 meses morreu na madrugada deste sábado (14/5) em um incêndio no Novo Gama (GO), no Entorno. Segundo informações da Polícia Civil de Goiás, a pequena Dielly de Almeida Santos estava sozinha em casa. Os agentes acreditam que uma vela tenha sido o motivo da tragédia.

O Corpo de Bombeiros chegou ao local por volta das 3h, mas a criança já estava sem vida. Informações preliminares dão conta de que Jessyca Oliveira, a mãe da bebê, havia saído de casa, no Pedregal, para ir a uma festa.

Em sua página no Facebook, a avó paterna de Dielly lamentou a morte da neta:

“Gente , morreu hoje nessa madrugada minha neta queimada dentro de uma casa onde ela estava sozinha, e a mãe tava em uma festa, uma mulher sem responsabilidade fizemos de tudo para tirar ela das mãos dessa mulher, acionamos conselho tutelar, fomos no fórum e todo mundo foi contra a gente, dizendo que ninguém tirava o direito da mãe, agora a menina faleceu e a gente fez de tudo pra avisar que ela ela ainda iria matar essa menina.”

 

Eventos no DF: celebram Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo

Carreata, circo, cinema e contação de história adaptados reúnem famílias. Objetivo é sensibilizar a comunidade sobre o tema e promover a inclusão.

DO G1 DF - 02/04/2016 - 11:18:19

 

Sessões adaptadas de circo, cinema e contação de histórias são algumas das atrações previstas no Distrito Federal neste fim de semana para celebrar o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado neste sábado (2). O objetivo das ações é sensibilizar a população a respeito do tema e promover a inclusão de pessoas portadoras da condição na sociedade.

Diretora do Movimento Orgulho Autista Brasil, Tatiana Lima diz que a celebração do dia é importante para conscientizar a sociedade. O filho dela, de 7 anos, tem autismo. “A gente quer chamar a atenção das pessoas e do poder público. Nós lutamos para aprimorar as políticas públicas para autistas e melhorar a qualidade de vida deles e das famílias”, diz.

Uma carreata de familiares e portadores de autismo está prevista para o Eixo Monumental na manhã deste sábado (2). Os carros se concentram na frente do Tribunal de Justiça do DF às 9h e começam o percurso às 9h15.

Os veículos vão descer pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, dar a volta e subir até a Catedral Militar Rainha da Paz, retornando ao TJ por volta das 10h15.

Para identificar a manifestação, os organizadores vão contar com um carro de som, decorado com faixas sobre o autismo. O material de divulgação é azul, cor que é símbolo do autismo. Os participantes devem ir vestidos de azul. O evento é liderado pelo Moab e pelo Grupo Inclusão em Foco.

Uma sessão do Circo Real Português em Águas Claras será adaptada às pessoas com autismo no domingo (3), a partir das 16h. A iluminação será mais fraca e o som, mais baixo, para não incomodar as crianças. As famílias podem ficar à vontade para circular pelas arquibancadas e sair do circo, caso a pessoa com autismo se sinta desconfortável.

Os filmes "Frozen", "Rio 2" e "Up - Altas aventuras" serão exibidos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em condições especiais para crianças com autismo neste fim de semana. O centro controla a lotação das salas, reduz o volume e mantém as luzes ligadas. As famílias também têm liberdade para entrar e sair do ambiente durante o filme.

"Rio 2" será exibido no sábado, às 16h30. No domingo, há sessões de "Up" às 10h30 e de "Frozen" às 16h30. A entrada é franca, mas deve ser reservada pela internet.

Histórias

Uma sessão de contação de histórias será adaptada ao público autista no Terraço Shopping no sábado, às 16h. Mãe de uma criança com autismo, Viviani Guimarães vai aproveitar a ocasião para lançar o livro “Simplesmente azul”, a respeito da convivência familiar.

As histórias que serão contadas no evento tratam temas como inclusão e preconceito. A linguagem será adaptada, e a narrativa também será transmitida em linguagem de sinais.

Lêda Borges: “Entorno do Distrito Federal será o 2º maior corredor econômico do Estado”

Parte do primeiro escalão do governo estadual, a ex-prefeita de Valparaíso diz que, se chamada para ser candidata à vice de José Eliton nas eleições de 2018, está “pronta para servir”

JORNAL OPÇÃO/FOTO: RENAN ACCIOLY - 20/02/2016 - 23:39:37

Lêda Borges é um dos nomes fortes do governo Marconi Perillo. Ex-prefeita de Valparaíso e deputada estadual licenciada, a presidente do PSDB Mulher ocupa uma das três chamadas supersecretarias criadas pelo governador na última reforma administrativa, a Secretaria da Mulher, Desenvolvimento Social, Igualdade Racial, Desenvolvimento Humano e Trabalho — a Secretaria Cidadã.

Para ela, isso é mais que uma mensagem de aceitação de seu nome; trata-se de uma mensagem de prestígio para uma das maiores regiões do Estado: o Entorno do Distrito Federal (DF), região a qual representa. “Isso é uma mensagem muito importante para mim e para o Entorno, pois diz que lá tem gente competente. Afinal, eu sou a única secretária que veio do interior e sou do Entorno”, afirma.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Lêda comenta a atual situação de sua região e diz que está no governo para trabalhar por ela e por suas necessidades. “Como secretária, eu tenho como desempenhar os dois papéis ao mesmo tempo: o do pleito, como deputada, e o da efetivação, como secretária. Despacho com o governador como auxiliar, como política e como deputada”.

Apontada como possível candidata a vice-governadora na chapa governista nas eleições estaduais de 2018, Lêda diz que está no projeto do governador Marconi, sabendo que José Eliton é o candidato e aponta: “Faço o que me couber dentro desse projeto, pois acredito nele”.

Cezar Santos – A sra. assumiu uma das chamadas supersecretarias na reforma administrativa que o governador Marconi Perillo (PSDB) fez. Qual o balanço no primeiro ano de trabalho?

Faço um balanço muito positivo. Mesmo com todo o ajuste fiscal — junção de pastas e diminuição dos cargos em comissão, extinguindo 5 mil cargos —, os programas não foram extintos. Isso demonstra a visão do governador como um gestor que se pauta pelo equilíbrio fiscal, mas sem se esquecer do lado social. Isso é fundamental e mostra que há o lado racional e o lado humano e social no governo. O poder público não vende serviço, não tem lucro e, às vezes, quando há a necessidade de fazer um ajuste fiscal, uma das primeiras coisas que se pensa é enxugar as pastas em que não há obrigação de investimento constitucional, como saúde e educação. E isso geralmente é feito extinguindo programas ou reduzindo pessoal. O governador Marconi Perillo não fez isso, mas estabeleceu metas para todas as pastas, incluindo a nossa. Isso foi extremamente positivo em 2015.

Cezar Santos – O que foi mais relevante em relação aos programas executados?

Nossa pasta tem muitos convênios com a União, na áreas da Justiça e cidadania, de direitos humanos e de trabalho, como o Sine [Sistema Nacional de Em­prego]. No ano passado nós lidamos com um orçamento da ordem de R$ 300 milhões, entre recursos federais e contrapartidas estaduais. E executamos programas na área da mulher, com convênios com a SPM [Secretaria de Políticas para as Mulheres, órgão do Ministério da Cidadania] e com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), capacitando e levando empoderamento à mulher, capacitando e implementando os Neams, que são os núcleos de atendimento à mulher no interior.

Também tivemos ações com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), com os programas do Bolsa Família (federal) e Renda Cidadã (estadual), além do monitoramento de assistência social nos municípios pelos Cras [Centro de Referência de Assis­tência Social] e pelos Cres [Centro de Referência Especializado de Assistência Social].

Na área de trabalho, atuamos na captação de vagas para o Sine e no encaminhamento dos candidatos ao emprego. Ofertamos muitas frentes, atuando também na inclusão pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Na área da igualdade racial, pudemos atender os quilombolas com moradia, com capacitação, acompanhamento nas festas, propiciando mais estrutura física para isso em lugares como o Vão de Almas, Vão de Moleque e Engenho, nos municípios de Teresina de Goiás e Cavalcante. Levamos a eles o Renda Cidadã. Também tivemos o projeto do cartório nas maternidades. Enfim, são ações cidadãs que ficam muito no silêncio, mas que são fundamentais para a população.

Temos desenvolvido nossas metas em cima de três pilares: a inclusão, a tutela permanente ou transitória do Estado, a capacitação, qualificação e o emprego. Nossa pasta atua em tudo isso, por isso a chamo de Secretaria Cidadã.

Frederico Vitor – A sra. cita os convênios e fala em muitas parcerias. Existe predisposição por parte dos prefeitos para isso?

Os gestores municipais ficam ávidos por dois tipos de ação: obras e cidadania. O ano passado foi muito difícil no Brasil, um ano em que o ajuste fiscal teve de acontecer para que pudéssemos avançar neste ano, enfrentando anos difíceis. Nes­se quadro, as obras se tornaram mais difíceis porque os recursos es­cas­searam. E aí, o que vale? Vale o suporte que nós damos na cidadania. Temos o programa Renda Cidadã, o programa do Pão e Leite, o programa da Água e Energia, o programa Jovem Cidadão. Quando nós chegamos com esses programas, significa que o Estado chegou nos municípios, com toda a sua ca­pacidade cidadã. Eu já fui prefeita e sei que os prefeitos querem ver o Es­tado presente com as parcerias possíveis, mesmo num momento difícil.

Frederico Vitor – Goiás é grande e possui diferenças regionais no as­pecto econômico. Pensando nisso, a secretaria fez algum estudo para saber o que levar para cada lugar?

Temos um estudo anterior à gestão, que define as regiões em relação ao IDH [Índice de Desenvol­vimento Humano] e pauta o planejamento do Estado. Dentro desse estudo, estão definidas as cidades com o menor IDH. Isso nos pauta. No ano passado avançamos com o Instituto Mauro Borges (IMB) porque os índices de vulnerabilidade poderiam permear a aplicação dos programas socais. Solicitamos ao IMB, no início do ano passado, o estudo de vulnerabilidade social e juvenil para pautar tanto a entrega do programa Renda Cidadã nos municípios, quanto o Jovem Cidadão para o público com vulnerabilidade social. A ação da pasta é pautada por esses dois índices definidos por estudo do IMB.

O Ação Cidadã, por exemplo, esteve em 22 municípios no ano passado, em grande parte na região Nordeste, principalmente com os quilombolas. E fizemos quase todas as cidades do Entorno.

Cezar Santos – Em Cavalcante, houve problemas gravíssimos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes, o que é um dos motivadores de uma CPI na As­sembleia Legislativa. Sua pasta está interferindo naquela situação? Como é o trabalho?

Existe uma superintendência executiva específica para mulher e igualdade racial, que está ligada à nossa pasta e que dá os apoios. Aquela questão já está judicializada. Nós somos os recebedores das denúncias e temos um observatório dentro do Crei [Centro de Refe­rência Estadual da Igualdade], que acompanha todos esses movimentos, sejam de discriminação, de abusos ou qualquer crime relacionado à mulher, aos negros, aos índios e aos ciganos. Recebidas as denúncias, temos a obrigação de encaminhá-las ao Ministério Público, que as encaminha ao Judiciário. Todos os problemas em Cavalcante já estavam judicializados.

Nosso trabalho prévio junto a essa comunidade é dar a essas mulheres e meninas o empoderamento por meio dos programas sociais. Alega-se ali que elas vão para a cidade para ganhar dinheiro, porque onde estão não há condições de sobrevivência. Elas vão para a cidade, onde acontecem os problemas. Então, nós entramos com o programa Jovem Cidadão, com orientação para os Cras, que existem em todos os municípios. Aonde há os Cres, damos treinamento para que acompanhem a comunidade local. Levamos o Ação Cidadã, com cursos para que essas jo­vens aprendam a lidar com a beleza delas em oficinas, que elevam a autoestima e possibilitam que elas aprendam a ganhar dinheiro na comunidade mesmo, de forma a não ser preciso ir para a cidade.

Aquelas comunidades têm suas festas tradicionais e nossa equipe se desloca para acompanhá-las, fazendo rodas de conversa, orientando nas questões sexuais, de violência etc. Sobre isso, neste ano fechamos um convênio com o Sebrae, no valor de R$ 6 milhões, para capacitar todas essas comunidades que têm baixo IDH, para montarmos cooperativas e associações e dar melhor condições de trabalho a essas pessoas, para que elas se auto sustentem e se empoderem, principalmente as mulheres. É um trabalho preventivo. Temos unidades móveis, que vão ao campo e à floresta com advogados, com assistente social e psicólogo. Há mulheres no campo que não sabem nem a quem relatar o que elas têm sofrido. Temos também um dos grupos mais respeitados do Brasil e que trata do combate ao tráfico de pessoas.

Cezar Santos – Qual a estrutura de sua pasta?

Temos uma estrutura organizacional muito inteligente, com todos os programas sociais para atender a todas as minorias. Antes isso era muito difícil, pelos entraves, já que o assunto estava espalhado em várias pastas. Hoje se planeja desde a entrada, que é a vulnerabilidade, seja social, juvenil, econômica, de idade, do deficiente, até a saída, que é o trabalho.

O tema mulher e igualdade estão juntos numa superintendência executiva (supex). Assis­tência social também tem uma supex, o tema direitos humanos em outra e o tema trabalho em outra. Então, com o superintendente de gestão, planejamento e fi­nanças, que gere tudo, temos quatro superintendências executivas. É um modelo inteligente, que o governo federal copiou. Submetidas às superintendências estão as gerências. Essa é a estrutura organizacional.

Na estrutura física não temos um espaço próprio, mas funcionamos em espaços cedidos, já que não caberia tudo no Palácio Pedro Ludovico. São 2,5 mil servidores, porque suprimiram-se 700 cargos, o que gerou economia de mais de R$ 20 milhões no ano passado. Acredito que, em termos físicos, a nossa pasta é a maior só perdendo para a Educação, se contar as escolas estaduais. Em gestão direta temos o prédio do Basileu França, no Setor Universitário, o prédio na Av. Anhanguera, o prédio do Crer, além de dez unidades socioeducativas pelo estado afora.

Cezar Santos – Pode-se dizer que o carro-chefe da pasta é o programa Ação Cidadã?

No Ação Cidadã temos todos os serviços que desenvolvemos na pasta durante todo o ano. Ele leva mais de 20 serviços às comunidades.

Cezar Santos – Qual é a diferença com o programa Governo Junto de Você, gerido pela Secretaria de Governo?

Houve esse questionamento sobre uma certa duplicidade. O Governo Junto de Você chega a municípios de médio porte, polos regionais, que conseguem receber sua estrutura. Tanto que se fazem dez edições, quando muito, por ano — no ano passado foram cinco. O nosso programa tem outro foco: o dos pequenos municípios, dos mais distantes. Fomos, por exemplo, a Campos Belos, a 600 quilômetros da capital, assim como a Teresina de Goiás, a Cavalcante e a Monte Ale­gre. Vamos aos pequeninos, de até 30 mil habitantes, e que não têm Va­pt Vupt. Imagine viajar de Rubia­taba até qualquer cidade polo para fazer apenas uma carteira de trabalho.

Cezar Santos – Quantos atendimentos são feitos pelo programa?

Foram 155 mil atendimentos no ano passado, em 22 municípios, com média de mais de 30% da população de cada um deles passando por algum tipo de serviço. É uma experiência fantástica de gestão, porque envolve todos os moradores do lugar e levamos não só o que diz respeito à nossa pasta: há também serviços de saúde, de fomento, a parceria com o Sesi e o Sebrae, que agora vai conosco em um projeto pioneiro de capacitação.

Frederico Vitor – Podemos dizer que esse projeto seria uma espécie de porta de saída do programa Renda Cidadã?

Sim, sem dúvida. O Renda Cidadã vem com uma nova roupagem este ano e será lançado em março. É um sistema informatizado, de ponta, que vai trazer critérios de inserção e exclusão automáticos.

Cezar Santos – E que cursos serão oferecidos em conjunto com o Sebrae?

Ainda não formatamos essa modelagem. O convênio está firmado e já captamos R$ 6 milhões do governo federal. Vamos capacitar e também mostrar ao microempreendedor a necessidade de inovar. Muitas vezes, exatamente por não buscar a inovação, o empresário acaba por fechar as portas.

Cezar Santos – A sra. diz que participou de várias reuniões em Brasília e que o governo federal copiou algumas ações de Goiás. Como assim?

O governador Marconi anteviu a crise. Teve sensibilidade e habilidade impressionantes. Ao ser reeleito e prever a crise que viria, nem esperou tomar posse para o segundo mandato para começar a trabalhar. Quem não fez o dever de casa hoje não dá conta de pagar a folha. Lembro-me de que estava com o governador em Brasília, para resolver uma questão do transporte público do Entorno com a ANTT [Agência Nacional de Transporte Terrestre]. Foi pouco antes de uma viagem que ele fez à Alemanha. Então, me mostrou: “A reforma está aqui”.

Ano passado, quando eu me tornei sua auxiliar direta, tudo já tinha virado lei, os cargos já extintos. Isso é ter coragem para fazer o que deve ser feito. Fomos criticados e os movimentos ligados às minorias reclamaram do fim de secretarias. Eles entendem que precisa ter uma pasta para olhar por aquele tema. Eu não compreendo assim, mas a­cho que o necessário é ter vontade po­lítica para realizar. E é a mesma forma como o governador Marconi entende.

E nas reuniões em Brasília mostramos como era o nosso novo modelo de gestão organizacional. No final das contas, governador do DF, Rodrigo Rollemberg, também sentiu isso, assim como o governo federal. Só a minha pasta economizou R$ 25 milhões e não deixamos de realizar nada.

Frederico Vitor – Existem parcerias de sua pasta com ONGs?

Temos interlocução direta, entre fundações, institutos e secretarias, com mais de 20 parceiros. Fazemos segunda via de certidão de nascimento e de casamento — esta, por exemplo, custaria R$ 200 e sai de graça, por causa do convênio com a Corregedoria de Justiça do Estado, com o Poder Judiciário. O mesmo para uma investigação de paternidade. Quanto custaria um advogado para um processo assim? Vamos fazer agora um trabalho de ação cidadã nas 15 cidades de maior criminalidade, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública.

Frederico Vitor – E como está a interlocução com a Prefeitura de Goiânia?

Muito boa. Eu e Tereza [Beiler, pri­meira-dama] estamos trabalhando em um convênio, já bem adiantado, para a questão do abrigo de mu­lheres. Muitas vezes esquecemos que a população de rua também é cidadã e estamos aderindo a um movimento nacional para prestar serviço a essas pessoas. E isso acontece no município, o Estado capacita, inspeciona, mas quem está na ponta é a esfera municipal. Precisa­mos reconhecer o papel de cada ente.

Cezar Santos – Recentemente, a sra. foi condenada em primeira ins­tân­cia por improbidade administrativa em relação à época em que foi pre­feita de Valparaíso. Esclareça me­lhor a questão. A sra. vai recorrer?

Meus advogados já estão preparando o recurso de apelação por entenderem que a sentença traz muitas inconsistências e uma argumentação contraditória. Portanto, esperamos a reforma da sentença na sua íntegra. E não houve condenação por enriquecimento ilícito ou desvio de verba pública. Na própria sentença, o juiz reconhece que não tem dosimetria para falar de enriquecimento ilícito nem de desvio de recurso público. Na verdade, é questionado que a agência de publicidade, que era contratada licitamente pela prefeitura, havia pagado um jornal e o juiz entendeu que era autopromoção. Portanto, o assunto principal deste processo foi a utilização do jornal para me autopromover. Só que nós nunca pagamos esse jornal com verba pública. Nem a agência nunca pagou.

Cezar Santos – O Entorno possui muitas carências. Atualmente secretária, o que sua pasta tem oferecido para aquela região?

Dos quase 33 mil votos que tive, 22,7 mil foram de minha cidade, 10 mil foram dos demais municípios e os demais de outras localidades, inclusive Goiânia, onde tive cerca de 400 votos. Estar secretária licenciada de meu mandato de deputada tem três grandes simbolismos. O primeiro é o reconhecimento do governador à nossa região — somos apenas dez secretários e ocupo uma das três supersecretarias. Isso é uma mensagem muito importante para mim e para o Entorno, pois diz que lá tem gente competente.

Sou a única secretária do interior e sou do Entorno. É realmente algo emblemático, que nos dá orgulho. Os prefeitos têm esse sentimento e a população também. Como se­cretária, eu tenho como desempenhar os dois papéis ao mes­mo tempo: o do pleito, como de­putada, e o da efetivação, co­mo secretária. Ou seja, eu peço para mim mesma, com a concordância do governador. Não há ninguém entre nós dois. É um caminho bem menor. Não dá para ter noção da efetivação de ações a partir dessa posição. Despacho com o governador como auxiliar, como política e como deputada.

Cezar Santos – Em que isso beneficiou a região, em sentido prático?

Eu posso citar os Itegos – os institutos técnicos estaduais na região; os colégios estaduais; mais uma unidade da UEG [Univer­sidade Estadual de Goiás], em Valparaíso; o restaurante cidadão, também em Val­paraíso, cujos recursos federais eu consegui como prefeita, construí, mas a atual prefeita [Lu­ci­mar Nasci­mento, do PT] não o abriu. O governador bancou agora a abertura do restaurante. Temos também o Hospital de Urgências do Entorno Sul, ainda em Valpa­raíso, que já está com área desapropriada e paga, com 109 mil metros quadrados, ao custo de R$ 22 milhões. Até o fim do governo estará construído.

No Entorno Norte haverá outro hospital de urgências. O planejamento regional da região passa também por unidades do Corpo de Bombeiros para os municípios, porque temos cidades muito populosas. De nossa pasta, especificamente, tivemos o Ação Cidadã indo a todos os municípios.

Por fim, tivemos também a retomada do reabastecimento pela represa de Corumbá, que são 30 anos de água garantidos. O Estado de Goiás já fez o que lhe coube e agora esperamos a parte elétrica, mas esta precisa que a Caesb [empresa de saneamento do governo do DF] execute 20% de sua parte na obra. A adutora está em minha cidade e Goiás já fez toda a ligação da captação, em Corumbá, até Valparaíso. Em 2011, o governador retomou e fez sua parte; agora resta Brasília fazer também.

“União não pode ficar com a maior fatia do bolo”

Cezar Santos – A sra. diria que a região do Entorno, que sempre foi um problema, hoje passou a ser a solução para o desenvolvimento do Estado?

Sempre digo que o governador é sábio. Ele tem consciência de que o Entorno, principalmente sua parte sul, será o segundo maior corredor econômico do Estado, depois de Anápolis.

Cezar Santos – E isso está começando a se realizar?

Sim, e vou dar um dado econômico: o desenvolvimento de Cristalina e de Luziânia. Nós, do Entorno, já somos os grandes municípios para arrecadação deste Estado. E Valparaíso é o corredor do terceiro setor, o de serviços. A BR-040 é nossa vitrine. Temos grandes atacadistas; somente eu levei quatro concessionárias. Pelo shopping de lá passam 600 mil pessoas por mês. Então, somos a 10ª cidade em desenvolvimento do Estado. Falta para nós o BRT e o governo federal cumprir com algumas coisas.

Cezar Santos – A grande carência do Entorno é o BRT?

A água e o BRT.

Frederico Vitor – Alguns políticos do Entorno sempre se demonstraram favoráveis à criação do Estado do Planalto Central. Qual a posição da sra. a respeito?

Acho que o Brasil foi criando municípios demais, por isso sofremos o que estamos passando. Há municípios que vivem praticamente de Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Sem uma vocação econômica e com a arrecadação caindo, isso é muito complicado; as prefeituras não sobrevivem. Por­tanto, acho que isso tudo tem que ser muito bem pensado, não apenas de uma forma política. Temos que pensar de uma forma técnica. Por quê? Ouvir isso é muito bom, pois quem mora naquela região como eu, sempre achou boa a ideia de ter serviços como os de Brasília, mas esquece que estamos no Estado de Goiás, não numa unidade da federação administrativa que recebe recursos como se fosse município e como se fosse Estado. O cidadão comum não tem essa percepção e esse entendimento racional de entender porque Brasília é do jeito que é. Ele está sentindo na pele a falta de serviços como o de iluminação, de saúde, da rua recapeada e do serviço de saneamento básico. Ele não percebe que Brasília recebe, somente do Fundo Constitucional do Distrito Federal, cerca de R$ 14 bilhões. E que nós não temos Fundo Constitucional. Eu sou favorável e luto pelo fundo da Região Integrada de Desenvol­vimento do Distrito Federal e Entorno (Ride). Mas a Ride, sem fundo, não adianta. Perguntaram-me do Correio Braziliense o que eu achava do fundo da Ride. Daí respondi: por que Brasília não devolve o quadrilátero que é de Goiás? O que Brasília nos pagou? Então, devolva a nós e façamos de Brasília um município e capital do Brasil. Nosso Fundo Constitucional, da Ride, é legitimo, mas não é legal. É legítimo porque somos nós que levamos força de trabalho para Brasília. Então, não se trata apenas de discutir a criação do Estado do Planalto Central, que vai reunir cidades satélites problemáticas com outras em pleno desenvolvimento.

Frederico Vitor – A sra. observa alguma movimentação dos parlamentares no sentido de criar o Fundo Constitucional da Ride?

Eu já pedi muito para eles discutirem essa emenda na reunião que nós fazemos com a bancada. Sou a única deputada eleita pelo chapão. Quando nós nos reunimos, peço para a aprovação da lei. Não quero deixar de ser goiana. Acho que é ruim nós goianos, da região do Entorno, não nos reconhecermos como goianos. Quando prefeita, sempre busquei essa identidade com Goiás. Sempre que posso levo o governador e digo que o que tem lá é do Estado de Goiás, mesmo porque Brasília não pode conveniar conosco. Quando José Roberto Arruda era governador, ele foi impedido de conveniar conosco porque não havia entendimento entre os Tribunais de contas. Nós prestamos contas com o primeiro recurso que veio da saúde, que era de R$ 300 mil e ponto. Não se falou mais. Por isso, precisamos lutar e trabalhar politicamente para que o fundo exista. Do mesmo jeito que Brasília nos atende, nós também atendemos Brasília. Dou exemplo de Valparaíso e Novo Gama; nosso limite é uma rua. Quem coleta o lixo? Nós. Onde os meninos estudam? Na nossa escola. Para onde vão os doentes? Para o nosso posto de saúde. Temos que chegar ao comum acordo de que precisamos de um fundo, por menor que seja. O Consórcio de Resíduos Sólidos tem que vingar. O único político da atualidade que investiu no Entorno foi Marconi Perillo. Por isso acredito no governo dele. Por isso estou no governo.

Cezar Santos – Recentemente, entrevistamos aqui uma liderança da região e ele disse que a safra de prefeitos no Entorno é uma das piores da história. Como a sra. vê isso?

Avaliar a gestão das outras pessoas é muito difícil. Eu, como ex-prefeita, digo que foi muito difícil ter passado por lá. Somente nós sabemos onde o cinto aperta. Nós temos uma relação de gestão tripartite. A União fica com 72% de nossa arrecadação. Só desce para Estados e Municípios o que sobra disso, que é 28%. O prefeito tem que fazer as obras estruturantes, como rede de esgoto, asfalto e canal pluvial; tudo com recursos municipal e estadual e não fazemos, temos que fazer com a União. A União, por sua vez, ao invés de priorizar saneamento básico, priorizou Copa do Mundo. Então, ser prefeito hoje é o maior desafio.

Este é um momento muito ruim para todos. Esses dados de baixa popularidade dos prefeitos da região são de pesquisas, e ninguém melhor do que o povo para dizer sobre seu governante porque foi ele que elegeu. Ele tem que avaliar mesmo. Mas temos que lutar verdadeiramente pela divisão justa dos recursos. Gosto de dizer que temos no Brasil o pacto federativo das obrigações.

Mas digo que não há nenhuma outra maior realização para a mulher e o homem públicos do que estar prefeito e prefeita. Um dia eu disse a um ministro que nós prefeitos estamos buscando o imperativo do dinheiro. Porque o pacto federativo das obrigações já era previsto. As obrigações, nós gestores, sabemos quais são. Mas cadê o pacto federativo do recurso? Está preso lá em cima na União. O único ente real são os municípios, por isso, nossos congressistas têm que lutar para de fato existir um pacto federativo que desconcentre da União a maior fatia do bolo. Temos que enfrentar isso na reforma tributária. Quem executa as obras são os municípios. Não vejo isso tomar a pauta. E isso não é só para o Entorno, mas para o Brasil todo.

O fundo da Ride é uma pauta específica que precisa ser colocada pelos parlamentares goianos. Enquanto o Sistema Único de Assistência Social não for obrigatório, como são o SUS e a Educação, não obteremos uma politica pública efetiva. Porque, quando o cinto aperta na prefeitura, o prefeito tem que cumprir obrigatoriamente 25% da Educação e 15% da Saúde. O dinheiro acaba e sabe de onde ele vai tirar? De onde não é obrigatório. Aí vem a assistência social e outros serviços que não são obrigatórios de prestar contas. A maior discussão que vai ser levada para a Conferência Nacional é esta temática. Não adianta falar de sistema tripartite, se não há um percentual fixo para a assistência social. Definir isso é obrigatório; é como eu penso política pública.

Cezar Santos – A sra. foi uma liderança municipal e, agora à frente de uma supersecretaria emerge como liderança estadual. A sra. acredita que pode contribuir mais com um mandato de deputada federal?

Nunca imaginei estar na política. Até os 36 anos, eu nunca havia me filiado. Por uma questão técnica, porque sou professora de carreira, caiu em minhas mãos ser secretária de Educação do meu município, onde implantei um sistema de educação, mesmo sem ser uma pessoa público-partidária. Foi aí que comecei a entender tudo isso, mas eu não planejo o futuro; planejo ações. Eu pertenço a um grupo, do qual tenho muita honra em participar. É um privilégio compor um governo de mais alto nível. E quando eu planejo e dá tudo certo, não é a Lêda, mas o Entorno. Tenho plena convicção disso.

E o governador é o meu grande conselheiro; ele é que me conduz. Quando eu saí das eleições com a não-vitória à reeleição, eu já havia me reapresentado ao Tribunal de Justiça DF. Eu sei que o processo político é um jogo e na cadeira só cabe um. Naquele momento, a cadeira não seria ocupada por mim por quatro anos. Então, me reapresentei logo que passaram as eleições, para não ficar em abandono de cargo. Isso foi em novembro. Tirei minhas férias em janeiro e, no dia 5 daquele mês em 2013, eu estava em Natal quando o governador me ligou. Foi a passagem mais cara que eu já paguei. Larguei a família para trás, porque o chamado do governador é uma ordem; me convidou para almoçar no Palácio. Nesse dia, ele me disse: “Lêda, quero você no meu governo. Vou te dar duas opções e não precisa me dar resposta agora”.

Foi assim que me tornei presidente da AGDR [Agência Goiânia de Desenvolvimento Regional]. Tive que pedir nova licença no Tribunal, para ser cedida ao Estado de Goiás. Foi comigo que o governador transformou a AGDR em braço de execução de obra. A agência era apenas um braço de assessoramento aos prefeitos. Nessa época começamos aquele planejamento regional do Nordeste e Entorno, com várias obras como recapeamento urbano e praças. Aquele parque de Posse foi feito na minha gestão. E como não tenho amarras, não tenho filho para criar, quando o governador fala aqui, é aqui. Tomei posse e amei a AGDR. Foi a primeira vez que compus uma gestão estadual.

No final de 2013, o governador olhou para mim e perguntou o que eu queria. Respondi que queria estar reeleita prefeita, mas perguntei o que ele queria de mim. Afinal, grupo é grupo. Ele respondeu que me queria candidata a deputada estadual. Eu cumpri. Disputei eleição no meio de grandes nomes. Concorri no chapão, com Victor Priori, José Vitti, Valcenôr Braz, Júlio da Retífica, Marlúcio Pereira; com todos. Fui para a campanha crendo na minha capacidade e com a visão que sempre tive de que ninguém na administração pública resolve seus problemas sozinho. Enquanto não nos reunirmos regionalmente em todas as regiões do Estado, não teremos soluções para problemas graves. Não são os pequenos, mas os grandes como a saúde e a educação superior. A segurança pública deve ser regional, assim como o IML.

Eu tive essa visão quando fui prefeita. Por isso muitos prefeitos torcem por mim, onde eu estou. Porque sempre andamos muito juntos e pensando assim. Eu pus na cabeça que iria cumprir meu mandato como deputada. Estava organizada. Em novembro, go­ver­nador nos chama e perguntou se podia contar comigo, se ele precisasse. Eu disse que sim. Entre minha diplomação e a posse, ele tomou posse como governador. Eu soube pelo Facebook dele que eu seria secretária de Estado. Uma pessoa de Valparaíso, de nome Jeferson, me mandou mensagem no WhatsApp me parabenizando por ter sido nomeada.

Eu achei que o governador iria falar comigo antes para que eu pudesse tomar pé da pasta. Não. Pouco depois de publicar a lista no Facebook, recebo uma ligação me informando que eu deveria estar no Oscar Niemeyer às 9 horas para a posse do secretariado. Foi assim. Hoje eu conheço a pasta inteira, mas quando cheguei não.

Eu contei tudo isso para responder o seguinte: o governo entende que o Entorno de Bra­sília é importante em voto e na gestão. A visão do governador sobre aquela região é emblemática.

Euler de França Belém – Tancredo Neves tinha uma frase: “O futuro é construído no presente”. O futuro nunca existiu, nem existirá. A sra. diz que não planeja o futuro, mas os seus adversários planejam e o próprio governador tem uma visão, uma ideia de futuro. Hoje, a sra. é cotada para ser candidata a vice-governadora. Se for chamada para ser vice, a sra. aceitaria?

Tenho uma premissa na vida. Tudo o que bate à minha porta, é para mim. Não conhecia o prefeito de Valparaíso quando me tornei secretária de Educa­ção. Eu não trago a trajetória política como uma obrigação. Eu contribuo para ela, como tenho feito. Os desafios são para mim, quais forem eles. Faço o melhor possível. Para quê? Não sei, mas tenho que construir. Não posso pegar a minha caneta e desconstruir. Ela precisa estar a serviço da construção, seja do cidadão ou do governo do qual faço parte. O que tocar, eu danço.

Eu estou no projeto do governador Marconi, sabendo que José Eliton é nosso candidato e eu faço o que me couber dentro desse projeto, pois creio nele. Então, o governador precisa ter alternativas de região. Uma pergunta que vocês ainda não me fizeram é “se eu vou bater de frente com algum projeto do Célio Silveira”. Jamais. Por quê? Acima de qualquer interesse pessoal meu, está a minha região. Na fila, o Célio está na minha frente e eu não tentarei superá-lo. Eu posso ser mais uma, mas bater de frente não, pois quem perderá com isso será a minha região.

Como uma região com 800 mil eleitores tem apenas um deputado federal que mora na região? A quem interessa o enfraquecimento do Entorno? A mim não pode interessar. Mas interessa a muitos, pois nossa região é uma das mais fortes do Estado; ela define eleições. Já definiu duas vezes. Portanto, eu não posso colocar interesses pessoais ou projetos políticos pessoais acima do grupo e acima da minha região.

Euler de França Belém – Célio Silveira quer que a sra. seja candidata em Valparaíso.

A minha cidade deu 16 mil votos para o Célio; o maior percentual que ele teve foi de Valparaíso. A visão é de que nós podemos perder uma cidade e, assim, farei outra análise: será que eu não terei mais cabedal não sendo prefeita para puxar votos na conjuntura nacional?

Euler de França Belém – Na região toda e não só em Goiás.

Não é uma questão que a minha cidade não mereça. Tenho olhado muito mais para as obras que estão guardadas aqui em um ano. O que eu já consegui em termos administrativos, e não só na minha pasta: uma nova frota de segurança pública para região, mais policiais; a discussão do BRT; a água de Corumbá, questão retomada por Brasília; tenho dado notícia das obras físicas da região. Eu corro atrás. Acredito que estou muito mais útil, até mesmo para minha cidade, pois eu tenho um tratamento republicano com a prefeita e jamais pedimos que parasse uma obra estadual porque estava assentada na cidade.

Ao contrário, abriremos um restaurante-cidadão, três colégios serão inaugurados, assim como o Itego, que é da minha época de prefeita e está sendo concluído. Recentemente, eu fiz uma proposta para o Haroldo Reimer, de R$ 2 milhões, dinheiro de emenda minha como deputada estadual e que vai direto para a UEG construir em Valparaíso. A área eu já havia doado, quando prefeita. Minha visão não é rasa. Eu tenho consciência que sou uma política que presta serviço ao povo, onde quer que eu esteja. Eu não creio em sucesso retalhando as pessoas.

Secretária Lêda Borges ao Jornal Opção: “Estou no projeto do governador Marconi para fazer aquilo que me couber"

Euler de França Belém – Pábio Mossoró também está sendo cotado para ser candidato, mas também existem outros. Como está o quadro?

O PSDB tem Pábio. Eu torço muito para que ele cresça mais ainda nas pesquisas, porque, na verdade, as maiores lideranças ofuscam as demais.

Euler de França Belém – Ele precisa criar outras lideranças?

Sim. Isso é algo que o governador Marconi faz muito bem: ir preparando pessoas. Nós temos que ver que é uma cidade de porte médio, importante para o Estado em termos econômicos e eleitorais. Uma cidade que tem o olhar de Brasília, pois é a primeira cidade na saída sul. Então, tem que preparar outras lideranças, mas que sejam lideranças que queiram o bem do povo, pois ninguém aguenta mais. E eu serei a pessoa que estará lá, orientando a mesma comunidade para isso.

Euler de França Belém – E a sra. acredita na união da base?

Eu creio. Agora, na base, existe um candidato do PR, um dos vereadores, que sente que é o momento dele.

Euler de França Belém – O Marcos Vinicius?

Não, ele é do PSD. Este é o Afrânio [Pimentel]. Ele sente que é o momento dele e as pesquisas vão apontar viabilidade política, o que não passa apenas por intenção de voto, mas também por outros fatores como viabilidade econômica, eleitoral e partidária, de consenso de grupo, capacidade de aglutinar e gerir etc. Isso é muito importante. O PSDB tem um nome, o PR outro e o PSD também. Quando você tira a liderança maior, que está hoje como deputada, é natural que todos achem que estão prontos. E todos podem, mas também pode haver uma composição.

Euler de França Belém – A sra. tem uma visão geral da política da região. A base governista está bem no Entorno?

Acredito que temos bons nomes no Entorno. Temos buscado isso. Em Planaltina, por exemplo, temos um PSDB forte e um PSD também forte. Não digo um nome exatamente, mas os partidos estão bem estruturados.

Euler de França Belém – E em Novo Gama?

Eu não vi pesquisas de Novo Gama, mas acredito que de lá saiam três candidatos. Alan [do Sacolão (PSD)], o presidente da Câmara, pôs seu nome à disposição; Everaldo [Vidal (PP)], que vai para reeleição; e Sônia [Chaves], que tentará voltar ao poder pelo PSDB.

Euler de França Belém – A sra. apoia quem?

Eu ficarei neutra. Eu preciso me concentrar em Valparaíso, como deputada inclusive. Mas, como falei, se o governador determinar estou aqui para ajudá-lo, pois quem não pode ser exposto é ele.

Euler de França Belém – E em Luziânia? Como está a situação?

São dois da base. Creio que o governador, como disse, fará gestão e o José Eliton a parte política. Então, o PSDB tem o Marcelo [Melo], mas o PSD tem a reeleição do Cristóvão Tormin. Dois da base. Por isso, eu acho que estamos bem. Quando você olha a base, vê que tem três em Novo Gama, que tem base em Águas Lindas, em Planaltina e em Luziânia. Quais as únicas que não são base? Valparaíso, Formosa e em Cidade Ocidental, que tem Paulo Rogério que não é base.

Então, existe uma complicação partidária, mas quando se amplia para base são duas cidades apenas. Até em Cristalina, os bons pré-candidatos, são da base. Depois que a eleição passa, o quadro é outro. Você começa uma nova etapa de acomodação, aproximação e preparo do pleito estadual de 2018. Valparaíso foi “água e óleo”, PT e PSDB, assim como Formosa e Catalão. São os três municípios emblemáticos.

Guillain-Barré: Doença ligada ao zika assusta Anápolis

Município goiano, a 156km de Brasília, confirma três casos de Guillain-Barré

POR OTÁVIO AUGUSTO E BRUNO LIMA - CORREIO BRAZILIENSE - 17/02/2016 - 10:29:22
 
 

Um dos doentes teve o diagnóstico da enfermidade realizado pelo Hospital Municipal Jamel Cecílio. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press.

Três casos de Guillain-Barré colocaram em estado de atenção a Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis, a 156km de Brasília. A pasta investiga se as infecções estão associadas ao zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti. Os pacientes Jaime Francisco da Cunha, 69 anos, e Thiago Henrique Leite, 29, estão internados no Hospital de Doenças Tropicais, em Goiânia — em situação estável, segundo a unidade. O outro paciente se encontra em uma unidade particular e não teve a identidade revelada. O resultado dos laudos sai em até 60 dias. Goiás, estado com a maior incidência do mosquito segundo o Ministério da Saúde, identificou 21 casos de zika até o último dia 6. Oitenta e nove suspeitas são analisadas.

A síndrome causa paralisia do corpo. Os doentes estão sendo tratados. O idoso deu entrada na Santa Casa de Misericórdia de Anápolis na sexta-feira. Segundo a Assessoria de Comunicação da instituição, o homem teve de ser transferido devido a complicações da doença. “Durante o período que esteve aqui, ele recebeu todo o tratamento possível, mas, clinicamente, seria mais seguro a transferência”, informou, em nota.

O rapaz teria apresentado os primeiros sintomas no último sábado. Com a evolução da síndrome, ele não consegue sentir o corpo e está com braços e pernas totalmente paralisados. O Hospital Municipal de Anápolis Jamel Cecílio confirmou que o paciente estaria com suspeita de dengue. “Acompanhamos os casos. Existem várias causas para a síndrome. Ela pode ocorrer por infecção de uma série de vírus, inclusive o zika. Estamos investigando para saber a real causa”, explicou o secretário estadual de Saúde de Goiás, Leonardo Vilela.

Ontem, uma terceira pessoa deu entrada no Hospital Evangélico Goiano (HEG), em Anápolis. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele é morador de Niquelândia e apresentou febre e diarreia. O quadro clínico teria evoluído para Guillain-Barré no início da tarde de ontem. A unidade médica particular não divulgou a identidade do paciente até o fechamento desta edição.

Nasser Allam, integrante da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), explica que, em casos extremos, o doente pode ter paralisia facial e da musculatura do tórax — o que impediria a respiração. “Essa síndrome é uma doença autoimune. O próprio organismo da pessoa ataca os neurônios. Em alguns casos, é necessário que ela seja encaminhada para uma UTI. Outro risco é a síndrome atingir o sistema nervoso autônomo e a musculatura do coração. Se a pessoa tiver alteração de pressão, arritmia e alguma predisposição cardíaca, pode morrer”, detalhou o especialista.

Na capital federal, apenas em 2015 houve o registro de 19 casos da síndrome de Guillain-Barré. A Secretaria de Saúde não informou se os casos têm ligação com as doenças transmitidas pelo Aedes. A ocorrência da síndrome neurológica relacionada ao zika vírus foi confirmada após investigações conduzidas em Pernambuco, a partir da identificação do micro-organismo em amostras de seis pacientes. Desse total, quatro foram confirmadas com doença de Guillain-Barré. Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de tratamento integral para a síndrome.

Avanço

Anápolis registrou 2.558 casos de dengue neste ano — alta de 386% em relação ao mesmo período de 2015. O município está na vice-liderança do ranking de Goiás, estado que mais registrou a infecção. A cidade está em alerta máximo para a alta incidência do inseto. Perde apenas para Goiânia, com 6.570 notificações. “Estamos concentrando forças no Entorno e na região metropolitana de Goiás. A falta de saneamento básico é um agravante. Problemas com coleta de lixo e tratamento de água, por exemplo, aumentam os criadouros”, justificou o secretário Leonardo Vilela, ao ressaltar que conta com apoio do DF para o combate na região. Na sexta-feira, representantes dos dois governos se reúnem em Luziânia para definir os parâmetros do termo de cooperação técnica.

Goiás possui 21 casos de zika confirmados, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. De acordo com o Boletim Epidemiológico, no ano passado, houve 106 notificações e 64 estão em investigação. Há a confirmação de 13 infecções nesse período. Na primeira semana de fevereiro, 98 casos foram registrados, sendo que um está descartado, segundo informações do governo goiano. Das oito pessoas que contraíram zika em 2016, cinco moram em Goiânia, duas em Trindade e uma em Itumbiara. “Não há mudança de estratégia em relação ao que nós pensamos no fim do ano passado, que é a erradicação do mosquito. O tratamento é de suporte, como a maioria das doenças provocadas por vírus”, destacou o secretário.

Os casos de dengue em Anápolis, que tem 334 mil habitantes, aumentaram 386% em relação a 2015

Bioinseticida pronto

Uma nova geração de um bioinseticida que mata as larvas do Aedes aegypti passa pelos últimos testes toxicológicos. O desenvolvimento do veneno é de responsabilidade da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O produto chama-se Inova-Bti e foi criado em parceria com o Instituto Matogrossense do Algodão. O inseticida passou pelos testes de laboratório, mas precisa ser registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. É o segundo tipo biológico feito pela empresa. O primeiro, o Bt-horus, já foi testado em quatro cidades brasileiras, entre elas, São Sebastião.

 

Discussão: Gestão compartilhada por OSs na educação será debatida em Anápolis

Audiência pública vai debater a proposta de gestão compartilhada da educação estadual por meio de OSs

POR AUGUSTO DINIZ - JORNAL OPÇÃO - 26/01/2016 - 00:09:30
 

Audiência promovida pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) será realizada na quarta-feira (27/1), às 19 horas, no auditório da Faculdade Fibra.

O assunto gestão compartilhada por Organizações Sociais (OSs) da educação na rede pública será debatido em audiência pública promovida pela Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) nesta quarta-feira (27/1) às 19h em Anápolis, no auditório da Faculdade Fibra, que fica no quilômetro 97 da BR-060/153, número 3.400, no bairro São João.

De acordo com a Seduce, a audiência será realizada com pais, alunos, educadores, políticos e autoridades, que foram convidadas a participar do debate sobre a implantação das OSs na gestão das escolas estaduais. A secretária Raquel Teixeira confirmou presença no evento.

O primeiro edital de chamamento público realizado pelo governo, publicado no dia 5 de janeiro, prevê o início da gestão compartilhada em 23 escolas da regional da Seduce de Anápolis. De acordo com a Seduce, por isso a importância de se realizar o debate com a comunidade escolar e política da cidade.

No sábado (23), o juiz Carlos Eduardo Rodrigues de Sousa, da comarca de Anápolis, concedeu liminar de reintegração de posse de oito escolas estaduais ocupadas no município por manifestantes contrário à implantação das OSs na gestão dos colégios.

As escolas incluídas na liminar concedida pelo magistrado são os colégios estaduais Américo Borges de Carvalho, Carlos de Pina, Jad Salomão, José Ludovico de Almeida, Padre Fernando Gomes de Melo, Polivalente Frei João Batista, Herta Layser Odwyer e Antensina Santana.

Sem direito

O juiz entendeu, na decisão, que os ocupantes se apossaram, sem direito, do controle das escolas – esbulho possessório (usurpação de propriedade). Para que haja a reintegração de posse, o magistrado determinou que seja realizada audiência pública para debater a proposta do Estado de gestão compartilhada por OSs.

Depois de realizada a audiência, o descumprimento da decisão tem previsão de multa diária de R$ 10 mil aos ocupantes, como determinou o juiz.

Alheia à crise: Cristalina cresce e gera empregos

Município goiano diversificou sua atuação no agronegócio e ficou entre as seis cidades que mais abriram vagas no Brasil

ESTADÃO CONTEÚDO - 02/01/2016 - 20:46:38
 

Conhecida como a capital dos cristais, a pequena Cristalina, no leste de Goiás, virou paraíso do milionário mundo da agricultura. Localizado a quase 1.200 metros de altitude, o município é rico pela diversidade. Ali, como diria Pero Vaz de Caminha, tudo que se planta dá: de soja, milho e café até batata, cebola, alho, tomate e frutas. Um dos segredos está na tecnologia. Quando o clima não favorece, sistemas de irrigação são acionados para garantir a produtividade no campo. A cidade tem a maior área irrigada da América Latina e, por isso, produz o ano inteiro. ...

Não fosse pelo nome, poucos saberiam que Cristalina já foi um reduto do garimpo. Hoje em dia a vocação da cidade, a 131 quilômetros da capital federal, é facilmente percebida no comércio de insumos agrícolas, nos inúmeros silos de armazenagem que rodeiam o município e nas plantações que ocupam áreas a perder de vista. Empresas do setor alimentício, como Bonduelle, Fugini e Sorgatto, também estampam suas marcas na cidade, que se transformou num dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) agrícolas do Brasil. Ali, muitas vezes, não é o real a moeda principal da cidade, mas as sacas de grãos ou de hortifrútis.

As condições favoráveis colocaram Cristalina entre os municípios brasileiros que mais criaram emprego no ano passado, apesar da crise econômica que assola o País. Segundo dados do Ministério do Trabalho, até outubro, estava entre as seis com maior número de empregos no Brasil. É claro que, como o resto do País, a cidade sente alguns reflexos da retração econômica, mas de forma mais amena do que outros municípios.

“Por ter atividade o ano todo, a cidade sente menos os efeitos da crise”, afirma o presidente da cooperativa de crédito Sicredi Planalto Central, Pedro Jaime de Araujo Caldas. Dali sai quase 40% de todo o alho consumido no Brasil e 10% da batata e da cebola nacional, além de ervilha, feijão e beterraba. No total, são 36 culturas diferentes produzidas em Cristalina. Quando termina a safra de uma determinada plantação, começa outra e logo vem o plantio e, assim, vai girando o ciclo do emprego e da renda na cidade. Hoje, segundo a prefeitura local, a taxa de desemprego está abaixo de 4%.

Mas nem sempre foi assim. A cidade, que vai comemorar seu centenário neste ano, teve origem na exploração de cristais no fim do século 19. O garimpo, porém, não deixou nenhum legado para o município, que hoje tem 53 mil habitantes. Até 2008, o índice de desemprego chegava perto de 39%, diz o prefeito de Cristalina, Luiz Carlos Attié. Mas a expansão da agricultura mudou o rumo da história. A expectativa é que Cristalina feche o ano com crescimento de 2% do PIB enquanto o País deve amargar 3% ou 4% de queda.

 Fora da curva. Cristalina deve crescer 2% este ano

Motor de crescimento. Os investimentos, embora de forma menos intensa do que em 2014, continuam movimentando a economia local, seja no ramo imobiliário, comércio ou na agricultura. De olho no aumento do número de visitantes que a cidade pode atrair por causa da expansão dos negócios agrícolas e na chegada de novas empresas, Airton Arikita, iniciou a construção de um complexo que inclui um hotel, uma área para eventos e um restaurante. No total, vai investir cerca de R$ 11 milhões no empreendimento, que emprega 43 pessoas na construção e estará concluído em dezembro. 

O restaurante foi inaugurado em abril de 2015 e tem 38 funcionários. Desde então, o estabelecimento virou reduto dos funcionários das grandes empresas da cidade. Na hora do almoço, trabalhadores com uniformes de várias companhias desfilam pelo amplo salão do restaurante Ity, que à noite vira o point dos endinheirados da cidade. “A reboque da agricultura há uma série de possibilidades de emprego na cidade”, diz Arikita, que também está investindo na plantação de 320 hectares de eucalipto. “Estamos empenhados na viabilidade do setor florestal. Queremos profissionalizar e agregar valor ao produto”, diz o empreendedor, nascido em Taquarituba, no interior de São Paulo.

Outro que diversificou os negócios é o mineiro Marcio Braga de Resende. Além de uma empresa de insumos agrícolas, equipamentos para ordenha e assistência técnica, Resende tem 46 hectares de área plantada de manga, além de eucalipto. “A logística de Cristalina é muito boa (está a 131 km de Brasília e a 281 km de Goiânia). Isso sem contar que nossa safra de manga começa quando termina a de São Paulo. É um ponto positivo pra gente.”

Apesar da piora da economia brasileira, ele manteve um grande investimento na construção da nova sede da Polo Produtos Agrícolas. O estabelecimento terá 6.300 metros quadrados (m²), sendo 2.400 m² de área construída com dois armazéns para sementes e fertilizantes. A transferência da loja, que hoje ocupa um imóvel alugado de 900 m², deve ocorrer no segundo semestre de 2016. 

A situação de Cristalina hoje é resultado de mais de 20 anos de investimentos, especialmente em tecnologia. Hoje, além de grandes produtores, a cidade também tem centenas de pequenos agricultores, que elevam a renda do município. Segundo o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Cristalina, Renato Leal Caetano, a região tem 600 produtores e 1.200 famílias na agricultura familiar. “Isso produz um impacto positivo no número de empregos da cidade, cujo PIB Agrícola somou R$ 2,6 bilhões em 2014”, diz ele.

Marcas de peso. A presença de grandes empresas processadoras de alimentos em conserva também tem uma participação bastante relevante nos bons resultados que a cidade tem colhido nos últimos anos. A diretora do Sistema Nacional de Empregos de Cristalina (Sine), Elaine Fachinello, afirma que a oferta média por dia tem ficado na casa de 50 vagas, sendo que boa parte delas é destinada ao setor industrial. Mais recentemente tem aparecido oportunidades para o setor rodoviário, para trabalhar em praças do pedágio recém-inauguradas na BR-050.

“Recebo ligações de pessoas de cidades vizinhas em busca de vagas. Mas a prioridade é para a população local”, diz ela. A executiva observa, no entanto, que nem tudo é “um mar de rosas” em Cristalina. O comércio local deu uma arrefecida nos últimos meses. 

“Até julho, as vendas foram muito bem. Mas, de repente, as pessoas passaram a ficar mais receosas e pararam de comprar”, destaca a presidente da Associação Comercial e Agroindustrial de Cristalina, Joana D’Arc Rodrigues da Silva Assad. Segundo ela, até meados do ano, o comércio tinha crescido 30% e agora caiu quase na mesma proporção.

Joana, que há 20 anos tem uma loja de roupas no centro de Cristalina, destaca que o poder aquisitivo da cidade cresceu muito nos últimos anos. Basta verificar as grandes caminhonetes que circulam pelas ruas do município – pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29% da frota de Cristalina é formada por caminhonetes e caminhonetas. Mas o efeito do aumento na renda tem tido um efeito perverso para o comércio local. Com a proximidade de Brasília, muita gente prefere fazer compras na capital federal.

Entorno do DF: Fuga em cadeia de Luziânia

Oito detentos usaram ferramentas improvisadas para serrar as grades da cela, fazer um buraco na parede e escapar do Centro de Inserção Social (CIS) da cidade. A falta do grupo só foi notada no dia seguinte, durante a troca de turno

POR THIAGO SOARES - CORREIO BRAZILIENSE/ANTONIO CUNHA/CB/D.A PRESS - 02/01/2016 - 13:45:08
 

Oito detentos foragidos do Centro de Inserção Social (CIS) de Luziânia, localizado a cerca de 60km de Brasília, são procurados pelas polícias Civil e Militar de Goiás. O grupo fugiu da unidade de detenção durante a madrugada da última quinta-feira, mas a ausência somente foi notada ao amanhecer, após a troca de turno dos agentes penitenciários. Essa é a segunda fuga registrada em menos de uma semana no estado goiano. Na semana passada, sete homens fugiram do presídio de Rio Verde. ...
 
 
Cerca de 330 homens ficam divididos entre as quatro alas do complexo penitenciário de Luziânia, localizado na zona rural, a 10km do centro da cidade. Na unidade, apenas sete agentes são responsáveis pela vigilância dos presos, por turno. “Essa situação não se restringe ao Entorno do DF, mas abrange todo o estado goiano. São muitos presos para poucos servidores, que acabam ficando sobrecarregados”, explica o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal do Estado de Goiás, Daniel Alves de Lima. Foto: CB Poder.

Segundo dados da entidade, atualmente, 2,5 mil agentes penitenciários compõem o sistema prisional goiano. De acordo com Daniel Alves, o número é insuficiente para atender todas as unidades de detenção do estado. “O nosso deficit é de 1 mil agentes”, atesta. O último concurso foi realizado em meados de 2014, mas os 305 aprovados não tomaram posse. “Não temos perspectivas de outros concursos”, concluiu.

Os fugitivos estavam todos na mesma cela, com 12 presos. Segundo a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap), eles fizeram um buraco na parede e serraram as grades, com auxílio de barras de metais e um estilete improvisado. Depois disso, oito fugiram em direção à mata que cerca o presídio. Quatro permaneceram na cela.

Há menos de três meses, outro grupo de detentos também fugiu do local. Diante disso, chacareiros que moram nas proximidades vivem com medo. “Em uma outra vez, vi os presos correndo pelo quintal. A única opção foi me esconder para eles não fazerem nada de mal ou talvez tentar roubar o meu carro”, disse o proprietário, que não quis se identificar. Outro morador da região também relata o clima de insegurança. “Eles não têm nada a perder. Estavam presos, e esse é o nosso receio”, lamentou.

Os fugitivos, segundo a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) de Goiás, são: Ariel Pereira da Silva; Felipe de Jesus Braz; Rogério Santos de Campos; José Divino de Jesus; Rodrigo Coelho; Geovan Oliveira; Sidney Morais; e Valdir dos Santos. Uma sindicância será aberta para apurar o caso, que também deve ser investigado pela Polícia Civil. Até o fechamento desta edição, nenhum dos foragidos havia sido localizado.

Rio Verde

No último domingo, um grupo de sete presos também fugiu do Centro de Internação Social de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Segundo a Polícia Militar, o modo de operação foi semelhante ao da fuga de Luziânia. Os detentos escaparam durante a madrugada, depois de serrar as grades da cela. Os agentes perceberam o problema no momento da contagem dos internos, realizada diariamente a cada troca de turno. Foi o terceiro episódio semelhante na unidade em menos de seis meses.

PEC permite que os municípios da RIDE sejam atendidos pelo Fundo Constitucional do DF

O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB/GO) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 171/2015 possibilitando que o Fundo Constitucional do Distrito Federal atenda os municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE/DF).

“A microrregião do Entorno do Distrito Federal é promissora e investimentos em infraestrutura, segurança, saneamento poderão alavancar a economia da região”, disse Vecci. O município goiano de Luziânia possui uma produção agropecuária e industrial bem significativa. Entre 2000 e 2012, o PIB da região mais que quintuplicou. O Entorno é responsável por 16% da produção agrícola e por 7% da produção pecuária de todo o Estado de Goiás.

Com a aprovação da PEC, o governo do Distrito Federal poderá empreender, sempre que considerar oportuno, ações no Entorno, especialmente na RIDE/DF. “O recurso permitirá que o governo realize melhorias estruturantes nas cidades, melhorando a qualidade de vida dos moradores da região”, afirmou o tucano.

A proposição não altera o uso do Fundo, mas amplia a abrangência territorial do mesmo. Atualmente o Fundo Constitucional (FC) tem a finalidade de prover os recursos necessários à organização e manutenção da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, bem como assistência financeira para execução de serviços públicos de saúde e educação.

O parlamentar tucano lembra que a população de Goiás e do Distrito Federal já possui um convívio diário, com laços de amizade e trabalho. “A integração é espontânea. Porém, é importante que os governos se preocupem em facilitá-la e organizá-la", explica. 

Vecci também propõe o aumento do repasse para o Fundo, com a fixação do limite mínimo de 0,6% da receita corrente líquida, correspondendo atualmente a cerca de 3,8 bilhões de reais. “O Fundo Constitucional do Distrito Federal é imprescindível para o regular funcionamento das instituições, bem como para a execução dos serviços públicos na capital do País”, finaliza.

Municípios da RIDE

A RIDE é constituída pelos municípios de Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Formosa, Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso e Vila Boa, no Estado de Goiás, e de Unaí e Buritis, no Estado de Minas Gerais.

Cidade Ocidental: PME é aprovado no mesmo dia do pedido cassação da prefeita

PME foi alvo de golpe da prefeitura da cidade, que alterou o texto proposto por uma comissão oficial e especialmente criada para a tarefa, retirando pontos importantíssimos para a população

O Plano Municipal de Educação- PME da Cidade Ocidental, que prevê metas e prazos para implementar diversas transformações positivas no ensino da região pelos próximos dez anos, foi aprovado na Câmara Municipal com 12 emendas na última terça-feira (15). O PME foi alvo de golpe da prefeitura da cidade, que alterou o texto proposto por uma comissão oficial e especialmente criada para a tarefa, retirando pontos importantíssimos para a população. Graças à organização dos representantes de entidades e do sindicato dos servidores (Sindserco), a adulteração da prefeita Giselle Araújo foi descoberta e alertada aos vereadores, que, em ação conjunta com membros da comunidade, propuseram emendas para que o texto voltasse a seu propósito original.

“A aprovação do PME com as emendas foi uma grande vitória para a classe trabalhadora, a juventude e toda a população da Cidade Ocidental. Apesar do processo ter sido mais longo do que em outros lugares (que não tiveram que lidar com golpismo da parte de suas lideranças), consideramos que esse é um grande passo para o futuro do município”, avalia o presidente do Sindserco, Osman Telles.

De acordo com o sindicalista, para que o PME passe a ser lei o documento precisa da sanção da prefeitura. Caso a prefeita não assine no prazo, o presidente da Câmara Legislativa pode garantir a vigência do PME como lei.

“Agora, estamos nos mobilizando no processo de cassação da prefeita. A alteração indevida do PME não foi a primeira ação centralizadora e golpista de Giselle Araújo. Em 2014 ela alterou um Projeto de Lei às costas dos trabalhadores, que trazia diversos prejuízos para as categorias como alterações nos planos de carreiras e precarização do trabalho. Agora, foram descobertos crimes com recursos públicos que podem afastá-la do poder e abrir um novo horizonte para a cidade”, explica Osman Telles.

Esquema de corrupção

Após cinco meses de trabalho de investigação, o vereador Paulo Rogério (Pros) trouxe à tona uma grave denúncia. Com provas documentais, vídeos de carcaças de veículos da Prefeitura e entrevistas com funcionários municipais e supostos fornecedores de peças e serviços, o vereador disse ter desbaratado um dos maiores e mais longos esquemas de corrupção realizados no município de Cidade Ocidental.

Com base nas provas, Paulo Rogério apresentou na Câmara no dia 15 pedido de cassação do mandato da prefeita Giselle Araújo.

O vereador investigou e identificou sucatas de veículos jogados por anos em pátio de secretaria de Viação e Obras e que de acordo com documentos deveriam ter sido reformados. Os serviços e peças foram pagos, mas os veículos encontram-se como ferro-velho, inutilizáveis há muito tempo no pátio. Confrontando com documentos do Tribunal de Contas dos Municípios e informações de contratos de fornecimentos de peças e serviços de duas empresas, ele revelou um esquema que já deu prejuízo de mais de R$ 2,5 milhões aos cofres municipais.

“Giselle Araújo mostrou muitas vezes que não tem compromisso com a cidade e nem com a classe trabalhadora, e apoiamos esse processo de cassação por acreditar nas denúncias que foram anunciadas e que, mesmo não sendo de um partido que defende os interesses trabalhistas, teremos mais disposição política e diálogo da parte do vice prefeito, que assume o cargo com esse afastamento”, afirma o presidente do Sindserco.

Fonte: Aconteceu no Entorno - 20/09/2015 - 11:16:59

Delegado que transferiu presos a pé deve retornar a Planaltina de Goiás

Ele ganhou ação na Justiça após ser mandado para Alto Paraíso de Goiás. Investigador considera que foi punido por levar detentos andando até presídio.


Presos foram transferidos a pé para presídio de Planaltina de Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

O Tribunal de Justiça determinou que o delegado Cristiomário Medeiros, que atualmente está delegacia de Alto Paraíso de Goiás, seja transferido de volta para Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, onde trabalhava até maio deste ano. O investigador entrou na Justiça por considerar que foi punido após transferir 20 presos a pé até o presídio da cidade.

De acordo com a decisão, expedida pelo juiz Thiago Cruvinel Santos, a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária da Polícia Civil tem que retornar o delegado ao seu município de origem em até 15 dias. A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária da Polícia Civil informou ao G1 que não foi notificada da decisão até as 17h desta terça-feira (7).

Os presos foram transferidos da delegacia para o presídio da cidade após oito detentos fugirem do local depois de retirar parte da grade de proteção de uma cela e escapar pela área de banho de sol. A unidade estava superlotada e tinha estrutura precária, desgastada.

A Justiça determinou, na época, que os presos fossem levados para o presídio até que uma reforma fosse feita na unidade. Entretanto, como não havia carros suficientes, o grupo foi transferido algemado e a pé.

Assista o vídeo. Clique aqui!

Fonte: G1 DF - 07/07/2015 20h06 - Atualizado em 07/07/2015 20h06

Polícia Civil de Planaltina de Goiás desenvolve projeto nas escolas estaduais do município

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Há cerca de três semanas a Polícia Civil de Planaltina Goiás iniciou nas Escolas de Ensino Médio da cidade o Projeto Polícia nas Escolas.

Trata-se da realização de palestras pelo Delegado Titular da Delegacia de Planaltina, Dr. Cristiomário Medeiros. Nelas são apresentados aos alunos os principais tipos de estelionato, visando a sua prevenção e identificação de autores, bem como são tratados temas relacionados ao tráfico de drogas e uso da internet. Esta ação tem como objetivo diminuir a ocorrência de crimes sexuais em que tem crianças e adolescentes como vítimas. Para o Delegado e coordenador do Projeto, “esta é uma oportunidade para que a Polícia Civil possa interagir com crianças e adolescentes, ajudar na prevenção da criminalidade. Além de melhorar a cidade que temos”.

O projeto se insere na perspectiva da Polícia Comunitária e se estenderá no futuro às escolas municipais. Todas as escolas estaduais serão visitadas nas próximas semanas, de acordo com a agenda das unidades escolares e do Delegado. A avaliação da comunidade tem sido muito positiva a respeito do Projeto, inclusive recebendo elogios nas redes sociais. Este é mais um projeto de interação com a sociedade realizado pela Polícia Civil em Planaltina Goiás, o que tem gerado enormes benefícios à comunidade, inclusive com a redução da criminalidade na cidade que era uma das mais violentas do entorno do Distrito Federal.

Da redação do Gama Cidadão

 

 

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